Apresentando o Mageia (e algumas otimizações com KDE)

Olá amigos! Gostaria de apresentar a distribuição Mageia e algumas otimizações na versão KDE, que deixam o sistema mais responsivo, acredito que tanto para PCs antigos quanto novos. Assim como o Lubuntu, essa distribuição funcionou muito bem em meu PC legado, mesmo com KDE.

1. A Alma do Mageia: Comunidade e Independência

Diferente do Ubuntu (da Canonical) ou do Fedora (da Red Hat), o Mageia não é de uma empresa. Ele nasceu de um “fork” do antigo Mandriva Linux em 2010, quando os desenvolvedores e usuários se uniram para garantir que o sistema continuasse vivo e totalmente comunitário.

  • Pessoas reais: Quando dizem que a comunidade é grande, referem-se a uma rede global de voluntários que cuidam desde a tradução até o empacotamento de softwares.

  • Foco no Usuário: O objetivo principal é ser um sistema operacional estável, seguro e fácil de configurar.

2. O Centro de Controle Mageia (MCC)

O Mageia possui uma ferramenta exclusiva chamada Mageia Control Center.

  • Atualização sem Terminal: O Mageia é famoso por suas ferramentas gráficas (drakconf). Você pode gerenciar discos, usuários e, principalmente, atualizar a versão do sistema (ex: da 9 para a 10 no futuro) com apenas alguns cliques, sem tocar no terminal.

  • Facilidade: Ele centraliza tudo. Se você quer configurar uma impressora ou mudar o repositório de software, o MCC resolve de forma visual.

Por que é uma boa escolha?

  • Independência e Estabilidade: O Mageia não segue “modas” de empresas. Ele é feito para durar. É muito estável e não vai quebrar seu sistema com atualizações experimentais.

  • O “Santo Graal” Gráfico (MCC): Para quem deseja não usar o terminal, não existe nada melhor que o Centro de Controle Mageia. Ele é mais completo que os painéis do Ubuntu ou Mint, permitindo configurar boot, rede e discos visualmente.

  • KDE “Puro”: O Mageia entrega uma das implementações mais limpas do KDE Plasma, o que facilita na hora de desativar o que não precisa para ganhar velocidade.

OPCIONAL: Otimizando o Mageia (sem usar o terminal)

1. Desativar a Indexação de Arquivos

O serviço “Baloo” do KDE indexa cada arquivo para busca rápida, mas ele “castiga” HDs mecânicos, deixando o sistema lento. Na minha instalação ele já veio desativado, mas recomendo verificar:

  • Vá em Configurações do SistemaPesquisa de Arquivos.

  • Desmarque a opção “Habilitar a Pesquisa de Arquivos”.

  • Clique em Aplicar.

2. Aliviar os Efeitos Visuais

O KDE é bonito, mas as animações podem pesar, dependendo do seu computador.

  • Vá em Configurações do SistemaComportamento da Área de TrabalhoEfeitos de Tela.

  • Desative itens como: Desfoque (Blur), Lâmpada mágica e Animações de janelas.

  • Mantenha apenas o essencial para a usabilidade.

3. Desativar o Compositor

Se sentir “atraso” (lag) ao arrastar janelas:

  • Vá em Configurações do SistemaTela e monitorCompositor.

  • Em “Composição”, desmarque a opção “Habilitar na inicialização” e clique em Aplicar.

4. Ajuste do Menu de Inicialização (GRUB)

Por padrão, o Mageia espera 5 ou 10 segundos no menu inicial antes de carregar. Vamos reduzir para 2 segundos.

  • Abra o Centro de Controle Mageia (MCC).

  • Vá em InicializaçãoConfigurar a inicialização do sistema.

  • No campo “Atraso antes de iniciar a imagem padrão”, mude para 2.

  • Clique em “Próximo” e “Finalizar”.

5. Desativar Serviços Desnecessários

Muitos serviços tentam ler o disco ao mesmo tempo. Vamos desativar o que você não vai usar.

  • No MCC, vá em SistemaGerenciar serviços do sistema.

  • Procure e DESATIVE (desmarque “Iniciar na inicialização” e clique em “Parar”):

    • Bluetooth: Se o seu computador não usa teclado/mouse sem fio.

    • Cups: Se você não tem impressora.

    • Avahi-daemon: Se você não precisa descobrir dispositivos Apple na rede local.

6. Simplificar o Login

O KDE Plasma carrega muitos módulos no login.

  • Vá em Configurações do SistemaInicialização e DesligamentoSessão da Área de Trabalho.

  • Em “Ao fazer o logon”, selecione a opção “Iniciar com uma sessão vazia”.

  • Isso impede que o KDE tente reabrir todas as abas do navegador e janelas que você deixou abertas antes de desligar, o que economiza muita leitura de disco no início.

7. Desativar a “Splash Screen” (Tela de Carregamento)

Aquela imagem bonita que aparece enquanto o sistema carrega consome recursos.

  • Vá em Configurações do SistemaAparênciaTela de apresentação.

  • Selecione “Nenhum” e clique em Aplicar. O sistema passará direto do carregamento para o desktop.

8. Otimizar o “Krunner”

O Krunner (o buscador do KDE) tenta indexar plugins no boot.

  • Pressione Alt + F2.

  • Clique no ícone de engrenagem.

  • Desmarque tudo e deixe apenas “Aplicativos”.

9. Desative as checagens periódicas de segurança

  • Vá em Configurações do SistemaConfigure a Segurança do Sistema, Permissões e AuditoriaConfigurações de segurançaVerificações periódicas.

  • Em “Checagem Periódica de segurança”, desmarque a opção “Ativar checagens periódicas de segurança” e confirme ao sair.

  • Desativar as checagens de segurança periódicas podem aliviar a leitura do disco rígido pelo sistema. Mas não se preocupe, a segurança básica do sistema continua ativa.

Dica de Ouro: Navegador de Internet

  • Instale uma extensão de bloqueio de anúncios (como o uBlock Origin). Isso impede que scripts pesados de propaganda consumam seu processador e RAM.

Fiquei impressionado com o Mageia, pois possui uma comunidade internacional considerável e bom suporte nos canais oficiais para vários idiomas, inclusive o Português, ainda que pouco citada e lembrada aqui no Brasil. Por isso gostaria de saber a opinião de vocês sobre ela!

Todos os procedimentos foram testados em meu Lenovo Tinkcentre M76 AMD Phenon II X2 B57 com 4 GB de RAM e HD mecânico de 500 GB. As informações foram retiradas do Google Gemini e adaptadas ao tópico por Marcos Marcelino em 05/01/2026.

7 curtidas

Gosto do Mageia, parece tratado com carinho por seus desenvolvedores. Sua passagem de versões fixas pode demorar, porque não é um projeto grande, mas me parece feita com cuidado. Ainda está disponível em versões 32 bit. Usei uma edição passada, em LXDE, para 32 bit, em netbook jurássico, modestíssimo, e deu muito certo. Se não me engano, o Mageia se instala com opção de um “desktop genérico”, composto com o IceWM, que deve ser bem leve.

No mais, ótimas dicas para deixar o Plasma mais leve. Convergem, aliás, com as práticas do Fernando @frc_kde, nosso grande especialista em KDE Plasma.

ATUALIZAÇÃO: Lembrei-me de que temos no Diolinux Plus um ótimo artigo sobre essa distro:slight_smile:

3 curtidas

Foi assim que conheci o IceWM…

Um dia, o “atualizador” do Mageia (aquele ícone de alterta no Painel) deu uns grep, uns tilt, sei lá, e o bicho deu uma cambalhota, tropeçou, miou, zurrou etc. – Quando reiniciei, fiquei esperando o KDE carregar a Área de Trabalho:

Depois de uns 3 anos, 7 meses e 2 dias, devo ter esbarrado em alguma coisa, e apareceu um Menu de contexto, em algum ponto aleatório da tela:

Tinha (ou devia ter) um “painel” no alto da tela, mas acho que era preto e não tinha nenhum ícone. – Nem dava pra perceber. – Então, descobri que eu estava sem KDE, mas com um tal de IceWM:

Esse IceWM é instalado, mesmo quando a gente escolhe (só) KDE – e isso não é exclusividade do Mageia:

Sessões oferecidas na tela de Login -- Nov. 2023:

 1 openSUSE T'weed   SDDM   Plasma (X, W                  ),           IceWM
 2 Arch        (*)   SDDM   Plasma (X                     )
 3 Debian testing    SDDM   Plasma (X, W                  )
 4 Fedora            SDDM   Plasma (X, W                  )
 5 KDE Neon          SDDM   Plasma (X, W                  )
 6 PCLinuxOS         PCC    Plasma (X,            Failsafe)
 7 Mageia cauldron   SDDM   Plasma (X                     ),           IceWM
 8 Slackware         SDDM   Plasma (X, W, Full W, Failsafe), Xsession
 9 Void        (*)   SDDM   Plasma (X, W                  )
10 Manjaro           SDDM   Plasma (X                     ),           IceWM
11 Redcore           SDDM   Plasma (X, W                  ), Xsession
12 MX Linux          SDDM   Plasma (X, W                  )

               (*) ----------  Custom built KDE

 1 openSUSE T'weed   YaST2  -
 6 PCLinuxOS         PCC    SDDM, GDM, XDM (X Display Manager)
 7 Mageia cauldron   MCC    SDDM,      XDM (X Display Manager)

A turma do Mageia trabalha no capricho! A imagem que faço é de moças e moços franceses, alemães etc., banhados e esfregados até ficarem com a pele do rosto bem rosada, e devidamente perfumados. :wink:

Pelo que tenho visto, o ciclo do Mageia é de uns 2 anos (meados dos anos ímpares) – tal como o Debian (meados dos anos ímpares) e os Buntus LTS (Abril dos anos pares).

O openSUSE Leap costuma lançar versões maiores ou menores, em meados de todos os anos:

O Fedora é que faz 2 lançamentos por ano:

Ótimas dicas, @marcosvjmarcelino !

Gostei principalmente desta aqui – na qual eu nunca tinha pensado até hoje:

No meu ainda aparece muita coisa:

Fui verificar o que mais eu poderia desativar – no Arch Linux (onde estou agora), pois configuro o KDE Plasma +/- “igual” em todas as distros:

E descobri que já desativei tudo que posso – principalmente, Bookmarks, Browser History, Browser Tabs, Dictionary, File Search, Locations, Spell Checker, Software Center:

Talvez ainda possa desativar mais algumas coisinhas, mas daqui em diante preciso ir com calma, pois vários serviços de busca são úteis. – Por exemplo, é horrível copiar / criar / baixar um arquivo, e o Dolphin não atualizar. – Toda hora, preciso teclar F5… É chato.

Eu teria de testar cada um, separadamente, observar durante vários dias, e anotar as consequências em algum lugar fácil de encontrar – no “caderno de informática”, ou no blog (é meio confuso), ou… Às vezes, penso em criar um Github, só para ter todas as anotações à mão, mesmo em uma sessão Live com todas as partições desmontadas.

Portanto, não é só uma questão de KRunner. – Preciso encarar esses serviços “Plasma Search”, pensando no funcionamento geral do Plasma.

Eu acrescentaria 1 coisa muito importante: – O Mageia System Security and Audit (MSEC):

Uma coisa muito chata são as “verificações periódicas” – que deixavam meu antigo PC mais lerdo que uma tartaruga. – Imagine uma coisa dessas, num PC com apenas 2 núcleos… bem velhinhos, coitados!:

Em resumo, ele ficava verificando uns 600 mil arquivos – em todas as outras distros – e em 2 discos de 1 TB onde guardo todas as velharias – desde a década de 1990, e até antes do Windows.

Depois, gerava um relatório de 300 milhões de linhas escritas em grego, sânscrito, caracteres cuneiformes pré-babilônicos – que nem o nerd mais fanático teria paciência de examinar. – E isso, toda semana, ou várias vezes por semana. Nem lembro mais.

Tratei de desabilitar esse carnaval:

Ok, talvez devesse manter essa checagem, porém limitada ao próprio SO, o Mageia – mas minhas outras 11 distros vivem sem isso, né? – Cada uma tem seu conjunto de autorizações, firewall etc.

O bom daquele exame, é que encontrei lá o click para autorizar o KDE Connect:

Fiz umas anotações aqui, quando transformei meu Mageia em Cauldron (rolling release) – e ele acabou ficando mais leve do que várias distros consideradas leves. – Antes, meu Mageia disputava o prêmio de mais pesada com o Debian, Fedora, e openSUSE.

3 curtidas

Vou instalar o Qtile nele para ver como fica. :rofl:

1 curtida

Ótima dica sobre o Mageia System Security and Audit (MSEC) meu amigo! Vou fazer isso no meu também, deve ajudar a dar uma otimizada ainda melhor. Meu PC é dual core, um modelo bem antigo, com HD mecânico, então acredito que esse procedimento pode fazer diferença. Aí vou adicionar como uma otimização no tópico e creditar sua dica, obrigado mesmo!

1 curtida

Olá amigos! Eu até criei um blog, pra compartilhar, dentre outras coisas, minha experiência de como será usar ela no dia a dia, e dicas de otimzação. Quem quiser acompanhar e comentar lá, fique à vontade. Vou deixar o link aqui abaixo, mas o instagram onde notifico as atualizações do blog é o @blogdomarcosmarcelino

2 curtidas

Está para sair do forno a edição 10 do Mageia. Desenvolvedores já puseram para baixar Imagens de versão alpha.

2 curtidas

Agora deu saudade…

… dos tempos em que eu baixava, testava e instalava versões sta2, ou beta, ou alpha – assim que ficava sabendo – e curtia os meses finais do desenvolvimento da nova (futura) versão, quase como se fosse rolling release – e depois continuava usando por 2 anos, sem reinstalar a versão final.

Até que um dia resolvi fazer logo upgrade para Cauldron (rolling release) – e nunca mais tive aquela trabalheira toda – nem aquela brincadeira toda.

2 curtidas

O Fedora não é propriedade da Red Hat. Isso é a mesma coisa que dizer que o Linux é propriedade da Microsoft só porque ela patrocina a Linux Foundation e apoia o desenvolvimento.

A relação entre ambas as distribuições é que a Red Hat, desenvolvedora do RHEL, patrocina o Fedora e auxilia no desenvolvimento da distribuição, além de usá-lo como upstream, ou seja, o RHEL é baseado em versões anteriores do Fedora. A Red Hat não controla o desenvolvimento da distribuição nem usa o Fedora como um laboratório, como alguns gostam de dizer por aí. O projeto é desenvolvido pela comunidade.

1 curtida