O Ubuntu 25.10 trouxe uma mudança importante, embora quase imperceptível para a maioria dos usuários: a adoção do Dracut como ferramenta responsável pelo processo de inicialização do sistema.
Em resumo, substitui o antigo initramfs-tools, que - por décadas - foi usado para gerar o sistema de arquivos necessário para o Linux iniciar o boot, o que acontece nos bastidores e que dificilmente terá qualquer impacto direto na sua experiência diária com o Ubuntu.
O Dracut foi criado há cerca de 15 anos pela Red Hat, sendo amplamente utilizado em distribuições como Fedora e openSUSE. O Ubuntu, que sempre seguiu com o initramfs-tools herdado do Debian, decidiu acompanhar a tendência.
Mas afinal, o que é esse tal de initramfs e por que ele importa? Pense no momento em que o computador liga: o kernel precisa descobrir onde está o sistema de arquivos para começar a carregar o sistema operacional.
Para isso, ele usa o initramfs, um pequeno sistema temporário carregado na memória RAM que contém os drivers e módulos necessários para encontrar e montar o disco principal. Assim que o sistema “real” é encontrado, o init é descartado e o processo segue normalmente.
Ele usa scripts pré-configurados para identificar o maior número possível de hardwares. Mas o Dracut é modular e usa o udev para detectar o hardware de forma automática. Isso torna o processo mais preciso que podem resultar em inicializações mais rápidas.
O Dracut oferece suporte nativo a tecnologias mais modernas, como TPM2, FIDO2 e criptografia de disco vinculada à rede. E lida melhor com novas arquiteturas e padrões de armazenamento, como NVMe over Fabric, o que garante maior compatibilidade com hardware recente.
Na prática, essa mudança não altera o comportamento do Ubuntu para o usuário comum. O computador vai continuar ligando normalmente, sem novas telas, mensagens ou diferenças perceptíveis.
A única exceção são usuários avançados que criaram scripts personalizados para o initramfs-tools — esses precisarão adaptar suas configurações ao novo sistema modular do Dracut. Fora isso, a transição é silenciosa e transparente.
A adoção do Dracut no Ubuntu 25.10 mostra uma atualização importante na base do sistema, alinhando o Ubuntu com outras distribuições modernas e facilitando a manutenção a longo prazo.
É uma mudança técnica, voltada mais para desenvolvedores e administradores de sistema, mas que ajuda a garantir que o Ubuntu continue sólido, estável e preparado para o futuro. Para todos os outros, o importante é saber que nada muda: basta apertar o botão de ligar e deixar o sistema fazer o resto.