Era meados de 2015 quando conheci o Linux, ainda durante a faculdade de Ciência da Computação. Meu primeiro contato foi com o Ubuntu, com a promessa de que meu pobre notebook — um Celeron da CCE — conseguiria extrair um pouco mais de desempenho. A primeira impressão não foi muito boa; não curti o estilo do Unity, que era o ambiente padrão do Ubuntu na época.
Passei então a experimentar outras distribuições: Mandriva, Mint… e foi aí que começou minha peregrinação — e também minha paixão — pelo Linux. Apanhei muito, tive muitos “gaps”, mas também vivi muitas conquistas. Meus melhores momentos foram quando consegui, finalmente, instalar o Arch Linux, tudo na unha, chegando inclusive a criar meu próprio manual, escrito em um caderno.
O segundo grande marco foi a instalação do Gentoo Linux. Aquela sensação de “poder” (rsrsrs) é incrível; mesmo que você só use o sistema por uma semana, o aprendizado fica para sempre.
Depois disso, acabei me estabelecendo no Fedora, que usei por vários anos. Até que, pela Dio, conheci o Pop!_OS. Confesso que tive muito preconceito no início, mas acabei gostando bastante pela estabilidade. Mais recentemente, ainda em beta, conheci a nova interface do Pop, o Cosmic — e foi paixão à primeira vista.
No Fedora, eu usava o GNOME e um pouco do i3wm; por isso, a sensação ao usar o Cosmic era de algo como um i3 ou Hyprland mais polido, bem acabado, mais simples de configurar e muito mais prático no dia a dia.
Mas, como quase todo dev — sou desenvolvedor no Banco do Brasil e professor universitário — sempre tive curiosidade de usar o sistema da maçã, como diz a minha mãe (rsrs). Ficava horas “namorando” os novos MacBooks com ARM. Até que, finalmente, no final deste ano, tive a oportunidade de comprar um M4. E esta é a minha opinião sobre a experiência.
Hardware
O hardware é simplesmente incrível. Já tive vários notebooks, desde os mais baratos até modelos gamers mais caros, e este é claramente diferenciado. Tudo passa uma sensação de produto premium: construção em alumínio, tela excelente (mesmo não sendo 120 Hz) e um sistema de refrigeração passiva que funciona muito bem — frio e extremamente silencioso, já que não há ventoinhas.
A bateria é outro espetáculo à parte. Mesmo em uso pesado, com IDEs abertas e Docker rodando, ele aguenta o dia inteiro longe da tomada, e ainda com folga.
A integração com outros dispositivos da Apple também me surpreendeu. Em uma ocasião, estacionei o carro e deixei a mochila com o notebook dentro. Ao chegar na esquina, o iPhone me alertou que eu estava “esquecendo” o notebook para trás. Detalhe: o notebook estava fechado, e mesmo assim a integração funcionou perfeitamente.
O teclado tem algumas teclas diferentes, como o Command e o Option, mas é só questão de costume; rapidamente se pega o jeito.
Sei que tudo isso pode soar como propaganda, mas não é essa a intenção. É apenas um relato honesto da minha experiência — e é exatamente aqui que começa o outro lado da história.
Software
A primeira experiência no macOS, para quem vem do Windows, pode ser bem radical; as diferenças são grandes e a estranheza é inevitável. Porém, para quem vem do mundo Linux, não há nada realmente novo.
A experiência lembra bastante o GNOME em versões mais antigas, como a 38 ou um pouco antes disso. É um sistema visualmente simples, sem grandes inovações para quem já usa GNOME há anos. Em alguns momentos, inclusive, dá a sensação de estar usando uma distro GNOME antiga, ultrapassada.
No terminal, os comandos são praticamente os mesmos, mudando apenas alguns detalhes de estrutura de diretórios — como a troca de /home por /Users. As IDEs são exatamente as mesmas, e esse mito de que “no Mac nada quebra” simplesmente não existe. Uso o Bambu Studio para uma impressora 3D e, eventualmente, ele quebra e fecha sozinho.
A ausência de algo equivalente aos Flatpaks também me incomoda. Mas o que mais pesa, para mim, é não ter nada tão bom quanto o Distrobox ou o Toolbox (no caso do Fedora). Que usava com muita frequencia para criar ambientes de desenvolvimento.
Sempre ouvi muitos desenvolvedores exaltarem o macOS como o melhor ambiente para programar, mas, sinceramente, achei inferior ao Linux nesse aspecto. Talvez seja preconceito meu, talvez sejam vícios adquiridos ao longo dos anos, vai saber.
Para usuários finais, até consigo enxergar bastante sentido. Mas, para um desenvolvedor, não vejo tudo isso que sempre me prometeram. O gerenciamento de telas e a flexibilidade do Cosmic, por exemplo, me encantam muito mais.
E antes que alguém sugira: não, não faz sentido para mim instalar Linux no Mac. Se fosse para isso, eu simplesmente venderia o Mac e compraria um hardware x64 mais adequado.
Considerações finais
No fim das contas, este não é um texto para convencer ninguém, mas um relato honesto de uso. O Mac é, sem dúvida, uma máquina excepcional em termos de hardware, eficiência energética e integração de ecossistema.
Contudo, quando o assunto é produtividade real para desenvolvimento — especialmente para quem já vem de anos imerso no Linux — o macOS não entrega nada que justifique, por si só, a fama quase mítica que o cerca.
Talvez, com mais tempo de uso, minha percepção mude. Talvez não. O fato é que, hoje, sigo enxergando o Linux — especialmente com ferramentas como Distrobox, Toolbox e ambientes como o Cosmic e Gnome mais novo— como um sistema mais flexível, poderoso e alinhado ao meu fluxo de trabalho como desenvolvedor.
Ficou longo, mas acredito que faça sentido justamente por ser um relato real de experiência. Espero que ajude quem esteja passando pela mesma dúvida — ou venha a passar por ela no futuro.