Debian descomplicado: da formatação à produtividade!

Olá!

Você está procurando uma alternativa de sistema operacional para substituir o Windows ou o MacOS? Veio ao lugar certo! Debian é uma distribuição GNU/Linux (vulgarmente conhecidas como “Linux”), sendo o sistema de base utilizado para criar algumas das distribuições (ou distros) mais famosas, como o Ubuntu. Debian se destaca, principalmente, nos critérios de estabilidade, segurança e leveza. É uma das distros mais antigas, estando em operação desde 1993, e é gerenciada por uma gigantesca comunidade de voluntários ao redor do mundo, com o apoio de diversas empresas.

1 INTRODUÇÃO

1.1 Você deve usar o Debian?

Primeiramente, é preciso destacar que o Debian tende a não ser recomendado para iniciantes em GNU/Linux, sendo favorecida, nesses casos, a utilização de sistemas como Linux Mint e Pop!_OS, derivados do Ubuntu, ou o próprio Ubuntu, derivado do Debian, uma vez que são muito amigáveis. É importante pontuar, porém, que a utilização diária do Debian não é difícil, sendo a sua complexidade atribuída principalmente ao download, à instalação e às configurações iniciais. Seguindo um guia passo a passo como este, tal processo pode ser bem simplificado. Esse guia utiliza linguagem simples e foi criado para iniciantes.

Então para quem é o Debian? Eu o recomendaria principalmente para pessoas que buscam uma alternativa ao Windows 10 e, ao mesmo tempo, estão dispostas a conhecer um mundo novo, aprendendo alguns conceitos sobre GNU/Linux. Isso abrange tanto usuários comuns que procuram um sistema mais estável, leve, customizável e seguro quanto entusiastas de computação, desde que estejam com a mente aberta. Se você procura um sistema “plug and play”, talvez o Debian não seja para você. Neste caso, dê uma olhada nos outros sistemas que mencionei. O Debian vai demandar uso do temido “Terminal” (que não é tão temido assim depois que você entende o básico).

1.2 Quais são as limitações? Posso instalar todos os programas de Windows nele?

Agora vamos ao segundo ponto: Debian (ou qualquer outro sistema GNU/Linux) roda todos os aplicativos do Windows? Não. Mas a resposta é muito mais longa. Aplicativos proprietários comuns, como Discord, Steam e Spotify, são fáceis de encontrar e estão disponíveis nativamente, sendo utilizados exatamente da mesma forma que seriam utilizados no Windows. Até mesmo programas da Microsoft, como Microsoft Teams e Skype, estão disponíveis dessa forma. Com relação a navegadores, opções não faltam: Chrome, Chromium, Firefox, Microsoft Edge, Opera… A lista é muito extensa. Aplicativos de código aberto populares no Windows, como o OBS Studio, o reprodutor de mídias VLC e o editor de imagens GIMP, também estão disponíveis nativamente.

E quanto a outros programas, mais específicos? Bem… Você não encontrará versões de programas como AutoCAD, Adobe Photoshop ou mesmo Microsoft Office para GNU/Linux… O que não quer dizer que não existam alternativas! Primeiramente, você pode tentar migrar para outros programas que tenham funções parecidas. O AutoCAD, por exemplo, pode talvez ser substituído pelo LibreCAD ou pelo FreeCAD. O Microsoft Office pode ser trocado por uma das trocentas opções similares disponíveis, como LibreOffice, OpenOffice ou WPS Office. O GIMP e o Krita, por sua vez, talvez sejam capazes de substituir o Photoshop, a depender de sua atividade.

“Mas eu tenho um software de Windows e preciso muito rodar ele!”. Certo, não se desespere! Já ouviu falar do WINE (“Wine Is Not an Emulator”)? Sistemas GNU/Linux evoluíram absurdamente nos últimos anos! WINE é uma camada de compatibilidade que permite executar programas de Windows no GNU/Linux como se fossem nativos, com pouco impacto no desempenho. Há inclusive aplicativos simplificados que permitem instalar facilmente os executáveis .exe e .msi, como o PlayOnLinux. Contudo, nem tudo são flores… Enquanto você consegue instalar o Microsoft Office 2013 x86, por exemplo, e usá-lo normalmente, programas da Adobe e outros podem não funcionar.

“Mas eu quero é jogar!”. Sistemas GNU/Linux já foram péssimas alternativas para esse fim, mas atualmente se tornaram MUITO competentes. Eu mesmo sou jogador assíduo e o Debian é o único sistema operacional que uso para jogar. O programa nativo da Steam vem com uma implementação do WINE conhecida como Proton. Você pode rodar quase todos os jogos de Windows da sua biblioteca, bastando abrir as configurações da Steam e ativar o Steam Play (Proton) para todos os títulos. Aí basta fazer o download e clicar em jogar, exatamente como faria no Windows, e ter experiência bem semelhante.

“Mas, peraí, você disse quase todos?”. Sim. Embora o suporte seja cada vez melhor, alguns jogos dependerão de ajustes e outros não funcionarão (o que geralmente está associado à presença de um anti-cheat que opera a nível de kernel no Windows). Você pode consultar o status de qualquer jogo da Steam usando este site: https://www.protondb.com/. Jogos Gold, Platinum ou nativos geralmente funcionam sem qualquer ajuste. Jogos Silver funcionam, mas podem depender de ajustes ou apresentar limitações. Jogos Bronze ou Borked provavelmente não funcionarão (embora nada impeça que venham a funcionar em atualizações futuras).

“Mas eu também tenho jogos na Epic, na uPlay, na Origin, na Blizzard, na GOG…”. Não se preocupe! Você pode instalar o aplicativo Lutris e, dentro dele, com um clique, pode fazer o donwload dessas lojas, bem como utilizá-las para fazer o download de seus jogos. As mesmas limitações que expliquei anteriormente se aplicam. Mas sabe qual é a melhor parte? O Lutris é um paraíso para quem gosta de emular consoles de videogame, tendo dezenas de programas de emulação que você pode instalar e usar com apenas um clique.

2 INSTALAÇÃO

2.1 Você me convenceu! Onde faço o download?

Debian é lançado em três edições:

  • Estável: é a mais conservadora. O sistema e os programas são atualizados mais lentamente, apenas após passarem por rigoroso período de testes para garantir que não existam bugs. É sólida como uma rocha e quase indestrutível, mas tende a possuir software consideravelmente desatualizado em seus repositórios.
  • Testes: é um “meio-termo”. Pacotes atualizados recentemente, com menor avaliação por meio de testes, são testados aqui antes de chegarem à versão estável.
  • Instável: é “rolling release”, ou seja, atualiza ao longo do tempo, sem ter novas versões fixas, e recebe sempre o software mais atualizado. Embora também seja sólida (o Debian é um sistema estável por essência), é mais propensa a bugs e quebras.

As três versões são viáveis. Pessoalmente, prefiro usar a versão de testes, uma vez que evito problemas e, ao mesmo tempo, fico com software bem atualizado. Apesar do nome, o sistema é bem estável e é totalmente viável usá-lo no dia a dia. Quando uma nova versão estável acaba de ser lançada (a atual versão de testes torna-se estável), passa a ser também interessante, uma vez que o software está “saindo do forno” e irá levar algum tempo para que comece a ficar defasado diante da nova versão de testes. Mas, de qualquer forma, você pode se manter sempre na versão de testes e será muito bem atendido.

Agora precisamos acessar o confuso site do Debian para fazer o download da versão Testing (atualmente 11). O Debian está disponível para uma quantidade absurda de arquiteturas, incluindo ARM. Os computadores com processadores de 64 bits, mais comuns, utilizam a arquitetura x86_64, também conhecida como amd64. Esta versão pode ser baixada clicando aqui: https://cdimage.debian.org/cdimage/weekly-builds/amd64/iso-cd/debian-testing-amd64-netinst.iso. Esta é uma imagem “netinst”, o que significa que é bem pequena e irá baixar o restante do conteúdo quando o instalador se conectar à Internet. Há também imagens mais completas, já prontas, disponíveis.

EDIT: as edições oficiais do Debian não contêm pacotes proprietários. Existe uma versão não oficial - e por isso não tratada aqui - que contêm esses pacotes. Essa versão pode facilitar a instalação caso você tenha algum hardware incompatível.

2.2 E agora? O que faço com isso? Como criar um pendrive de boot?

Agora vamos criar um pendrive de boot. Um software bem simples para isso é o Balena Etcher, que pode ser baixado aqui: balenaEtcher - Flash OS images to SD cards & USB drives. Há versões para GNU/Linux, MacOS e Windows. Separe um pendrive vazio de pelo menos 1GB (não use um pendrive com arquivos, eles serão apagados!) e selecione a .iso do Debian que você acabou de baixar. Clique em “Flash!” e aguarde.

2.3 Como inicio a formatação em meu computador?

Primeiramente você precisará acessar a BIOS. Isso pode ser feito, na maioria dos computadores, apertando repetidamente as teclas “Delete”, “F2” ou “Esc” logo após ligar. Em caso de dúvidas, leia o manual de seu equipamento. Você precisa procurar pela opção de “boot order” e então deve colocar o pendrive em primeiro lugar. Não esqueça de salvar as alterações ao sair. Se você fez tudo certo, basta aguardar até aparecer o menu do instalador do Debian. Caso não funcione, pode ser necessário desativar a opção de “Secure Boot” e tentar novamente.

2.4 Instalando o Debian

A instalação começa com esta tela:

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Figura 1: Menu inicial do instalador do Debian

Selecione “Advanced options” e, depois, “Expert graphical install”. Iremos executar a instalação em modo “expert” porque permite maior customização, o que deixará o sistema mais fácil de usar posteriormente. Não será difícil, fique tranquilo! Logo você verá esta tela:


Figura 2: Tela do “expert graphical mode” do instalador do Debian

Passo a passo:

  1. Para começar, iremos escolher a linguagem (“choose language”). A opção já está marcada, então aperte enter. Na página que irá se abrir, role para baixo e escolha o “Português do Brasil”. Em seguida, ele irá perguntar o país, e você deve escolher “Brasil”. Depois ele irá perguntar qual é o locale padrão, deixe na opção “Brasil - pt_BR.UTF-8”. Ao clicar em continuar, ele irá perguntar se você deseja instalar locales adicionais. Recomendo instalar o locale padrão para o Inglês. Vá rolando para baixo até encontrar a opção “en_US.UTF-8” e marque-a. Em seguida, ele irá perguntar, entre os dois locales, qual é o padrão. Deixe marcada a opção “pt_BR.UTF-8”.
  2. Agora ele voltou para o menu principal. Selecione a opção “Configure o teclado” e então clique em continuar. Em seguida, escolha o “Português Brasileiro”.
  3. Voltamos novamente para o menu principal. Selecione “Detectar e montar mídia de instalação”. Ele irá buscar a mídia e seu pendrive aparecerá na lista. Basta deixar marcado e clicar em continuar. Ele irá verificar a mídia, basta continuar outra vez.
  4. Voltamos ao menu. Selecione agora “Carregar componentes a partir da mídia de instalação”. Ele irá perguntar se você deseja carregar algum componente adicional. Pode ignorar essa parte e clicar em continuar (é interessante ler as opções apenas para conhecer). Agora basta aguardar.
  5. Voltamos ao menu e você irá reparar que novas opções surgiram. Selecione “Detectar hardware de rede” e continue. Debian busca e instala automaticamente drivers open source, e há uma pequena chance de seu hardware não ser reconhecido. Caso apareça alguma mensagem de erro, aborte a instalação e crie um tópico aqui no Fórum para ser ajudado.
  6. Voltamos ao menu outra vez. Selecione “Configurar a rede” e continue. Ele irá perguntar se você quer configurar a rede automaticamente, selecione “Sim” e continue. Ele irá pedir um tempo de espera para as tentativas, apenas deixe como está e clique em continuar. Aguarde. Se sua rede for wi-fi, você deverá selecioná-la na lista de redes disponíveis e, então, fornecer a senha de acesso. Em seguida, ele irá pedir um nome para o computador e você pode escolher um de sua preferência (seja criativo!). O computador aparecerá com esse nome na rede. Em seguida, ele irá perguntar sobre o domínio. Pode ignorar e clicar em continuar.
  7. Voltamos ao menu! Selecione agora “Configurar usuários e senhas”. Irão aparecer duas opções. A primeira, “Habilitar senhas sombra (shadow)”, serve para deixar sua senha oculta, aparecendo apenas pontos ao digitar. Por segurança, sugiro escolher “Sim”. Na segunda, “Permitir login como root”, escolha “Não”, pois assim poderemos criar um usuário à parte para usar o comando “sudo” no terminal.
  8. Agora ele pedirá o nome completo do usuário. Esse é o nome que aparecerá na tela de login. Digite o nome que quiser e clique em continuar. Ele irá pedir um nome de usuário, que pode ser basicamente o nome completo com letras minúsculas. Sugiro deixar assim e continuar. Agora você deve escolher uma senha e continuar. Essa senha é obrigatória para poder acessar como “root”. Caso você queira iniciar o computador sem digitar uma senha, essa configuração é feita após a instalação.
  9. Voltamos ao menu. Selecione “Configurar o relógio”. Ele irá perguntar se você deseja ajustar usando NTP, deixe marcado no “Sim” e continue. Ele irá pedir um servidor NTP, deixe o padrão e continue. Ele irá buscar o horário automaticamente na rede, basta aguardar. Em seguida, ele perguntará em qual Estado você está. Basta selecionar e continuar.
  10. Mais uma vez, estamos no menu. Quase lá! Selecione “Detectar discos” e aguarde.
  11. Voltamos ao menu. Selecione “Particionar discos”. Por motivos de simplificação, utilizaremos a opção “Assistido - usar o disco inteiro”. Dessa forma, um dos discos do seu computador será apagado e utilizado pelo Debian, que fará todo o particionamento automaticamente. Ou seja, não iremos tratar de dual boot aqui (fica para outro tutorial!). O instalador irá listar os discos rígidos encontrados e você deve selecionar onde irá instalar o sistema. Em seguida, ele irá perguntar se você deseja separar as partições. Para simplificar, selecione “Todos os arquivos em uma partição (para iniciantes)” e continue. Ele irá listar todas as alterações a serem efetuadas, selecione “Finalizar o particionamento e escrever as mudanças no disco” e continue. Ele irá pedir outra confirmação, marque “Sim” e continue. Nesse ponto, é importante ressaltar que o disco será formatado, ou seja, todos os arquivos nele serão excluídos para dar lugar ao Debian!
  12. Falta pouco! Selecione “Instalar o sistema básico” e continue. Pode demorar um pouco, basta esperar. Ao concluir a instalação inicial, ele perguntará qual kernel você deseja usar. Instalar o Debian é como montar um kart de garagem: você escolhe tudo. Deixe o “linux-image-amd64” marcado e continue. Por fim, ele irá perguntar sobre os drivers a serem incluídos no initrd. Caso você selecione “genérico: inclui todos os drivers disponíveis”, ele irá ocupar maior espaço em disco, mas permitirá que você remova o disco desse computador e consiga iniciá-lo em qualquer outro. Caso escolha “direcionado: só inclui drivers necessários para este sistema”, há uma pequena chance de isso não dar certo. Eu prefiro deixar no “direcionado”. Escolha e continue. Ele irá terminar a instalação.
  13. Voltamos ao menu. Selecione “Configurar o gerenciador de pacotes”. Ele irá perguntar se você deseja buscar mídias de instalação adicionais, escolha “Não” e continue. Na sequência, ele irá perguntar se você quer usar um espelho de rede. Escolha “Sim” e continue. Irá pedir o protocolo, deixe no http e continue. Irá pedir o país, escolha Brasil. Irá pedir o espelho, deixe no padrão e continue. Irá pedir informação sobre proxy http, basta ignorar e continuar outra vez. Em seguida, ele irá perguntar se você deseja utilizar software proprietário (não livre). Marque “Sim” e continue. Depois ele irá perguntar se você deseja habilitar repositórios fonte, algo que não considero relevante para o usuário comum. Escolha “Não” e continue. Na próxima janela, ele irá perguntar sobre serviços a serem usados. Deixe selecionada apenas a primeira opção (“Atualizações de segurança de security.debian.org”) e continue.
  14. Voltamos ao menu outra vez! Escolha “Selecionar e instalar software”. Ele irá perguntar se você deseja atualizações de segurança automáticas para os programas. Selecione “Instalar atualizações de segurança automaticamente” e continue. Aguarde. Em seguida, ele irá perguntar se você deseja participar do concurso de utilização de pacotes, recomendo que leia com atenção (como as informações são anônimas e gosto de contribuir, prefiro selecionar “Sim”). Agora você poderá escolher qual interface seu sistema operacional irá usar. Você pode inclusive instalar mais de uma, escolhendo qual usar durante o login. Pesquise sobre cada uma na Internet para decidir qual te agrada mais (o maior fator de escolha nessa parte é o gosto pessoal). GNOME é a interface mais popular e a que irei abordar neste tutorial. Caso queira usar GNOME, deixe as opções “ambiente de área de trabalho no Debian”, “GNOME” e “utilitários de sistema padrão” marcadas. Caso queira usar outra, basta marcar (e desmarcar ou não o GNOME, se você quiser ter uma segunda opção ou não). Continue e ele irá instalar todo o software e os drivers automaticamente.
  15. Adivinhe? Exatamente, voltamos ao menu! Agora selecione “Instalar o carregador de inicialização GRUB” e continue. Ele irá afirmar que outros sistemas não foram detectados e irá sugerir que você instale o carregador no seu disco primário. Selecione “Sim” e continue. Em seguida ele pedirá para apontar o disco e você deve selecionar a opção referente a onde o sistema foi instalado. Na próxima janela, ele perguntará se você deseja forçar a instalação do GRUB para o caminho de mídia removível EFI. Como problemas são raros, selecione “Não” e continue. EDIT: em placas-mãe low-end, pode ocorrer do firmware perder as variáveis de boot, o que impediria o sistema de iniciar. Por isso, é recomendável responder “Sim” para forçar a instalação extra no caminho de mídia removível EFI.
  16. Voltamos ao menu uma última vez. Selecione “Finalizar a instalação” e continue. Ele perguntará se o relógio do sistema está configurado para UTC, escolha “Sim” e continue. Irá aparecer a mensagem de instalação completa, basta continuar. O computador irá reiniciar, e você já pode retirar seu pendrive. Use sua senha, definida anteriormente, para acessar o sistema na tela de login.

3 CONFIGURAÇÕES DE PÓS-INSTALAÇÃO

Agora você já está vendo a área de trabalho do GNOME. Primeiro, experimente se habituar ao sistema. Mais adiante darei algumas dicas sobre customização para deixá-lo mais parecido com o Windows ou o MacOS. O GNOME não usa uma barra de tarefas estática por padrão e, portanto, é necessário pressionar a tecla “Super” (a famosa “tecla do Windows”) ou clicar em “Atividades” para vê-la.

3.1 Pacotes básicos

O Debian é uma distro mais conservadora em termos da filosofia do software livre. Portanto, é necessário instalar complementos proprietários à parte para ter uma usabilidade mais agradável e sem surpresas. Abra o aplicativo “Terminal”. Vamos executar alguns comandos. Utilizaremos a estrutura “sudo”, para invocar privilégios de administrador, seguidos da definição da tarefa. A cada execução do comando “sudo”, a senha de administrador é solicitada. Primeiramente, é interessante adicionar o suporte a pacotes de 32 bits no seu sistema de 64 bits. Isso é necessário para executar programas como a Steam:

sudo  dpkg --add-architecture i386

Agora vamos atualizar a lista de pacotes, o sistema e os programas (os comandos poderiam ser executados de apenas uma vez, mas deixarei separado para não confundir. Faça um após o outro, em sequência):

sudo apt update
sudo apt upgrade

Em seguida, é interessante adicionar o suporte a Flatpak - um modelo de encapsulamento de aplicativos - para instalar programas proprietários de forma fácil. Você pode pesquisar a lista de programas neste site: Flathub—An app store and build service for Linux. Será necessário instalar o suporte ao Flatpak, um complemento para que os aplicativos apareçam na loja e o endereço do repositório Flathub:

sudo apt install flatpak
sudo apt install gnome-software-plugin-flatpak
flatpak remote-add --if-not-exists flathub https://flathub.org/repo/flathub.flatpakrepo

Atualize novamente o sistema utilizando:

sudo apt update && sudo apt upgrade

Em seguida, recomendo adicionar alguns pacotes básicos importantes para a utilização do sistema (nota: ao dar espaço entre o nome de um pacote e outro, ele irá instalar todos):

sudo apt install winbind libavcodec-extra unrar gstreamer1.0-libav gstreamer1.0-plugins-ugly gstreamer1.0-vaapi

Recomendo também instalar o pacote de fontes da Microsoft. Execute o comando abaixo. No meio do caminho, ele irá pedir para aceitar os termos de uso, navegue usando “tab” e selecione “sim”:

sudo apt install ttf-mscorefonts-installer

Caso seu equipamento seja um tablet, netbook ou notebook, instalar o TLP pode ajudar a reduzir o aquecimento e ampliar a duração da bateria:

sudo apt install tlp tlp-rdw
sudo tlp start

Caso você utilize gráfico integrado da Intel ou da AMD, ou placa de vídeo dedicada AMD, os drivers open source - melhores que os proprietários - já foram automaticamente instalados. Caso você use uma placa da Nvidia, será necessário instalar o driver proprietário, bem como algumas bibliotecas, manualmente. Isso é válido também para notebooks híbridos que tenham placa dedicada da Nvidia:

sudo apt install nvidia-driver firmware-misc-nonfree nvidia-driver-libs:i386

Nota: caso sua placa de vídeo Nvidia seja muito antiga (arquitetura Fermi ou anterior), pode ser necessário buscar uma versão mais antiga do driver. Crie um tópico neste setor e solicite ajuda. Não instale os pacotes acima, pois há o risco de quebrar o sistema.

Para instalar o suporte a impressoras, caso você vá usar:

sudo apt install cups

Para instalar o Java (JRE, para usuários comuns, ou JDK, mais completo, para desenvolvedores - escolha apenas um):

sudo apt install default-jre
sudo apt install default-jdk

Atualize manualmente outra vez:

sudo apt update && sudo apt upgrade

Reinicie o computador.

3.2 Usando a loja de aplicativos

Vá até a loja de aplicativos (“Programas”) e explore! Você encontrará muita coisa ali. Basta clicar em “instalar” e pronto. Sem trabalho, sem preocupação, sem ter que baixar executáveis em sites quaisquer. Para o caso de aplicativos Flatpak, pode ser necessário reiniciar a sessão para que o ícone apareça após a instalação. É importante destacar que há uma aba de “Atualizações”, onde aparecerão atualizações do sistema e programas quando estiverem disponíveis:


Figura 3: Interface da loja de aplicativos do GNOME (Debian)

Para configurar o sistema de atualizações, abra o programa “Software & Updates” (já vem instalado). Na aba “Atualizações”, você pode configurar a frequência que deseja para a busca de atualizações (recomendo deixar em “semanalmente”).

O GNOME que instalamos no Debian vem com alguns joguinhos instalados por padrão. Você pode removê-los na aba “Instalados”.

“E qual antivírus eu devo baixar?” Nenhum! Sério, você não precisa usar isso no Debian para o seu uso cotidiano. A explicação detalhada pode ser vista neste link.

EDIT: o suporte a pacotes Snap também pode ser ativado. Esse assunto não foi tratado aqui porque prefiro pacotes Flatpak e creio não ser necessário ativar ambos ao mesmo tempo, o que evita duplicidade.

4 CUSTOMIZAÇÃO

4.1 Extensões do GNOME

Talvez você não tenha gostado do visual padrão do GNOME… Sabe o que é bacana? O tanto que ele é customizável. Que tal deixar do “seu jeito”? Existem centenas de extensões disponíveis. Primeiramente, vá até a loja de aplicativos e instale o programa “Ajustes do GNOME”. Agora abra o Terminal e instale o seguinte pacote (apesar do nome, é válido também para outros navegadores além do Chrome):

sudo apt install chrome-gnome-shell

Agora acesse o site https://extensions.gnome.org/. Será necessário instalar uma extensão no navegador. O site irá sugerir automaticamente, na parte superior da página. Instale, feche seu navegador e abra novamente. Agora você pode explorar todas as customizações disponíveis! Recomendo dar uma olhada nas seguintes:

  • Dash to Dock = Lhe permite configurar livremente o Dock (ou Dash, se preferir deixá-lo como tal). É indicado para deixar o sistema mais semelhante ao MacOS.
  • Dash to Panel = Lhe permite juntar a barra superior e a Dock em apenas uma barra inferior, como no Windows.
  • AppIndicator and KStatusNotifierItem Support = Acrescenta suporte às notificações de aplicativos na barra do sistema.
  • Vitals = Lhe permite acrescentar uma área, na barra do sistema, onde podem ser exibidas informações sobre o uso e a temperatura dos componentes do computador.
  • Disable unredirect fullscreen windows = Aprimora a visualização de conteúdo e vídeos para evitar tearing.

Você não pode usar as extensões “Dash to Dock” e “Dash to Panel” ao mesmo tempo, mas pode manter ambas instaladas para mudar entre uma e outra como bem entender. As extensões (e muitos outros aspectos do sistema) podem ser configuradas através do aplicativo “Ajustes do GNOME”, que você baixou anteriormente.

4.2 Visual do GNOME

“Ah, mas quero mudar o visual das janelas, dos ícones e até do ponteiro do mouse!”. Sem problemas, há suporte total para isso! Você pode utilizar o site GNOME Look (https://www.gnome-look.org/browse/cat/) para encontrar milhares de opções. Para instalar um tema de janelas, vá até a sua pasta Home e aperte Ctrl + H para ver arquivos ocultos (começam com “.”). Crie uma pasta “.themes” e jogue o conteúdo do tema baixado e extraído lá dentro. Para instalar um tema de ícones ou de cursores do mouse, crie uma pasta “.icons” e jogue o conteúdo lá dentro. Aperte Ctrl + H para ocultar as pastas novamente. Depois vá até o aplicativo “Ajustes do GNOME” para escolher, na lista, os itens que você acabou de copiar. A título de exemplo, deixo algumas capturas de tela do Debian instalado e customizado em meu notebook:


Figura 4: Debian customizado


Figura 5: Debian customizado


Figura 6: Debian customizado

Estou usando todas as extensões acima, com o Dash to Dock ativo. O tema de janelas é o Mojave-dark (Mojave Dark - Gnome-look.org), o tema de ícones é o We10X-blue-dark (We10X icon theme - Gnome-look.org) e o tema de cursores é o Future-cyan-cursors (Future-cyan cursors - Gnome-look.org).

5 NOTAS ADICIONAIS

Vale a pena comentar sobre o aplicativo KDE Connect. Você pode baixá-lo na loja de aplicativos do Debian, assim como na Play Store de seu smartphone Android. Ao emparelhar os dispositivos por wi-fi, poderá controlar seu computador à distância utilizando o smartphone, bem como poderá receber notificações de seu celular direto na tela do computador. A transferência de arquivos é também muito fácil.

Outro recurso interessante está nas opções de “contas online” do GNOME: ao sincronizar uma conta do Google Drive, One Drive ou outra nuvem nas configurações do sistema, o acesso aparecerá no explorador de arquivos e você poderá manipular diretamente por ali!

E aí, o que achou do tutorial? Sugestões, elogios e críticas serão muito bem aceitos! Apenas tenha em mente que este material foi desenvolvido para inciantes.

Este artigo foi publicado também no Clube do Hardware: Debian descomplicado: da formatação à produtividade! - GNU/Linux, BSD, Unix-like e software livre - Clube do Hardware

A reprodução deste material é terminantemente proibida sem que sejam dados os devidos créditos ao autor (KairanD).

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Ótimo material. Parabéns e obrigado por compartilhar.

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Foi gol de placa terem criado a Artigos da Comunidade, a seção está excelente. Muito bom, @KairanD! E muito obrigado!

Gosto também das dicas de pós-instalação do Debian passadas pelo SlackJeff.

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Parabéns, instalei o Debian recentemente e vou dar uma revisada se não deixei passar nada a partir do que você colocou no seu artigo.

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Que delícia de texto! Parabéns! Deu até vontade de usar Debian!!

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acho que deveria rever as suas definições de “descomplicado”…

@msteles @Sergio_H @jridel @Ana_Paula Obrigado, pessoal! :slight_smile:

Debian nunca foi um sistema voltado a iniciantes. Este artigo busca facilitar as coisas, mas certamente não será capaz de esconder - e nem é esse o objetivo - a natureza do sistema. Os desenvolvedores do Debian partem do pressuposto que a pessoa que o baixou compreende o que está fazendo.

Como o artigo foi montado de forma a ser uma “receita de bolo”, acredito que “descomplicado” seja um termo adequado, uma vez que basta seguir um passo a passo rumo ao produto final: um sistema configurado e pronto para funcionar. Inclusive, elaborei o texto após alguns colegas usuários de Windows me solicitarem que os ensinasse a instalar e usar o Debian. E, bem, eles conseguiram. :slight_smile:

Acho que a questão principal é aquela que eu descrevi lá na seção 1.1: este tutorial é voltado a iniciantes, mas aqueles que estejam realmente dispostos a aprender. Ou seja, a pessoa precisa ter tempo e disposição para ler e interpretar. Eu procuro deixar isso bem claro quando envio este link a alguém. A linguagem é “descomplicada” e pula uma parte mais técnica desnecessária para quem está começando, mas há uma curva de aprendizado.

Se o “descomplicado” que a pessoa busca for um sistema plug and play, aí realmente o Debian pode não ser uma escolha feliz, porque ele irá exigir alguma dedicação, principalmente no início. Nesses casos, melhor recomendar Linux Mint ou Pop!_OS.

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É o que importa!

De todo modo, quem quiser uma experiência Debian mais facilitada pode usar o Q4OS.

Outras experiências, com ambientes mais modificados, podem se dar com o Raspberry Pi Desktop para PC (antes conhecido como Raspbian), o Linux Mint Debian Edition (LMDE), o Bunsenlabs e o MX Linux, entre outros.

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É um artigo bem honesto do Debian. Poderia melhorar algumas coisas mas enfim, deixo conforme o autor o criou. Elogio a parte em informar que existem distros mais fáceis e dar a real visão do q o Debian é.

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Sempre usei o testing sem problemas e prefiro para ter pacotes mais novos. Debian é minha segunda distro predileta.

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Tentei usar debian umas 5 vezes e infelizmente nas 5 vezes que tentei eu quebrei o sistema muito rapido e fácil e como eu estava querendo um sistema seguro para usar, não me agradou, ja que ele quebrou instalando programas simples, talvez quando eu tiver mais experiência com o linux eu de mais uma chance ao sistema, ja que eu gosto de distros baseadas no Debian

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rlx tbm uso isso desde sempre, nunca usei outro sistema a não ser o debian pra mim, ja é mais que o suficiente pro meu uso.
uso no modo padrão mesmo sem essa de ser modinha.

Notas de edição em 5/7/21:

  1. Adicionei uma consideração ao passo nº 15, da seção 2.4, para mencionar o problema de perda das variáveis de boot em placas-mãe low-end. Agradeço ao colega Marcos FRM, do Clube do Hardware, pela contribuição.
  2. Adicionei, na seção 3.1, a recomendação de instalação do pacote TLP para tablets, netbooks e notebooks.

Obrigado por seu comentário! Por sinal, críticas construtivas serão muito bem-vindas, caso queira comentar. :slight_smile:

A ideia é facilitar o acesso ao sistema por novatos, mas ao mesmo tempo deixando claro o que o Debian é. Não é e nunca será uma escolha perfeita para todas as situações.

Em geral também tenho preferência pela versão Testing. Ao meu ver, é uma boa opção tanto em termos de ter software atualizado quanto estabilidade.

Mas as outras edições também cumprem um papel. Para quem procura a máxima estabilidade, principalmente em ambientes de servidores, há a versão Stable. Para o público mais entusiasta, que quer estar sempre por dentro das novidades, sabe mexer a fundo no sistema e gosta do conforto do modelo “rolling-release”, o Unstable é o caminho a seguir.

Segurança e estabilidade são alguns dos principais destaques do Debian. Ele é inclusive uma das melhores opções de sistemas para quem procura isso, especialmente na versão Stable.

Não estou dizendo que é o seu caso (e recomendo a abertura de um tópico específico para avaliarmos melhor o caso - você pode me mencionar lá), mas a imperícia do usuário é a principal razão para ter problemas com o Debian. Um dos erros mais comuns é tratá-lo como o Ubuntu, sendo que são sistemas diferentes e com filosofias distintas. Diversos usuários acabam tentando instalar pacotes feitos para o Ubuntu no Debian, o que pode funcionar, mas também pode causar diversos problemas ou mesmo a quebra do sistema.

A Wiki do Debian inclusive tem um excelente guia com o título “Don’t Break Debian” (não quebre o Debian) relatando os erros mais comuns. É um sistema muito robusto e confiável, mas que exige atenção do usuário: DontBreakDebian - Debian Wiki

Sim, Debian pode ser boa opção para quem está começando, mesmo sem qualquer bagagem em GNU/Linux. Só depende do interesse do usuário em aprender a instalar e usar.

Debian 11 é o único sistema que tenho instalado em todos os meus computadores. Uso ele para trabalhar, para jogar, para relaxar, enfim… Para tudo. :slight_smile:

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Resolvi Instalar o Debian no computador que foi entregue para as minhas irmãs, por conta do Windows 10 não funcionar muito bem com uma CPU fraca com Clock de 1.1Ghz, e posso dizer que muito provavelmente o Windows 11 nem tocará nesse computador…

Essa foi a minha primeira vez Experienciando a instalação e configuração do Debian, fiquei um pouco receoso, a instalação era um pouco mais demorada que algumas Distribuições linux, mesmo estando conectado a um cabo, mas deixei isso de lado…

Instalei a Interface KDE, modifiquei um pouco a interface, otimizei um pouco mais o desempenho e deixei com um Ar a mais de “Windows 10 So que não”

o principal motivo por tedo escolhido Debian Era a Estabilidade e por problemas Causados no(a) “Janelas 10” por conta do hardware

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Não vejo nada de complicado assim no Debian comecei nele…não tive muita ajuda mas consegui…o fedora é muito mais complicado

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Olha tem alguma coisa de errada aí não sei o que é? Tô dizendo pq já usei debian Sid e comigo não quebrou, agora dizer que o Debian quebra fácil assim vou ter que discordar ainda mais se for stable

Comecei nele

Parabéns pelo ótimo material. Com certeza vai ajudar quem quiser utilizar o Debian pela primeira vez.

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Uso o testing já há um tempo e foi a distro que uniu tudo que eu queria e precisava em uma só. Não é difícil pra quem se propõe a ler e entender o sistema. A testing nunca me deu problema, mesmo usando de forma híbrida (apt pinado)

Quanto ao artigo ficou ótimo, só acho que seria melhor baixar a iso non-free live, pra facilitar.

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Deve ser…rsr

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