Olá a todos, sou o Pedrozord (uma brincadeira de como meu nome soa, Pedro Jorge) e eu gostaria de compartilhar com a comunidade minha experiencia até a presente data com o Linux, então sem mais delongas, senta que lá vem historia.
Em novembro de 2025 montei meu novo computador, e como todos os outros, meu foco sempre foi o gaming. Dessa vez optei por uma build totalmente AMD, e enfim, me despedindo da Nvidia, (que me acompanha desde a GTX550). De alguma forma tropecei numa postagem no Instagram, a respeito do gaming no Linux. Isso me encheu os olhos e decidi na hora usar o
sistema que tanto admiro, mas não fazia sentido para mim.
O Encanto 
Sem muita pesquisa, apenas com alguns pilares: Estabilidade, Amplo suporte, Interface amigável e facilidade de transição, optei pelo Pop_Os! (o nome me fez torcer o nariz).
Montei o pendrive, fiz a instalação e fiquei maravilhado.
O sistema se mostrou muito responsivo, bonito. Dava o boot muito rápido, podia clicar e usar os programas, Steam e outros jogos com uma velocidade que ainda não tinha visto.
Não sentia nenhum tipo de warmup, ou loadings secundarios.
A comodidade dos drivers, as atualizações, os pacotes, tudo muito bom!
O grande ponto do Linux aqui, foi trazer aquele mesmo sentimento de quando somos crianças e estamos descobrindo o mundo, aprendendo e conhecendo algo novo. (Algo que comecei a admirar muito, vendo meu filho com suas pequenas descobertas).
A interface, muito linda, as janelas, área de trabalho.
Em relação ao gaming, o desempenho animal! RDR2 com uma qualidade absurda, uma consistência de framerate e frametime que não via a muito tempo…
Mas nem tudo foram flores…
O Caos do Bluetooth 
Bom, nem tudo foram flores, né?
Alguns problemas começaram muito cedo… minha mobo tem bluetooth integrado e, bem, tive a brilhante ideia de usar os fones como headset. Foi terrível. Por ignorância técnica minha, imaginei que o protocolo bluetooth fosse trabalhar tal qual o mobile, porém não funcionou. Quando tentava usar fone e microfone juntos, vinha um ruído ensurdecedor.
O problema não era o Linux, mas as limitações do próprio protocolo Bluetooth em PCs. Para o áudio funcionar com alta fidelidade, ele usa o perfil A2DP, que é “só de ida” (apenas saída). Quando você ativa o microfone, o sistema é forçado a mudar para o perfil HSP ou HFP, e a qualidade despenca.
Para resolver, decidi por um headset com dongle USB (que evita esse problema do protocolo bluetooth padrão). Como era Natal, ganhei do meu irmão um Havit Fuxi-H3. Espetei o USB e… nada do áudio sair. Rodei alguns comandos no terminal, consegui localizar o hardware, porém ele ainda não funcionava corretamente; o áudio só saía de um lado.
Foi aí que começou a confusão: Pulseaudio para cá, Pipewire para lá, Pavucontrol no meio da salada, e eu não conseguia resolver de forma alguma. O microfone não era identificado e o áudio ficava mono… uma experiência terrível. Até que o
ALSAMIXER
apareceu para mim como a possível solução. Foi tiro e queda! Bastou ajustar os níveis por lá e o áudio finalmente ficou perfeito. Nem parecia que eu quase tinha perdido os cabelos horas antes.
Áudio ![]()
O caos do mouse e o gerenciamento de janelas 
Como dizem os ianques, este foi meu Vietnã…
Vocês se lembram do RDR2, certo? Bem, o jogo fluía de uma forma absurda, exceto quando o mouse começava a rodopiar feito um peão, me exigindo reiniciar o jogo e usar diversos comandos de inicialização. Tentei Gamescope, tentei diversas coisas, diversos parâmetros… e, sinceramente, até hoje nem sei o que realmente resolveu, mas acredito que ter desativado a escala de 150% e voltado para 100% fez o mouse parar com as loucuras.
Cheguei a ficar sem a interface do sistema tentando corrigir conflitos entre o X11 e o Wayland sobre a forma como o sistema desenhava as janelas. Passei uma tarde inteira tentando recuperar minha interface, preso apenas no TTY…
Porém, não parou por aí. No Arc Raiders, o jogo sempre iniciava em janela, cortado no meio. O “truque” era Alt + Enter uma vez para deixar em tela cheia e Alt + Enter de novo para trazer o foco e liberar o mouse. Já o Dying Light e o Green Hell sequer rodavam. No primeiro, as cinemáticas travavam; quando eu as desativava, o mouse ficava agarrado no canto superior esquerdo. Os parâmetros de inicialização que deveriam corrigir isso faziam o jogo crashar de imediato ao carregar o save. No Green Hell, o jogo abria, mas eu não conseguia clicar em nada. Ficava totalmente travado.
Outros jogos como Hogwarts Legacy, Back 4 Blood e Resident Evil 4 Remake ficavam travados em 60 FPS, mesmo com o V-Sync desligado.
A gota d’água foi com o Dead Island 2. Consultei o ProtonDB e o game estava listado como PLATINA. Iniciei o jogo e lá estava o problema de novo: o giro do mouse nos eixos H e V ficava limitado a 180º. Nesse momento eu joguei a toalha. Me frustrei demais e desinstalei o Pop!_OS
A Ressureição 
Eu não abandonei o Linux. Muito pelo contrário resolvi pesquisar decentemente e encontrei a solução: NOBARA.![]()
Após meses batendo a cabeça com o Pop!_OS, dual boot e problemas com o rEFInd, conheci essa distro. A instalação foi muito fácil e a primeira surpresa veio logo no aplicativo de boas-vindas, que já fez as atualizações necessárias e baixou os demais pacotes de forma automatizada.
Outra grande surpresa foi o headset: identificado perfeitamente, sem problemas e com um mixer (parecido com o Pavucontrol) já integrado na bandeja do sistema. A interface KDE Plasma é muito bonita e familiar para quem vem do Windows. A capacidade de personalização que me foi apresentada logo de início é absurda; ainda pretendo deixar o sistema totalmente a minha cara.
Fuçando nas opções, vi que o sistema já vem com um nível de monitoramento de sensores e parâmetros de hardware sensacional. E aqui (perdão por ser prolixo) veio mais uma surpresa: decidi instalar o OpenRGB para ver se os LEDs dos fans e do Water cooler (que eu normalmente deixo desligados) funcionaram. Foi incrível! O sistema já faz toda a leitura dos barramentos I2C da mobo, reconhecendo tudo de primeira.
Quanto aos jogos, bem, comecei obviamente pelos que tinham me dado dor de cabeça. Com muita alegria, amigos, eu digo que tudo está funcionando perfeitamente. Dying Light, Green Hell, Arc Raiders… zero problemas. Nada de framerate travado, nada de drama para alternar saídas de áudio (HDMI ou Headset) e, para minha surpresa, o HDR está funcionando sem grandes dificuldades.
Em resumo: instalei o sistema e ele funcionou exatamente como eu precisava.
Conclusão 
Minha primeira experiencia com o Linux não foi a experiencia mais divertida, tranquila que todos buscam. Eu poderia ter deixado isso me abalar e abandonar o sistema, mas utilizei isso como aprendizado.
Eu escolhi uma distro excelente para workflow e produtividade, e não para gaming.
Agora com a distro correta, eu estou extraindo 100% do meu hardware, e 100% do sistema, o brilho nos meus olhos foi tamanho que tive que compartilhar essa experiencia com vocês.