Evitando ficar presa em padrões fechados e vulnerável ao “sabor do mercado”, o governo alemão passa a adotar um formato aberto e interoperável de documento, o ODF.
Seu post me fez pensar sobre os mecanismos de bloqueio e limitação do pensamento crítico, como alguns citados no livro, estão cada vez mais intensos e eficazes na internet atual.
Veja bem: você entrou em um post que, muito provavelmente, não leu a notícia por completo e, em poucos segundos, já formou e expressou uma opinião baseada em duas palavras do título. Se tivesse lido o texto, perceberia que a obrigação mencionada se aplica a sistemas e documentos do setor público alemão, não ao cenário generalizado que você sugeriu.
Isso lembra bastante o experimento do “cão de Pavlov”, conduzido por Ivan Pavlov no início do século XX. Ele demonstrou o chamado condicionamento clássico: os cães, ao associarem repetidamente um estímulo neutro (o som de um sino) com a comida, passaram a reagir automaticamente ao sino, mesmo sem a presença do alimento.
Trazendo para o contexto atual, parece que muita gente reage da mesma forma: basta um gatilho no título para gerar uma resposta automática, sem análise real do conteúdo.
Bom, voltando ao contexto do post, isso me fez lembrar o quanto o Brasil já avançava na questão do software livre entre os anos de 2010 e 2015.
Lembro que um dos principais temas do Consegi de 2011, do qual tive a felicidade de participar, foi a discussão sobre os princípios de Dados Abertos. Na época, o Serpro promoveu um debate intenso dentro do governo sobre uma nova lógica de tratamento dos dados públicos, além da implantação de uma cultura de abertura de dados sustentável, com o objetivo de fornecer acesso a essas informações em formatos abertos e reutilizáveis, possibilitando o cruzamento com outras fontes e seguindo as melhores práticas de transparência.
Essa abordagem seguia o exemplo de iniciativas bem-sucedidas em diversos países, com o objetivo de fortalecer a democracia e ampliar a transparência dos atos do Estado.
O que se debatia nesse contexto não ficou apenas no campo teórico, isso ajudou a pavimentar o caminho para a Lei de Acesso à Informação. Isso, por sua vez, forçou uma mudança real na infraestrutura do governo.
Surgiram iniciativas como o Portal Brasileiro de Dados Abertos, além da padronização de formatos (CSV, JSON), maior integração entre sistemas e até uma pressão pelo uso de tecnologias abertas para evitar dependência de formatos fechados.
No fim, não foi só uma questão de lei, foi uma mudança de arquitetura e de mentalidade dentro do próprio Estado.
Tem certeza? Porque essa obrigatoriedade garante que qualquer um com um computador consiga abrir o arquivo publicado pelo setor público e híbrido da Alemanha em qualquer ponto do tempo no futuro sem estar preso a Adobe ou as Microsoft
Não é obrigação para tudo e todos, e sim nos setores públicos, sobre os quais o Estado alemão e seus governos têm responsabilidade. E, neste caso, é uma medida libertária, garantindo aos cidadãos acesso facilitado a seguro a informações de seu interesse.
Se “lembra 1984”, só se for ISSO do ano de 1984: