Uso Linux desde o final dos anos 1990/início dos anos 2000. Naquela época, cheguei a usar GNOME e KDE alternadamente durante algum tempo, experimentando os dois ambientes, até que acabei optando definitivamente pelo KDE.
E assim permaneci por muitos anos.
Sempre gostei bastante do KDE Plasma, principalmente pela liberdade de configuração e pela possibilidade de deixar praticamente tudo exatamente do jeito que eu queria. Durante muito tempo nem cogitei seriamente trocar de ambiente gráfico.
Recentemente, porém, voltei a usar um notebook como meu computador principal. E, desta vez, um equipamento bem mais moderno que meu computador anterior: um ThinkPad X13, com tela de alta resolução, Wayland, dock USB-C e dois monitores externos.
Foi aí que começaram alguns problemas.
Tive dificuldades principalmente relacionadas ao gerenciamento dos monitores, escala das telas, posição do painel ao abrir ou fechar a tampa do notebook e alguns comportamentos estranhos ao trabalhar com a dock e múltiplos monitores. Testei diferentes configurações e cheguei inclusive a experimentar outras soluções, mas acabava sempre gastando mais tempo tentando ajustar o ambiente do que efetivamente usando o computador.
Em determinado momento, resolvi experimentar novamente o GNOME.
E a surpresa foi grande.
Praticamente tudo aquilo que estava me incomodando simplesmente passou a funcionar. A escala das telas ficou correta, o gerenciamento dos monitores passou a se comportar como esperado e, ao abrir ou fechar a tampa do notebook, o ambiente se reorganiza de maneira previsível. No meu caso, eu diria que o GNOME resolveu todos os problemas que eu estava enfrentando no uso cotidiano do notebook.
No começo, naturalmente, estranhei bastante.
Após tantos anos usando KDE Plasma, o GNOME parece quase querer dizer ao usuário: “é assim que funciona”. Há menos opções aparentes, menos elementos na tela e um fluxo de trabalho bastante diferente daquele a que eu estava acostumado.
Minha primeira reação foi tentar descobrir como fazer o GNOME funcionar mais parecido com o KDE Plasma.
Depois resolvi fazer justamente o contrário.
Em vez de instalar dezenas de extensões e tentar transformar o GNOME em outra coisa, decidi aprender a utilizá-lo da maneira como ele foi concebido.
E aí a experiência começou a ficar realmente interessante.
Passei a usar mais o teclado, entender melhor a Visão Geral de Atividades, os espaços de trabalho, a pesquisa integrada e a forma como o GNOME organiza as janelas. Aos poucos comecei a perceber que várias decisões que inicialmente pareciam limitações fazem sentido dentro da proposta do ambiente.
Ainda estou aprendendo bastante coisa e descobrindo novos atalhos e maneiras de trabalhar, mas confesso que estou me adaptando muito bem.
Mais do que isso: estou adorando.
Não deixei de gostar do KDE Plasma e continuo achando que ele é um excelente ambiente. Não vejo essa mudança como uma conclusão de que um seja melhor que o outro. No meu computador anterior e no meu modo de trabalho de tantos anos, o KDE Plasma me atendia perfeitamente.
Mas o hardware mudou, minha forma de usar o computador mudou e, aparentemente, o ambiente que melhor se encaixou nessa nova situação também mudou.
Talvez a parte mais interessante dessa experiência tenha sido justamente esta: depois de mais de duas décadas praticamente acostumado a uma única maneira de trabalhar, fui obrigado pelas circunstâncias a experimentar novamente algo diferente.
E descobri que ainda havia muita coisa nova para aprender.
Por enquanto, pretendo continuar com o GNOME o mais próximo possível de sua proposta original, evitando transformá-lo em uma imitação do ambiente que utilizava antes.
Vamos ver onde isso vai dar.
Mas, pelo menos até agora, essa volta ao GNOME após tantos anos está sendo uma excelente surpresa.