O mecanismo de licitações é adequado para produtos tecnológicos?

Discussão surgida no Thinkpads, EliteBooks e Latitudes são realmente equivalentes? - #24 by josebarbosa

Como eu não posso mover “partes” de mensagens, estou criando um tópico com as porções relevantes das repostas. Se algum envolvido discorda do título dado, ou eu cometi algum erro ao reproduzir as respostas, me notifique no privado (@lfmoreno @TiagoCardoso @josebarbosa)

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Licitação é um cobertor muito curto que qualquer detalhe que passa alguém pode montar em cima. O mercado se adapta muito mais rápido que as leis que os servidores devem seguir.
Na prática, eu vejo muito mais erros simples do que vontade de fazer errado. Mas falta à administração, via de regra, criar soluções de excelência.
Até mesmo por licitação ser atividade meio, e não finalística, até para formar uma equipe razoavelmente qualificada leva tempo. E não raro, se desfalca porque vai para outra oportunidade que tem mais valorização.
Tem muito órgão em que pregoeiro assume uma p… responsabilidade sem ganhar um centavo a mais.

De forma menos aparente, ao menos, na Apple, para citar um exemplo, ou máquinas que não tem tanto índice de reclamação.
Só para dar um exemplo, quando tinha um Macbook White. Ele tem uma falha no gabinete dele que racha com o tempo.
Comigo, ocorreu depois de vencida a garantia. Mesmo assim a Apple reconheceu que era vício do produto, prometeu arrumar em cinco dias e me entregou em dois.
Eu diria que é impressionante o número de problemas parecidos que se dá num Dell assim que vence a garantia. E conheço pessoas que emplacaram vários em sequência e reclamam do mesmo problema, mas não trocam de marca.

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Devemos ter cuidado com estas “generalizações”. Temos uma certa queda por achar que todo e qualquer processo público está viciado.
Claro que existem falcatruas, mas, pelo menos no setor de informática (onde atuo), não é a regra (para ser sincero, em 10 anos trabalhando com isso, só desconfiei de uns 2 processos). Se um processo não puder ser disputado por, pelo menos, 3 fabricantes, não sai. Se sair, certamente será impugnado. E ninguém quer isso.
Nosso processo licitatório é bem seguro e reconhecidamente bem feito. Pode haver falcatruas entre os participantes (coelhos, etc), mas não de “burla” do sistema. Principalmente quando é pregão eletrônico.
Mas concordo inteiramente com o @josebarbosa

Quanto à Apple, é uma das piores em obsolescência programada.

Só para citar um exemplo, a Apple foi multada em alguns milhões de dólares por INTENCIONALMENTE, aumentar o consumo de bateria e diminuir a performance de iPhones mais antigos.

Não tem almoço grátis. Capitalismo, apesar de necessário na sociedade que criamos, é uma m@#a.

Note novamente que eu disse “podem”, não me entenda errado, não afirmei que todas eram, o friso veio justamente para mostrar que a contrário do que se apregoa, o processo licitatório não resulta necessariamente na melhor e mais vantajosa oferta para a sociedade, se assim o fosse todas as grandes corporações adotariam um processo semelhante, conforme pontuei na sequência do texto ao fazer uma alusão ao processo democrático, apesar de passível de falhas é o melhor dispositivo de contratação que se tem no meio público. Se dei a entender algo diferente, por favor me desculpe, mas, relendo não vejo esse ponto.

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Sim, desculpe se pareceu “pessoal”. Eu até me incluí neste rol :slight_smile:

E isso é uma verdade (a tendência de acharmos que tudo que é público, é ruim).
O que é uma generalização. :slight_smile:
E temos que ter cuidado com isso.

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Sem problema, só quis lembrar que nada na sociedade está imune a desvirtualização. Se o processo licitatório apresenta lá seus problemas, certamente seria pior sem ele, houve um tempo onde não havia obrigatoriedade de publicidade de tais atos públicos, nem equidade jurídica de condições, quem estava no poder escolhia as empresas conforme seus interesses pessoais, isso em uma época onde praticamente inexistiam concursos e licitações. O caso não é extinguir, mas, aperfeiçoar o sistema.
Sobre o Estado a mesma coisa, apesar de cheio de problemas, é fundamental em sociedades como a nossa tanto para ser um regulador e mediador, quanto um provedor de justiça social, em sociedades desiguais como as nossas é fundamental o papel do Estado, do contrário apenas os poderosos teriam vez.

Toda vez que ouço uma crítica ao serviço público penso que se quem está fazendo conhece, ou se está pensando que uma minoria (<10%) representa TODO o universo de servidores públicos, seja quando se fala de super salários ou vantagens, ou seja quando não se trabalha bem.

Licitação é um termo genérico para processo de compra, e muitas vezes (principalmente grande mídia), vejo quando confundem até o que não é licitação,como casos de dispensa e inexigibilidade. Estas hipóteses estão elencadas lá na lei n. 8.666/93, que em dois anos será substituída pela 14.133/2021.

Via de regra, raras as licitações que dão problema. Vejo que muitas vezes há críticas quanto às escolhas discricionárias, numa questão que é difícil e controversa. Quando criança, lembro de um caso muito polêmico. Na cidade, havia começado o tal orçamento participativo, por meio do qual os cidadãos elegiam dentre algumas obras quais seriam realizadas.
No meu caso estava entre a cobertura e construção de um ginásio para a escola, contra algum projeto de saneamento/melhoria de acesso de uma região muito carente.
Era uma boa escola pública (inclusive reconhecida nacionalmente), cujo perfil dos alunos eram egressos de classe média/alta que haviam perdido renda com a implantação do Plano Real. Então eram pais relativamente conscientes e engajados.
Nossa obra era supérflua, perto da outra, mas teve engajamento e conquistou mais votos.
Digo isto porque várias e várias vezes o administrador público lida com este tipo de problema: chega uma demanda genérica (preciso disto, preciso daquilo), que não teme nada pronto e muitas vezes é vazio. Por outro lado, um projeto potencialmente menos relevante, no plano teórico, vem todo estudado, estruturado e correto, demonstrando o interesse público ali. Qual, de fato, é o mais importante e prioritário?

Este é um grande conflito, em que quem se manifesta não é incluído na agenda. Isto foge ao assunto.
Compras tecnológicas pela administração são equipamentos comuns, normalmente com experiência já comprovada nalgum outro caso da iniciativa pública privada, que basta planejamento e escolha de uma boa solução. Sim, planejamento leva tempo, mas é muito melhor um bom estudo que dê segurança do que fazer as coisas de maneira açodada e depois se arrepender. Quando a administração perde, é no bolso dos contribuintes que cai a conta, não de acionistas, que diferentemente dos cidadãos, têm uma taxa de lucro pelo risco assumido.

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No mercado de computadores pessoais (portáteis ou não) é uma situação diferente. Tem muito MAC OS X com dez anos de idade rodando firme e forte.