Projeto CentOS muda o foco para CentOS Stream

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Mais um: Announcing Open-sourced & Community-Driven RHEL Fork by CloudLinux

Porém, estão em conversas sobre juntar forças com o Rocky Linux.

Evidentemente, mas dentro de um negócio, ninguém trabalha de graça. Esse esforço de migração custa reputação do software livre, dos profissionais envolvidos e, para além do custo subjetivo envolvendo reputações, há o custo da hora/homem que vai ser envolvida na brincadeira.

Eu tenho meia dúzia de sistemas para cuidar e, se amanhã, o openSUSE Leap derretesse, eu estaria com uma bela dor de cabeça. Se uma distro comunitária substituta surgisse, mesmo que ela fosse 100% compatível, permitindo um upgrade pela mudança dos repositórios e fornecedores dos pacotes, ainda assim seria um upgrade como qualquer outro, mas com uma dose muito maior de incerteza, ou seja, eu alocaria horas e arriscaria minha imagem.

Num caso hipotético com o openSUSE, eu precisaria desabilitar os repositórios de terceiros e fazer um upgrade completo, precisando voltar todos os repositórios de terceiros depois. É um trabalhão e, pior, um trabalhão fora do ciclo de vida esperado (se acontecesse como aconteceu com o CentOS 8). Sendo um esforço comunitário que pode não se pagar, se depois de ‘n’ meses der problema — o CentOS já era lento nos releases, por exemplo, mesmo tendo a proximidade com a Red Hat, quem garante que o Rocky vai dar conta? — ou fracassar, eu teria um sistema sem suporte nas mãos. Sendo diretamente responsável por aquela implantação, parte da responsabilidade seria minha.

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Você fala como se todo mundo pensasse assim, sei que muita gente tem um certo ódio velado pela Oracle apesar de que eles nunca foram santos (e nenhuma empresa é , ja que a grana dita as geras dos negócios), muitas empresas usam Oracle Linux principalmente quem usa BD e outros serviços deles, eu consideraria utilizá-lo assim como também recomendaria SUSE, Ubuntu Server.

Onde trabalho existe um certo “olho torto” pela Oracle, porque os servidores deles são fechadões. Quando dá problema, temos que acionar o suporte da Oracle, que é meio burocrático.
Parece que são contratos antigos, por isso ainda estão conosco, rodando serviços antigos como os de RH.

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"uma coisa que está pegando muito mal, é o fato do Gregory Kurtzer (fundador original do CentOS) ter começado o Rocky Linux. Dá a impressão que as pessoas do CentOS se revoltaram com esta decisão e saíram fora. (o que não foi o caso).

Ele já tinha pulado fora do CentOS desde 2005: https://gmkurtzer.github.io/"

1/7: Como tudo começou?

Nos últimos anos, a estratégia da Red Hat é focada no desenvolvimento de Open Hybrid Cloud (OpenShift), por isso que a IBM nos comprou, ela quer entrar nesse mercado emergente como líder.

E a base pra isso tudo (Kubernetes, OpenShift, etc) é o Linux, mais especificamente o RHEL. Então, acelerar e modernizar o ciclo de desenvolvimento do RHEL é essencial para a empresa.

Depois de fazer um fork do Fedora para o próximo RHEL, todo o desenvolvimento acontecia internamente. Desenvolvedores de aplicações cloud-native não tinham a menor visibilidade nem influência no RHEL.

Foi por isso que o CentOS Stream nasceu: tornar o desenvolvimento do RHEL público, e tornar ele mais “fast-paced” com contribuições da comunidade.

2/7: Por que matar o CentOS em favor do Streams?

A Red Hat não impediu o desenvolvimento do CentOS tradicional, só decidiu usar todo o investimento no Streams, já que ele contribui com a estratégia da empresa.

O problema é que ninguém mais contribui financeiramente com o CentOS, então o comitê não teve muita escolha, teve que interromper o desenvolvimento do CentOS por pura falta de recursos.

Uma vez que esta decisão foi tomada, o comitê + Red Hat começaram a fazer uma avaliação de diferentes grupos que utilizam o CentOS, como seriam afetados e como ampará-los na medida do possível.

3/7: E o que vai acontecer com os usuários de CentOS?

Vários grupos foram identificados: ONGs, pesquisa científica, pequenos negócios, projetos open source, CI, e empresas maiores que usam CentOS pra economizar com subscriptions.

Obviamente, essas empresas maiores que usam CentOS só pra economizar $$ deveriam estar no RHEL, afinal eles rodam workloads críticos em produção e deveriam pagar e ter suporte adequado pra algo tão importante.

Para todos os outros cenários, poderão usar extensões do Developer Program da Red Hat (sem custo, ou com custo reduzido). Por isso que estão falando: “mande seu caso de uso para centos-questions@redhat.com pra gente descobrir onde vc se encaixa”

Este email não é de vendas, será uma mailing list pública assim que os novos developer plans forem criados.

Além disso, tem outro grupo: desenvolvedores. Pra isso já existe a UBI (Universal Base Image) que é um RHEL enxuto, gratuito pra uso e redistribuição!!

4/7: Como vão ser as correções de segurança no Streams?

Não vai mudar muito. Coisas críticas (embargoed CVEs) vão ser consertadas primeiro no RHEL, e portadas de volta pro Streams perto da data de revelação do CVE (assim como era com o CentOS).

5/7: e qual o envolvimento da IBM nisso tudo?

Nenhum. O máximo que aconteceu foi nosso CEO mandar uma mensagem pro Arvind na véspera do anúncio, pra ele não ser surpreendido na manhã seguinte com as notícias.

Ironicamente, 2 business units da IBM usam CentOS pra infra delas, e também ficaram revoltadas com a decisão, como todo mundo. paciência :smiley: certamente eles não se encaixam em nenhum grupo que precisa de apoio, então se quiserem, terão que começar a pagar pelo RHEL.

6/7: “Embrace, extend, extinguish”

Acusaram a Red Hat de ter cometido essa prática que já foi usada pela MS. Disseram que “traímos o movimento open source”.

A resposta pra isso foi: não existe “extinguish” em open source, tanto é que já criaram Rocky Linux, CloudLinux, etc.

7/7: Por que não devolver a marca “CentOS” pra comunidade e chamar o Streams com outro nome?

Desde de 2014, as marcas “CentOS” e “Red Hat” ficaram muito interligadas, inclusive causando confusão que CentOS era oficialmente suportado pela empresa. Seria um risco muito grande largar o controle dessa marca na mão de terceiros, já que poderia influenciar na marca “Red Hat” de alguma forma.

Extra: sobre a promessa do tempo de suporte do 8, ela foi feita pelo CentOS, não RedHat.

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Compreensível os pontos elencados. Mas deveriam ter feito isso no anúncio né.

Esperaram levar pedradas por bobeira. Mesmo com a explicação, essas coisas sempre serão lembradas, pois foi a história que “prevaleceu”.

Até na comunidade Fedora do Reddit, o pessoal estava se perguntando se algo ia mudar para eles também. Capaz de pessoas deixarem de usar algo que envolva a Red Hat por conta disso.

Tem história que se perpetua mesmo não sendo verdade, como o do Snap ser proprietário, uma mentira contada inúmeras vezes que prejudica a imagem da Canonical (se bem que a empresa não ajuda muito).

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Interessante post muito bem elaborado.

Achei interessante esse vídeo do LearnLinuxTV. Apesar de ser um pensamento aparentemente óbvio, muita gente parece não se dar conta disso e o caos é instaurado. Mas basicamente ele diz:

  • Não confiar em grandes empresas, elas podem mudar de ideia a qualquer momento, pois são mais suscetíveis aos interesses financeiros (até porque é a razão de existir de uma empresa);
  • Sempre ter um plano B, ferramentas com o Ansible (que ironicamente é da Red Hat), ajudam na gestão de configuração de servidores;
  • Nunca depender de ferramentas exclusivas de uma plataforma, de forma que em caso de necessidade de mudanças, o sofrimento seja menor. Sempre opte por soluções multiplataforma.
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As pessoas pulam para conclusões rápido demais.

https://www.phoronix.com/scan.php?page=news_item&px=CentOS-Hyperscale-SIG

Como sugeri, vocês vão ficar surpresos com a adoção que o CentOS Stream vai ter e eis o começo.

Estou curioso para ver se vai ter essa adoção toda mesmo, porque é uma aposta de peso. Não é qualquer um que vai encarar. Talvez o projeto ganhe mais embalo, mas é aquilo: são casos de utilização, né? Pode ser que não atenda o usuário atual do CentOS.

O Facebook executa milhões de servidores que suportam sua vasta rede social global, todos os quais foram migrados (ou estão migrando) para um sistema operacional derivado do CentOS Stream. Enquanto o Facebook continua a impulsionar a inovação interna no CentOS Stream, a empresa reconheceu o valor da colaboração dentro do ecossistema da Red Hat para impulsionar ainda mais os recursos de sua plataforma.

Vamos ver o que o futuro reserva para o CentOS Stream :wink:

Saiu no Ars Technica que agora Red Hat poderá ser usado livremente por equipes de desenvolvimento e também em até 16 servidores de produção:

A nova estratégia entra em vigor a partir do primeiro dia de fevereiro. A companhia garante que não se trata de uma ação de vendas e que nenhum representante entrará em contato.

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Opa, isso é interessante. Até joguei no grupo da empresa aqui.