O uso da linguagem Rust no kernel do Linux deixou de ser tratado como um experimento para ser considerado uma adoção permanente e bem-sucedida. Miguel Ojeda, responsável pela iniciativa Rust for Linux, anunciou que o objetivo inicial, avaliar se Rust valia a pena do ponto de vista técnico, processual e social, foi alcançado.
Desde a inclusão do suporte a Rust na versão 6.1 do kernel, a linguagem demonstrou maturidade suficiente para ser usada em código real, presente em ambientes de produção, em distribuições Linux conhecidas e em milhões de dispositivos por meio do Android.
Embora ainda existam limitações, configurações específicas em estágio inicial e muito trabalho a ser feito, isso não invalida o resultado positivo do esforço. A remoção do rótulo de experimento significa reconhecimento formal da comunidade do kernel de que Rust é uma tecnologia viável e estratégica a longo prazo.
Essa decisão busca também dar segurança a empresas e desenvolvedores para investir mais tempo, recursos e capacitação em Rust dentro do ecossistema Linux. O texto encerra destacando que, apesar de o código em Rust ainda não ser compilado por padrão, a tendência é que seu uso se torne cada vez mais comum à medida que novos drivers e componentes modernos escritos nessa linguagem se consolidem.
E tem o C
Já discute-se a possibilidade de se abandonar o antigo padrão C89 e adotar um mais moderno da linguagem C, motivado por limitações práticas e por problemas reais de segurança e qualidade de código.
A discussão começou a partir de um patch que corrigia um bug no uso de listas encadeadas, no qual um iterador era utilizado fora do escopo seguro após um laço, o que pode gerar comportamentos inesperados e vulnerabilidades.
Linus Torvalds reconheceu que se tratava de um erro comum e apontou que a causa estrutural do problema está no fato de o kernel não permitir a declaração de variáveis diretamente dentro de laços, algo que só se tornou possível a partir do C99.
Para ele, chegou o momento de modernizar o padrão da linguagem usado pelo kernel, já que os antigos problemas de compatibilidade com compiladores muito antigos deixaram de ser relevantes, após a elevação da versão mínima do GCC.
Outros desenvolvedores concordaram que a mudança é viável e sugeriram inclusive padrões ainda mais recentes, embora isso exigisse abandonar suporte a versões antigas do compilador. A adoção do C11 surgiu como um meio-termo, por trazer melhorias úteis sem aumentar os requisitos mínimos de ferramentas.
Embora a mudança possa encontrar obstáculos e até ser revertida se surgirem problemas inesperados, há uma chance concreta de o kernel avançar para um padrão mais moderno da linguagem, mesmo que a adaptação completa do código existente leve mais tempo.

