Com a crescente tendência regulatória de verificação de idade em sistemas digitais, o systemd acrescenta uma ferramenta que pode auxiliar na conformidade legal e padronização da funcionalidade.
Dar uma lida e averiguar como desabilitar.
Menos mal. Parece que ainda não chegou o momento de termos um copilot no Linux com desculpas esfarrapas de proteção.
Vale notar que a PR no systemd só fornece um lugar para armazenar a idade; a API exigida por leis como a californiana, brasileira e do Colorado (verificar se o usuário está numa certa faixa de idade, sem revelá-la diretamente) vai estar no xdg-desktop-portal, que muito provavelmente vai coletar a idade por mecanismos mais indiretos. Por exemplo, esse PR no AccountsService, que também está linkado no PR ao systemd.
Este último é codificado para poder utilizar tanto esse campo novo, quanto um arquivo no disco (que vai servir para distribuições ou contas locais no computador que não utilizam o componente onde a mudança foi feita, systemd-homed, ou para distribuições sem o esquema de inicialização como um todo).
Fico assustado com a quantidade de gente enxergando conspirações nesse negócio, igualando um campo que o usuário pode simplesmente mentir numa máquina que ele controla à exigência de contas online no Windows ou à SafetyNet do Google (ou dizendo que ele consegue em poucas etapas se metamorfosear nisso). Merece virar estudo de caso em periódicos de psiquiatria.
É um bom começo para isso. Na questão do adulto ser o administrador, faz sentido a auto declaração. Afinal a criança ou jovem que tem computador precisa dele fisicamente no ambiente, ou seja, muito difícil que o jovem consiga um computador e o esconda do adulto, instale o sistema operacional e se passe por adulto. Talvez no futuro tenha um grau de confiabilidade da informação de idade, imaginando aqui como:
- Nível 0: Autodeclaração. Seria no caso do site que abre uma janela para perguntar se é maior de 18 anos. Se usuário responde sim, dá acesso, caso contrário, manda pro site do google.
- Nível 1: Declaração por administrador do sistema, não confiável. Seria o caso de quem instalou o sistema operacional ser supostamente adulto e ter criado perfis para as crianças e jovens.
- Nível 2: Declaração por administrador do sistema, com confiabilidade. Aqui haveria algum tipo de confiabilidade que o administrador é adulto, por exemplo por assinatura digital ou token confiável.
- Nível 3: Confiabilidade do próprio usuário. Seria quando o próprio usuário tem como confirmar a idade pelo serviço confiável.
Esse nível 1 já está até bastante difundido no Android, e parece funcionar bem. Mas pros sistema de desktop não havia nada sequer parecido. Acho que grande parte do pânico dos programadores veio exatamente do pessoal estar no nível 0 e achar que precisa pular direto pro nível 2 ou 3.
Já o pânico dos usuário eu diria que é grande parte por campanha de desinformação em massa que circula sem controle algum por redes sociais, ao sabor de algoritmos incógnitos e pessoas radicalizadas. Afinal, repetir, até papagaio repete, mas alguém tem que ensinar…
Até certo ponto, esse temor é justificado pois algumas das leis de verificação de idade (como a do Alabama e do estado de NY nos EUA) exigem, com todas as letras, os níveis 2 ou 3, e eu sinceramente espero que a legislação/jurisprudência brasileira não vá considerar o nível 1 como “autodeclaração”, dado o tanto de pais que só dão o telefone para crianças sem separar contas, sem configurar nenhuma forma de controle dos pais, e sem supervisão.
Por isso, acho as análises do Jeremy Ethier (da System76) nesses PRs extremamente sensatas, e concordo que eles são, na melhor das hipóteses, muitíssimo precoces, e na pior das hipóteses, em vão, pois é impossível agradar as versões mais agressivas dessas leis sem comprometer os fundamentos do software livre.
Já fizeram um fork dele, sem o recurso de verificação de idade.
Provavelmente veremos uma mudança brusca de distros pra outros sistemas de inicialização ou como você disse forks. Um dos focos da minha mudança pra Linux foi fugir da vigilância do Windows, da falta de privacidade e ter mais liberdade de modificar o sistema.
Já existem várias formas de driblar a verificação, como o Privacy Puppet e vários projetos no Git.
Mais informações sobre a atual situação das outras distros, recomendo esse site. Inclusive irão ensinar a remover qualquer tipo de verificação de idade, se for adicionado a distro.
Não pode verificar idade. Tem de deixar os predadores sexuais livres na Internet.
Comparar esses mecanismos para distros se adequarem a lei às armadilhas no Windows, no Android etc. é hiperbólico. Exagero. Excesso. Abusar de analogia.
Todos aqui sabemos que não se trata de proteger as crianças, se fosse, os sites p*rnos não estariam livres, já estariam investigando a todo vapor nossa ilha de Epstein (Ilha do Marajó). Isso daí é uma ideia pra implementar a censura de forma indireta. Quem leu 1984 sabe.
Felizmente, esse tipo de coisa não funciona no software livre, pode funcionar no proprietário e em grandes corporações, “Big Techs”, mas tendo total acesso ao código fonte, existem formas de driblar qualquer tipo de verificação e em casos extremos, fazer um fork. Pode esperar que irão aparecer inúmeros tutoriais…
Como eu disse na primeira resposta, a parte crucial para cumprir com a lei – ao menos, com a interpretação que vejo sendo dada pelos desenvolvedores de código aberto – estará no xdg-desktop-portal e no AccountsService. Se você usa Flatpaks e/ou um desktop “normal” (GNOME, KDE, XFCE, Cinnamon, etc.), com ou sem systemd, você já tem ambos, e eles não começarão a depender do init system para (talvez) cumprir com a lei.
Inclusive, do jeito que a implementação funciona atualmente é trivial fazer um programa que simplesmente diz “sim, esse usuário tem N anos, confia”. A suíte de testes do PR ao xdg-desktop-portal faz exatamente isso.
Sem outra forma de controle dos pais, é possível o usuário, sem permissões de administrador, executar um script para desconectar o xdg-desktop-portal do systemd ou AccountsService e o conectá-lo à fonte mentirosa. Aliás, se você administra a máquina, você já pode mentir no campo que foi adicionado ao systemd, ou pode simplesmente se omitir já que o campo é opcional.
Como sabe-se desde sempre em cibersegurança, e é um fato que suas ferramentas de privacidade se valem bastante, não se pode confiar nos dados fornecidos pelo usuário.
Pra quem diz, “eles já capitularam uma vez, se endurecer a lei ao ponto de ter que instituir vigilância em massa eles vão capitular de novo”, leiam a discussões; várias medidas supostamente mais robustas foram descartadas porque, no fim, no software livre, o usuário controla o programa. O objetivo não é ser hostil ao usuário, e criticar os PRs é atirar num mensageiro.
O pior que pode advir, no curtíssimo prazo, é você ter que configurar o programa mentiroso numa distro minimalista para não ter que puxar o bloat™ do AccountsService para aplicativos que possam vir a utilizar essa API.
Como várias análise de criptologistas e entidades da sociedade civil – incluindo a EFF – agregadas no site do Ageless Linux (citado pelo @Lukz), cedo ou tarde essa lei vai esbarrar na realidade de que não é possível fazer essa verificação de forma robusta confiando em dados da própria máquina (ao menos que nela haja os mecanismos hostis ao usuário dos sistemas proprietários), e a alternativa – ter uma fonte autoritativa de idades – é cada vez mais próxima de um sistema de vigilância em massa conforme ela se torna menos falha (tanto em “falsas crianças” quanto em “falsos adultos”).
Como eu tenho argumentando nesses tópicos, a solução é supervisão adequada por parte dos pais e inclusão digital – ferramentas mais práticas e bem-divulgadas de controle dos pais e exigir que sejam fornecidos dados precisos sobre o conteúdo dos aplicativos para os pais (e não do pai ou da criança para o aplicativo) para torná-las mais eficazes.
O mais importante seria remover os incentivos das plataformas para deixar passar conteúdos inapropriados. Ainda assim, é fácil distorcer a lei para censura (especialmente por políticos que desejam máquinas que façam decisões jurídicas imediatamente e de modo infalível), ou instituir punições desproporcionais para sites menores.
NÃO fale por mim. E deveria ser ÓBVIO que se trata disso mesmo. Em que mundo você estava? quando o Felca saiu do pequeno folclorismo no YouTube e lançou dois petardos baseades em ótima pesquisa e exemplar argumentação: toda a denúncia das bets e seu efeito social devastador de vício em jogos pelo celular, e o gigantesco vídeo Adultização.
O Adultização é tão forte e sólido em evidências que dobrou o meio social e, por extensão, nossos políticos, malandros e acomodados em maioria, mas reativos diante de grandes repercussões.
Esses são os fatos. Como tem sido comum, ficam “esquecidos” debaixo da uma intensa CAMPANHA de paranoia.
Concordo.
Mas a minha ironia vem do tanto de “gente de bem” que parece esquecida da questão que fez essa lei surgir.
O Felca marcou golaço de placa no debate social, mas o Adultização está tendo seus efeitos diluídos nesse papo de “na verdade não é para proteger crianças e adolescentes”.
Quem diria: Hytalo ainda será grato a movimentos políticos que se dizem defensores da moral e dos bons costumes…
A proteção depende do nível intelectual da criança. Uma criança de 7 anos, quando deparada com a pergunta “Que ano você nasceu?” vai travar. Então pra cada nível do aprendizado, melhor precisa ser a barreira. Só que vai chegar um ponto (e esse que é perigoso) no qual o jovem pode saber mais de tecnologia do que o pai.
Assim como tem sempre aquela questão de segurança que pra cada vírus, é criado um antivírus, vai virar uma “briga de gato e rato” entre o jovem e o responsável. O cuidador da criança realmente interessado, irá achar também os tutoriais de como instalar um sistema operacional seguro para crianças e como travar a inicialização do computador naquele sistema operacional, baseado com senha até chegar no nível da BIOS. Isso já é realidade em máquinas corporativas há muitos anos.
Nesse começo, ambos os sistemas vão existir (com nível de confiabilidade e sem). O ponto chave é que o modo confiável deve ser pensado em proteger a privacidade das pessoas, especialmente nos tempos modernos onde grandes corporações estão minerando essas dados privados, especialmente das crianças.
Talvez seja o que fez a classe política considerar a medida popular o suficiente para ser aprovada, e com certeza parte, se não a maioria, dos políticos acredite sinceramente que está ajudando a proteger crianças. Porém, compreendo quem se torna cínico dado que há evidências fortes de que a base das leis de verificação de idade foi projetada por lobistas patrocinados pelas Big Tech, ainda que dentro de entidades pró infância e juventude.
Tendo ciência de que verificação de idade só é confiável com atitudes semelhantes às Big Tech em termos de respeito à privacidade e à liberdade do usuário, e à transparência, os capítulos III e IV da lei são incompatíveis com o capítulo XIV (que proíbe vigilância em massa, e orienta levar em conta assimetrias de mercado) e com legislações anteriores que estabeleceram mínimos respeito à privacidade e autonomia do usuário e priorização de software livre quando possível (sic) como princípios para o futuro da regulamentação da tecnologia no Brasil.
Vale lembrar que Hytalo Santos foi preso com base na legislação anterior à lei Felca; o que faltou é uma ferramenta para punir quem permitiu ele estabelecer um esgoto a céu aberto de conteúdo por meio de moderação inadequada, e ignorou as denúncias enquanto o benefício financeiro era maior que o risco.
Um exemplo disso é que, em novembro do ano passado, foram revelados documentos do Facebook mostrando que mais de 10% do rendimento bruto de publicidade vem de anúncios sabidamente de alto risco de serem fraudulentos, e simplesmente os cálculos corretamente concluíram que o rendimento superava as possíveis multas. E claro, passar mais de 5 segundos na tela inicial do Microsoft Edge.
Fora a verificação de idade, a lei é um excelente esqueleto para legislação complementar para atacar esses incentivos perversos mais fundamentais.
Cara, as vezes eu entendo o hate em cima do systemd, os caras fazem as coisas do jeito mais inchado e ineficiente possível…
Criar um mecanismo de registro arbitrário de preferências ajudando a fornecer um meio para ajudar a resolver a fragmentação de desktops gerando 1 PR só
Criar um PR por campo gerando uma atualização desnecessária e não ajudando em nada a questão da fragmentação de desktops
Quem acha que eu tô só enchendo o saco…:
Ele depende de homectl inclusive, ou seja, o systemd precisa estar gerindo a sua home que por sua bifurca o /etc/passwd no arquivo de sempre e o /etc/userdb/ com formatos totalmente diferentes
Ora, é somente a internet que precisa dessa regulação?
Entao que coloquem em todas televisões desse país uma verificação facial, que coloquem nas bancas, e um monte de outro lugar com:
- Telas
- Papéis
- Portas de entrada (Teatros, bares e afins)
E muitos outros onde há aquela classificação indicativa de idade.
Coloquem também nas garrafas de bebidas, cigarros e afins…
Desculpem o desabafo, mas é umas leis que na prática não protege ninguém.
Dito isso, e por hora seria mais construtivo cobrarem mais transparência de onde e como vão implantar essas tecnologias.
E sim, o systemd na minha opinião deveria melhorar debater o assunto com a comunidade com os usuários.
Depois de ver a coisa mais inimaginável na comunidade linux que foi a galera defendendo essa lei bizarra, só consigo pensar que:
Surreal!
Uma pergunta básica em alguma IA você já encontra uma anomalia, vou deixar aqui a pergunta e a respostas, se quiser verfiicar.
Pergunta:
quantos politicos que defendem a lei felca votaram contra o enrigessimento de penas para pedófilos?
Resposta:
85 deputados que defendem a Lei Felca (ECA Digital / Lei 15.211/2025) votaram contra o endurecimento de penas para pedófilos na votação mais relevante e divisiva sobre o tema.O que é a Lei Felca?A “Lei Felca” é o nome popular do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei 15.211/2025, originado do PL 2.628/2022). Ela atualiza o ECA para o ambiente online, obrigando plataformas a verificarem idade, bloquearem conteúdos de adultização/exploração sexual e protegerem crianças e adolescentes na internet. Foi sancionada em setembro de 2025 e entrou em vigor em março de 2026, inspirada no vídeo do influenciador Felca sobre exploração infantil nas redes. A Câmara aprovou o texto em votação simbólica (20/08/2025), sem registro nominal de votos individuais. Apenas o partido NOVO orientou voto contra (considerando-o censura); o restante da Casa (base governista + parte da oposição) apoiou ou não se opôs.O endurecimento de penas para pedófilosO principal projeto com divisão clara foi a emenda de castração química (inibidores de libido para condenados por crimes sexuais contra crianças), apresentada por Ricardo Salles no PL 3.976/2020 (cadastro nacional de pedófilos). A votação ocorreu em 12/12/2024 na Câmara:
- Resultado: Emenda aprovada por 267 a 85 (14 abstenções).
- Os 85 que votaram CONTRA a castração química são quase todos de partidos de esquerda/centro-esquerda (PT, PSOL, PCdoB, PDT, PSB, alguns PSD, União, Republicanos isolados etc.). O governo Lula orientou voto contra a emenda. Partidos como PL e NOVO orientaram a favor.
Lista resumida dos contra (fonte: Gazeta do Povo e CNN Brasil, com nomes completos disponíveis nas reportagens): inclui nomes como Ana Pimentel (PT), Sâmia Bomfim (PSOL), Célia Xakriabá (PSOL), Erika Kokay (PT), Talíria Petrone (PSOL), Benedita da Silva (PT), Luiza Erundina (PSOL), Pedro Uczai (PT) e dezenas de outros petistas, psolistas e aliados.Conexão direta
- Os 85 que votaram contra o endurecimento (castração química) são exatamente do grupo que defendeu e aprovou a Lei Felca (base governista + esquerda).
- O NOVO (que votou contra a Lei Felca) votou a favor da castração.
- Outros projetos de endurecimento (ex.: aumento de pena por aliciamento online) foram aprovados por unanimidade ou ampla maioria, sem divisão relevante.
Portanto, os 85 deputados que votaram contra esse endurecimento específico são políticos que defendem a Lei Felca. Não há cruzamento oficial nominal (porque a Lei Felca foi simbólica), mas o alinhamento partidário é claro: quem mais defendeu a regulação digital (Lei Felca) foi o mesmo bloco que rejeitou a castração química
Contratidório isso não? É para proteger as crianças sim…
A analise do produto deve ser feita além da embalagem.

