O Brasil está passando por um processo acelerado de desindustrialização?

Muito obrigado!

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Mas então @TiagoCardoso, esse não é um preceito do capitalismo?
Se faz negócio apenas pensando no melhor retorno.
Em um momento a Ford entendeu que era bom para seus acionistas ter montadoras no Brasil e entram forte em negociação com o estado com isenções fiscais para instalar suas plantas de montagem.

Agora, de alguma forma, a Ford não esta tendo o retorno esperado, ou previu que em um tempo “x” este retorno cairá e decidiram se retirar.
Claro que teremos grande impacto e temos que nos reinventar para supera-los.

Pesquisa e desenvolvimento, deveria ser uma pauta mais recorrente no nosso bairro, município, estado e país. Sermos realmente desenvolvedores de soluções, não apenas importadores e montadores. Acredito fortemente que esta é uma atividade que parte do Estado. Não comparando, mas vemos outros países em que a mão do estado o impulsiona, um exemplo Coreia do Sul. Embora tenha grandes empresas, tudo iniciasse na base, na educação, na formação.

Vou continuar lendo as respostas e de repente escrevo novamente.

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Não tenha dúvidas disso e cabe a cada um refletir criticamente sobrre.

Term que partir de pessoas não do Estado, Estado tem facilitar com menor burocracia possível e depender do que for podem financiar como acontece em outros países. Aqui na minha cidade tem duas unidades da ETEC estudei em uma delas inclusive, existe um projeto chamado emcubatec onde construíram um prédio no terreno da escola para servir de encubadora para startups no prédio existe computadores salas de reunião, banheiros e até CPD? As pessoas podem se escrever suas ideias e se aprovadas poderia abrir uma empresa lá dentro. O projeto existe a uns 5 anos sabem quantas ideias foram inscritas lá? somete 3, Exitem um enorme falta de interesse por parte das pessoas a maior parte prefere ficar vendo fofoca em rede social.

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@tiagoquintino acho que vc acertou no comentário.
Veja, continuo a entender que o Estado deve fomentar, mas tem que partir do povo.
Como se organizar adequadamente?

Outra parte do seu comentário é que preferem ficar em rede social vendo fofoca, como mudar este cenário? Depende mesmo apenas da pessoal ou se desde pequeno ele fosse instigado a usar a criatividade não seria bacana?

Cara, acho muito complexo eu ficar falando que “isso e aquilo”. Entendo que a discussão é bem espinhenta.

Vamos pensar na esfera municipal: aqui temos o recolhimento do ISS e IPTU. Dado esses tributos, como uma cidade pode se tornar referência? O que ela produz? Qual é o plano diretor deste município?

Olha acho que vai longe. Inclusive este post me incentivou mais ainda a avaliar minha cidade. Vou estudar um pouco, e quem sabe, escrever aqui algumas coisas.

Abraço

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Acho que, ao contrário do Brasil, a China soube administrar a transferência de conhecimento para a indústria local. Quando empresas americanas decidiram fechar suas fábricas nos anos 70 a 90 para se beneficiar da mão de obra barata da China, se esqueceram de que por lá, o direito autoral e a propriedade intelectual não são protegidos como nos países desenvolvidos. Resultado: ex-funcionários, engenheiros, gerentes e diretores de empresas americanas e européias com produção na China abriram suas próprias empresas, fábricas e indústrias, utilizando o conhecimento adquirido com os antigos patrões para desenvolver produtos mais baratos e muitas vezes até melhores, obviamente com total apoio e incentivo do governo, afinal a China não é um país capitalista livre onde qualquer pessoa pode abrir sua empresa e investir no seu negócio. Como em qualquer ditadura comunista, só se pode enriquecer com autorização do governo.

Aqui, um ex-diretor de qualquer empresa grande, tenta criar sua startup, toma tanta pancada e sofre com tantas dificuldades, impostos e burocracia, que acaba sendo obrigado a desistir da sua ideia ou levá-la para o exterior. O brasileiro ainda insiste na divisão de riquezas, como se “a riqueza” fosse um commodity fixo que pode simplesmente ser dividido, esquecendo-se de que a riqueza de verdade, precisa ser construída, e ninguém vai ficar dando murro em ponta de faca, tentando ajudar a desenvolver quem só sabe retribuir com ingratidão. A figura do empresário no Brasil é demonizada, como se toda riqueza viesse da desonestidade, e todo sucesso viesse dos atalhos. O pior do Brasil, é o Brasileiro e essa cultura tóxica.

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É dever do Estado prover as condições necessárias para o desenvolvimento do país, e uma delas é fomentar a economia por meio de investimentos, parcerias entre o setor publico com o setor privado, políticas cambiais e monetárias que aqueçam a industrialização e o crescimento das empresas nacionais, investir em ciência, tecnologia e educação, etc.

O Estado tem que pavimentar o caminho para que o setor privado possa progredir a partir disso. É preciso um equilíbrio de forças e uma cooperação intensa entre o Estado e o mercado para que o país cresça.

Os países desenvolvidos só chegaram onde estão hoje por haver esse equilíbrio, onde o Estado provê as condições para o desenvolvimento de seu mercado. O Estado depende do setor privado, e o setor privado depende do Estado, uma cooperação entre ambos geram bons frutos para todos :v: :slight_smile:

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Se a indústria é de capital estrangeiro, ela só se instala na China conforme a estratégia econômica planificada vigente. Uma parte da China é fechada e ganha integrando as cadeias de supply chain das empresas que se instalam na China que não é tão fechada. Esse esquema pode ainda ter uma engenharia financeira sofisticada, sediada em Hong Kong.

Neste arranjo, nós temos três tipos distintos de políticas econômicas e de desenvolvimento, que são evidentes na divisão política do território:

  1. A política econômica de Região Administrativa Especial (RAE), como é o caso de Hong Kong, mais liberal e preservando o sistema legal e outros padrões herdados da ocupação britânica;
  2. A política econômica de uma Zona Econômica Especial (ZEE). Como eu citei Hong Kong, podemos considerar algumas mais próximas, localizadas na província de Guangdong, como Shenzhen, Shantou e Zhuhai. Vamos considerar Guangzhou também, apesar dela não ser bem uma ZEE;
  3. A política econômica do restante da China, que vai se entrelaçar com as RAEs e ZEEs, formando um complexo emaranhado de relações sociais, político-partidárias, estratégias de P&D etc.

Todo esse arcabouço sofisticado tem contribuído para a elevação do nível de renda do trabalhador, a complexificação do PIB e o desenvolvimento da infraestrutura.

A China adota um modelo econômico que não pode ser estudado pela ortodoxia ocidental. A abertura de negócios, como falei, deve respeitar a planificação, o que é bem diferente de fechamento total. Você sabia que Shanghai possui uma Zona de Livre Comércio, que reduz a tributação?


Zonas de livre comércio chinesas. Extraído de: 9 Steps to Starting a Business in China as a Foreign Company. Créditos: CGTN

Você pode dizer: “mas os chineses vão roubar minha propriedade intelectual e meu know how”, mas essa não é a leitura que nós, na periferia do capitalismo, deveríamos fazer, exatamente porque não estamos em posição vantajosa. A ideia é simples: você vai ganhar com as vantagens que a China tem proporcionado, como mão de obra altamente qualificada, logística de primeira linha, cadeia de supply chain incrível etc. Nada mais justo do que transferir tecnologia e ajudar a complexificar ainda mais a economia do país.

A lógica de que a China precisa ser muito rigorosa para proteger o investidor não se aplica. Ela é colonialista. Quem quer disputar o mercado interno e as vantagens chinesas, vai dançar a música indicada por Pequim. O Brasil deveria ser exatamente igual. A Ford está saindo do país e não temos nenhuma montadora que surgiu a partir da presença secular dela. Adiantou dar isenções gigantescas e adquirir um passivo ambiental gigantesco (como parte de um rodoviarismo que destruiu nossas ferrovias)? Não.

Tem algum país que rivaliza com a China no qual empresas existem sem autorização do governo? Eu não vou entrar na discussão moral sobre o sistema político chinês, porque eu não sou chinês. Como brasileiro, eu só posso resolver os problemas do Brasil. Os problemas dos chineses são resolvidos com os mecanismos existentes na China e, se estes não forem suficientes, nós, da América do Sul, estaremos em posição privilegiada para acompanhar as crises (mas sinto dizer que não temos tido a oportunidade de acompanhar crises sérias na China, já a recíproca não é verdadeira).

Ninguém é obrigado a ser cobaia ou subsidiador de empreendimento furado dos outros. O Brasil é uma democracia, mesmo que falha: se o ambiente de negócios tem problemas, é preciso detectá-los. O modelo tributário brasileiro penaliza quem é pobre, não quem é diretor de empresa grande. O diretor paga proporcionalmente menos no consumo em comparação com o pobre. O diretor pode receber lucros e dividendos, que não são tributados. O diretor tem capacidade de diversificação do portfólio de investimentos, com exposição a uma imensidão de ativos, reduzindo sua vulnerabilidade. O Brasil tem um Estado combalido e com baixa capacidade de atuação, de forma que é muito frouxo em tudo, mesmo sendo burocrático.

A verdade é que o Brasil é bem liberal. Se está difícil empreender, é porque está faltando Estado para proteger o empresário pequeno do oligarca que quer viver de renda, evadir divisas e consumir pagando proporcionalmente pouco imposto. Se está difícil empreender, é porque está faltando Estado para aumentar a competitividade em escala macro, dificultar a fuga de capitais e ser capaz de planejar os rumos do desenvolvimento, cobrando metas de um mercado que é, desculpe a franqueza, incompetente e pouco inovador, com pouquíssimas exceções. O Brasil tem flagrante guerra fiscal entre estados e municípios. Fala pra mim: qual ente federativo cobra inovação, transferência tecnológica e faz um escrutínio dos rumos empresariais privados junto ao Estado Brasileiro? Nenhum.

Barueri disputa com São Paulo baixando o ISS e temos lá uma série de atividades de serviços mais ou menos sofisticadas em Alphaville. Bacaninha para os padrões brasileiros. Fraco para os padrões chineses. Como eu garanto que aquele cluster distribua renda, atinja maior sofisticação e complexidade e possa parar em pé se todo o capital estrangeiro presente fugir? Ou melhor ainda, como eu atraio mais capital estrangeiro para alavancar negócios nacionais, que, sim, vão “roubar” propriedade intelectual e know how. E é “roubar” entre aspas, porque isso nada mais é do que um royalty justo pela exploração do brasileiro, tanto como força de trabalho, como consumidor.

Se for na base da promiscuidade fiscal e baixo poder de atuação do Estado, vira chantagem. Há geração de empregos sem compromisso real com o país. É exatamente o que vive acontecendo. O Estado isenta de impostos, doa terras e, quando começa a quebrar e ousa elevar o imposto, a fábrica ameaça sair. Então o Estado vai ficando menor e mais precário, com a sociedade varrendo problemas estruturais, que são produto direto disso, para debaixo do tapete. Se é para o Estado subsidiar o lucro alheio, que voa para a matriz em outro país, então ele mesmo monta a fábrica, oras. A JAC, que eu citei acima, hoje tem a VW como acionista, mas a majoritária é um governo local. É como se a prefeitura de Camaçari, na Bahia, fosse acionista majoritária de uma fábrica e a Ford, para poder entrar no mercado nacional, virou acionista com um compromisso X, Y e Z. Se a Ford tira o capital dela, não faz diferença. A Ford é quem perde.

Com todo o ambiente supostamente vulnerável, a VW saiu da China? Não. E tem muito mais montadora nacional lá. Foram elas que viabilizaram a entrada da VW, pois se não fossem elas e outras empresas bancadas pelo Estado, a China seria um país praticamente feudal ainda.

Mas aqui nós gostamos do modelo Brasil-colônia, porque não aprendemos com os chineses, que foram humilhados tendo o povo viciado em ópio pelos britânicos e foram forçados a abrir portos e cidades na base da pólvora, não só para britânicos, mas também franceses e portugueses. Essa parte do “liberalismo” inglês, regado a tráfico de escravos e venda de entorpecentes, muito economista ortodoxo não gosta de contar, mas nós, que cruzamos nosso caminho com as mesmas práticas ainda antes da independência, deveríamos saber e, sabendo, olhar para a China com outros olhos, principalmente quando nossa economia e ambiente político estão indo de mal a pior.

Quanto mais liberalismo o brasileiro pedir, mais pobre e vulnerável vai ficar. Enquanto o Brasil pede menos Estado, a China eleva o nível da maquinaria, o poderio militar e a sofisticação econômica. Pior, o faz colonizando a África para fins de garantia de matéria-prima e influência geopolítica, sem precisar dar um tiro.

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Ótimo tópico quando tratando dos fatos recentes do Brasil, mas partiu para hipóteses sobre qual seria a melhor ideologia econômica, ou seja, desvirtuado do objetivo inicial.

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