Por que utilizar Arch Linux ao invés de Debian ou distros baseadas em debian?

Eu sei que muitos vão responder algo do tipo “O correto é utilizar uma distro que atenda a sua demanda pessoal” ou coisas semelhantes a isso, mas a minha duvida em si vai para usuários do Arch Linux, porque vocês optaram por utilizar o Arch ao invés do Debian ou distros baseadas em debian?

Essa questão surgiu em minha cabeça pela primeira vez em 2019 onde um sujeito que é da área do T.i me falou para eu começar no Linux pelo POP_OS e após aprender o básico, ir estudar o Arch Linux (e com sinceridade, com o pouco que sei de arch linux atualmente chamaria esse sujeito de maluco).

Após esse episódio, eu comecei a frequentar comunidades gringas de Linux no reddit como r/linuxMasterRace r/linux r/linux_gaming e passei a acompanhar canais de linux em inglês, e em todos esses meios eu vi os usuários de arch usando o famoso meme “i use arch BTW”, mas nunca vi uma explanação a respeito do porquê utilizar Arch ao invés de Debian, e o que me deixou mais curioso ainda foi a escolha da valve de utilizar o Arch Linux como base do futuro Steam Deck.

Portanto, agora retorno a minha pergunta inicial: Por que você, usuário de Arch linux, gosta de utilizar Arch? O que você considera melhor no Arch do que em distros baseadas em Debian? E pra quem você recomendaria o Arch Linux?

Atualização:
Após fazer a postagem, vi que nesse forum já tinha um tópico aberto sobre o assunto, então linkei ele como melhor resposta.

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pq arch e seus based tem uma disponibilidade e compatibilidade maior com programas e hardwares proprietarios. Diferente do debian e seus based distros que são bem problematicos e cheios de frescuras ao lidar com novidades e proprietarios mesmo eles oferecendo esses serviços.

e me choco pq colocam Debian e seus based’s em um pedestal sendo que não passa de uma distro mediocre.

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Se você perguntar isso para 100 pessoas, muito provavelmente receberá 100 respostas totalmente diferentes. Porque cada pessoa escolhe uma distro é algo muito subjetivo.

Um engenheiro da Valve já explicou isso, o Arch é atualizado muito mais rápido que o Debian, então muitas inovações em performance e suporte à hardware irão chegar no Arch meses antes de chegar no Debian.

Meu ponto é que, para você conseguir respostas, precisa conversar e se aproximar de usuários de Arch para entender o que eles acham tão atrativo. Ou até mesmo, utilize Arch você e veja com seus olhos, tem coisas que apenas podemos aprender com a experiência.

Deixar a pergunta solta no ar, infelizmente, abre margem para respostas que não agregam na discussão.

:vulcan_salute:

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O Arch é:

  • uma distro que foca em atualizar rápido, incorporando sempre as últimas melhorias nos respectivos projetos.
  • segue bem os padrões gerais do Linux, tendo uma compatibilidade boa.
  • tem um mecanismo de empacotamento bastante simples de utilizar e compreender, o que resulta em milhares de pacotes no AUR (que é literalmente o maior repositório de programas do Linux).

Se quiser ler mais, já temos tópicos no fórum a respeito disso:

Qual Distro/DE Você usa ? Porquê? (pesquise por resposta específicas do Arch).


O SteamOS mesmo provavelmente é baseado no Arch porque, agora que a Valve está se envolvendo em (e dependendo de) outros projetos como Mesa, o driver da AMD no kernel, etc., basear-se numa distro como o Debian Stable iria atrasar a chegada dos componentes e recursos que eles mesmos contribuíram, e usar o Debian Testing/híbrido talvez não fosse adequado por não ser o foco da distribuição.

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Arch e derivados são vanguarda, enquanto Debian, Ubuntu e derivados são retaguarda. Ambos os tipos de distro são fundamentais. O que muito vejo são usuários intermediários e avançados tendo Arch ou distro derivada em sua máquina de uso mais geral e Debian ou Ubuntu ou distro derivada no computador de trabalho.

Aliás, estou feliz alternando o uso do Linux Mint com o do EndeavourOS em meu notebook.

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Gosto do Arch por dois motivos:

  1. Repositórios vastos e AURs
    Praticamente tudo que quero instalar está nos repositórios, ou em AURs, cuja a unica diferença é que são feitos e mantidos pela comunidade, são comuns para pacotes que não receberam versão oficial para o Arch, mas funcionam igualmente bem.
    E também o Pamac (software para instalar e gerenciar os pacotes desenvolvido pelo Manjaro) agrupa tudo isso em um só lugar, além de existirem AURs que adicionam Snaps e Flatpaks no Pamac, unificando tudo ainda mais.
    Finalmente dou adeus à ter que ficar procurando PPAs na internet ou .deb no site oficial.

  2. Pacotes sempre atualizados
    O exemplo mais fácil de citar é o próprio GNOME 40, que trouxe algumas mudanças que me deixaram animado e eu pude experimenta-lo logo quando saiu, simplesmente atualizando o pacote e reiniciando o computador.

Como gosto do Arch majoritariamente por esses dois motivos, utilizo o Manjaro que é mais fácil de instalar e já tem algumas opções pré-configuradas, o que faz com que eu não quebre o sistema sem querer.
Sei que o 1° ponto seria facilmente resolvido pelo uso de Snaps, Flatpaks e até AppImages, mas os AURs e repositórios são mais práticos e fáceis de gerenciar na minha opinião.

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Eu uso o Manjaro, mas acho que o exemplo ainda é valido.
De forma geral eu uso a base Arch por:

1- Ter sempre nos repositórios os pacotes que preciso. Quando eu usava o Debian eu precisava ficar ativando os backports ou procurar o pacote no site, ja com o Ubuntu, eu precisava ficar pondo PPA em cima de PAA, ou ficar procurando o pacote no site oficial. Com o Manjaro eu simplesmente instalo.

2- Pacman/Pamac. Acho esses gerenciadores mais simples e intuitivos de usar do que o APT, é um detalhe besta, mas ja é alguma vantagem.

3-Gosto de ter as coisas sempre bem atualizadas no meu pc.

4-Compatibilidade na instalação. O Pop OS e o Debian (as duas distros .deb que gosto) as vezes dão algum problema. O Pop as vezes da algum erro aleatório, ja o Debian as vezes da ruim com drivers proprietários, em quanto o Manjaro eu simplesmente instalo sem qualquer problema.
(Inclusive, ontem eu tentei instalar o Pop OS no pc da minha namorada, e mesmo com varias tentativas, eu não consegui instalar, ficava dando o erro “/tmp-/installer.log”, desisti e instalei o Manjaro, que ta rodando liso.)

Acho que o único problema de Arch é a sua instalação desnecessariamente cansativa, primitiva e arcaica, por isso uso o Manjaro, mas fora isso, o sistema é maravilhoso.

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Sigo o relator, @endrick

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Apesar de eu ter voltado pro lado um pouco mais negro da força, sou um grande fã da base Arch. Concordo com o que foi dito aí em cima. Inclusive eu conheci o Arch há muito tempo por intermédio de um grande amigo que me disse um dia: “Viu, você que gosta tanto do Slackware, já viu o Arch? Ele tem mais ou menos a mesma pegada, mas é mais fácil de administrar. Experimente qualquer dia.” Experimentei e gostei muito. É uma distro extremamente flexível, pra dizer apenas uma coisa que não foi dita anteriormente.
E também não curto muito esse lance de ficar dizendo “i use arch BTW”. Acho pedante, preconceituoso e imaturo.
Mais uma coisa que eu já ia esquecendo, mas considero muito importante. O Arch, ao lado do Gentoo, tem uma das melhores, se não a melhor, documentação de linux existente.

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São sistemas diferentes e com filosofias muito distintas. Por isso, não vejo sentido em compará-los diretamente como proposto. O Arch está sempre com software atualizado e é muito maleável, o que é ótimo para iniciativas como o SteamOS da Valve.

Na época das Steam Machines, o SteamOS era baseado no Debian. Os desenvolvedores da Valve já se posicionaram e confirmaram que o principal motivo para a troca é justamente o rápido mecanismo de atualizações da base Arch: Here’s why SteamOS switched from Debian to Arch Linux | Rock Paper Shotgun. Debian Testing é minha distro favorita, mas mesmo assim acredito que a decisão da Valve em optar pelo Arch foi muito bem acertada. Terão menos trabalho para manter o sistema atualizado.

Lamentavelmente, algumas pessoas não compreendem as diferenças na filosofia de cada sistema, o que leva a comentários infelizes e pouco construtivos de ambos os “lados”. O que é considerado ideal para alguns pode ser visto como “mediocridade” ou “defeito” em um sistema que adota abordagem diferente.

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O que significa esse “BTW” ?

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Concordo inteiramente. Não falta quem esteja muito satisfeito com Debian, Ubuntu ou alguma distro baseada nesses (Pop!_OS, Mint, Zorin, MX Linux…), mesmo o sistema não dispondo da amplitude de acesso a pacotes mais recentes que Arch, Manjaro etc. oferecem.

Acho fascinante a parte Arch do Mundo Linux. É dinâmica e inovadora! Não é por acaso que o Arch é o sistema mais bem avaliado no DistroWatch. Vejamos o que trouxe: ArchWiki; AUR; rolling release que funciona superbem; enorme flexibilidade.

Mas é preciso respeitar Debian, Ubuntu, Fedora Slackware, OpenSUSE, Void e outras criações Linux. O que o desenvolvimento desses sistemas fez e tem feito para o open source é gigantesco! Outro dia estava ouvindo que a enorme comunidade de desenvolvedores do Debian tem papel fundamental na preservação de software — há programas bem clássicos que continuam “vivos” nos repositórios do Debian porque alguém ainda se preocupa em mantê-los atualizados e úteis.

(Aliás… vale observar que o segundo sistema mais bem avaliado no DistroWatch é o Devuan…)

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“por falar nisso”
seria tipo:
“Eu uso Arch por falar nisso”

Sabe aquela pessoa q se exibe muito por uma coisa sem necessidade? seria tipo isso.

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O Arch tem aqueles snapshots que o openSUSE tem?

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Não seria do BTRFS? Se for, o próprio Manjaro tem a opção de instalar o sistema com ele.

ter tem, mas vc tem que configurar na mão

Eu uso o archlinux e eu amo simplesmente porque é como montar um lego, além de ser upstream. consigo formatar e instalar praticamente tudo que eu preciso só com alguns comandinhos.

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Toda distro tem seu proposito, uma necessidade, aliais, é por isso que elas surgem, uma distro pode não servir para você mais pode agradar um grupo seleto de outras pessoas assim como é o caso do Arch e do Debian, distros com caminhos bem diferentes. Resumindo, a espaço para todo mundo.

Eu sou do lado DEB da força mas já me aventurei no Arch, acho interessante da ideia de “modelar” o sistema e de quebra ter tudo novinho é uma ótima distro para aprender Linux a fundo assim como Slackware e Gentoo.

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Esse ponto em particular se deve ao fato do Arch ser rolling, portanto, sempre ter os pacotes de drivers mais recentes, o que é algo importante para jogos.
Arch e Debian não são piores, nem melhores, um em relação ao outro. O que eles têm são propostas diametralmente opostas, por isso, se o intuito fosse estabilidade extrema, a opção seria o Debian por ter pacotes testados exaustivamente (o que não quer dizer que o Arch seja instável), contudo, esses pacotes seriam mais velhos.
O fato de você ver muitos usuários avançados como usuários de Arch, se deve a mais ou menos as mesmas motivações de quem usa Slackware ou Gentoo, são pessoas, geralmente profissionais ou estudantes de tecnologia, que em razão de tal perfil querem montar minunciosamente cada detalhe de seus sistema operacional dando um toque pessoal, enquanto, aprofundam seus conhecimentos em Linux, dentro da mesma família Arch, ainda existem aqueles que optam por um derivado dele mais amigável por não quererem a complexidade de um Arch ou não dispuserem de tempo suficiente para seus pormenores, mas, desejam as benesses dos pacotes mais recentes e a dispensa de atualizações periódicas de versão. Por sua parte, usuários de Debian (Debian mesmo e não seus derivados) são usuários normalmente avançados que buscam a estabilidade ao máximo, abrindo mão de ter as coisas mais recentes para evitarem mais surpresas no dia-a-dia, por tal característica é também um sistema muito utilizado no meio corporativo. Quanta as derivadas do Debian, são usadas por todo tipo de usuário, e é certamente a base Linux predileta por quem não é de TI, dada sua flexibilidade e comodidades user-friendly como pacotes .deb, além do fato de desde a época do Ubuntu, serem as distribuições de base Debian as mais populares em linhas gerais entre aquelas destinadas ao público que faz um uso geral do computador (semelhante ao que o usuário médio faz no Windows ou Mac).

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É interessante mencionar também que o Debian foi lançado em setembro de 1993. Ou seja, é uma distro com bastante tempo de estrada (28 anos). O Arch Linux é bem mais recente, sendo lançado em março de 2002 (19 anos). Os desenvolvedores que trabalharam e trabalham em ambos os sistemas contribuíram muito para o mundo GNU/Linux.

É inegável, contudo, mesmo para quem não gosta do Debian, que ele é o sistema responsável por criar a base forte que propiciou a popularização do GNU/Linux. Ou seja, se o Debian é colocado em posição de destaque, há também motivos históricos para isso: é uma das distros mais antigas, mais organizadas e que mais contribuíram e continuam contribuindo. Se a distro não tivesse méritos, não estaria viva - e tão viva! - há tanto tempo. :wink:

Outro ponto - retomando a questão da filosofia do sistema - é a questão dos drivers e pacotes proprietários. Para o Steam Deck isso não seria um problema, já que o hardware é totalmente conhecido a priori para adaptação do sistema operacional, mas muitas pessoas criticam esse ponto no Debian quando olhamos para um contexto mais geral.

O que devemos ter em mente é o seguinte: o Debian mantém um código de conduta ainda muito específico. Então, quando algumas pessoas comentam que ele “é fresco com drivers e pacotes proprietários” ou que “é menos compatível com hardware variado”, como se fosse um “defeito”, não estão levando em consideração que o ponto é justamente esse: o Debian foca em software de código aberto, muitas vezes adotando premissas do Software Livre, e mantém (de certa forma, “tolera”) pacotes proprietários como complemento externo.

A filosofia do Arch é diferente da filosofia do Debian.

Sim, isso varia muito! Por exemplo, já tive dores de cabeça com Fedora e Manjaro. O Fedora fazia meu tablet/netbook travar constantemente devido à falta de drivers proprietários e ao uso de kernel muito atual. O Manjaro, por atualizar os pacotes rapidamente, quebrou em uma atualização, no meu notebook, por ter puxado um driver da Nvidia e desativado o suporte às versões anteriores. Os problemas que tive têm relação com o conceito de cada sistema. Nem por isso deixo de considerá-los excelentes distros, que certamente têm seu lugar. Atualmente, estou satisfeitíssimo no Debian 12 (Bookworm), mas amanhã posso estar amando outro sistema.

A tolerância é algo que ainda precisamos trabalhar na comunidade GNU/Linux. Todos temos a ganhar com isso. :slight_smile:

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