Pensando em criar uma distro Linux? É bom ler isso...

Se for pra parar, nem comece…

Tenha em mente, que você está fazendo um software de primeira classe, sem ele o PC dos seus usuários vira um peso caro de papel, além disso, de certa forma você vai carregar a estigma do Linux, caso você pare um monte de gente vai ficar sem poder usar o computador até formatar ele de novo, e provavelmente vai passar a odiar o Linux, então, responsabilidade.

Mmas caso ocorra algum imprevisto mais grave, você deve fazer 3 coisas:

1.Anuncie de forma suave, logo coisas como “o suporte da distro acabou”, são terminantemente proibidas

2.Avise o usuário do sistema, tenha em mente que o usuário não vai ficar acessando seu site todo dia, logo um quadro de avisos é essencial (lembra do fim de suporte do Windows 7? Pois bem… vai ter que implementar aquilo) de preferência fornecendo um meio do usuário migrar pra outro sistema sem perder os dados…

3.Tenha antecedência, avise o usuário com no mínimo 1 ano de antecedência e avise várias vezes (no máximo 4, distribua ao longo do tempo) sendo que a última deve ser no máximo 2 meses antes do fim real, assim se ele não conseguir migrar antes do suporte acabar, não foi por falta de aviso

Se qualquer um desses casos for impossível pra você, em comece, se vc não se vê com esse projeto daqui 10 anos, não comece

Prepare o bolso…

Fazer uma distro custa caro, e você vai ter que arar com os custos, por exemplo:

  • Domínio
  • Registro de marca
  • Impostos e taxas
  • Servidores de hospedagem
  • Serviços de integração contínua (fazer sua isso)

Isso é o básico do básico, mas tem algo que você pode pensar em fazer pra diminuir seus custos, mas isso com certeza vai queimar seu filme, que é virar sanguessuga de outra distro… não faça isso provavelmente sua distro será hateada, se você realmente não quer mexer com hospedagem de software, pegue o valor que você gastaria e faça uma doação para a distro que você está sugando

Responda um questionário…

Quem não vai ser o foco?

Criticas destrutivas de pessoas que não usam a distro, e requisitos de recursos para a pessoa usar o sistema (quem nunca leu “Se a distro X tivesse Y, eu usaria ela e não a distro Z e a distro implementou o recurso e a pessoa nem o site abriu”?) são o motivo de muitas distros morrerem, então identificar quem não faz parte do seu público alvo é essencial pra filtrar se vale ou não a pena ouvir as criticas e requerimentos

Porque o usuário pagaria R$ 499,00 na sua distro?

Por mais que sua distro seja gratuita, tenha em mente que pra 90% das pesssoas o Windows também é, então, trate sua distro como sendo um produto caro demaiss pro usuário optar por ele, sem contar que existem milhares de sistema concorrendo com a sua distro, pra te dar uma luz, vou contar um fato:

Steve Jobs, nunca vendeu um iPhone, ele vendeu um player de música com tela touch gigante, um Telefone que faz ligação e SMS e um comunicador com a Internet

Se você pescou a ideia, parabéns, talvez você possa ser o responsável pelo lendário “ano do Linux no Desktop”, se não, repense se uma distro é realmente o que você quer pra sua vida

Quais são as motivações?

Sua distro vai ser leve, bonita, segura e facilitar a entrada de iniciantes? Tem cerca de 200 distros criadas com essa motivação (é sério, não é hipérbole) então nem de longe isso realmente é motivo suficiente, nenhuma delas conseguiu cumprir isso e você também não vai, o motivo? Isso é abstrato e genérico demais, qualquer motivação assim, irá levar ao fracasso, ao invés disso forneça ajuda (especialmente design) a uma das 200 distros com esses propósitos, vai por mim, dá menos dor de cabeça

Qual vai ser o nome?

O nome é o que vai fazer sua distro ser encontrada, é o nome que as pessoas vão dizer que usam… deu pra entender, libere sua criatividade mas lembre-se… bom senso, cois que o nome não deve ter:

  • Linux, por exemplo Linux Mint
  • GNU
  • <nome do ambiente gráfico>, por exemplo KDE Neon
  • Palavras ofensivas… em qualquer idioma
  • Um nome muito grande
  • Um nome cacofônico em qualquer idioma, por exemplo FEDORa
  • OS ou SO (salvo se você fornecer outras coisas além do seu OS)
  • Nome de algo controverso

O nome precisa também refletir a ideia da distro, então, algo como “Lazuli” com uma logo “Esmeralda” não vai funcionar muito bem

E sua logo?

Além do nome, a logo é muito importante, ela vai ser o chamatrix em reviews e outras coisas, a logo deve ser duas coisas: identificável (ou seja, se o usuário ver a logo ele irá reconhecer e refletir o que é a distro, não adianta muito você fazer uma logo rosa choque e o sistema iniciar em uma tela azul, ou uma logo que não tem nada a ver com o nome

Sua distro não existe mesmo?

Pensa bem, temos milhares de distros, todas são tão diferentes assim da sua a ponto de você adicionar mais uma a lista?

Um script de pós instalação não seria melhor?

Dá bem menos dor de cabeça, pensa bastante se uma distro vai ser masi viável que um script

Aviso: Você não vai ser o novo Bill Gates com a sua distro

Muita gente pensa que é possível se tornar um bilionário com informática… e bem, isso é póssível, maaas… não vai ser com uma distro que você vai conseguir isso

Compre um domínio e hospedagem…

Ainda que você tenha optado por fazer uma doação ao invés de hostear seu próprio repositório e tenha encontrado um serviço gratuíto pra hospedar o site…, ao menos a ISO da distro deverá ser hosteada por você

Comece a rabiscar

Existe algo chamado mockup de design que é basicamente um prototipo de como as coisas devem funcionar, existem n programas pra fazer isso além das contas de usuário extras, VMs… se não quiser usar o PC tem papel, caneta e lapis de cor…

Vamos as compras…

Como eu disse, vc vai gastar, é interessante você ter hardwares físicos diferentes, por exemplo, AMD, Intel, NVidia, um note híbrido… se não puder comprar vc vai precisar de usuários chamados de alpha testers pra testar sua distro, o ideal é você oferecer uma quantia em dinheiro, ainda que pequena pra essas pessoas

Escolhendo a interface…

A interface é o meio pelo qual o usuário irá interagir com o computador, cada uma tem prós e e contras, mas lembre-se de dar suporte e assumir a responsabilidade pelo que você mudar, procure equilibrar, beleza, usabilidade e leveza e certifique-se de usar seu próprio logo, nada de usar o logo da interface ou distro mãe

Agora a base…

Existe um guia pra se criar uma distro do zero, mas sinceramente, sbemos que não é esse caminho que vc vai se

Mão no código…

Ao menos shell script você vai precisar dominar, os códigos são o diferencial, a final, vc vai querer implementar recursos, se não quisesse isso, não estaria fazendo seu próprio sistema operacional… mas shell script é o baixo nível, quanto mais perto do usuário mais complicado vai ficar, por exemplo, digamos que você escolheu o GNOME Shell, provavelmente você irá usar extensões, correto? Pois bem, você vai precisar manter essas extensões por conta, porque vai que o desenvolvedor original abandona a extensão? Como fica? Como você explica ao seu usuário a mudança repentina de funcionalidade?..

Aprenda a resolver problemas…

Acredite, nada na computação está livre de bugs, mesmo um simples “Olá mundo”, então é bom que você saiba como resolver, ou ao menos contornar isso da melhor maneira possível

Documentação: Seu usuário = sua mãe

Novos projetos sempre tem problemas com documentação, por exemplo, por mais que o Ubuntu seja baseado no Debian, tem muita coisa que as Wikis do Debian não cobrem, o maior problema é a complexidade da documentação, então, ter uma documentação ensinando a instalar e dar os primeiros passos é bom, ter uma documentação com boa cobertura sobre o sistema é excelente, ter uma documentação que qualquer um consegue entender é essencial, uma documentação assim quebra o “gap” da falta de gente “comum” fazendo tutoriais, porém (sempre tem um…) lembre se de algo importante:

Uma boa documentação é necessária, mas seu produto deve ser intuitivo o suficiente pra não precisar dela

Tenha um CNPJ em mãos…

Você deve ter notado que ao menos no início você vai precisar de ajuda, e embora se tenha centenas de milhares de pessoas dispostas a te ajudar, você só vai chegar até elas se tiver algo relativamente famoso (daí vc vai precisar registrar o nome e a logo), um MVP onde você vai precisar contratar alguém pra fazer ao menos uma dessas coisa… e pra fechar você vai precisar passar a ideia de que o projeto é algo estável, e como facilitar isso? Tendo um CNPJ, ou em termos mais diretos: abrindo uma empresa

Use sua distro…

Por fim a última parte, mas primeiro, se seu desejo de criar a sua distro continua? Parabéns, vai fundo, é provável que sua paixão vá mudar de fato mudar algo na realidade, você vai lançar “uma nova versão do mundo”, mas tem uma última coisa que você fazer, pra manter a sua “vontade do fogo” acesa, você precisa tratar o seu sistema como sendo o único viável (cuidado com o ego) viável pra ser usado, algo como “se esse sistema deixar de existir, ou faço outro ou paro de usar computador”, sim eu sei que parece coisa dos anos 80, mas tem duas coisas nisso, nenhum ser humano se sente bem fazendo algo sem receber uma recompensa pessoal por isso, mas se isso não te convence, usar o seu sistema em produção é uma maneira simples de achar bugs antes dos seus usuários

Considerações finais…

Manter uma distro é complexo, difícil, custoso e desgastante, não é atoa que temos um verdadeiro cemitério de distribuições Linux, mas quando feito de forma responsável pode dar muito certo e a empresa pode gerar muito dinheiro

Lembre-se
isso é uma possibilidade, levaria décadas e muita dor de cabeça, não existe garantia nenhuma de sucesso

5 Curtidas

:thinking: :thinking: :thinking: :thinking:

Linux é marca registrada de Linus Torvalds, GNU do projeto GNU, nome Interface geralmente também é marca registrada da equipe que desenvolve, nome muito grande “não vende”, palavras ofensivas e cacofônicas se auto explica, OS/SO é redundância e nomes controversos geram tretas malignas na internet

Muito interessante, algo que eu achei bacana e que reflete muito o que eu penso é em relação a scripts de pós instalação.

Pode também fazer que nem o Raul Dipeas: Criar uma ISO/distro que é basicamente instalador da distro “base” + scripts de pós instalação.

É um pouco mais complexo essa questão do GNU, mas não é aqui que esse debate deve acontecer kkkk.

Bom post!!

O pessoal ao invés de fazer distros genéricas, poderiam contribuir com código (ou reports)para as DEs como o Gnome, KDE, XFCE e por assim vai…

Acho que seria melhor para a comunidade Linux, mas né isso é minha opinião.

Isso do nome/marca é essencial. Daí nomes fortes como Fedora (aqui no BR pode ser estranho, mas lá fora não; seria como chamar o sistema de Stink, se fosse em inglês, ou Olient em castelhano), Manjaro (idem), Ubuntu, Solus, OpenSUSE, Antix, KDE Neon. Linux Mint, Feren OS ou mesmo Arch Linux e MX Linux chamam a atenção por terem OS e Linux, mas só. Como nomes compostos, não são exatamente vendáveis; Mint e Arch se “vendem” por serem bons ou fáceis de usar (no caso do Arch, relativamente fácil de usar, mas jamais de instalar… hehehehe)