Eu até concordo, mas, ao mesmo tempo tenho uma visão um pouco diferente.
Talvez o ponto seja o que é que se define como “comunidade”.
Podemos dizer com bastante certeza que o Ubuntu tem uma das maiores comunidades de usuários e especialistas de alto de nível no mercado, junto com a Red Hat e seus derivados, com uma das maiores documentações em vários idiomas também, tanto oficial, como criada espontaneamente pelas pessoas de forma mais informal e em vários níveis de conhecimento técnico.
A Arch Wiki, por exemplo, riquíssima em documentação, que é uma iniciativa comunitária, tem geralmente um nível técnico mais alto, até pela natureza para própria distro. Talvez ela seja o maior destaque de documentação comunitária que existe, mas, ao mesmo tempo, a sua linguagem não funciona para “toda a comunidade”.
Se for “comunidade” no sentido do usuário comum dar input mais direto sobre o direcionamento do produto/projeto, mesmo a distros “comunitárias” não são realmente assim, acaba sendo um tanto quanto ilusório, para mim, tanto quanto a ideia de comunidade no entorno de uma empresa.
Basta pensarmos em distros que são ditas “comunitárias”, mesmo nessas tem alguém tomando decisões, e quem faz, sempre vai ter a última palavra, mesmo que a forma de manejo dê a entender que os usuários são ouvidos. Ser ouvido e ser acatado são coisas diferentes. Distros comunitárias podem ter finalidades diferentes das enterprise, mas elas (ao menos as grandes) tem algum tipo de governança bem definida, com um modelo de trabalho bem difícil de mudar.
Sem dúvida alguém já deu ideias e tentou mudar a forma com que Debian, Slackware e Gentoo fazem as coisas, mas quem faz, no fim das contas, é que toma a decisão. As variações provenientes desse sistema mostram que ser comunitário, não quer dizer realmente ser controlado pela “comunidade” necessariamente.
Ser comunitário comumente só quer dizer “que não tem um cnpj envolvido, tem voluntários, é um hobby, ou qualquer outra coisa assim”.
A verdade é que se você quer que o seu input se torne algo real, em geral, você precisa “arregaçar as mangas” e fazer você mesmo (provavelmente daí que nascem tantas distros se for ver), ou estar muito próximo; ser amigo de alguém da cúpula que faz a distros nessas comunidades para que a sua voz seja ouvida. O que é um tanto quanto natural, já que em muitos casos o trabalho, seja qual for, não só é entregue de graça, mas é de código aberto também.
É o famoso “você não paga nada, não vem querer apitar no trabalho que eu tô fazendo”
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Todo o restante dos usuários (os famosos 99,99%) que são mais distantes da “cúpula”, que são simples usuários, não costumam ter realmente influência direta (e muitas vezes nem se importam em ter), a menos que existam enquetes e coisas do tipo nas quais possam participar, mas o próprio comprometimento numa votação desse tipo costuma ser meio dúbio, visto que não tem como saber quem realmente está querendo ajudar e ponderando cada resposta, e quem está “só trollando” por aí.
Distros comunitárias podem não ter os mesmos objetivos que as mantidas por empresas, mas elas também agem baseadas em definições criadas por seus idealizadores e pessoas próximas. No fim, “o mundo é de quem faz as coisas”, seja em empresas, seja em instituições sem registro empresarial, e claro, elas têm todo o direito de serem assim. Quem só assiste, sempre vai ter menos impacto.
Da mesma forma que é possível, teoricamente, se tornar um membro importante de uma comunidade de uma distro e influenciar o seu futuro, também é possível se tornar um engenheiro ou executivo de uma empresa e fazer o mesmo. Caminhos diferentes, claro, desafios e dificuldades diferentes, mas o caminho existe.
Abraços! 