A SUSE apresentou na KubeCon, em Atlanta, novidades que reforçam sua estratégia de unir inteligência artificial e Kubernetes em uma plataforma integrada, apostando num futuro . A empresa aposta que o futuro da adoção corporativa de IA está nas soluções unificadas e gerenciáveis, em vez dos projetos de inteligência artificial construídos internamente por cada organização.
A novidade marca uma aproximação definitiva entre o Rancher, plataforma Kubernetes da SUSE, e o novo pacote SUSE AI, criado para simplificar a gestão de modelos e fluxos de IA em diferentes ambientes.
Embora as empresas foquem em IA locais sob medida, a SUSE contesta essa abordagem, baseando-se em dados que indicam que a maioria dos projetos serão abandonada até 2028, pelo alto custo de manutenção e complexidade de integração. Então, a proposta é oferecer uma base pronta e escalável, que reduza barreiras de implementação e garanta controle total sobre dados e propriedade intelectual.
O SUSE AI nasce integrado ao Rancher Prime e foi projetado para operar de forma consistente em nuvens públicas, privadas e ambientes locais, inclusive em infraestruturas isoladas com acesso restrito à internet.
O foco é garantir segurança e soberania digital, oferecendo aos clientes corporativos uma infraestrutura confiável para processamento e treinamento de modelos de linguagem. A plataforma traz recursos como um proxy universal baseado no Model Context Protocol, que centraliza conexões com fontes externas e otimiza o custo de uso dos modelos.
O portfólio de inferência foi ampliado e inclui o vLLM, que acelera o desempenho e facilita o processo de levar modelos para produção. Também foram incluídas ferramentas nativas de observabilidade baseadas no OpenTelemetry, com suporte expandido para soluções como Ollama, Open WebUI e Milvus.
As novidades não se limitam à pilha de IA. O Rancher Prime recebeu melhorias que incorporam o uso direto de agentes inteligentes para otimizar a administração de clusters Kubernetes. A principal delas é Liz, uma assistente contextual capaz de detectar anomalias, prever falhas e automatizar tarefas de suporte técnico, o que reduz o tempo de resposta e melhora o desempenho operacional.
A SUSE também anunciou a disponibilidade geral de clusters virtuais, que permitem a execução de clusters Kubernetes isolados dentro de um ambiente maior, otimizando o uso de GPUs e simplificando a alocação de recursos.
Outros avanços incluem a ampliação do gerenciamento de todo o ecossistema SUSE e a modernização da camada de virtualização, com suporte a redes definidas por software e microsegmentação, que buscam reduzir dependências do VMware após sua aquisição pela Broadcom. O ecossistema de armazenamento certificado também foi expandido, incluindo agora fabricantes como Fujitsu, Hitachi, HPE e Lenovo.
A SUSE reforçou ainda sua aposta em visibilidade operacional com o SUSE Observability, que ganhou um editor de painéis e integração com o padrão aberto OpenTelemetry. Essa abordagem permite reunir e correlacionar métricas de diferentes fontes, oferecendo uma visão unificada das operações, inclusive fora do ambiente Kubernetes.
A empresa também apresentou o Rancher Developer Access, uma nova interface que conecta o Rancher Desktop à SUSE Application Collection, um catálogo de aplicativos e imagens de contêineres de código aberto curados pela própria SUSE.
Com esse conjunto de lançamentos, a SUSE posiciona-se como fornecedora de uma infraestrutura de IA pronta para produção, projetada para reduzir complexidade, acelerar a adoção corporativa e garantir controle sobre todo o ciclo de vida da inteligência artificial.
Ao unificar Kubernetes, automação e observabilidade em uma base sólida, a empresa busca consolidar sua visão de que plataformas integradas superarão em eficiência e sustentabilidade os modelos de IA desenvolvidos internamente pelas empresas.