Há dezenas - ou mesmo centenas ou milhares - de usuários do Fedora e outros sistemas neste Fórum que certamente podem demonstrar que a “realidade” pode funcionar muito bem. Eu mesmo, após anos usando uma variedade de sistemas, posso indicar isso (no momento, Ubuntu LTS, Debian Testing e Manjaro GNOME, três sistemas bem diferentes, estão coexistindo no meu disco). ![]()
Eu não gosto do Fedora e não tive boa experiência com ele. Mas conheço um bocado de gente que usa no dia a dia e adora.
Sistemas LTS não estão imunes a esses problemas e uma pesquisa rápida jogando distros do tipo nos termos de indexação demonstra isso.
Por exemplo, o Bluetooth do meu notebook não funciona desde a versão 20.10 do Ubuntu e continua não funcionando na 22.04 LTS, que instalei ontem. E o consumo de bateria e o aquecimento da máquina, com a placa de vídeo da Nvidia, continuam muito elevados em comparação a sistemas como Pop!_OS ou Manjaro (neste último, o Bluetooth também funciona sem qualquer ação adicional).
A experiência muda muito conforme o hardware. E também seria necessária uma caracterização estatística de usuários por distro para poder avaliar se a quantidade de problemas reportados não teria relação com a quantidade de usuários deste fórum que usam determinadas distros, o que não temos como fazer. Fora a disposição em reportar bugs. Sinceramente, essa é uma amostra muito diminuta e instável para querer tirar conclusões.
Se, por um lado, o fluxo de atualizações de uma distro LTS pode contribuir para evitar problemas inesperados, por outro, bugs considerados não críticos também podem perdurar por algum tempo. Por exemplo, este bug que acabei de reportar e afeta o Debian Testing e o Ubuntu 22.04 LTS. Apesar de ser muito desagradável para um usuário iniciante, está com previsão de correção apenas para uma versão posterior. Em sistemas que seguram atualizações de forma muito conservadora, há também a desvantagem de ficar sem receber, por tempo considerável, diversas melhorias de usabilidade e qualidade de vida, como as inúmeras que foram trazidas pelo GNOME 42. Enfim, tudo tem seus altos e baixos.
Dizer “acredito que usuários comuns deveriam preferir sistemas LTS” é uma coisa. Dizer que “distro para uso sério é LTS” e sugerir que sistemas como Fedora não são capazes de atender a isso é uma generalização que não faz sentido e apresenta tom, de certa forma, pouco amigável.
Com relação a “o que atrapalha uma boa experiência”, isso vai variar muito de pessoa para pessoa. Uma pessoa pode se sentir incomodada com um fluxo de atualizações constante de um sistema. Outra pode não gostar de um sistema que dificulta o acesso a pacotes proprietários. Outra pode não gostar de uma loja de aplicativos lenta e com suporte reduzido. Outra pode detestar elementos da interface. E por aí vai… As recomendações tendem a ser baseadas nessas visões.
Acredito que os maiores problemas da comunidade hoje giram realmente em torno da inferência, da generalização e do conflito. Essas práticas são pouco saudáveis. É justamente a diversidade que torna o open source “mágico”. ![]()