Criei uma alternativa para Linux ao software do apresentador Baseus Orange Dot AI

Aplicativo em funcionamento
Uso um apresentador Baseus Orange Dot AI nas minhas aulas e apresentações. O hardware funciona parcialmente no Linux — avançar e voltar slides, por exemplo, não é problema — mas descobri que os recursos mais interessantes do aparelho dependem do software da Baseus, disponível apenas para Windows.

Como uso Linux no dia a dia, resolvi tentar fazer minha própria implementação.

Depois de estudar os comandos enviados pelo dispositivo e trabalhar na comunicação com ele, o projeto acabou crescendo bastante e virou o Baseus Presenter for Linux, uma aplicação open source feita especificamente para aproveitar esses recursos no Linux.

Atualmente ele oferece laser digital, spotlight, lupa, caneta para desenhar sobre qualquer parte da tela, suporte a múltiplos monitores, perfis de configuração e alguns recursos de voz, como transcrição offline com Vosk e tradução usando Argos Translate. O processamento de voz pode ser feito localmente, sem precisar enviar o áudio para um serviço externo.

Também tentei fazer com que a instalação não exigisse grandes configurações manuais: o instalador prepara o ambiente, configura as permissões necessárias via udev e cria os atalhos do sistema. Há ainda atualização pelo próprio aplicativo e um desinstalador.

Até agora testei principalmente no Zorin OS e em sistemas baseados em Debian/Ubuntu. Recentemente consegui fazer uma instalação limpa em outro notebook, o que foi um teste importante para descobrir se o programa só estava funcionando por causa das configurações da minha máquina de desenvolvimento kkkkk.

Ainda é um projeto relativamente novo e não oficial, sem qualquer vínculo com a Baseus. Justamente por isso, seria muito legal ter testes em outras máquinas, ambientes gráficos e distribuições. Issues, sugestões e contribuições também são muito bem-vindas.

O código, instruções de instalação e demonstração estão no GitHub:

Baseus Presenter for Linux — GitHub

Se alguém aqui tiver um Orange Dot AI e puder testar, principalmente em uma configuração diferente da minha, eu gostaria bastante de saber como ele se comporta. Também aceito sugestões de melhorias, ou ideias novas pra implementar…

Seja muito bem-vindo ao fórum, @Gabriel_Piovesana! E que baita estreia! :clap:

Iniciativas como a sua representam a essência mais pura do open source: o fabricante deixa o ecossistema Linux de lado, a comunidade vai lá, faz engenharia reversa e entrega uma solução que muitas vezes fica até melhor e mais leve que a original proprietária.

Alguns pontos do seu projeto merecem destaque imediato:

  1. Processamento local de IA (Vosk + Argos Translate): Fantástica a decisão de manter o reconhecimento de voz e tradução 100% offline. Além de garantir privacidade total (ótimo para apresentações corporativas ou acadêmicas), elimina latência e dependência de internet.
  2. Configuração automática de regras udev: Configurar permissões de dispositivos USB/HID manualmente costuma ser uma das maiores barreiras para usuários menos experientes. Automatizar isso no instalador mostra muito cuidado com a experiência do usuário (UX).

Fiquei com algumas curiosidades técnicas e reflexões:

  • Comportamento no Wayland vs X11: Ferramentas de sobreposição de tela (como spotlight, caneta e lupa) historicamente sofrem no Wayland devido às políticas de isolamento de janelas e segurança. Como o Baseus Presenter está lidando com isso nas sessões Wayland do GNOME e KDE? Se já estiver rodando bem ou usando protocolos como layer-shell / xdg-desktop-portal, é uma baita conquista!
  • Formatos de empacotamento: Você pensa em disponibilizar no futuro via Flatpak ou AppImage? Isso facilitaria imensamente a vida de quem usa Fedora, Arch, openSUSE ou sistemas imutáveis (como SteamOS / Silverblue / Bazzite).

Já deixei minha estrela (:star:) no repositório do GitHub para ajudar na divulgação. Parabéns pelo excelente trabalho e dedicação ao projeto!

Muito obrigado pela recepção e pela estrela! :grinning_face_with_smiling_eyes:

Sobre o Wayland: atualmente esse é justamente um dos pontos que ainda quero trabalhar melhor. O desenvolvimento e os testes têm sido feitos principalmente em X11, inclusive a correção recente para os overlays funcionarem corretamente em configurações com múltiplos monitores. No Wayland, como você comentou, o isolamento é bem maior e algumas das abordagens que funcionam no X11 simplesmente não podem ser reproduzidas da mesma forma.

Minha intenção é estudar uma implementação própria para Wayland em vez de tentar contornar essas restrições. xdg-desktop-portal e soluções específicas para overlays estão entre as possibilidades que quero investigar. Então, por enquanto, considero o X11 como o ambiente realmente suportado/testado para esses recursos.

Sobre Flatpak/AppImage: também está nos planos ampliar a compatibilidade. Hoje o instalador é mais direcionado a Debian/Ubuntu porque o programa precisa configurar acesso ao hardware (udev, HID/input etc.), além das dependências do sistema. Isso torna um Flatpak um pouco menos trivial do que empacotar uma aplicação desktop comum.

Quero primeiro estabilizar bem essa versão e conseguir testes em outras máquinas/distribuições; depois pretendo estudar qual formato faz mais sentido para distribuir sem perder justamente o acesso ao hardware que o programa precisa.

E fico muito feliz que tenha destacado o processamento local. Foi uma das coisas que eu realmente queria manter: depois que os modelos estão instalados, não depender de internet nem enviar a transcrição/tradução para um serviço externo.

Valeu mesmo pelo feedback! Esse tipo de sugestão ajuda bastante a definir para onde levar o projeto agora.

não entendo do assunto mas dá para perceber que é algo muito importante. gosto de ver gente esforçada, caprichosa, que cria coisas úteis. meus sinceros parabéns!!!

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Baseus Presenter para Linux chega à v3.1.0 — visualizador 3D, suporte experimental ao Wayland e melhorias!

Olá, pessoal!

Passando para compartilhar mais uma atualização do Baseus Presenter para Linux, projeto open source que desenvolvo para utilizar os recursos do passador Baseus Orange Dot AI no Linux.

O projeto já chegou à versão 3.1.0, trazendo algumas novidades importantes.

A principal novidade desta versão é um modelo 3D interativo do passador, que permite girar, aproximar e clicar diretamente nos 11 controles para visualizar a função de cada um.

Também foram feitas melhorias nas traduções para português e inglês, além de ajustes no processo de desinstalação e na limpeza da extensão GNOME utilizada pelo aplicativo.

Desde as primeiras versões, também implementei suporte experimental aos efeitos visuais no GNOME 46 com Wayland. No X11, o programa continua utilizando seu sistema de sobreposição de tela.

O aplicativo oferece laser digital, lupa, spotlight, pincel, transcrição de voz offline com Vosk e tradução local com Argos Translate.

Ainda há bastante coisa para melhorar, principalmente na compatibilidade com diferentes ambientes gráficos e distribuições. Por isso, sugestões, testes e contribuições são muito bem-vindos!

Repositório: GitHub - Gpiovesana/baseus-presenter-linux: Unofficial Linux driver/app for the Baseus Orange Dot AI Wireless Presenter — laser, magnifier, spotlight, offline voice transcription & live translation. / App não-oficial para usar o passador Baseus Orange Dot no Linux. · GitHub

Versão 3.1.0: Release v3.1.0 — Visualização 3D interativa e melhorias de tradução · Gpiovesana/baseus-presenter-linux · GitHub