Novos padrões: Android é o novo Windows?

Por muito eu vi discussões referentes a familiaridade de sistemas operacionais Linux para computadores pessoais. O argumento que mais vi se repetir nesse período é o de que os ambientes que se assemelham ao Windows são os mais familiares e eu realmente pude ter várias confirmações em várias situações diferentes.

Captura de tela de 2021-05-11 13-21-03

Exemplo de alguém que preferiu o KDE Plasma ao GNOME.

Entretanto, com o passar do tempo e com o surgimento de uma nova geração, vejo que algumas coisas estão mudando. A disposição, workflow e comportamento geral do que é julgado como familiar para um sistema de um dispositivo pessoal está mudando.

Em minha convivência com adolescentes e até mesmo crianças, percebe-se nitidamente desinteresse para com computadores de mesa e notebooks. Por outro lado, nota-se uma dependência dos mesmos pelos seus smartphones.

Em um momento que me deixou sem reação, meu irmão mais novo, 9 anos, ao meu ver trabalhando usando o Fedora Workstation (GNOME 40) como sistema operacional, disse…

Pedro, como eu faço isso no computador? Como se fosse um celular, mostrando tudo que está aberto? Assim é muito melhor. O computador de papai não é assim, é muito ruim. Olha ai! Você consegue até ver todos seus aplicativos!

Na idade de meu irmão caçula, eu estava desdobrando o Windows XP o máximo que podia, já ele cresceu com um celular Android na mão, utilizando raramente um computador de mesa (Windows 10) que comprei para meu pai.

Após isso, motivado pela curiosidade, procurei conversar com jovens e mostrar despretensiosamente o mesmo Fedora que gerou a fala de meu irmão caçula.

Em uma faixa etária de 11 a 20 anos, deparei-me com jovens que no máximo tinham notebooks, sendo smartphones e tablets os dispositivos mais predominantes. Nenhum teve ou tem um computador de mesa. Para aqueles que trabalham, é justamente no trabalho em que eles possuem maior contato com um computador tradicional e como consequência, o Windows 10, 8 ou 7. Vale citar que são jovens que se enquadram na classe média, sendo os mais velhos recém formados no ensino médio ou calouros em suas respectivas faculdades.

Para a minha surpresa, todos tiveram facilidade e rápida adaptação ao Fedora com GNOME 40, como se já soubessem o que fazer, indiferentemente da breve explicação sobre o funcionamento que dei. Realmente, uma surpresa, porque é a experiência oposta da que tive quando experimentei o GNOME pela primeira vez.

Esse computador é mais simples do que o que a gente usa aqui na empresa. Aqui você aperta e tem o que você tem aberto, é tipo o Android. Acho que é mais fácil assim.

Descrição de um rapaz de 18 anos que trabalha em uma Auto Peças.

Essa pequena experiência movida pela minha curiosidade me fez pensar que estamos chegando em um ponto de transição, não só de geração de usuários, mas da tecnologia em si.

Curioso, não? O que vocês acham disso? Estão se sentindo velhos como eu estou? O que acham dessa mudança de padrões que está ocorrendo?

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Realmente, também percebi que essa geração que cresce com Android, tende a ser mais familiarizado com interfaces com maior atenção a acessibilidade.

Desktop ativo, manu global, tray icon, menus em cascata…estas coisas entram tudo no balaio do “desktop legacy”.

Os tempos mudaram / estão mudando assim como nossos hardwares e nossas necessidades de como interagir com softwares…

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Para muita gente sem dúvidas já é.

E eu que sou do tempo do Windows 98, acho muito estranho apps desktops feitos em flutter.
Esse designer flat dos apps mais novos similar aos apps de celular me encomoda. Sou do tempo da janela cinza com menu pricipal e barra de ferramentas.

Já pro pessoal mais novo isso faz todo sentido apps flat no celular e apps flat no desktop.


Um exemplo é o VLC, vi a notícia aqui no forum que a interface dele seria modificada… Varias pessoas comentando a favor disso, e eu pensando comigo: “pra que mudar… a interface é tão boa e intuitiva.”


O futuro não é Android nem Windows nem Linux… O futuro é uma plantaforma de desenvolvimento que seja Cross-platform nativamente com um código único do app que será distribuído para todos os SO. Do ponto de vista financeiro é muito mais lógico manter apenas um único código fonte e distribuir ele em todos os SO e arrecadar dinheiro onde for possível.

O padrão será flutter e kivy, etc …

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Esqueumorfismo>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>flat.

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Tenho 24 anos, então não sei se me encaixo entre o público que você descreveu. Cresci usando apenas Windows (XP, 7 e 10) e tive meu primeiro smartphone Android apenas quando estava quase iniciando o ensino médio.

No começo do ano passado usei o GNU/Linux pela primeira vez após assistir a um vídeo do Diolinux. Tive uma breve (muito breve) experiência usando o Fedora e instalei logo o Ubuntu. Em poucas horas eu já estava amando o GNOME e achei ele simples e fácil de compreender.

A realidade é que o GNOME pode “assustar” usuários de Windows pela aparência, mas tudo nele é montado e posicionado de forma muito lógica. Acho a dinâmica dele muito mais natural que a do KDE ou mesmo a do próprio Windows.

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Isso nunca foi surpresa pra mim, é simples de entender: A metáfora do desktop não foi planejada, ela era (é) um protótipo que foi vendido como se fosse um produto final, não é natural, é inumana e antinatural… A interface do Android por outro lado até gatos usam (e não, eu não tô zoando) é natural, ninguém quebra a cabeça pra usar

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Estes tempos vi um review no Macbook com o Chip M1, e uma coisa me chamou a atenção quando eles falaram do sistema da Apple, “as configurações ficam em cima, estilo android/iphone” sendo um comentário positivo, na hora lembrei do Gnome, me perguntando se teria este mesmo comentário se fosse apresentado a estes um linux

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Provavelmente depende a pessoa. Caso ela já tenha algum pré-conceito com o termo “Linux” por qualquer motivo, a experiência tende a ser pior, porque a mente acaba focada em achar os problemas, ao invés de contemplar os elementos que poderiam ser melhores.

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Isso é para min e questão de abito, assim como tem gente que acha o gnome estranho por anterior mente usar windows, quem tem experiencia com um android ou ios vai se identificar com o gnome por ser mais parecido.

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Eu diria que sim, mas se fosse o GNOME 40, os anteriores não lembram tanto o Android… Acho que dependeria também de como for apresentado

Faz sentido, e o caminho natural. No meu caso uso Xubuntu com uma customização parecida com o Win10 e o Ubuntu com a customização voltada pro Material Design (Android), eu e to justamente na faixa de transição.
Provavelmente o futuro do desktop vai ser muito influenciado pelo smartphones e telas touch, ja que boa parte das pessoas hj em dia dependem mais do celular do que do computador. Fora que tbm os celulares são mais acessíveis .

Concordo plenamente, flat nunca vence. (Até rimou XD)

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Me lembrei desses sistemas android pra Desktop, é que nem falei em outro tópico, alguns trazem uma experiência mais familiar pra quem nunca usou, por isso que eles tem uma interface bem Windows-like.

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Essa coisa de “natural” e “intuitivo” tem que ser bem definida.

Antes da computação as tarefas diárias dos seres humanos sempre existiram. Então para mim, algo que vemos no mundo virtual que reproduza essas tarefas, classificaria como “natural” ou “intuitivo”.

Intuitivo para mim são coisas como:

  1. Ver um ícone onde tem as operações básicas e deduzir que aquilo é uma calculadora;

  2. Ver um ícone que parece um telefone e deduzir que aquilo é para fazer chamadas;

E assim por diante. Ou seja, é natural aquilo que reproduz o que já estamos acostumados na vida diária ou no qual já temos um parâmetro.

A meu ver, nem Gnome, nem Windows e nem KDE; nenhuma interface dessas é “natural” e “intuitiva” seguindo a definição que fiz acima.

O que acontece é que hoje em dia é comum praticamente todos terem um celular. Celular(smartphone) se tornou até mais necessário que um computador(desktop ou laptop) pois tem muita gente que trabalha vendendo algo e precisa de um mensageiro, precisa achar uma localização. Celular se tornou o centro das tarefas cotidianas modernas.

Android e iOS se assemelham muito. Muitas pessoas nasceram já usando o celular primeiro e muita outras usam mais o celular que um laptop/desktop.

Tendo isso em vista, desse ambiente se tornar usada, diria que ele formou um hábito. O Gnome ser mais parecido a um Android pode facilitar o uso para muitas pessoas, mas não diria que o Gnome/Android são “naturais” ou intuitivos. Apenas diria que eles são ambientes nos quais os usuários estariam acostumados.

Essa discussão de natural, intuitivo, é muito longa e precisa ser muito bem definida. Mas resumindo:

Não acho que Gnome seja mais natural, mas sim que ele já é mais parecido ao uso habitual

E respondendo à pergunta do título, diria que sim, Android é o novo Windows no sentido se ser o “novo padrão” para as coisas.

Aproveitando o gancho…

Acho, em certa parte, um erro tentar reproduzir ambientes de celular em desktops. O ambiente é outro, tem suas particularidades, cargas de trabalho diferentes, estilos de trabalho diferentes… Por isso a meu ver essa integração deve ser feita com cuidado.

Não gostava e ainda não gosto muito do desktop estilo Windows, por causa de aproveitamento de espaço da tela, mas sinceramente, acho que a ideia do Gnome de ficar fazendo aquelas animações de reduzir a tela para acessar outro app e depois maximizar é algo que vai tirando tempo. Sou mais clicar em um ícone.

Ainda não vi nenhum teste confiável e muito bem formulado, em termos metodológicos, para saber qual seria o modelo de interface que daria mais eficiência para determinadas cargas de trabalho: Windows-Like(KDE) vs Adroid-Like(Gnome).

Eu apostaria que o Windows-Like ganharia na maior quantidade de cenários.

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Para mim quando vou usar Gnome por algum motivo, sempre parece que o sistema está me pedindo uma tela touch screen para usar os dedos e eu que uso mais computadores do que smartphones e venho da experiência tradicional da computação sinto um desconforto nesse uso, que deve fazer sentido para quem cresceu principalmente tendo o celular como referencial de tecnologia (como muitas crianças e adolescentes) ou cujo primeiro aparelho “inteligente” foi um celular (idosos por exemplo, que em sua maioria por conta das mudanças da sociedade atualmente tem muito mais contato com um smartphone do que com um computador).
Vejo muita crianças que é fera em celular e tablet ou idoso que se vira bem com celular ficar perdido em um computador se não tiver auxílio. Creio que tudo é uma questão de referencial, isto é, o padrão de uso com o qual se acostumou. Eu ainda prefiro em um computador tradicional uma experiência também tradicional.

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É tudo uma questão de hábito. Eu sempre estranhei o Gnome, achava esquisito a primeira vista. Mas era porque eu sempre dava aquela testadinha, não usava no dia a dia.

Bastou eu usar uns dois dias, para eu achar tudo intuitivo, a ponto de que quando ia usar Windows, eu me via levando mouse no canto para ver o overview…

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Windows 8, você poderia ter chegado mais tarde.

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