O openSUSE Tumbleweed passou a utilizar o GRUB2-BLS como o gerenciador de boot, substituindo o tradicional GRUB2. A mudança vai melhorar a inicialização, a compatibilidade e a integração com o systemd, acompanhando a tendência, entre distribuições Linux, em adotar padrões mais modernos e simplificar a inicialização.
O GRUB2-BLS é uma variação do conhecido GRUB2, mas com suporte ao Boot Loader Specification (BLS), um padrão que define uma forma mais modular e padronizada de armazenar e gerenciar entradas de boot nos sistemas Linux.
Em vez de utilizar um arquivo de configuração, o grub.cfg, utiliza pequenos arquivos de texto localizados em /boot/efi/loader/entries, que descrevem como carregar um kernel específico, informações sobre initrd e parâmetros de linha de comando. Esse formato lembra o systemd-boot, também compatível com o BLS.
A adoção do GRUB2-BLS segue o caminho iniciado pelo openSUSE MicroOS, que já utiliza o systemd-boot, mas continua sendo o GRUB tradicional com aprimoramentos vindos do Fedora. Essa abordagem permite que o openSUSE mantenha compatibilidade com o ecossistema GRUB, ao mesmo tempo em que adota práticas mais modernas e integradas ao systemd.
Vale destacar que a mudança afeta apenas novas instalações do openSUSE Tumbleweed realizadas pelo YaST. Sistemas existentes que utilizam o GRUB2-EFI continuarão funcionando normalmente e não haverá migração automática para o novo modelo.
No entanto, usuários interessados em adotar o GRUB2-BLS podem fazer a transição manualmente reinstalando o carregador de boot via YaST ou utilizando o comando grub2-install em conjunto com o novo modelo de configuração BLS.
Com essa atualização, o openSUSE Tumbleweed reforça sua posição como uma das distribuições Linux mais inovadoras e alinhadas aos padrões modernos do ecossistema. A adoção do GRUB2-BLS representa um passo importante rumo a uma inicialização mais rápida, segura e preparada para as tecnologias de próxima geração.
** A Boot Loader Specification (BLS)
A BLS é um padrão que simplifica o processo de boot em sistemas Linux mais simples, previsível e padronizado entre diferentes distribuições. Ela define uma estrutura clara de como as entradas de inicialização devem ser armazenadas e gerenciadas, substituindo o modelo tradicional em que um único arquivo grande de configuração concentrava todas as opções de boot.
A principal ideia do BLS é dividir essas informações em pequenos arquivos de texto independentes, geralmente localizados em /boot/loader/entries ou /boot/efi/loader/entries. Cada arquivo descreve um kernel específico e suas opções, como o caminho do initrd e os parâmetros da linha de comando.
Esse formato modular facilita bastante a manutenção e atualização do sistema. Por exemplo, ao instalar um novo kernel, o gerenciador de pacotes pode simplesmente adicionar um novo arquivo de entrada BLS, sem precisar reconstruir todo o arquivo de configuração do bootloader.
Isso reduz a complexidade, evita erros e melhora a compatibilidade entre diferentes sistemas e ferramentas. Além disso, o BLS foi projetado para funcionar bem com o systemd, integrando-se de forma mais eficiente a recursos modernos como o systemd-boot e a criptografia de disco baseada em TPM ou FIDO2.
Entre os gerenciadores de boot compatíveis com a Boot Loader Specification, os mais conhecidos são o systemd-boot (anteriormente chamado de gummiboot), o GRUB2-BLS — uma variação do GRUB2 que incorpora suporte a entradas BLS — e o rEFInd, que também pode trabalhar com esse formato.
O Fedora, por exemplo, foi uma das primeiras distribuições a adotar o BLS oficialmente, utilizando o GRUB2-BLS como padrão. Outras distribuições, como openSUSE Tumbleweed e RHEL, seguiram o mesmo caminho.
O BLS traz uma série de vantagens: simplifica a integração com ferramentas de gerenciamento de sistema, melhora a compatibilidade entre diferentes distribuições e facilita a automação de processos de atualização.
Também oferece maior segurança e confiabilidade, já que elimina etapas intermediárias propensas a falhas, como a regeneração do arquivo grub.cfg. Em um cenário cada vez mais orientado a sistemas automatizados e baseados em containers, a Boot Loader Specification surge como uma base mais moderna e padronizada para o futuro do boot em sistemas Linux.