Raspberry Pi 400: Lançado no Brasil, mas o valor assusta

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Meses após o seu lançamento, Raspberry Pi 400 finalmente está disponível para o público brasileiro, mas com um porém.

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Custa o dobro na “conversão direta” já é prática comum de mercado e é o preço aceitável em termos de eletrônicos no país: quem pode compra fora, quem não pode se quiser tem que aceitar este preço.
Aproximadamente o triplo é coisa de nicho (Apple e Sony tradicionalmente fazem isto, ou melhor, faziam, já que a japonesa deixou o país), e é preciso ver se o suporte será o adequado para um preço tão caro.
Entretanto, entendo o problema que é empreender no Brasil e o tanto de custo paralelo que se tem, especialmente em alguns itens tradicionalmente perseguidos, quando deveriam ser incentivados.
O raspberry tem um enorme potencial de ser uma máquina com finalidades estudantis e universalizar a TI num país como o nosso: é um conceito simples, robusto, integrado e, em tese, barato.

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só para mim que quando clica no artigo pede para fazer o download do html?

mas sobre o tópico, já era de se esperar né. Ignorando a taxa de importação e olhando apenas para o dólar já sabíamos que seria dolorido.

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Esse papo de custo Brasil é balela pra lucrar 1 na venda de 3 aparelhos.

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Entendo que os impostos tenham impacto, não tem como negar isso. Mas o dobro? Nos outros países não paga imposto? E a margem de lucro, não tem nos outros países? Não dá pra colocar essa diferença toda só no custo-brasil, não. Muito disso aí é oportunismo para o importador faturar bastante em cima de um item que não tem um concorrente claro.

Enquanto isso, o negócio é recorrer ao AliExpress. Não resolve o problema, mas ajuda um pouco.

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Não para custar o triplo, mas o custo é significativo.
É praticamente impossível importar em grandes volumes sem recorrer a um despachante aduaneiro.
O Brasil já seria, teoricamente, um lugar para custar mais caro e demorar a chegar devido ao “distanciamento” de outros grandes centros. E mandar container para cá é quase certeza que volta vazio. Quem já mudou sabe como é bom quando tem uma figura chamada “aproveitamento de frete”, e o que acontece quando você vai para lugares com muito ou pouco fluxo de mudança.

Também é, mas aí você tem que ponderar algumas coisas:
A alíquota do imposto não pesa tanto, mas a burocracia e obrigações acessórias sim.
Outro fator é pouco ganho de escala. Nosso mercado é pequeno. Tem muito custo fixo que é impactado se você impacta muito se você importa 100, 10.000 ou 1.000.000 de itens numa tacada só.

E feliz ou infelizmente é isto. E olha que o Ali tem os custos fixos de uma importação altos e toda a burocracia do caminho entre Curitiba e o resto do país.

O Brasil é um dos país com a maior carga tributária do mundo e o país com o menor índice de aproveitamento deles. São noventa e seis impostos, sendo que praticamente nenhum nos ajuda.

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Cara, não vou entrar nessa seara, já que não domino o assunto, mas posso especular, com algum grau de certeza, que não incidem os 96 impostos sobre esse produto especificamente. Quanto ao fato de o imposto nos ajudar ou não, isso nem está em discussão aqui, mas sim o fato de, em dólar, o produto custar o dobro nestas terras.

Como falei na primeira frase do meu post, não nego o impacto de impostos, mas tenho certeza que não é só isso que faz o preço dobrar.

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Acho que me expressei confusamente, eu disse apenas que existem 96 impostos aqui na atualidade, não que uma plaquinha ia ser taxada com noventa e seis impostos :joy:

Ninguém disse que é só isso. As leis trabalhistas do Brasil também custam bem caro. Um indivíduo que executa seu trabalho de maneira não satisfatória e é despedido força a empresa a pagar mais, e ainda recebe um salário (seguro desemprego) por mais um tempo.

Se ele se acidenta 30 minutos antes e depois do expediente (exemplo: bati o carro às 6:45, meu expediente começa às 7:00), a empresa é obrigada a pagar as despesas médicas (como se ele tivesse se acidentado no trabalho).

Tudo isso faz com que os trabalhadores aqui sejam encorajados a executarem um péssimo serviço. E custa bastante para as empresas. Estou dizendo que os trabalhadores não devem ter direitos? De forma alguma! Mas, como eu disse, do jeito que é hoje, além de custar caro para as empresas ainda encoraja um serviço mal executado.

Ainda tem outro fator burocrático, que são os impostos da instalação no local, cadastro empresarial, entre outros. Dizem que um empresário bem sucedido de outros países apanharia muito aqui – enquanto um empresário bem sucedido daqui conseguiria se manter mesmo em território estrangeiro. Uma empresa aqui gasta muito tempo e energia para decifrar a burocracia brasileira – e paga bastante por isso.

Claro, há ainda a margem de lucro das empresas (você ofereceria algum produto/serviço sem objetivar retorno?). Algumas exageram, isso é fato. Mas jogar toda a culpa na “ganância das grandes empresas” não está certo.

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Pois é, não é o caso aqui, mas vejo muitos demonizando as empresas, sem ter ideia do quanto elas precisam e são forçadas a gastar todo mês.
IPTU, Luz, Água, ERP, empregados, certidões, internet, variados impostos, vistorias, etc…

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Existe, de fato, Custo Brasil. Mas existe também a Precificação Sem Noção Brasil.

E não ponham a culpa nos direitos trabalhistas. Nosso mercado de trabalho é, em larga medida, selvagem, o que justifica as leis paternalistas, e, de todo modo, em muitas cidades do interior e nas periferias dos grandes centros urbanos a gente raramente encontra trabalhador formalizado.

Voltando ao tópico: a Precificação Sem Noção Brasil praticamente destruiu o propósito do Raspberry Pi, que é o de ser uma opção de hardware acessível e popular (no Reino Unido é assim).

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Bora fazer uma conta rápida só pro kit básico:

  • 70 doláres hoje = ~370 reais
  • Aliquota de importação = 60%, em reais = 222

Total até aqui: 592 reais

Basicamente se você fosse importar o produto é isso que você pagaria, porém, você está comprando de uma empresa brasileira, o que nos leva a taxa de nacionalização, nesse caso eu vou considerar que a empresa não vai colocar nem 1 centavo de lucro (empresa suicida):

[ 1 - (370/579) ] * 100 = ~ 37 reais

Total até aqui, 628 reais, daí temos o ICMS médio (varia de acordo com o estado) de 18%, que dá 118 reais, então soma:

628+118=751

Só aqui o preço mais que dobrou

Mais impostos que ninguém sabe pra onde vai (PIS e COFINS, sim eu sei que isso varia de acordo com o lucro da empresa e que o valor seria maior ou menor, mas dada as circunstâncias, bora pegar o melhor dos cenários possivél): 28 reais:

751+28=779

Isso é o que a empresa paga sem considerar n coisas só pra ter a possibilidade de ter o produto em estoque, ou seja, até fazer toda a logística esse valor deve subir pelo menos uns 100 reais isso se for considerar um ótimo cenário para a empresa:

779+100=879

Repito: Num cenário quase utópico, *caso a empresa que resolva arcar com toda a parte burocrática no Brasil é isso que você pagaria pelo rasp… é esse o “custo Brasil” considerando APENAS o preço em dólar o que significa que só está 120 reais a menos que o preço praticado pela FilipeFlop


Eu não discordo dos meu “colegas” @Sergio_H, @fernandohs16 e @Julio_Lima que existem empresas que passam do ponto com margens absurdas mas nem sempre (e nesse) nem de longe é o caso, especialmente eletrônicos com poderes computacionais, a fonte dos valores é o próprio governo e a forma de cálculo vem das NBC (Normas Brasileiras de Contabilidade)

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Venho deixar claro: Precificação Sem Noção Brasil não é mero resultado de “empresários gananciosos”. Deriva, muitas vezes, da Tributação e Burocracia Sem Noção Brasil.

De todo modo, vale observar que, em nossa elite política, em especial no Legislativo, predominam empresários e representantes eleitos que se dizem “pró-capitalismo”, muitos sendo, eles mesmos, empresários, e tendo recebido doações de empresas em suas campanhas políticas. No entanto, essa profusão de políticos supostamente “amigos dos empresários” não se traduziu até hoje numa legislação para racionalizar o sistema de tributos, taxas, alíquotas etc.

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Exatamente

Só para constar, o ICMS é cobrado por dentro, você paga ICMS sobre o ICMS. É bizarro, mas diferentemente de outros tributos, a alíquota é aplicada a partir de 1 - taxa, ao invés de ser o produto.
Então, os 18% não são 1,18 sobre o preço, mas 1,2195.

A depender do quanto você tem de porte (questão recente), você vai ou não pagar PIS e COFINS sobre o ICMS (não deveria, mas…).

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Eu peguei o melhor cenário possível, quase utópico, se você fizer do jeito certo, o “custo Brasil” vai passar perto dos 900

Edit: quase não, utópico

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Vou pegar aqui pelo meu Estado, apenas para ilustrar…
Em média, cada posto de serviço terceirizado que temos contratado custa entre 2,5 a 3 mil reais mensais, para o empregado tirar 1.1000 de salário e pouco mais de 300 reais de auxílio alimentação.

Aproximadamente 2/3 do salário de um empregado são encargos trabalhistas e reposição em férias e licenças.

Por fim, vem mais uns 10% de tributos indiretos (ISS, PIS e COFINS) e se a empresa conseguir tirar R$ 200 por posto (pouco menos de 7%) para cobrir despesas administrativas e lucro pode erguer as mãos para o céu.

O número de contratos e postos para ser uma empresa minimamente viável é uma coisa de louco.
Sim, e no final das contas tem muita empresa que burla alguma coisa no sistema e causa prejuízo ao empregado.
Eu sou muito favorável a um outro modelo, mais transparente, até mesmo para o empregado saber tudo o que custa e como ele poderia ganhar mais. Mas é uma utopia muito distante, senão impossível.

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Tecnologia é algo que no Brasil não é barato, infelizmente

Cara, não sou especialista em impostos mas o II é de 60% no máximo. Tem que ver qual é a alíquota para este tipo de eletrônico. De curiosidade, visitei o site da Receita Federal e baixei a planilha com as alíquotas vigentes. Tem vários eletrônicos com alíquota zerada atualmente, inclusive computadores. Não sei se este se encaixa em algum da lista, mas não creio que a alíquota seja de 60% para importação por pessoa jurídica.

Outro detalhe é que o cálculo que você fez está partindo de um preço de varejo e não de atacado. Acredito que uma empresa brasileira importadora não vai entrar no site e comprar de baciada por esse preço. Possivelmente vai realizar a importação no preço de atacado. E isso tem impacto no valor final, por óbvio.

Enfim, sem saber quais são exatamente os impostos envolvidos nesse tipo de produto, fica complicado calcular os valores. O ICMS, por exemplo, tem uma conta de compensação, onde quem recolhe o imposto da venda ao consumidor final pode abater o que pagou para evitar a bitributação.

Mas a experiência com os empresários brasileiros (não todos, obviamente) permite essa ilação de margem de lucro excessiva. Cito como exemplo os bancos, que sempre reclamaram das taxas básicas de juros muito altas e, agora que elas estão basicamente no chão, nunca reduziram proporcionalmente as taxas cobradas de empréstimo nas instituições bancárias.

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Como eu disse, esse é o melhor cenário possível, o único ponto que eu deixo em aberto é a compra em lote, o máximo que eu consegui simular foi 1000 unidades (não sou CNPJ, talvez tenha um tratamento diferente, sei lá) e o valor unitário permaneceu o mesmo