A Canonical quer oferecer um desktop totalmente funcional em arquiteturas RISC-V, com o lançamento do Ubuntu 25.10. Atualmente, só é possível rodar uma versão muito limitada.
A principal barreira é a falta de drivers gráficos maduros, impedindo uma aceleração de hardware adequada para a interface gráfica. A Canonical está colaborando com fabricantes de hardware e a comunidade de software livre para desenvolvê-los e otimizá-los.
O que é significativo pois o RISC-V é uma arquitetura de código aberto que ganha destaque como alternativa flexível e personalizável às proprietárias, como ARM e x86. Com o apoio da Canonical, ele torna-se uma opção viável para desenvolvedores, entusiastas e o mercado de computadores.
O que é a arquitetura RISC-V?
A arquitetura RISC-V (pronuncia-se “risk-five”) é um conjunto de instruções (Instruction Set Architecture - ISA) aberto e livre de royalties, onde qualquer pessoa ou empresa pode usá-la, modificá-la e distribuí-la. Foi desenvolvida para ser uma arquitetura padrão a todos os tipos de dispositivos computacionais.
É modular e extensível, ideal para uma vasta gama de aplicações, desde simples microcontroladores em IoT, até CPUs de alto desempenho, permitindo customizações para necessidades específicas.
Embora promissor, o RISC-V ainda constrói seu ecossistema. Ferramentas, softwares e drivers estão em constante desenvolvimento, mas não atingiram o mesmo nível de maturidade e otimização do ARM/x86.
Por que a RISC-V é importante?
Por ser de código aberto e livre de royalties, o RISC-V promove a inovação. Pequenas startups, universidades, e até países, podem projetar e desenvolver seus próprios chips, sem depender de licenças caras ou acordos com grandes corporações.
Por exemplo, a ARM Holdings projeta essas arquiteturas mas não fabrica os chips. Empresas como Apple, Samsung e Qualcomm licenciam o ARM para criar seus próprios SoCs (System-on-a-Chip), pagando royalties por isso.
Já o x86, dominado pela Intel e AMD, uma empresa precisaria licenciar patentes caras ou ter um acordo com uma dessas duas gigantes, o que é raro.
A modularidade do RISC-V permite adicionar ou remover instruções conforme a necessidade, o que otimiza chips para aplicações muito específicas, como inteligência artificial, computação embarcada ou IoT, onde a eficiência e o custo são primordiais.
É possível inspecionar todo o design do chip para verificar a ausência de “backdoirs” ou falhas de segurança ocultas, o que é relevante para aplicações críticas e governamentais.
A ascensão do RISC-V revigora a competição no mercado de semicondutores, historicamente dominado por um pequeno número de empresas. Para países que buscam autossuficiência nesse campo, reduz sua dependência, mitigando riscos geopolíticos.