Bom, vamos lá… Publiquei originalmente a pergunta abaixo, no grupo de Facebook “Linux Brasil”, então estou passando para cá as mesmas dúvidas, junto de uma contextualização pra ver a opinião de vocês e se há respostas para essas perguntas, que se relacionam com essa “treta” mais recente do OBS Studio com o projeto Fedora. A quem não sabe, e em resumo: o OBS Studio, projeto de software livre, está ameaçando processar judicialmente o Fedora se o projeto não deixar de redistribuir a sua aplicação no repositório “Fedora Flatpaks”, que por padrão sobrepõe o repositório Flathub nas instalações do Fedora (seja em versões imutáveis ou não). Ou seja, o OBS disponível por padrão nas lojas do Fedora Silverblue, Kinoite, e outras spins, não oferece suporte a uma série de codecs (encoders/decoders) proprietários, como o encoder NVENC, da Nvidia. Assim, o OBS ameaça processar o Fedora se não, ao menos, redistribuir o OBS com um outro nome, assumindo seu direito de marca e um espelhamento de funções, considerando que os usuários de alguma forma estão sendo “levados a erro”, pensando que instalaram o OBS com todas as suas funções.
Disso, decorre todo aquele debate sobre a segurança dos Flatpaks, se a distribuição em formato Flatpak substitui de maneira integral a necessidade de “distribuições tradicionais”, como o Debian ou o próprio Fedora, e se os próprios desenvolvedores (o upstream) são qualificados o bastante para desenvolverem, manterem seus próprios programas e, ainda, manterem as dependências de seus próprios programas.
Nesse sentido, surgiram a mim várias dúvidas:
- Quem garante que os pacotes Flatpak são compilados do código-fonte?Quando usamos pacotes nativos, a “garantia” é dos mantenedores da distribuição que usamos, mas e quanto ao Flathub?
- Há mantenedores, algum sistema de confiança (ainda que “distro-agnostic”)?
- Considerando que o “Flathub Verified” seja feito para isso, ele cumpre de fato esse propósito?
Embora eu veja com bons olhos a containerização, e até por isso que estou usando Silverblue, há uma semana e pouco, confesso que fiquei com essa pulga atrás da orelha depois da polêmica toda. Não me parece ruim que os projetos que há anos vêm redistribuindo, testando pacotes e garantindo a integridade de sistemas com milhares de bibliotecas dinâmicas, sigam sendo responsáveis minimamente por atestar a estabilidade dos seus sistemas, e a garantir a segurança no uso dos pacotes. Sem querer puxar a sardinha pro autor deste artigo, considero que é válida a preocupação.
Imaginem projetos grandes relativamente, como o próprio OBS (em número de funções). Um projeto como OBS, Kdenlive, quando empacotado para Flatpak, por segurança e idealmente, deve ter um(a) colaborador(a) específico(a) que esteja na função de garantir a atualização das bibliotecas desse pacote (ou, como é nesse sistema e no Windows, os “runtimes”). Creio que a garantia de atualização de bibliotecas deveria ser um critério para afirmar a segurança dos pacotes. O recurso recente que permitirá daemons (serviços) rodarem de dentro de um flatpak aumentam a relevância dessa preocupação.
Mas enfim, o que pensam a respeito? Chegou a hora do upstream tomar conta integralmente da distribuição dos programas (ou de uma boa fatia deles)?