Eu nasci em 1977 e, aos 47 anos, sou considerado parte da Geração X. Percebo diferenças significativas na infância dos meus filhos em comparação com a minha, especialmente relacionadas à exposição excessiva e à violência na mídia.
Na minha época, as crianças tinham responsabilidades práticas no dia a dia da família. Desde pequenos, éramos encarregados de tarefas como levar o lixo para fora, ajudar nas compras do supermercado, cuidar das plantas, limpar os dejetos dos animais de estimação, trocar de canal na televisão conforme pedido dos adultos, fazer pequenas compras na mercearia, buscar pão fresco, auxiliar na limpeza do quintal, entre outras atividades. Aprendi muitas habilidades técnicas na infância, como noções básicas de eletricidade, o uso correto de ferramentas, como trocar um botijão de gás, arrumar a cama, limpar o banheiro e saber onde colocar as roupas sujas após o banho. Depois de cumprirmos essas “obrigações”, tínhamos o direito de brincar na rua, participando de jogos como futebol, queimada e pega-pega.
Naquela época, os pais valorizavam o respeito aos mais velhos, ensinavam que crianças não deveriam se intrometer em conversas de adultos e que não era aceitável zombar de outras pessoas. Além disso, o acesso à televisão era limitado.
As diferenças entre os gêneros eram mais tradicionais, com os homens geralmente encarregados de tarefas que exigiam força física e distância, enquanto as mulheres aprendiam a gerenciar a casa e manter a organização.
Os filmes e programas de TV que consumíamos eram centrados em valores como honra, patriotismo, família, coragem e determinação, e esses eram os princípios pelos quais nos guiávamos para sermos aceitos socialmente.
Hoje em dia, parece que a sociedade se fragmentou em muitos grupos distintos, e o papel do cidadão é menos claro, o que pode gerar um sentimento generalizado de desalento.
Acho que estou falando de limites. Nossa curiosidade era adestrada para a ser útil, hoje a curiosidade não tem uma objetivo prático. O que eu penso, para concluir, é que os adultos que estão falhando e não as crianças.