Um dos assuntos mais falados deste ano, na vasto mundo da informática, foi o módulo TPM que a Microsoft exige - como condição sine qua non - para que se instale o Windows 11 na máquina que o vivente possui.
Muita gente reclamou de que terá de comprar um novo computador para atender a essa exigência. O que poucos vêem é que, com ou sem Windows 11, é um recursos necessário até para o pinguim, se o usuário desejar aproveitar os recursos que ele oferece.
E a tendência será que o sistema operacional o tenha habilitado por padrão e devidamente configurado, principalmente em ambientes onde a segurança é obrigação primeira para execução de um serviço qualquer.
Então linuxeiros, baixem a bola e preparem os bolsos - usando Linux ou Windows - porque os parceiros da Microsoft e do Linux exigirão o TPM em sua máquina, quer queira, quer não, mais cedo ou mais tarde. Mas até que esse dia chegue, vamos aprender um pouco pra que ele serve.
O que é e para que serve
O TPM surgiu como resposta à necessidade de melhorar a segurança, especialmente com o aumento de ameaças cibernéticas e a digitalização de informações sensíveis, impulsionada por empresas de tecnologia e organizações que buscavam formas de proteger dados críticos e garantir a integridade de sistemas.
A primeira versão, a 1.0, foi desenvolvida no início dos anos 2000 pela Trusted Computing Group (TCG), formada por empresas como Intel, Microsoft, HP, IBM e outras. O objetivo era criar um chip de segurança que pudesse ser incorporado aos dispositivos, oferecendo uma maneira robusta e confiável de proteger dados contra ataques e fraudes.
Com o tempo, a tecnologia foi aprimorada, levando ao lançamento da versão 2.0 com diversas melhorias: suporte a novos algoritmos criptográficos e melhor compatibilidade com sistemas operacionais, mais seguro e fácil de integrar aos dispositivos, tornando-se uma solução chave para fortalecer a segurança de computadores e servidores.
Ao longo dos anos, o TPM foi se tornando um padrão importante de segurança no mercado, com muitas empresas e sistemas operacionais exigindo ou recomendando o uso do TPM para garantir a proteção de dados sensíveis e a integridade do sistema.
Ele é um chip presente em muitos computadores e dispositivos modernos, armazenando informações sensíveis, como chaves de criptografia, senhas e certificados digitais, protegendo o sistema contra ataques, garantindo a segurança dos dados e a integridade do dispositivo.
Um dos principais usos do TPM 2.0 é na criptografia de disco, como no BitLocker, armazenando a chave de criptografia do disco rígido e tornando o dispositivo mais seguro contra acessos não autorizados.
Também suporta recursos como login biométrico e autenticação por PIN. A versão 2.0, verificação da integridade do sistema durante o boot, garantindo que este não tenha sido alterado ou corrompido por malware , rootkits e ou outras formas ameaças.
Por quê a Microsoft obriga sua existência na placa-mãe?
A Microsoft está implementando recursos de segurança avançados no Windows 11, como a autenticação por Windows Hello (com reconhecimento facial ou impressão digital), autenticação sem senha (com chaves de segurança, por exemplo), e proteção adicional contra ataques de malware.
Muitos desses recursos exigem a presença do TPM para funcionar corretamente, como a criação e uso de chaves criptográficas que confirmem a identidade do usuário, sem depender de senhas convencionais.
Em um cenário em que muitas empresas armazenam informações pessoais e profissionais em seus dispositivos, ele oferece uma camada de segurança física contra roubo de dados ou a modificação do sistema sem que o usuário perceba. Sem ele, é mais fácil violar a segurança física do dispositivo, especialmente em cenários como roubo de laptop, onde o atacante pode tentar extrair informações.
Ele ajuda empresas a cumprirem regulamentos e padrões de segurança de dados, como os exigidos pela LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e GDPR (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados), mantendo empresas conformes com estes regulamentos.
A Microsoft tem se concentrado em criar um sistema operacional que ofereça segurança e privacidade de alto nível, e o TPM é uma parte fundamental disso. E nessa maré, o pinguim também será afetado. Deverá apresentar a capacidade de usá-lo para atender a aos mesmos regulamentos e padrões, além de certificações presentes e futuras.
Uso do TPM 2.0 no Linux para recursos de segurança
O Linux pode se beneficiar do TPM 2.0, mas não depende dele para funcionar, nem é necessário para muitas das funcionalidades do sistema. O TPM 2.0 é uma ferramenta opcional no Linux que pode ser usada para fortalecer a segurança, mas o sistema opera normalmente sem ele.
Por exemplo, o LUKS (Linux Unified Key Setup) é a ferramenta mais comum para criptografar discos no Linux. O TPM 2.0 pode ser usado para armazenar de forma segura a chave de criptografia, aumentando a proteção. Quem quiser “vender” seu Linux num ambiente altamente regulado, terá de ativá-lo durante a instalação do sistema e atender aos requisitos legais que se apliquem.
O TPM pode ser integrado com gerenciador de boot e outras ferramentas, garantindo que o sistema seja inicializado de forma segura. Se alguém tentar modificar o sistema, como injetar malware no processo de inicialização, ele verificará a integridade do sistema e impedirá o boot comprometido.
Pode ser utilizado para armazenar chaves de segurança, senhas e tokens de autenticação, útil para autenticação de usuário ou dispositivos em uma rede, proporcionando uma camada extra de segurança para quem deseja um controle mais rígido.
Pode ser utilizado com ferramentas como o IMA (Integrity Measurement Architecture), verificando se o sistema foi alterado ou corrompido por malware, garantindo que as informações de boot e do sistema operacional sejam autênticas.
Porém, o Linux não precisa do TPM 2.0 para tudo, oferecendo uma série de ferramentas para proteção de dados e segurança do sistema, como o AppArmor, SELinux, Firejail, iptables etc, que isolam processos, evitam que programas comprometam o sistema e controlar o tráfego de dados.
E não vamos exagerar pra não assustar. Vejam um recurso simples que o Linux até hoje não resolveu: o uso de assinatura eletrônica. Imaginem um país que determine que as chaves criptográfica seja armazenada no chip TPM. Adeus governo, adeus empresas públicas!
Não adianta espernear…
As distros Linux terão de se adaptar, o mais rápido possível, para atender os requisitos que só estejam presentes com o TPM ativo. A Microsoft não é vilã, não está pedindo que se arranque um braço pelo Windows, nem está empurrando goela abaixo uma tecnologia novíssima. O “trem” existe há séculos e sua adoção plena era apenas questão de tempo… e o tempo chegou!
