Em busca de uma distro Linux que simplesmente funciona como esperado, independente de sua aparência e da implementação de novidades constantes? Esse é o Linux Mint.
Passei muitos anos usando, no meu desktop “Core i5-2400, 8GB, MB H61, vídeo NVidia GeForce GTX 750 Ti”, uma distribuição baseada em pacotes RPM, a Mageia (antes Mandrake / Mandriva), que tem ótimos recursos e ainda não completamente disponíveis no Mint, tais como o Mageia Control Center (mcc) para a gestão por completo do sistema, rede, armazenamento, segurança, compartilhamentos, gestão de pacotes, etc… Mas sempre usei o Mint de forma esporádica na forma de LiveUSB (inicialmente LiveCD !!!) para resgate ou experimentos, pela sua excelente estabilidade.
Entretanto ultimamente o Mageia piorou muito, perdeu popularidade, e começou a ter instabilidade em seus servidores que volta e meia ficam fora do ar deixando as atualizações de segurança e instalações de novos pacotes indisponíveis. Outro aspecto é que a maioria das empresas privadas ou públicas que fornecem aplicativos avulsos para Linux (i.e. certificados digitais) fornecem pacotes praticamente apenas para o Ubuntu, e eventualmente para o Fedora, por vezes difíceis de compatibilizar com o Mageia mesmo usando o alien (conversão deb → rpm) ou tentando instalar versões compatíveis de bibliotecas de sistema.
Eu já tinha testado o Ubuntu em máquinas virtuais e sistemas Live, mas não me agradou a questão da interface Unity, e também não me agrada muito a questão dos Snaps por ter um único fornecedor no mundo (a própria Canonical) e encherem o sistema de pontos de montagem, poluindo a saída do comando mount. Então minha escolha natural foi migrar do Mageia para o Mint, transpondo o sistema inteirinho com as mesmas customizações e os mesmos aplicativos que eu tinha no sistema de origem, incluindo o Firefox, Thunderbird, sincronizações de nuvem (Dropbox, pCloud, Mega), Telegram, PDF / Xodo Studio, iDrive, Virt-Manager / Qemu com máquinas virtuais Linux e Windows 10, entre outras. Para isso usei um segundo SSD, copiando todos os dados da pasta home e fazendo os ajustes necessários após uma instalação limpa inicial do Mint 22.1 (hoje já atualizado para 22.2).
Aos poucos fui aprendendo a transpor os comandos rpm / urpmi para deb / apt / apt-get, quando necessário. Achei o gerenciador de aplicativos do Mint um pouco pobre questão de detalhes sobre os pacotes, então instalei o synaptic para melhor gestão dos pacotes de sistema, e acabei instalando também o Warehouse para ter um controle mais refinado sobre os Flatpaks. Foi um trabalho hercúleo, mas valeu a pena. Sistema estável, com ampla compatibilidade, basta ligar que em segundos está ali disponível, desligar quando quiser, não sou importunado por “necessidade de reinicialização para finalizar atualizações” como ocorre no Windows 11, sem “bloatware”. Para fins de registro, eu uso o Windows 11 no notebook do trabalho, e ele é mais lento mesmo tendo um hardware teoricamente mais moderno (CPU mais recente, o dobro de RAM, SSD NvME M.2, etc…).
Para emular parte das funções do Mageia Control Center instalei o software “Cockpit” (com alguns plugins extras), que me ajudou principalmente na configuração do SAMBA, para compartilhar pastas entre o Linux Mint hospedeiro e os convidados nas máquinas virtuais no Virt-Manager.
Embora o Mint seja sem dúvida uma das melhores distribuições (inclusive com alto índice de interesse segundo a listagem de acessos do Distrowatch), ele pode exigir, em alguns casos, conhecimento e resolução de problemas técnicos por parte do usuário (embora isso também possa acontecer no windows). Entre os poucos problemas que encontrei, está um erro na inicialização do Cinnamon (“modo de segurança”) após instalar o Telegram Flatpak, que passou a ser menos frequente depois que incluí um “delay” de 10 segundos na inicialização do Telegram e de outros aplicativos carregados junto com o ambiente de trabalho. Além disso, tive uma certa dificuldade na configuração dos drivers da impressora Epson Ecotank L6270 (no final descobri que não precisava instalar nenhum driver, e sim configurar o IP da impressora e imprimir usando o sistema Epson DriverLess, que tem as mesmas opções de papel, página e qualidade que o driver do Windows).
Em resumo, concordo com o artigo do Diolinux: o Linux Mint não é o sistema mais leve, nem o mais bonito, nem o mais gamer-friendly, nem necessariamente o mais popular, e nem o que agrada à maioria das pessoas, mas é extremamente estável e confiável, tendo pequenos inconvenientes mas muito menores do que os que já tive com sistemas Windows e outras versões ou distribuições Linux. O sistema está maduro, e na eventual necessidade de softwares “só windows”, há a opção de tentar rodar estes programas pelo wine ou utilizar o windows numa janelinha de máquina virtual (ou eventualmente em dual-boot).