Você está se sentindo intoxicado? Eu estou

Não sei se isso é uma coisa apenas minha, mas eu tenho me distanciado cada vez mais de coisas como cinema, animes, redes-sociais, jogos… Enfim, serviços e produtos audiovisuais consumíveis.

Eu demorei a perceber, mas acho que estas coisas tem me intoxicado cada vez mais, parece que tudo está sendo feito para provocar uma overdose nada saudável de dopamina em nós, está tudo entupido de propagandas, clickbait, estimulos hiper sexualizados e violentos, bruscos, intensos e rápidos, enfim tudo precisa vender, muito…

Eu acho que estas coisas têm contribuído para aumentar minha ansiedade, stress, piorar minha insônia, etc.

Enfim, quis trazer essa informação para uma discussão aqui no fórum, ver qual é a percepção de vocês também interagindo com o consumo moderno destas coisas.

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Sim você não está sozinho nessa kkkk

Estou sem meu telefone a alguns dias, mesmo ainda acessando o Instagram via web eu sinto que estou bem mais leve, é bizarro.

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Em relação à muita coisa tenho a mesma sensação.

Também tenho essa impressão, realmente estamos sendo bombardeados de muitas informações ao mesmo tempo, tem horas que a mente cansa, como eu trabalho com TI acabo ficando muito tempo no PC/ celular. Estou começando a me afastar da tecnologia por algumas horas, por exemplo eu não levo o telefone para a academia, neste caso acabo focando no exercício e a mente fica mais relaxada.

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Você certamente não está sozinho.

Acho que a pandemia exterminou altos níveis de sanidade de praticamente toda a população do planeta que ainda as tinha.
Por outro lado, quase tudo parece ter migrado para um modelo de aumentar a exposição e ter sucesso entre algoritmos.

Vou pegar por uma indústria pela qual tenho muito apreço, mas considero que está numa fase quase que pré-falimentar, pelo menos enquanto modelo de negócio que conhecíamos, que é o cinema.
Pós anos 70, quando temos os blockbusters passando a determinar o modelo de negócios e predominar no referido mercado, por ter maior margem de lucro (e ser pensado para tal), tivemos algumas “eras” de determinados tipos de filmes. Mas nada que se compare, nem de perto, à “chatice” que virou o predomínio de super-herois , que já existiam, tiveram bons e maus filmes, porém chegou num ponto que eu, que gostava, sem ser fã, perdi a paciência, porque quero consumir outras coisas.

Digo cinema porque é uma mídia em que “didaticamente” se observa o fenômeno. Hoje aquele filme de “sessão da Tarde”, baratinho ou médio custo com uma boa história, dificilmentet vai conseguir ser aprovado. Ou é algo muito barato, com atores desconhecidos, do qual, por um milagre, você pinça alguém de futuro sucesso, ou só vai ser aprovado se tiver potencial para levar multidões e lotar as inúmeras salas de cinema que, num paradoxo, oferecem cada vez menos variedade.

Sobre redes sociais, não as deixei de todo. Mas de longe, a que mais tenho usado, e é muito pouco, para meus parâmetros anteriores, é o linkedin. Gosto de ler o resumo do dia e ver uma ou outra coisa que apareça em destaque no começo do feed.
Normalmente, não gosto, muito menos recomendo documentários. Justamente porque entendo que eles tem uma presunção de veracidade que não é razoável. Entretanto, para o tema, é quase que requisito assistir a “O Dilema das Redes”, disponível no Netflix. Particularmente, me chamou a atenção como quem construiu as redes não permite que os filhos as utilizem.

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Atualmente meu único refugio tem sido a internet. Não tenho muitas amizades, então fico procurando fórums interessantes pra poder interagir um pouco. Também fico procurando sobre alguns filmes mais cults pra baixar. Me alimento de memes e noticias todas as manhãs haha. A minha sorte é que eu não tenho um pc gamer ou um console, senão seria mais uma coisa pra me consumir.

As vezes eu sinto vontade de largar isso tudo de mão e ir morar no mato numa casa simples sem energia elétrica com alguns livros e uma vitrola com alguns classicos de jazz, bossa nova, soul e rock. Plantando e criando algumas aves e cabras pra me alimentar. Fico pensando em fazer isso, nem que seja por um tempo.

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Jobs também queria manter seus filhos longe dos eletrônicos que ele fabricava, parece que essas pessoas sabiam que estavam fabricando algo possivelmente tóxico.

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Eu te entendo, afinal estas coisas são feitas para te dar altas doses de satisfação e te deixar maniacamente interessado por elas.

Eu nem sei explicar bem ainda por que me afastei dessas coisas, mas acho que começaram a me fazer tanto mal que eu comecei a evitar.

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Por isto que gosto muito de fóruns.
Os posts estão lá, registrados, em ordem cronológica. Não há censura prévia e tudo que foi escrito está detalhado em ordem cronológica.

As pessoas naturalmente vivem em bolhas (no caso do trabalho, para mim foi um assombro relacionado à Covid: do nada, de zero para bem mais que a média nacional), e as redes sociais reforçam isto, e principalmente, dizem o que a pessoa quer ouvir.

Isto, na verdade, é uma lavagem cerebral. Cresci muito como pessoa quando parei de procurar erros nos outros e fui correr atrás de consertar os meus.

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Não ironicamente, isso é exatamente o que está acontecendo. Recentemente comecei a estudar muito neurociência porque queria melhorar meus comportamentos de alguma forma, minha rotina, minha produtividade a minha personalidade como um todo e se tornou ainda mais evidente como boa parte das coisas presentes no nosso dia a dia hoje em dia é um estimulo exacerbado de dopamina.

Ia citar aqui o dilema das redes, mas já citaram então tudo bem, acho o documentário cringe pra caramba em algumas cenas mas dou um sério crédito pra esse documentário porque realmente mostra a essência do problema, a evidente e doentia realidade do sistema capitalista: lucro. Somos apenas massa de manobra pras empresas bilionárias de redes sociais, streaming, jogos…

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Na verdade, o que acabo sentido é uma gigantesca pressão sobre o meu sucesso. Sabe, eu tenho 15 anos, crescendo na “era digital”, onde “tudo é mais fácil” e tecnicamente eu deveria ser bom em tudo que faço porque todas as pessoas na internet sempre são boas em tudo que fazem (ironia, óbvio, mas isso me deixa realmente mal). Parei de usar redes sociais como Instagram, porque eu sempre senti que tudo o que eu tentava fazer dava errado, enquanto as pessoas que mostram sua “vida perfeita” ostentam uma série de sucessos, como tudo é fácil, enquanto eu falho em tentativas de coisas ridiculamente simples, eu estava ao ponto de entrar em uma depressão profunda, ainda mais com a pandemia, onde cada dia eu percebia mais como “a vida dos outros é melhor que a minha”, por causa dessas redes sociais.

Hoje em dia, mantenho distância desse tipo de coisa. Estou com a cabeça bem mais leve, consigo me concentrar mais nos estudos e consigo manter relações pessoais saudáveis. Na minha opinião, redes sociais como o Instagram não deveriam existir.

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Na verdade isso é uma desvirtuação do capitalismo, na sua base o capitalismo vê o aumento de capital financeiro como um meio de aumentar a riqueza, onde se entende riqueza como melhorar condições sociais, etc. isso que estamos vendo é metacapitalismo, onde aumento de capital financeiro é um meio para… aumentar o capital financeiro e só.

Mas eu concordo, acho que as coisas estão saindo dos eixos, cada vez menos se tenta lucrar por excelência e sim pela picaretagem.

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Natural que isso aconteça. Essa é a famosa Economia da Atenção. Para que as empresas pertencentes a essa economia lucrem, é fundamental que as pessoas passem o maior tempo possível consumindo conteúdo. E essas grandes empresas sabem muito bem o mal que isso faz à mente humana… Eles só não se importam.

Eu te recomendo ler o livro Minimalismo Digital. A primeira parte explica exatamente sobre isso.

Eu me livrei do Facebook em julho de 2020. E sério, foi uma das melhores coisas que eu fiz pra minha vida. Não tinha problemas de ansiedade e depressão, mas é incrível como minha mente estava sobrecarregada e eu mal percebia. Uma coisa que a gente tem ilusão é de que tudo vai piorar quando abrirmos mão das redes sociais. Mas a verdade é que ninguém se importa e vc perde muito pouco.

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Eu tive sorte de nunca gostar muito dessas coisas de jogos, nem cinema, muito menso redes sociais. Entretanto eu me sinto assim intoxicado por um certo vício de ter informação.

Isso é ruim pois às vezes me sinto enfadado e sem energia. Aos poucos estou “saindo dessa” de ficar olhando notícia, questões de petróleo, energia, etc.

O grande problema que eu sempre falei é a questão de “digerir” as coisas. Todas essas coisas atuais lançam muita informação na cabeça e não adianta, quer queira ou não, vai existir um tipo de “indexador” na sua mente que vai ficar trabalhando direto para poder selecionar as coisas.

P.S

Gostei muito mesmo desse seu post. A meu ver é uma discussão de extremo valor para todos aqui do fórum.

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Eu vejo isso como um sintoma, a verdade é que hoje as pessoas vendem sucesso de forma agressiva, todo mundo finge ter sucesso demais e saber a receita do sucesso, etc. Sabe porquê? Pois é bom que você esteja assim desesperado, fica mais fácil convencer você a comprar a “receita do sucesso” ou ficar buscando horas sem fim por essa receita em sites, vídeos, redes sociais, etc.

Tirando os teus colegas do setor de marketing que ficam chocados com todas as “oportunidades” que você está perdendo de ganhar dinheiro se vendendo. :joy:

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hahaha só essa galera mesmo viu. Eu tinha essa ilusão tbm de usar o Face/Insta como marketing. Passei anos “alimentando” as redes sociais com esse intuito, mas nunca usei efetivamente para o marketing e foi só perda de tempo. O restante do pessoal mal percebeu que eu sai. Alguns só perceberam meses depois kkkk E olha que tinha uma certa popularidade.

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Eu não vou dizer qual é minha hipótese sobre a suposta receita de publicidade nestas plataformas porque poderia me causar problemas kkk, mas não acredito que seja algo que faça o menor sentido, considerando que um Google já trabalha com uma base gigantesca de dados capaz de te sugerir alternativas bem mais precisas.

Não quero parecer pessimista, mas como aqui, em tese, somos early adopters, já passamos por uma fase (talvez mais intensamente até), e levará ainda anos, quiçá décadas, para isto ocorrer com outras pessoas.

Não demonize o lucro. Inclusive, posso te dizer que este ponto de vista de não reconhecer o pagamento devido por um serviço é exatamente a grande diferença entre colonizadores e colonizados.

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Gates então, nem se fala:

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No fluxo principal, a comunicação de massas e a comunicação digital são vazias e apelativas (frequentemente apelando a nossos baixos instintos).

Mas, com consciência e disciplina, podemos acessar cinema, animes, HQs etc. que nos sejam construtivos, e um ambiente em redes sociais que também seja assim. Um dos primeiros passos é ignorar as sugestões dos algoritmos, mantendo-nos num caminho reto, de busca de conteúdo pertinente.

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Ou seja o primeiro passo é não ser um ser humano… Eu já pensei assim. Não acho que seja tão simples, não fomos tão expostos a essa nova economia moderna, eu acho que vamos ver melhor nas próximas gerações o estrago.

Eu sei que infelizmente até eu, que me afastei dessas coisas sou uma exceção, a maioria se afunda cada vez mais, especialmente quanto mais cedo e despreparado é exposto a essas coisas.

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