Chromium Canonical x Chromium 'The Chromium Authors'

Olá!

Eu instalei o Chromium duas vezes: a primeira foi através do app Programas do Ubuntu (The Chromium Authors) e a segunda foi pelo terminal via Snap (Canonical).

O “mesmo” Chromium se comportou de modo diferente em cada “versão” baixada. Na primeira, por exemplo, ele não aparecia como opção para navegador padrão; na segunda, sim entre outras coisas. Além disso, as instalações ocorreram em pastas diferentes.

Alguém sabe me dizer se, de fato, há diferenças entre o Chromium da Canonical e o do The Chromium Authors e por que há essas “versões”?

Carlos-Ubuntu

Basicamente cada um foi compilado por um empacotador diferente, sendo que o empacotado pela canonical tem o respaldo de ter uma equipe técnica destinado a isso

Olá, @Marcos_Gabriel . Obrigado pelo retorno.

Isso faz sentido? Dois grupos entregando o mesmo aplicativo e que se comportam de modo diferente em alguns aspectos?

Eu mesmo instalei pela loja e não sabia do app da canonical. Só descobri por conta dele apresentar problema e decidir instalar pelo terminal. Aí foi instalado outro - o do canonical -, em outra pasta e com outro nome.

Empacotamentos diferentes, configurações (em relação ao sistema) diferentes, pastas diferentes.

Ok, @wmassis . Mas qual é o sentido de se fazer isso para um mesmo aplicativo? Há outros exemplos que você conheça que pode citar por aqui?

Estes outros padrões de empacotamento surgiram devido aos problemas com dependências. Então, digamos, surgiram propostas diferentes para o problema e elas coexistem. Daí, muitas vezes, você tem o mesmo programa em .deb, flat, snap e appimage.

Há uma variedade enorme de programas.
Para citar uns poucos: Firefox, Libreoffice, Gimp, Bitwarden, VLC, Audacity etc.

Este tópico pode esclarecer algumas dúvidas:

Além disso, você pode ver Flathub, SnapStore, AppImageHub.

Não só por problemas de dependências, mas também problemas de seguranca, controles de acesso, reprodutibilidade, portabilidade, sustentabilidade…varias coisas que os pacotes tradicionais (.deb, .rpm…)nao suprem…

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Ok @wmassis . Acho que entendi.

Carlos-Ubuntu

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Seja bem-vindo, @Carlos-Ubuntu

Eu não gosto muito disso – mas se você der valor à “liberdade de escolha”, então, faz todo sentido.

Que “liberdade de escolha” você teria – se todas as opções fossem 1 só – absolutamente igual a todas as outras?

Em 2019, por exemplo, eu tinha um Kubuntu “rolling-release” (development branch). – Em vez de usar a “última versão lançada”, eu usava “a próxima versão, em desenvolvimento”. – Por isso, eu recebia as “próximas novidades” da Canonical, antes delas serem lançadas oficialmente.

E foi assim que, um belo dia, vi o apt / Synaptic substituir meu chromium.deb por um chromium.snap2:

Commit Log for Thu Jun 13 14:40:08 2019 ----- KDE 5.16 ---\\\\--- Chromium.Snap2 !!!

Upgraded the following packages:

breeze-gtk-theme (5.15.90-0ubuntu1) to 5.16.0-0ubuntu1
chromium-browser (74.0.3729.169-0ubuntu2) to 75.0.3770.80-0ubuntu1~snap2
chromium-browser-l10n (74.0.3729.169-0ubuntu2) to 75.0.3770.80-0ubuntu1~snap2
chromium-codecs-ffmpeg-extra (74.0.3729.169-0ubuntu2) to 75.0.3770.80-0ubuntu1~snap2
drkonqi (5.15.90-0ubuntu1) to 5.16.0-0ubuntu1
(...)

Depois disso, o Chromium – que eu imaginava ser “o mesmo” (apenas, atualizado) – começou a apresentar comportamentos “diferentes” do que eu estava acostumado.

Mais ou menos, isso que você experimentou agora – só que, em 2019.

Aproveitei minha “liberdade de escolha”! – Reiniciei o computador, selecionei outra distro (eu tinha várias, em dualboot) – e usando a outra distro, formatei a partição onde estava meu “Kubuntu rolling-release”.

Em bom português: – Deletei o Kubuntu da minha máquina.

Não quer dizer que eu seja contra pacotes snap2! – Defendo a liberdade que existe no universo do Software de Código Aberto e Livre (FOSS) – onde qualquer pessoa tem o direito de “copiar, modificar, e re-distribuir”.

E aproveito minha “liberdade de escolha”, para não usar o que não me agrada. – Não me agradou, pedir uma “atualização” – e receber uma “substituição” (não-avisada de modo explícito, não-explicada, e sem qualquer opção visível).

O Linux Mint, que usa a mesma base “Ubuntu LTS”, também achou isso “inadequado” – e introduziu algumas modificações – de modo que seus usuários não levassem esse susto, de pedir uma coisa, e receber outra.

O usuário do Linux Mint pode, sim, usar o chromium.snap2 – se quiser! – Mas é avisado, recebe esclarecimentos sobre o que isto significa – e recebe orientações sobre outras alternativas etc.

E aí, você poderá decidir se você concorda com:

Onde o 1º grupo faz uma escolha por você – sem lhe perguntar, nem lhe explicar outras opções – e o 2º grupo impede que isso aconteça, e lhe oferece opções, explica etc.

Os colegas já citaram outras opções: – Flatpak, AppImage etc. – Eu prefiro não usá-las (nem Snap2) – mas é você quem deve decidir o que você prefere.

Na verdade, o “mundo Linux” é feito exatamente disso: – Dezenas de grupos, cada um entregando os mesmos aplicativos – ou “conjuntos diferentes” (com os mesmos aplicativos).

Cada “conjunto diferente” é uma “distribuição diferente”. – Este é o conceito de “distro”.

Na época, cheguei a instalar o Linux Mint (que eu não usava mais), só para ver como ele iria lidar com aquela situação. – Depois deletei, porque eu sou “fanático por KDE” (rs) – o Mint não oferece mais o KDE como um “sabor”. Você pode instalar o KDE no Mint, mas não existe uma “curadoria” para cuidar disso. E a “base Ubuntu LTS” não me interessava mais, em 2019-2020.

Hoje, a única distro “base Ubuntu LTS” que ainda mantenho é o KDE Neon – que também não trocou chromium.deb por chromium.snap2 sem me perguntar. – Infelizmente, não lembro os detalhes.

Tenho uma “vaga impressão” de que o KDE Neon passou a oferecer um Chromium via PPA – mas a verdade é que não estou encontrando registros que confirmem essa impressão.

(Meus registros de 2020 estão em HDDs desconectados neste momento).

  • A certa altura, o Google chutou todos os “derivados do Chromium” (inclusive o Chromium) – e como eu precisava do Google, troquei o Chromium pelo Google Chrome. – Só o Chromium do Debian, o Google ainda não teve coragem de chutar (rs).

Agora, lembrei do ditado: – “Manda quem pode; e obedece quem tem juízo”. – Parece que o Google se sente à vontade para mandar em todo mundo – mas, contra o Debian, prefere “ter juízo”. Vai entender, né (rs).

Isso é tudo que tenho para lhe oferecer, como uma “visão de como são as coisas, na real” – e que vai muito além da tua colocação inicial, que não levava nada disso em conta. – “Na real”, é melhor não teimarmos em exigir que o mundo se curve àquilo que achamos que “deveria ser”.

Como dizia Gonzaguinha: – “O mundo é quem tem razão”. – A gente nem é doido, de ficar na frente de um ônibus a toda velocidade.

Imagine, querer se opor ao mundo! – A realidade é, o que é – e o mais sensato, é procurarmos saber como ela é, e agirmos conforme ela nos permite.

  • No caso do Google Chrome, eu apenas baixo o pacote do Google – instalo – e nesse processo, o repositório do Google / Chrome é automaticamente habilitado. – Toda vez que atualizo alguma distro, o repositório do Google-Chrome é consultado, e se houver atualização, ela é instalada.

Neste caso, temos muitas opções. – Podemos usar algum “Buntu” – ou o Mint – ou o KDE Neon…

… ou, usarmos inúmeras opções “não-Buntu” – que são “outro mundo”.

Kubuntu foi minha 1ª opção firme, neste mundo (depois que o Kurumin se deprecou). – Kubuntu foi minha “âncora de salvação”, por quase 10 anos – e nunca poderei renegar o enorme serviço que a Canonical prestou a zilhões de usuários, que talvez nunca migrassem para “o Linux”, se não fosse pela Canonical (ou pelo menos, demorariam muitos anos mais, para migrar).

Mas é uma empresa – e me incomodava, ter escapado da MicroSoft, para cair na dependência da Canonical. – Optar pelo Mint, pelo KDE Neon, não seria uma “grande libertação”, pois também se baseiam no Ubuntu LTS.

Por isso, desde 1º Janeiro 2017, comecei a instalar e experimentar todas as alternativas “não-Canonical” – em dualboot, porque não adiantava nada, ter alternativas… rodando em VM, “dentro” de algum Ubuntu LTS.

Como disse, no período 2019-2020 acabei me “libertando, de verdade”. – Hoje, uso Arch Linux, 99% do tempo – mas posso, muito bem, usar o openSUSE Tumbleweed, o Debian Testing, o Fedora 40, o Mageia Cauldron, o Void Linux, o Manjaro (Arch), ou o MX Linux (Debian stable).

E sendo em “dualboot”, a qualquer momento posso “carregar” qualquer uma dessas distros – e deletar qualquer uma das outras. – Nenhuma delas depende de nenhuma outra. Isso é a “beleza” do “multi-boot” (que os colegas ainda não deram mostras de perceber, he he).

Até hoje, nunca usei Snap2, Flatpak, ou AppImage. – Às vezes, tenho a impressão de que o KDE Neon usa PPA para algumas coisas (Firefox, por exemplo – que não uso).

Uso, basicamente, os “repositórios oficiais” (de cada distro). – Isso, é o que cada distro “garante”.

Mas uso também alguns repositórios “quase-oficiais” – o AUR, no Arch e no Manjaro (com muito cuidado!); – o Pakman Essentials, no openSUSE Tumbleweed; – o RPM Fusion, no Fedora; – o “void-packages”, no Void Linux; – & etc.

Sempre, por meio de comandos – zypper, pacman / yay / pamac-cli, apt (Synaptic, que não altera nada do apt), dnf, pkcon (que o KDE Neon me impinge), urpmi, xbps.

A primeira coisa que faço, em qualquer distro, é deletar a “Lojinha”. – Já fui pai (hoje sou avô, a caminho de bisavô), e percebo muito bem o que significa uma “vitrine” de “balinhas multi-coloridas”. – É uma ferramenta para manipular a criança que existe em nós, para “desobedecer” ao ser racional que tentamos ser.

Se você quiser “tomar posse do seu computador”, preste muita atenção nas “opções” oferecidas.

Você pode fazer isso, usando a “lojinha”. – Eu prefiro fazer isso, usando comandos – ou o Synaptic, que é o apt, sem tirar nem pôr.

Todos os “grupos”, “distros” etc. têm o direito de fazer “alguma coisa diferente” – e você tem todo o direito de escolher “o que você prefere”. – Mas para isso, você precisa “adquirir consciência” a respeito das opções oferecidas.

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Olá, @frc_kde , Flávio. Parabéns pela aula e pela “filosofada”. Deu para apreender muita coisa de seu “paper” sobre o mundo Linux.

Obrigado pelo conteúdo e pelo tempo disponibilizado nessa interessante abordagem técnica e filosófica. A filosofia, aliás, parece estar muito atrelada ao mundo Linux, ao FOSS e assemelhados.

Carlos-Ubuntu

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Não há de quê, @Carlos-Ubuntu !

Falando em “filosofia”, você agora me lembrou de um velho amigo, que quando via passar uma bela morena, suspirava: – “Quanta filosofia…!”

Assim é a vida! – E fico feliz de vê-lo reconciliado com ela. – Bom-humor é sinal de saúde!

Melhor do que ficar na frente de um caminhão destrambelhado, é voltar às boas com a vida, ser feliz, rir das adversidades, e dizer das morenas: – “Quanta filosofia…!”

Lamento se não pude ser mais útil, de um modo “prático”. – Como disse, o Google se colocou no meu caminho, e declarou: – “A bolsa, ou a vida!” – e tive de dar adeus ao velho e bom Chromium.

Exceto no Debian – que parece que o Google não ousou encarar.

Se fosse loira… “Quanta ignorância…!” kkkkkk

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Aí, já é vandalismo…

Racismo não é admissível, em hipótese alguma – especialmente, quando ofende as loiras, ha ha ha!

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