Calma, a coisa “não é bem assim”. Entendo a sua frustração e existem três pontos chave na sua reclamação, então vamos analisá-los com calma:
- A Valve “abandonar” o linux.
- A Valve incentivando devs a desenvolver para windows e “ignorar” o linux.
- “Eficiência” em executar jogos via proton.
Falando do primeiro ponto, a Valve não abandonou o linux. Se você ler o post do blog do factorio que coloquei lá em cima do dev especializado em linux falando dos desafios, verá que, para uma empresa manter um jogo rodando em múltiplas plataformas, ela deve possuir múltiplas equipes de desenvolvimento, múltiplas equipes de QA e múltiplas equipes de atendimento (particularmente se falarmos de jogos online, que possuem “suporte vitalício”, ou seja, que duram enquanto a empresa conseguir manter) o que multiplica os custos em se manter o jogo.
Nessa situação é bem compreensível que as empresas (incluindo a valve) se foque no sistema operacional com maior potencial de púbico, então é natural que eles se foquem no windows. Agora, falando dos jogos deles mesmos existe um detalhe muito grande nisso: a Valve é a “dona” do proton (eu sei que é código aberto e tudo mais, mas é muita hipocrisia achar que alguém vai desenvolver o projeto com a mesma velocidade e qualidade da Valve se ela sair dele, afinal, ela é a maior interessada no sucesso do proton), assim, não posso afirmar com certeza, mas posso conjecturar que eles desenvolvam seus jogos focados em rodar no proton e, por consequência, os jogos acabam rodando no windows também.
Então, eles não estão “C#&#@* e andando” para o usuário, afinal, o usuário final não está ficando sem seus jogos, ainda mais que é de interesse extremo deles que a maior quantidade possível de jogos rode o melhor possível no steam deck!
O segundo ponto, sobre a Valve incentivar os devs a ignorar o linux, também não é bem assim. Lembre-se que no passado eles tentaram emplacar a Steam Machine que justamente tinha o foco de executar tudo em linux, por meio do SteamOS e isso incentivaria os devs a manter versões linux também. Porém, essa experiência foi um fracasso retumbante!
Para que as empresas de jogos tenham interesse em manter toda a estrutura e custo necessário para manter uma plataforma em seu suporte, essas empresas devem ter uma base instalada que justifique isso e a Valve sozinha não conseguiu tal feito. Qual foi a solução? Pegar um projeto que, na época, era pobre e com um suporte sofrível (lembra que o wine, antes do proton era uma solução terrível para jogar praticamente qualquer coisa?) e desenvolver ao ponto de se tornar indistinguével de rodar no windows.
E chuta: eles estão conseguindo! O que leva ao terceiro ponto. Lembra na discussão acima que tive com o @KairanD sobre o protonDB? Então, lá ficou bem claro que a esmagadora maioria dos jogos novos rodam no proton sem dificuldades, sem perda de desempenho e com a experiência total do jogo! A maior parte dos jogos terá que fazer alguma coisinha? Normalmente sim, mas nada de extraordinário, usualmente é só alguma configuraçãozinha de gráfico ou coisa assim que o jogo falhou em “setar automaticamente”. Raros os jogos onde, rodando pelo proton diretamente na steam, exista a necessidade de alguma configuração mais profunda (os casos existem, mas são bem raros hoje em dia).
Porém, os benchmarks que vi até hoje em jogos grandes como Red Dead Redemption 2 (exemplo, mas já vi de outros também) mostram que o frame rate e o frame time ficam dentro da margem de erro comparando-se wine com windows, ou seja, não existe diferença de desempenho entre rodar em um ou no outro (isso utilizando o mesmo hardware)!
Inclusive, caso o gargalo de execução do jogo seja o sistema operacional (o caso que tanto citei) do OS competir recursos com o jogo, utilizando o wine, o jogo acabe com desempenho melhor por conta da maior eficiência do linux como sistema operacional, reduzindo assim o gargalo que existia anteriormente.
Portanto, indiferente de rodar em wine ou em windows, o hardware necessário é o mesmo! É o hardware necessário para que o jogo rode (e isso vai independer do sistema operacional)!
Eu entendo a sua frustração em não ter os jogos nativos no linux, afinal, como falei lá em cima, o linux acaba ficando às sombras do windows já que mudanças nesses jogos no windows afetam diretamente eles no linux também, assim como o suporte acaba ficando normalmente por conta da comunidade! (são raros os jogos onde alguém do desenvolvimento ajuda nos foruns da valve um usuário rodando em proton, acontece, mas é muito mais raro). Porém, do ponto de vista comercial e também do ponto de vista dos usuários de linux, essa atitude da Valve é o que tornou o Linux uma plataforma viável de jogo no PC. Portanto, eles não abandonaram o Linux, mas sim o salvou de permanecer como uma plataforma de trabalho apenas.