Ontem, quando comecei a ler as notícias sobre isso, a primeira coisa que lembrei foi aquela musiquinha juvenil do Roberto Carlos, de 1964:
Um leão está solto nas ruas
Foi descuido do seu domador
Sei que ele está faminto
Não come desde ontem
Preciso encontrar o meu amor
Foi mais ou menos esse, o tom que percebi por trás da forma como as notícias se apresentam – cheias de explicações supostamente técnicas – mas acenando com o pânico, a pretexto de combatê-lo.
Até dá para entender --afinal, sem “medo”, os algoritmos não induzem os seres humanos a clicarem (clicar é preciso! Ler, não é preciso). – Mas isso não é novidade. Toda “ciência” do marketing se desenvolveu a partir da manipulação de reações emotivas das massas, em especial na década de 1930, quando a “publicidade” + “meios de comunicação de massa” (mídia) tomaram impulso nos EUA, Alemanha etc.
Os “algoritmos” são uma automação daqueles princípios – e desde a virada do milênio, o suposto “jornalismo” foi absorvido e tornou-se apenas um departamento dentro do business do “entretenimento”. – A busca por “engajamento”, onde zilhões de pessoas opinam alucinadamente sobre tudo que não conhecem nem entendem, é o ápice dessa “evolução”.
Depois, fui lembrando do “complexo de Frankenstein” – “clássico romance de terror gótico e ficção científica escrito pela britânica Mary Shelley em 1818” (segundo a “IA” do Google, ha ha) – quando experiências com pernas de rãs permitiram aos leigos imaginar que, com um pouco de eletricidade, se podia dar vida (“galvanizar”, na linguagem da época) a nervos e músculos costurados num laboratório sombrio (em vez de acender uma lâmpada para varrer as sombras).
O “Frankenstein” mais impressionante, foi o filme “2001: uma odisseia no espaço”, de Stanley Kubrick, que chegou aos cinemas em 1968. – O computador “HAL”, que tinha o encargo de zelar pelo sucesso da missão, começou a se livrar dos astronautas, por considerar que punham a missão em risco.
Versão mais simples (humorística), já tinha sido feita por Asimov, em 1953, no conto “Ninguém aqui, só nós…” (as complicadas máquinas pensantes).
Ao contrário de Mary Shelley, Arthur C. Clarke (inspirador de 2001) e Asimov tinham formação técnica e científica para nunca esquecer que máquinas são apenas máquinas – e mostrar que as falhas, ou são de projeto, ou de construção – ou de programação.