Wayland e o futuro das distros “ultraleves”, como será?
Wayland firmando-se, X11 caminhando para aposentadoria como padrão dos sistemas operacionais de base Linux, e como ficarão os projetos de distros para computadores mais modestos?
Os ambientes gráficos comumente usados por essas distribuições são, basicamente, só compatíveis com o Xorg: LXDE, Trinity e vários montados direto com os window managers (IceWM, JWM, Fluxbox, Openbox etc.).
Xfce, LXQt e MATE estão para se compatibilizar com o Wayland. claro. Mas, para diversos desses projetos, não são suficientemente leves.
Naturalmente, já existem os “window managers” da Nova Era Wayland. Só não estou sabendo de projetos de distros ultraleves que considerem adotá-los. Talvez porque no futuro os computadores legados ainda assim serão potentes o suficiente para que LXQt, Xfce e MATE lhes sejam plenamente adequados.
De todo modo, como vários elementos do cenário open source, o X11 sairá da berlinda, mas provavelmente continuará a ser mantido (como o LXDE, que recebeu atualizações em 2025) e a servir toda uma coleção de ambientes gráficos minimalistas e a projetos de sistemas para máquinas muito antigas.
Ainda acredito que o Wayland é o futuro. Mas isso não significa que o futuro é melhor que o presente.
Para quem conhece de carro, sabe que o corolla “brad” é um carro sem igual. A Toyota teve que se adaptar ao futuro e ao mercado, produzindo veículos mais avançados e diferentes, mas não significa que seus carros novos são melhores, mas apenas que atendem as novas tendências do mercado e exigências tecnológicas.
O X11 é fenomenal. E tem um papel importantíssimo. Mas parece que a tendência não é mais essa, e isso não significa que a tendência é melhor que o que se tem. Pelo menos não em todos os aspectos…
Eu acho um pouco esquisito como o wayland tá sendo empurrado guela abaixo como se não existisse mais escolha. As interfaces e distros tirando opção de iniciar com x11 e tudo mais. Parece que uso Windows com alguma empresa tomando decisões por mim
Acho que o que acontece aqui é mais uma sobreposição entre o público que usa/desenvolve essas distros e um público que é conservador em relação a software.
Os requisitos do Wayland estão longe de ser coisa de outro mundo para computadores dos últimos 15-20 anos (o OpenGL ES 2.0 é suportado por gráficos integrados da Intel desde 2004), e o fato de ambientes minimalistas não terem versão para ele é mais uma questão de esforço de desenvolvimento – é praticamente um segundo projeto com pouquíssima sobreposição ao original, especialmente quando se evita bibliotecas maiores que poderiam abstrair as diferenças entre os dois protocolos (como eles costumam fazer).
Não há porque quebrar o fluxo de trabalho dos usuários fazendo uma migração, por exemplo, dos {Flux,Open}box para labwc, enquanto os toolkits gráficos suportarem ambos os protocolos (ou mesmo somente o X11 como alguns toolkits alternativos leves fazem) – e duvido que usuários dessas máquinas estejam ansiosos pelo lançamento do GTK5 ou outros aplicativos do ecossistema do GNOME (o único que sei que tem um plano explícito de remover X11 no futuro próximo).
Há momentos em que se faz necessária uma mudança goela abaixo para evoluir. Se não for assim sempre haverá uma diocese esforços entre o x e wayland.
Pegue o ex. da Apple quando tirou o suporte 32bits. Houveram críticas, mas rapidamente todos se adaptaram. O Android rapidamente fez a mesma coisa e algumas distros estão fazendo o mesmo.
O Wayland não começou a ser desenvolvido por que alguém queria botar algo guela a baixo.
Imagine que você usar um motor geral pra fazer um carro, passam anos e anos, você sempre atualizando e modernizando o restante do carro, mas você não consegue realizar certas coisas porque quem faz o motor não está interessado em modernizar.
De repente aparece outro motor, mais moderno, mais aberto pra modificações, nisto você faz seu carro pra esse novo motor e fazer qualquer coisa moderna encaixar naquele motor antigo é muito complicado. E como estamos falando em software open-source e com baixo financiamento, é logico que a escolha vai ser a mais moderna/fácil a longo prazo.
Estamos a mais de 10 anos sem uma release do X11, não parece que o Wayland forçou a aposentadoria do X11, parece que foi uma resposta a aposentadoria.
Tal como existem PC’s hoje que não rodam Xfce ou qualquer outra interface leve, infelizmente não podemos ser totalmente inclusivos para todos os hardwares, X11 não vai deixar de existir.
Tal como o Windows 8 não matou o 7, e assim por diante, esses hardwares antigos vão deixando de funcionar pra uso real.
Eu não disse em nenhum momento que o wayland foi desenvolvido para aposentar o x11 ou qualquer coisa assim. Eu só tô achando o rumo em que as coisas estão tomando um pouco estranho. Me parece um movimento empresarial. Parece um movimento meio “Embrace, extend, and extinguish”. Eu não sei se vou me fazer entender mas ficar botando isso ou aquilo por padrão, dizer o que é e o que não é o “futuro do linux” (independente do que for) vai direcionando a comunidade no que se deve ou não usar e isso chega até ao que se deve ou não ter suporte ou ser desenvolvido. Enfim, acho que o buraco é muito mais embaixo.
Isso me lembra o suporte a ícones no desktop no Nautilus (gestor de arquivos do GNOME), alguém zerou a lista de “coisas pra fazer”, implementou tudo, quando foram testar, quebrava o suporte a gestão de ícones no desktop, ninguém quis resolver o conflito, uma pessoa tentou por dias a fio e não conseguiu… resultado, entre 20 coisas pra fazer e uma que só o Ubuntu usava a escolha foi óbvia: corta o suporte a ícones no desktop
Hoje é o Wayland, ninguém quer manter o código Wayland, uma fração ínfima de pessoas dependem do X11… se não aparecer desenvolvedores, vão começar a cortar quando der conflito, quem prefere X11 precisa ir desenvolver e manter o código X11, não dá pra esperar que desenvolvedores que não ganham nada pra trabalhar no código gastem tempo, energia e dinheiro mantendo
Eu pessoalmente não entendi bem, pois sempre foi o objetivo das DEs principais abandonar o X11 em algum momento, isso é um fato conhecido desde que começaram a falar sobre adotar o Wayland. Sempre foi descrito como uma migração, logo, em algum momento iria acontecer.
Meio que como foi oficialmente apontado pelo projeto Fedora, nunca vai surgir um bom momento, um momento “ideal” para cortar o suporte ao X11, mas eu acompanhei desde o surgimento do Wayland, e o objetivo de todos os projetos grandes como GNOME, KDE e afins, sempre foi migrar.
O problema é que desenvolvimento de software open-source é Vivo e descentralizado, como eu disse anteriormente, x11 tem mais de 10 anos sem uma nova versão, e, não me entenda mal, não quero ofender nem nada, mas você parece ignorar o fato que o X11 está velho e sem suporte. Wayland trouxe muitas possibilidades de melhorar muitos aspectos no Linux, sendo o de segurança um deles, já que qualquer software poderia saber o que você digitava a qualquer momento, entre muitos outros fatores
Você vê como algo empresarial, eu vejo como modernidade, não da para ficar preso a protocolos antigos. Não é porque é open-source que deve abraçar o mundo todo, eles vão seguir um caminho, e caso alguém não concorde, pegue o código atual e siga outro caminho.
Não estava por dentro quando aconteceu a ruptura do gnome 2 para o 3, mas parece que o futuro gosta de repetir o passado.
Eu já passei pela transição do GNOME 2 para o 3 e do Plasma 3 para o 4 e depois 5. Eu acredito que a adoção do Wayland está sendo a mais suave das transições que vi no mundo Linux, afinal, logo vai fazer o que, 18 anos que os projetos estão migrando? Provavelmente XWayland vai ficar por ai bem mais tempo.
Minhas fichas vão para projetos ultraleves em wayland que ainda serão criados. Mas não vejo que será fácil de matar os atuais ultraleves no X, pois não vai demorar para surgir um “WaylandX” que faria exatamente o mesmo papel do “XWayland” só que ao contrário: rodar aplicações somente Wayland dentro do X.
Não acho que Sway ou Labwc são mais pesados que o i3 e o Openbox, guardadas as devidas proporções (caso o @frc_kde tenha benchmarks que provem o contrário, gostaria de vê-los) . Fora que o Weston, o compositor Wayland original, foi literalmente feito para rodar em geladeiras e televisões de 15 anos atrás.
Realmente não demorou. Além da solução de simplesmente rodar um compositor de modo kiosk (como o Cage) em cima do X11, há o 12to11 (o conceito de WaylandX que você imaginou aqui) e o Wayback (um compositor Wayland otimizado para rodar ambientes do X11 via Xwayland).
OBS: não os testei – e pelos relatos que vejo nas comunidades que frequento, ambos ainda são incompletos e tem limitações de desempenho.
Acredito que algo que avance mantendo uma camada de compatibilidade faça muito mais sentido mesmo. O próprio Windows fez isso (modo de compatibilidade) com versões mais antigas do kernel deles. Mas a queixa que vejo é sobre o Xwayland não conseguir suprir a expectativa. Eu não tive problemas, nem com crash nem queda de desempenho utilizando o Xwayland, mas vai ver eu dei sorte com a aplicação que preciso…