Em recente artigo sobre a rede Tor, divulgou-se que a polícia alemã vigia diligentemente os nós de saída, usando técnicas estatísticas que permitem rastrear pessoas má intencionadas.
Muito resumidamente, a rede Tor utiliza um complexo de túneis virtuais e transmite seus dados através de servidores aleatórios (os “retransmissores”), o último o responsável perlo tráfego externo, a internet pública.
A comunicação entre os retransmissores utiliza várias camadas de encriptação, e cada retransmissor recebe o pedido do anterior mas não sabe qual o IP do usuário lá na ponta. O último retransmissor, o nó de saída, remove a criptografia e entrega sua requisição ao destino desejado.
É neste retransmissor final que a polícia alemã - e provavelmente outras agências de segurança - age. E a maravilha da vez chama-se “análise de timing”, processo de correlaciona a “temporização de pacotes de dados”. Ou seja: um dos três elementos-chave dos protocolos de rede, define a velocidade aceitável de transmissão dos pacotes, que define quando e com que rapidez eles podem ser enviados.
Analisando o timing, junto com a coleta sistemática de informações sobre o navegador da web, analisa-se estatisticamente a provável identidade ou características do navegador utilizado, como resolução de tela, idioma, sistema operacional, pacote binário etc.
E de dedução em dedução monta-se o modus operandi do cidadão. E se este estiver operando além dos limites da lei, poderá ser devidamente identificado e detido. O interessante é que os responsáveis pela rede Tor alertam para a possibilidade de identificação. Vejam o que dizem:
“um observador que consiga ver tanto você quanto seu site de destino (ou seu nó de saída Tor) pode relacionar os horários do seu tráfego quando entra na rede Tor, e também quando sai. O Tor não se defende contra tal modelo de ameaça.”
Quer um pouco mais? Aí vai:
“Em um sentido mais limitado, observe que, se um censor ou agência de aplicação da lei tiver a capacidade de obter observação específica de partes da rede, é possível que eles verifiquem a suspeita de que você fala regularmente com seu amigo observando o tráfego nas duas extremidades e correlacionando o tempo apenas desse tráfego. […] isso é útil apenas para verificar se as partes já suspeitas de se comunicar estão fazendo isso. Na maioria dos países, a suspeita necessária para obter um mandado já tem mais peso do que a correlação de tempo forneceria.”
E é aqui que entra o bom e velho ditado de que “seguro morreu de velho”. Não pense que não possa ser identificado, nem ser rastreado, que estará “anônimo” na internet. Isso simplesmente não existe.
Principalmente quando se tem 1364 nós na Alemanha, 1328 nos EUA e 714 na França, na última contagem. É muita inocência achar que alguns não sejam das próprias agências de segurança, além destas navegarem pela mesma rede.
Mas isso não impede que a utilize para fins lícitos, aumentando sua própria segurança na internet. Apenas não compre a imagem de que é uma rede indevassável, perfeita, 100% anônima, o que não é e nunca será.
E se duvidar, basta perguntar lá para a polícia alemã…
Fontes: (links no texto)