1 - Tudo que já procurei no Google, sempre encontrei – e quase sempre, nas primeiras 3 páginas. – Quando não encontro, é porque a coisa realmente não existe… Por exemplo, alguma suposta “notícia” que alguém “afirma” nas redes, sem dar links nem fontes da suposta informação.
2 - Para isso, vim “aprendendo” a usar o Google – a partir de algumas dicas que uma amiga minha recebeu em um curso de Biblioteconomia, que na segunda metade da década de 90 estava apenas começando a se chamar “Tecnologia da Informação”. – Naquela época ainda nem existia Google. Os principais buscadores eram Yahoo, Altavista-net, e muitos outros, em ordem decrescente de importância e qualidade. – Eram inúmeros buscadores, porque ainda era possível milhares de empresas entrarem na competição, com alguma chance de abocanharem uma pequena fatia e, até, crescerem, em alguns casos.
3 - Não havia buscas “inteligentes” – havia buscas por “categorias” e subcategorias, por países (acho), e assim por diante. – A quantidade de resultados ainda era humanamente razoável, e se não me engano, havia um limite, não lembro se o máximo era 255 mil ou 255 milhões, mas só uma busca muito genérica chegava a tanto. – Não conheço ninguém que tenha checado até a última!
Se você não entrasse em uma “categoria”, ou em em algum outro tipo de “refinamento” da pesquisa, os resultados vinham embaralhados – e era comum eu ter de percorrer até 50 páginas (500 resultados), em alguns casos, tentando encontrar alguma coisa mais específica. – E se você usasse as opções de “refinar” a pesquisa, encontrava algumas categorias com apenas meia-dúzia de resultados (em geral, úteis).
Não lembro exatamente como aqueles “motores de busca” indexavam os sites. – Lembro que, em vários deles, você podia cadastrar o seu site, indicar as categorias, país, idioma etc., e aguardar a aprovação. Então, ele aparecia lá no meio do bolo geral, e também nas categorias etc.
O Altavista-net se distinguia por pelo menos 2 coisas: – (a) Tinha uma equipe de voluntários, que verificavam, re-classificavam, corrigiam etc.; e – (b) Oferecia uma “busca avançada” extremamente bem organizada, que permitiam “refinar” os resultados com alta precisão. Era a menina-dos-olhos dos especialistas universitários. Exigia mais conhecimentos e habilidades. Por isso, era mais abordado nos cursos de Biblioteconomia / TI.
Yahoo era o grande buscador, todos usavam, tinha um cadastro de sites muito maior, mas era mais tosco, embaralhado, e os resultados eram mais “burrowghs”. – Com jeitinho (e muito trabalho), conseguia-se encontrar as coisas, dentro de um universo mais amplo.
Tinham algum algoritmo? Deviam ter. Alguma coisa muito “simples”, em comparação com o que existe hoje. De 2001 a 2003 fiz um site (grátis) no Yahoo, e foi muito fácil colocá-lo em destaque nas pesquisas. – E é importante lembrar que, naquela época, se 2 pessoas pesquisassem as mesmas palavras, dentro das mesmas “categorias”, receberiam exatamente os mesmos resultados.
Deixei o site fora do ar durante algum tempo, e quando tentei de novo, poucos anos depois, tive de trabalhar duro, durante vários anos, para situar meus sites (agora eram 2) num ranking razoável, dentro dos resultados.
4 - Em algum momento entre 1996 e 2000, li uma entrevista de um chinês dos EUA, “criador” de uma novidade esquisita, um tal de Google, onde ele desancava o Yahoo, sem dó nem piedade, chamando-o de “burrowghs” – não por causa dos resultados de pesquisa serem mais “burrowghs” – mas porque os donos e diretores do Yahoo “desperdiçavam” sua posição única, para ganhar dinheiro, muito dinheiro!
Ele observava que o Yahoo tinha um cadastro de zilhões de usuários do Mail, dos Groups (compra do eGroups), do Geocities (outra compra), entre muitos outros serviços “logados” – mas não exigia que esses usuários preenchessem todos os campos relativos a idade, sexo, formação escolar, profissão, atividade, renda, gostos, preferências etc. – e quando os usuários preenchiam, o Yahoo não utilizava essas informações para monetizar seus serviços!
De fato, os anúncios eram tão poucos, nos serviços do Yahoo, que ninguém se preocupava com bloqueadores. Nem sei se já existiam bloqueadores. – Aos poucos, o “império” do Yahoo foi se desmanchando, peça por peça. Fecharam o Geocities, apagaram zilhões de “anexos” que eram guardados nos Groups, e um dia desses fecharam o Yahoo Groups, que já quase não tinha movimento. – Não lembro outros serviços que foram fechando, mas lembro que eram vários.
5 - Em algum momento, os “buscadores” pequenos, em seguida os médios, e por fim os grandes, todos foram desistindo de manter “motores” próprios (bancos de dados) – e passaram a contratar o “motor” do Google. – Em cima disso, usam critérios próprios para exibir resultados “sem a influência” dos algoritmos do Google.
A número de portais, sites, blogs, páginas etc. estava crescendo exponencialmente, tornou-se muito caro manter cada vez mais máquinas examinando a internet para descobrir tudo que surge todos os dias. – Daí, a concentração nos poucos que conseguiam ganhar muito dinheiro para manter e expandir essa infraestrutura no ritmo necessário. – Em uma palavra, o Google.
Infelizmente, a partir daí, parei de acompanhar, porque eu estava tendo um trabalho insano, na tentativa de “posicionar” meus 2 sites com um mínimo de destaque no ranking global. – Praticamente, todos os dias, o Google altera coisas nos seus algoritmos, e aos poucos, obter “alcance” foi se tornando tarefa superior a qualquer esforço que os blogueiros e os pré-históricos “webmasters” conseguem fazer. – Para isso, hoje precisam recorrer a especialistas em SEO – Search Engine Optimization.
Por um lado, isso decretou o fim dos sites “estáticos” (HTML), artesanais. – Além disso, alguns anos atrás o Google transformou o Youtube (que era só um repositório de vídeos) em um “negócio”. – A maioria dos internautas que apareceram nesses últimos anos (e que já devem ser 90% do total) gasta muito mais tempo assistindo vídeos (quanto mais longos, melhor!) do que lendo textinhos pequenos, de 5 minutos. – E isto é só 1 exemplo, pois as mudanças dos últimos 5 ou 10 anos foram radicais. Simplesmente trato de ignorar Tik Tok, Instagram etc., porque não oferecem o que quero, nem eu tenho a menor intenção de “disputar mercado”.
Para quem quiser disputar um lugarzinho (mínimo) ao sol, o caminho é mergulhar na documentação do Google – que a essa altura já supera 100 milhões de “Enciclopédias” – mas aviso desde já que… vai se tornar “escravo” do Google, pois todo dia tem mudanças importantes, e a cada 6 ou 12 meses tem mudanças fundamentais. Você deixa de gastar seu tempo gerando conteúdo, para gastá-lo quase todo… tentando se adaptar aos algoritmos do Google, que não param quietos 1 minuto.
Um “atalho” cada vez mais utilizado é fazer afirmações absurdas, ofensivas, mentirosas, para gerar tretas. – A explosão de ódios, brigas, fake-news etc. não é “natural”. É consequência direta dos algoritmos.
6 - O nome disso é “grana”. Dinheiro, bufunfa. Em graus cada vez mais gigantescos. O “capital”.
O Google nunca vai lhe mostrar 1.000 páginas de “resultados” – (a) Porque para isso, suas máquinas teriam de abrir zilhões de registros em seus bancos de dados – e as pessoas não olhariam nem 1% de tantas coisas.
Dinheiro perdido. – E como me disse um subgerente do Bradesco… “Só porque o banco lucrou zilhões, não é motivo para jogar dinheiro fora”. – O princípio básico de qualquer “motor” desse tipo é limitar o número de acessos aos registros nos bancos de dados (cujo tamanho hoje é inimaginável) – pois, a cada dia, existem muito mais pessoas solicitando esses acessos… e 99% dessas pessoas não vão gastar mais de 1 minuto olhando os primeiros resultados. Ficam impacientes, alteram a busca, e teclam Enter de novo. E assim por diante.
Imagino (só imagino) diferentes níveis de trabalho mecânico: – (a) Busca rápida em uma espécie de “cache”, bastante limitada, pois não faz sentido as máquinas acessarem “todos” os zilhões de registros, a cada vez que alguém tecla Enter em algum canto do planeta; e – (b) Mecanismos de mineração de dados (data minning), em background, alimentando o “cache” com um resumo do que possa fazer mais sentido, tanto para os ganhos do Google, quanto para a satisfação de zilhões de pessoas comuns. É nessa “mineração de dados”, também, que podem aparecer pistas sobre alguma coisa que os terroristas possam estar planejando – mas, principalmente, determinadas informações estratégicas para grandes conglomerados econômicos e, naturalmente, o Tio Sam. Estes são os grandes clientes.
7 - O que “aprendi” a fazer, é o mínimo possível: – (a) Limitar a busca a “Últimos 12 meses”, quando o assunto é Linux, pois se uma dica era válida 10 anos atrás, com certeza milhões de pessoas tornaram a repeti-la no último ano, em geral corrigindo o que possa ter mudado; – (b) Se alguém diz que teve um terremoto, caiu um avião etc., limito a busca às últimas 24 horas, ou mesmo à hora mais recente. Se não encontro “avião do Papa caiu”, em 99% das vezes isto significa que era fake-news.
8 - Nunca incluir na busca palavras inúteis (e, ou, de, com), nem palavras comuns demais (futebol, política, democracia, ditadura). – Melhor pesquisar “Fulano” (só o nome mais “diferente”, nada de José, João) + o nome do time + alguma palavra muito específica sobre o que ele teria feito (balada, estupro, sonegação?). – Bom, esses são exemplos genéricos, pois não vejo, não leio, nem assisto futebol (nem tenho TV).
O mais comum, é eu procurar alguma dica técnica em Linux. Por exemplo, como mudar o UUID de uma partição XFS? – Pesquisei “UUID XFS mudar” (o Google sabe que mudar = alterar, e inclui nos resultados), e encontrei 2 repostas de ótima qualidade, nas primeiras 2 páginas.
Se você procura uma música, “Acontece que eu sou baiano, acontece que ela não é”, use aspas – caso contrário, pode aparecer um monte de páginas com “aconteceu virou notícia”, com “baiano esfaqueou o colega”, “quem sou eu”…
Teoricamente, o Google diz que privilegia o conteúdo “original” e pontua negativamente postagens que são meras cópias. Isso é muito relativo. Se a Folha, o Estadão, O Globo copiarem um texto seu original, são eles que irão aparecer na primeira página (com um © lá embaixo!). – Sei disso, porque em todas as notícias que me interessam sobre obras realizadas, início, inauguração etc., os jornalões copiam descaradamente as “notas de imprensa” dos governos (federal, estadual), e tacam um © lá embaixo. Para me assegurar de que não roubei nada de ninguém, eu fazia questão de procurar a “nota de imprensa” original, e garanto que é quase impossível encontrá-las pelo Google. Sempre tive de entrar nas páginas dos próprios governos e procurar lá a informação original (idêntica à dos jornais). Por via das dúvidas, salvava em PDF, para me resguardar.
9 - Os “algoritmos” do Google têm bons e maus efeitos. Do lado bom, sei que eles distinguem páginas “boas” – porque as pessoas param mais tempo nelas, e interrompem a pesquisa (então, o Google detecta que aquela página foi útil para aquela busca). – Isso também vale para vídeos no Youtube, mas eu é que não vou ficar 1 hora ouvindo falar “clica no sininho” etc., pra descobrir que aquilo não contém o que eu procuro, e começar tudo de novo, e de novo… Dessa vez, resolvi tudo em +/-5 minutos.
10 - Deixo de falar das coisas terríveis sobre o Google, porque não vejo nada que a gente possa fazer de concreto, e que possa gerar um mínimo de resultado prático. Talvez a Europa, a China etc. possam fazer algo.
11 - “Honest, boss, there’s nobody here but us complicated thinking machines”.
PS.: - “burrowghs” – as máquinas pensantes do Fórum proíbem a palavra que vocês já adivinharam qual seja.