Existe no Forum um tópico “Defenda sua interface gráfica!”, que parece tentadora, e aparece em “Não lidos”, sempre que alguém adiciona uma contribuição, pelo simples fato de que li uma vez (e continuo lendo). No entanto, ainda não me convenci a postar uma resposta ─ afinal, “minha interface gráfica” não está sob “perigo”, que necessite eu ir lá adicionar minha pobre “defesa”.
Há lá boas postagens em prol do KDE (e também de outras DEs), algumas bastante extensas e abrangentes. Penso: o que poderia eu acrescentar ao que já foi dito? Ou seria o caso de tentar “defender” o KDE de alguma “crítica” existente por lá? Continuo sem ver motivo para dizer algo no tópico.
Acho que, mais importante do que “defender minha DE”, é tentar levar os colegas a refletirem sobre algumas “armadilhas”, às quais nossos pensamentos ficam presos ─ sem um motivo “concreto”, ou “objetivo” ─ apenas porque se tornaram lugares-comuns, que de tanto ler, acabamos considerando “reais”, quando na verdade são subjetivos, e como tal, impossíveis de se medir, na prática.
O que é “intuitivo”?
É algo que alguém “adivinha”, ou “tem um palpite”. ─ Mas essa adivinhação, esse palpite, são resultado do que aquele “alguém” já viu, já aprendeu, já se “acostumou”.
Para quem vem do Windows, “intuitivo” é algo que “aproveita” os hábitos adquiridos lá. Só isso.
Para quem vem do Gnome, “intuitivo” é ─ unicamente ─ o que se enquadra nos hábitos adquiridos no Gnome. Tudo mais, é difícil, confuso, complicado etc.
Se fôssemos estudar as relações entre Gnome, MATE, Cinnamon, Xfce, LXDE, LXQt, KDE etc., talvez ficasse clara a relação entre “intuitivo” ─ e a filiação de cada DE a outra DE, da qual foi bifurcada (forked) ─ aumentando a “intuitividade” na razão direta da maior “proximidade” (menor tempo desde a bifurcação).
Fora de um estudo objetivo dessas relações e “proximidades”, só resta uma “sensação”, que cada um explica como bem lhe vier à cabeça, sem que nada fique realmente “explicado”.
Vejo “por alto” essa relação entre as distros e a “intuitividade” que cada um “sente” ou deixa de sentir ─ conforme o caminho percorrido por cada um, até aquele momento.
Mas como uso KDE desde 2007 ─ e vou registrando tudo que encontro, aprendo, descubro, ─ para mim, a “intuitividade” é totalmente diferente daquela que é “sentida” por quem salta (hop, hopping) de DE em DE, e ainda não se compenetrou muito bem de como é o KDE, porque ainda tenta encará-lo do ponto de vista de outra(s) DE(s) a que está acostumado.
A gente vê isso todos os dias ─ pessoas vindas do Windows, que querem ver no Linux “um outro Windows”, e ficam frustrados, e lançam desabafos mais ou menos sem sentido concreto. ─ Tentamos abrir os olhos do novo colega para o fato de que o Linux não é (nem pretende ser) “um outro Windows”, e vemos que esse alerta raramente surte efeito. É hábito nos fóruns aceitar aquela “pauta”, colocada pelos egressos do Windows, e vários colegas embarcam nela, postam dezenas de respostas, e o alerta se perde como agulha num palheiro.
Esse é o funcionamento “normal” da mídia, dos blogs caça-cliques etc., e é difícil alguém tentar se opor a isso.
E o mesmo acontece quando se fala do KDE ─ do ponto de vista de quem ainda não investiu um mínimo de leitura sobre o KDE.
Deve “o Linux” fazer isso ou aquilo, para “atrair” os usuários do Windows? Deveria “o KDE” fazer isso ou aquilo, para ser palatável a quem pula de DE em DE, sem investir em conhecer de fato o KDE?
Deve o Linux se nivelar ao Windows? Deveria o KDE se nivelar às demais DEs?
Para “lucrar”? Quem, “lucrar”?
No fundo, é achar que uma coisa “livre” deveria se nivelar uma mega-corporação que visa ─ acima de tudo ─ o lucro.
Não faz o menor sentido.
O que “o KDE” iria “ganhar”, agindo como uma empresa, em busca de ampliar… Aliás, ampliar o que? Seu “mercado”? ─ A simples ideia de “mercado”, só existe em função de “lucro acima de tudo”. ─ Nada a ver com “software livre”.
Não é nada disso que se trata ─ embora seja essa a impressão que a maioria dos debates tende a passar ─ sem que a gente perceba o absurdo implícito.