O Brasil está passando por um processo acelerado de desindustrialização?

A montadora Ford anunciou hoje (11/01/2021) que irá fechar todas as suas fábricas no país e que irá encerrar suas atividades produtivas. Nos últimos anos mais e mais empresas dos mais diversos segmentos fecharam suas unidades fabris (principalmente empresas nacionais) ou abandonaram o Brasil (transnacionais) e paralelamente cada vez mais produtos importados principalmente de origem chinesa tomam o mercado. Vivemos uma irreversibilidade da desindustrialização?

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Irreversibilidade não é para tanto.

O país tem reservas, capital e estrutura (ainda que não a ideal). Se houver vontade, há um jeito.

Mas sim, o país passa por uma desindustrialização acelerada principalmente por ideias economias já superadas mas que retornaram nos últimos anos

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A Ford ja vinha desligando funcionários desde 2013. Meu melhor amigo, um irmão para mim, trabalhou lá. O ex chefe dele falava, “Cuidado que o Brasil ta em decadência” isso lá em 2013. Ele estudou e foi morar no Canada. Desde então, empresas gigantes vem aos poucos saindo do País, Sony fechou o setor de celulares e vai fechar o de tvs, ou já fechou, Nintendo se mandou… E tem mais empresas desligando funcionários aos poucos… Oque estaria acontecendo no Brasil, pandemia é só uma desculpa… No HDI o Brasil cada ano que passa vem caindo… Responsabilidade de quem cuida? Assunto extremamente delicado para se discutir. Eu só acredito em 4 empresas no Brasil que vem ajudando a melhorar a educação do povo brasileiro: Diolinux, Adrenaline, Canaltech e IAS (Instituto Ayrton Senna). Espero que eu descubra mais empresas e que o Brasil de a volta por cima. Vamos continuar a lutar. :vulcan_salute:

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Esse é o ponto: são centenas de empresas que já abandonaram ou ameaçam abandonar o Brasil, fora as próprias brasileiras que não estão indo para frente e apenas importando componentes ou simplesmente falindo.

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Acelerado? Eu acho que já tem uns bons anos já.

Manter uma empresa no Brasil é muito caro, tem imposto demais e muita insegurança jurídica. Quem tem empresa aqui é corajoso.

O Brasil acaba dando importância demais ao agronegócio e deixa o resto de lado. Por enquanto estamos bem, mas conforme a tecnologia avança, outros países começarão a ser capazes de produzir alimentos sem precisar importar do Brasil.

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  • Insegurança jurídica
  • Burocracias
  • Poder centralizado
  • Briga entre os poderes públicos e prevalência dos interesses individuais sobre os interesses do povo
  • Zero corte sobre os privilégios políticos
  • Infraestrutura porca
  • Baixíssimo investimento em pesquisa e inovação
  • Baixa liberdade econômica
  • Péssima produtividade do povo brasileiro
  • Dificuldades de se empreender
  • Nível educacional baixo

Não é nem surpresa que o Brasil só vai ladeira abaixo.

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Assino embaixo, juntamente por causa desse trecho

Briga entre os poderes públicos e prevalência dos interesses individuais sobre os interesses do povo

A problema não esta somente no comando mais quem esta loga baixo segurando as rédeas por pura picuinha e interesse e jogo politico (Congresso nacional ) ou seja, se não faz parte do sistema ja era. enquanto isso brasileiro fica assistindo esse circo e la se vai mais 4 anos perdidos, sem contar que Brasil também sofrer com interesses externos e juntando as demais fatores que vc citou é só ladeira a baixo mesmo, um pais de 3ºvendendo matéria prima barato e sendo um curral para o mundo.

Resta saber como vai ficar o cenário mundial agora com a eleições Americanas com Baiden ja em fevereiro devemos ver como vai ficar o dolar.

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Levando em conta que a mão de obra especializada também está saindo do Brasil. A pandemia só acelerou um pouco o processo.

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Até a Sony depois de décadas consolidada abandonou o Brasil, Mercedes-Benz acabou com a divisão de automóveis, agora só vans, ônibus e caminhões. Estou achando até um milagre a Tatra abrir uma fábrica depois de décadas de promessas.

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Pare e veja o cenário, Rio de Janeiro, governador e prefeito presos.

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Sim, o Brasil está passando por um processo paulatino de desindustrialização, que poderá agravar uma coisa chamada Doença Holandesa, processo no qual a economia fica funcionalizada em torno de uma ou mais commodities de baixo valor agregado. Na América Latina, um exemplo clássico de país que sofre disso é Venezuela, que possui tecido industrial extremamente frágil e tem um histórico de altos e baixos políticos e sociais ao sabor do preço do barril de petróleo.

Quanto à competitividade chinesa, como parte do processo de desindustrialização, bem… talvez deveríamos olhar mais para a China e menos para os Estados Unidos. Talvez deveríamos olhar mais para o tipo de política desenvolvimentista do Estado Chinês e menos para a picaretagem de índices como o Heritage. Talvez deveríamos falar mais em dual-track system e menos em Teoria da Dependência.

O Brasil confunde produtividade com superexploração. Patina muito para discutir tributação, não raramente atacando os alvos errados e provocando erosões nos serviços e setores essenciais.

Qual o legado da Ford? Nenhum. Legado de isenções fiscais, montagem de produtos abaixo dos padrões europeus e só. Se pensarmos numa Escola Californiana, quais foram os contratos sofisticados realizados entre a Ford e o tecido local, que resultaram em transferência de conhecimento, com o surgimento de um ecossistema capaz de influenciar os produtos e, até mesmo, produzir concorrentes? Nenhum, não teve nada disso. Enquanto isso, na China, a BYD passou de uma simples fornecedora da Motorola para uma gigante em veículos elétricos.

É simbólico citar a BYD de hoje e olhar para a China de ontem, que importava carros como o Santana quando o Brasil tinha empresas como a Gurgel e algumas outras de foras de série. A Gurgel faliu e a China hoje exporta carros superiores a qualquer coisa que a Gurgel sonhou fazer, incluindo modelos elétricos da BYD e outras empresas (para a tristeza de quem conhece a história da Gurgel, que insistiu em projetos de elétricos quando ninguém dava a mínima).

Como o Brasil patina muito na discussão do papel do Estado, acaba sendo atropelado por outros países, que começam a comprar negócios de infraestrutura ou explorarem o mercado doméstico. Aposto que muita gente não sabe que a JAC é estatal.

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Excelente reflexão.

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não há um único país desenvolvido que não conquistou esse posto sem uma forte atuação do estado. Desde a inglaterra pré-revolução industrial até os exemplos mais recentes da China e Coréia, passando por quase toda Europa e os EUA.

E a guerra do Trump com a China não é a toa, eles sabem que vão perder o posto de maior economia se o estado não fizer nada.

E o Brasil no meio disso escolhe seguir por políticas econômicas que vão na contramão do que esses países fizeram/fazem. Mas antes de tudo vale a pena perguntar, por que? Por que escolhemos esse modelo?

e sim acelerado, pois apesar do processo ter começado a dar as caras em 2013, ele só foi posto definitivamente nesses últimos anos.

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O mais engraçado disso é, o Comando do País quer isso. Um povo super confuso, cada um com sua própria opinião, gerando confusões e brigas e nenhum resultado. Dai dificulta encontrar onde está o problema. É bem mais fácil passar a perna em um monte de gente confusa do que num povo organizado. O mau da liberdade em excesso.

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Esse é outro ponto importante. O Brasil tem hoje uma capacidade ociosa grande. Mas empresario não investe por causa de uma reforma aqui ou outra ali. Quer dizer, antes era a reforma trabalhista, depois a da previdência, agora do funcionalismo público. Enquanto isso o dólar que prometiam a R$2,00 bate os 5 com sinal de ir a 6, 7.

Mas como disse, sabendo aproveitar a capacidade ociosa, com a qualidade técnica que o brasil tem, há solução. Não é questão de abandonar o barco.

Citaram a venezuela e é bem isso. Os caras dependem enormemente da pdveza e quando tiveram a chance, não diversificaram a economia. O Brasil ensaiou isso mas agora estamos voltando para a soja e o milho

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Pois é. Parece óbvio, mas é tabu. Mesmo com a rotulagem que deprecia a ciência brasileira, principalmente o campo das Humanidades, eu precisei ler de tudo na Federal do ABC, de Smith, Weber, passando por outros nomes que compõem a Nova Síntese Neoclássica, a autores menos conhecidos no Brasil, como Gleiser e Storper, da Escola Californiana, estudei muito pouco Marx, tendo mais contato com Celso Furtado e Bresser-Pereira, por opção minha, tive ainda contato com nomes como Joan Robinson, pouco conhecidos por quem não envereda pelos corredores heterodoxos das Ciências Econômicas. Também estudei a ascensão da China à posição de potência, tendo contato com mais uma série de autores.

Com tudo isso, eu tendo a achar que o Brasil é, em muitos sentidos, extremamente liberal e em outros, extremamente corporativista, geralmente para preservar a manutenção do que poderíamos chamar de uma concentração de riqueza associada a baixo esforço, ou de herdeiros avessos à participação no mercado.

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se quiser se inteirar na vanguarda da teoria economica hoje em dia, sugiro procurar ler sobre os neokeynesianos como paul krugman mas também algumas outras escolas como schumpeter e agora a economia comportamental são uma boa pedida

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Estamos assistindo a uma corrosão da classe média, em parte, por escolhas dela mesma. Isso vai significar um encolhimento da capacidade de compra do mercado interno, ou em outras palavras, numa população mais pobre, com uma maior divisão entre ricos e pobres, o que vai dificultar a sofisticação produtiva. Quem não tiver uma renda média em patamares relevantes (em dólares dos EUA), vai ficar refém de uma oferta bem fraca de produtos (e também não vai ter renda para comprar muita coisa).

Estamos insistindo em reformas com caráter regressivo e não progressivo. Tudo isso enquanto duas coisas acontecem: (i) perda da oportunidade demográfica, com mudança no formato da pirâmide etária, o que vai aumentar a pressão sobre um Estado cada vez mais combalido em prol dessas reformas; e (ii) ampliação das tecnologias de criptomoedas, que facilitarão ainda mais a sonegação. Acumulamos décadas deixando de tributar adequadamente e, cada vez mais, vai ser mais difícil tributar.

Tive contato com Krugman (pouco), Schumpeter (mais frequente) e também com Piketty e outros nomes. A UFABC é bem rica na oferta de literatura. Meu sonho era poder ter mais tempo para absorver mais e melhor os livros, porque sinto que estamos muito atrasados na discussão.

Uma democracia não tem comandantes, só representantes. Não acho que o povo é confuso, acho que é refém de superestruturas que são muito difíceis de serem rompidas. E, com isso, não estou querendo dizer que o nível político é bom, eu não acho que é bom, acho que a representatividade é ruim (gabinetes ruins de serviço, incompetentes, desqualificados), mas é um sistema complexo, retroalimentado. E, sim, a liberdade tem seus desafios.

Já a questão de localizar os problemas, bem… a produção acadêmica é exuberante. Ela não aparece muito nas mãos da mídia hegemônica, mas discussão de problemas nós temos aos montes. Celso Furtado tem centenas de páginas (muitas já amareladas) discutindo problemas estruturais da economia brasileira, que podem ser complementadas por leituras como “Os Donos do Poder”, de Raimundo Faoro.

Tenho certeza de que é possível articular todo esse arcabouço. Deveríamos caminhar nessa direção, indo na contramão de conspirações. Eu tenho acumulado algumas experiências mais voltadas para a minha área de atuação, que é o planejamento urbano. É bem difícil elevar o nível do debate, bem difícil mesmo, ainda mais sem os recursos que os mandatos possuem (e geralmente empregam muito mal).

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Minha opinião e ultimo comentário meu neste post :joy:

Quem comanda o Brasil, não precisa nem de escolaridade… Então já viu, É mais ou menos que “Confiar uma criança para dirigir um automovel numa cidade ou rodovia…” ou “pilotar um avião”… Imaginem várias pessoas cultas e super inteligentes sendo Comandadas por crianças e semi analfabetos… Que coisa naum…

A maior falha está na Educação Precária e Proposital, “Quanto mais pobres, mais ricos ficam os ricos.”

Por isso eu invisto o máximo que posso em instituições que acredito ser de qualidade para nossa Educação.

:no_mouth:

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