O dilema empresarial do software livre (Office)

  1. A empresa não usa pois há poucas pessoas com experiência na suíte escolhida. Ou seja, produtividade cai nos primeiros meses.
  2. Poucas pessoas se prontificam a aprender a fundo esses programas pois não é diferencial na hora de procurar emprego.

E aí? É assim mesmo e está resolvido?

  1. A empresa não usa pois não acha outras empresas para fornecer treinamento/suporte no software.
  2. Há poucas empresas no ramo de treinamento/suporte porque não há demanda para o serviço.

Acho que agora resolveu, né?

Isso me lembra aquela história da receita da vovó que era um cozido de alcatra que cortava em duas partes e temperava do jeito que só ela sabia. O tempo passou e certo dia a neta, que sempre fazia conforme a receita, perguntou para a vó porque tinha que cortar a peça em duas partes. A vó respondeu que só cortava para caber na maior panela que ela tinha!

Então talvez seja isso. Apenas porque a suíte da Microsoft foi a melhor no início da computação, hoje ela é a mais utilizada. O restante dos argumentos é apenas ginástica cerebral para justificar a situação atual, onde qualquer erro no uso do software livre vai recair sobre ele, enquanto um erro na poderosa suíte dominante vai recair sobre o usuário. Ex:

  • Se a empresa perde dados por incompatibilidade de formato odf para doc, já falam: olha lá mais uma vítima do “software grátis que custa caro”
  • Se a perda é por conta de formatos do próprio Word: Culpa do usuário não sabia as limitações do software.
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Perfeitamente

Penso que seja apenas uma questão de costume.
Quando você entra numa empresa que usa SAP, você não deixa de usá-lo porque na anterior era TOTVS. Você TEM QUE APRENDER a usar SAP.
Acho que o mesmo vale para a suíte Office.
Com exceção de planilhas eletrônicas (onde umas são mais poderosas que outras), não creio que o uso de um editor de texto ou de apresentações diferencie muito de um pro outro, num uso mediano. Vão mudar os locais dos botões, mas nada que atrapalhe o trabalho ou que o usuário não aprenda em poucos dias.
Creio mais na cultura e no marketing empregados. E, obviamente, no desconhecimento. tem gente que simplesmente não sabe que existem outras opções.

Sei de muitas empresas e órgãos públicos em que o Abiword não só seria suficiente, mas também tem muitos recursos que sequer são usados.

Porém, sei de lugares que o uso do Excel é intenso, com complexas fórmulas e macros.

Na empresa onde trabalho usamos muito o excel e tentamos migra a gente começo a usa formato aberto e aos poucos geral foi usando o LibreOffice e um mês e meio depois mais ou menos voltamos ao Office da MS pois o LibreOffice mesmo com todos salvando em formato aberto começo a da problemas em um simples filtro de dados.
O nosso problema foi com uma coluna que tinha várias cidades e o LibreOffice simplesmente não filtrava todas cidades que no caso era 14 e ele somente reconhecia 3, após sofre com isso e indo pra várias versões e resolvia mas parecia que era temporário pois uma hora ou outra voltava o bug, por fim desistimos pois isso estava atrasando demais. Eu mesmo um trabalho que eu levava umas 2 horas pra finaliza estava levando quase o dia todo e outros funcionários estava com o mesmo problema, no fim foi uma experiência legal de se faze mas não valeu a pena só tivemos atraso.
O teste foi feito no setor de TI e ninguém teve problema em se adaptar ao LibreOffice e o foco era reduzir custos e decidimos focar somente em um setor em que fosse possível compartilha certos arquivos somente com quem tivesse usando o LibreOffice nada que viesse de fora (criado a partir do Office da MS) entrava no teste e no fim foi um fracasso. O bug foi reportado e talvez daqui algumas versões iremos tenta novamente mas a principio só teve atraso e não deixo uma boa impressão pra todos que participo. (Os testes foi feito em um pequeno setor como dito e em planilhas simples com pouca formatação)

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Na maioria das vezes até o wordpad seria suficiente, em se tratando de texto. :joy:

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Na maioria das vezes apenas hábitos.

@YugiMoto acredito que todos esse problemas foi pelo fato de as planilhas terem sido feitas no Excel. Ou foi no próprio Calc?

Esse problema persistia na versão web do MS Office?

Tentaram também no WPS e/ou no FreeOffice?

As planilhas foram todas criadas diretamente do LibreOffice (LO) e o problema acontecia também no MS Office versão web quando as planilhas são criadas diretamente do LO, quando a gente criava uma planilha diretamente do Office da MS isso não acontecia.

Não somente no LO, como disse estava tomando muito tempo da gente e estava atrasando muito trabalho e acabo que não deu pra leva os testes mais a diante, mas pretendemos volta e testa eu mesmo não vi diferença de uso entre o LO e o Office da MS somente esse bug que impossibilito mas pode haver uma diferença entre os setores e por isso decidimos começa pelo setor de TI pra caso tivesse algum problema fosse mais fácil identificar de onde era a causa e não fica perguntando o que a pessoa fez ou deixo de faze.

Esse dilema de tempo x lucro x adaptação vai perdurar por muito tempo.
Não adianta você querer implantar algo que lhe trará pouca produtividade, sendo necessário um treinamento e, isto mais importante, knowledge tec básico do funcionários.
Fora a migração geral, que dá uma dor de cabeça forte.

Vc tem acesso a essas planilhas? Conseguiria fazer testes nos demais pacotes Office (WPS, Free e Only) extra oficialmente?

Tenho, vou faze os testes em casa com elas hoje a noite e vê como elas se comporta.

Que ótimo isso!

Meu foco com o canal Mestres em Linux é divulgar o open source para empresas, então ter consciência de qual pacote Office tem melhor compatibilidade com os arquivos da MS ajuda muito.

Pelo que já testei, o WPS tem a melhor compatibilidade. Eu testei o FreeOffice e Onlyoffice, e a compatibilidade é bem ruim. Basta um arquivo de Power point mais elaborado que já demonstra isso.

Ouço muito se falar do WPS, outro dia até pensei em instalá-lo pra ver como é. Porém vi que é pago e não muito barato, apesar de ter uma versão gratuita, mas que não deixa muito claro qual a diferença com relação a versão paga. Outra coisa que me incomoda um pouco é a procedência do software. Podem me chamar de xenofóbico, mas não confio muito. Inclusive vi que tem versões em Snap em que foram desativadas formas do WPS se comunicar com o “lar”, por razões de segurança.

Isso não acende uma luz amarela alaranjada na cabeça de vocês? Ou eu estou sendo paranoico?

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Toda vez que vejo uma questão como essa, fico vai-não-vai, e em 99% das vezes acabo optando por passar batido.

Hoje, já olhei umas 10 vezes… tentei fugir… mas acho que vou acabar botando minha mão no fogo.

Em toda discussão como essa, existe um “sujeito oculto” ─ o capitalismo ─ que rege o que pensamos, dizemos etc.

Repetir todas as falas do capitalismo é considerado normal. É como se fosse a própria realidade. ─ Falar qualquer coisa fora do discurso do capitalismo, aí já é vandalismo. É “ideologia”.

(Como se repetirmos todas as falas do capitalismo, não fosse).

Dadas essas premissas, nenhum debate consegue ir a lugar nenhum. ─ No máximo, se algum argumento causar constrangimento, cairemos no célebre… “vamos aguardar” ─ que é sempre uma boa saída, para encerrar (quando complica), e deixar para outra ocasião (onde talvez se possa prosseguir, sem argumentos constrangedores).

Não digo isso para criticar nenhum dos colegas que se exprimiu até agora, muito menos o OP que colocou a questão. ─ Nasci e cresci no capitalismo, aprendi que “o homem” iria conquistar o espaço, e que “a ciência” iria descobrir a cura do câncer, e que “a medicina” nos faria viver mais de 100 anos, na maior saúde e felicidade. ─ Hoje, nenhum dos colegas há de discordar, se eu fizer um adendo… “para os que possam pagar”.

Décadas depois, comecei a ler tudo sobre administração, marketing, empreendedorismo, coaching, downsizing, downgrading, resizing etc., ─ e vi que não existe “ciência” alguma nisso tudo. As palavras são esquivas, os conceitos são vagos, as frases “não fecham”, e assim por diante. ─ Se eu disser que é “tapeação”, “enganação”, receio que não estaria muito longe da verdade. Mas seria imediatamente apedrejado, claro.

Nesse meio tempo fui jornalista profissional, e percebi que todas as publicações são inteiramente comprometidas com isso. ─ Depois, surgiu a internet, e sonhamos com publicações “livres”. Até fiz uns sites, depois experimentei LAMP com vários CMS (que acabam exigindo muita habilitação técnica), por fim migrei para os blogs gratuitos, pois hoje valorizo o sossego e a tranquilidade. ─ E percebi que o tal “SEO” (leia-se: obedecer ao Google) reduz o “empreendedorismo” de milhões de ingênuos a uma servidão perante enormes corporações globais.

O blogueiro que tenta “alcançar resultados” não passa de um uberizado de bicicleta, trabalhando para gerar lucro para outros, em regime que pouco se diferencia da escravidão ─ física, para o entregador em sua bicicleta amarrada com cuspe e barbante; moral e intelectual para o blogueiro obediente às novas exigências, diariamente impostas pelo Google.

O blogueiro terá de abrir mão de qualquer “ideia”, que pudesse ter, para se dedicar ao “assunto popular do momento” (e aí, um colega pergunta, “uai, cadê os usuários do openSUSE?”… o Gato comeu! Se você precisa ganhar um mínimo, no final do mês, fale do Ubuntu, Mint, no máximo, Manjaro). ─ Depois, terá de abrir mão de critérios técnicos, e “apostar” em fofocas e futricas, tipo, “Descoberta brecha de segurança XYZ”, de preferência com linguagem assustadora. Se alguém disser que vivemos “a era do terrorismo”, não estará longe da verdade. O sucesso financeiro está diretamente ligado à execução de tarefas que despertem, alimentem e mantenham as pessoas +/- aterrorizadas.

O resultado é que, nascemos, crescemos, aprendemos… aquilo que os “publishers” são induzidos a nos oferecer. ─ E nossa tendência é “pensar”, “raciocinar”, em cima disso. ─ Não quero criticar ninguém, “pessoalmente”. Aos 20, eu achava que sabia tudo. Aos 30, tinha mudado radicalmente, e achava que agora, sim, sabia algo. Aos 40, comecei a perceber que quase tudo que eu “sabia” repousava sobre bases falsas. Aos 50… Aos 60… Bom, ainda não cheguei aos 70, mas aprendi a não confiar em nada do que, supostamente, “sei”.

Muitos pensadores da década de 60 já alertavam, mas é claro que naquela época eu não confiava em ninguém com mais de 30 anos, né. ─ Hoje, acho que a coisa toda é muito pior, do que eles advertiam.

Che faz guerrilha contra o capitalismo? Vira produto de consumo… do capitalismo!, em camisetas e tudo mais.

Vi discussões de todos os tipos. ─ Ah, precisamos “sair do sistema”, para atacá-lo, explodi-lo. ─ Não! Precisamos entrar nele, para agir dentro dele, amenizá-lo, mudá-lo, torná-lo humano… (ou, in extremis, explodi-lo por dento).

Foi nesse “contexto” que bravos rebeldes imaginaram, criaram, desenvolveram o GNU-Linux (entre outras coisas). Assoberbado pela ralação diária pelo feijão-com-arroz de cada dia, assisti de longe, na década de 90, e só pude tentar experimentar na década de 00. E já vamos a caminho da década de 20.

Em cada uma dessas décadas, “vi” o Linux ─ e a “filosofia do Linux” ─ de um modo diferente. A gente vai evoluindo (segundo a “mídia” nos diz para “ver” e “pensar”, claro).

É melhor eu não falar do Conselho da Fundação Debian, nem de tantas outras futricas, que todos vocês conhecem, até mais do que eu.

Flatpak, AppImage, Snaps ─ todos vocês já analisaram, discutiram, e sabem 1.000 vezes mais do que eu, sobre uma infinidade de aspectos “técnicos”. ─ O que nunca vi ninguém parar para pensar 1 minuto, é que isso quebra a “solidariedade”.

Por que iria “eu, desenvolvedor”, investir na consistência de uma distro, ou do Linux em geral, ─ se agora eu tenho uma ferramenta para meu “sucesso financeiro individual”?

E… desculpem o “textão”… chego à questão colocada pelo OP ─ “O dilema empresarial do software livre (Office)”.

É por aí que eu devia ter começado ─ já que esta foi a questão colocada pelo OP. ─ Mas é aí que, levando em conta tudo que escrevi (acima), até desanimo de tentar comentar.

“Empresarial”?.. “Software livre???”…

Que linguagem deveremos usar nesse debate? A linguagem do capitalismo? A linguagem do sonho do GNU-Linux? E se fugirmos um pouquinho, que seja, da linguagem do capitalismo, seremos acusados de “ideologia”? (como se a linguagem do capitalismo não fosse “ideologia”?).

Em suma, queremos discutir a questão, privilegiando o capitalismo? Vamos apedrejar quem ousar criticá-lo?

E aliás, existe alternativa ao capitalismo? Existe alguma perspectiva de “civilizá-lo” (pois é selvagem e sempre será!), amansá-lo, educá-lo, ensiná-lo a só usar faca para cortar bife na mesa?

Ok, não acrescento absolutamente nada de “concreto”, sobre a questão colocada pelo OP.

Mas se 1 ou 2 de vocês sentirem alguma dúvida, e questionarem 1 ou 2 aspectos do debate… acho que já terei contribuído, por pouco que seja, para o debate se tornar mais aberto.

Caso contrário, apenas ignorem.

Eu vou continuar ignorando aquele papo de “ain, uma torneira pingando é o fim do planeta”, ─ enquanto a água de regiões inteiras é desviada para um “mineroduto” destinado a levar toda a nossa “riqueza mineral” a preço de banana, para benefício de outros países.

Sim, é preciso questionar cada 1 daquelas coisas que nos parecem tão “certas”, tão “óbvias”. ─ Pois nunca sei, quem se beneficia de cada coisa que aprendi a achar que são “certas” e “óbvias”. ─ Todas que analiso, se mostram absolutamente erradas.

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Isso de ser mais ou menos produtivo é mito, a grande questão é praticidade no compartilhamento de informações, hoje em dia das pequenas até as empresas hipergigantes os setores são interligados, vc quer mandar um arquivo da recepção pro RH? Arrasta o arquivo pra uma pasta compartilhada e acabou… dá pra fazer isso com software livre sem um servidor dedicado e de forma simples ?