Há alguns meses atrás, tivemos uma boa discussão sobre o fim da liberdade de expressão na internet(e no geral). Hoje, nem um ano depois, vejam aonde já chegamos: a era da verificação de idade e a definição arbitraria da vontade alheia.
– Precisamos proteger as crianças!
A causa prima de todos aqueles que, inevitavelmente, atentam contra a privacidade e desejam o controle sobre o cidadão comum.
Creio que todos aqui estejam mais ou menos cientes do que se passa agora com as plataformas sociais no Reino Unido. A partir de 25 de julho de 2025, as redes sociais, ou plataformas sociais se preferir, precisarão impor formas de verificação de idade(age checks) eficazes para operarem de acordo com o ‘Online Safety Act’.
Desde 2024, sites de conteúdos adulto vem travando várias batalhas contra leis estaduais exigindo mecanismos de verificação de idade para seus usuários. Um desses sites, o maior por sinal, chegou a bloquear o acesso em 16 a 25 estados dos EUA(alguns permanecem bloqueados).
Neste ano, já se antecipando a novas regulamentações, o próprio Google anunciou que começará a usar IA para identificar, marcar e restringir contas(a principio no YouTube) com padrões de comportamentos, supostamente, “infantis” de menores não autodeclarados.
Esse mês, a plataforma Steam e o site Itch.io foram obrigados a remover jogos adultos por conta de politicas de seus processadores de pagamentos, estes influenciados por um grupo ativista contra a exploração sexual.
Posso citar também as iniciativas contra a criptografia, em especial os modelos de ponta-a-ponta(E2EE) como o Chat Control da União Europeia.
Esses são casos pontuais, recentes e de grande repercussão, mas esse movimento todo, no geral, vem ganhando imensa força nos últimos anos, não apenas nos EUA ou Reino Unido, mas no mundo. Praticamente todos os países tem, em estágio mais ou menos avançado, leis de regulamentação, não só de redes sociais em si, mas da internet como um todo. Logo será impossível utilizar qualquer serviço, em qualquer país, sem provar que você, não só é um adulto, mas também que você é realmente você, único e exclusivo.
Apesar de não achar necessário, talvez eu necessite me fazer óbvio para alguns: Não estou defendendo qualquer tipo de crime ou conduta nefasta contra crianças(ou adultos). Não desejo um obscurantismo em favor da impunidade. Não é que eu queira que a internet seja uma terra sem lei. Esse não é o ponto, nunca foi. Este é um assunto muitos mais complexo do que o leviano ditado “quem não deve, não teme” se diz ser.
A principio, essas leis e atitudes fazem todo sentido, afinal quem não quer um mundo mais seguro para nossas crianças? A questão é que, mecanismos de controles são apenas isso, mecanismos, ferramentas, que podem e serão usadas para o bem e o mal, fora que, inevitavelmente, mesmo que o foco sejam as crianças, esses mecanismos, estrutural e tecnicamente, precisam se impor sobre todos que estiverem usando tal plataforma ou serviço. Por óbvio, também, eles não serão usados única e exclusivamente para a “segurança das crianças”, podendo ser tornar rapidamente em ferramentas de censura e coerção.
Sem querer dar uma de anarquista libertário aqui, mas todos podemos concordar, em certo grau, que os estados(em sua grande maioria) não são, nem nunca foram, entidades eficientes/capazes para uma boa gestão/controle social e econômico(e os mesmo tem decaído, e muito, nas últimas décadas). Esse é apenas o começo.
Essas leis e mecanismos de controle serão de fato eficientes?
O estado deve ter mais autoridade sobre nossas crianças que nós mesmos?
Se o preço da segurança é a liberdade, será que estamos dispostos a pagar?
Gostaria de sabe a opinião de vocês sobre.