Mudar do Win 11 para Linux

Em relação ao aplicativo de área de trabalho (Desktop) do certificado digital em nuvem SerproID, a versão 2.1.5 fornecida pelo Serpro para Linux (https://serproid.serpro.gov.br/downloads/) tem suporte oficial apenas para o Linux Ubuntu 22.04 (e possivelmente seus derivados, como Linux Mint 21). Eu tive problemas ao tentar instalar o aplicativo numa versão mais nova do Linux Mint (22.2), o certificado em si funciona mas o instalador não, por não ter sido atualizado pelo pessoal do Serpro para versões mais recentes do LInux. Para mais detalhes a respeito do problema, e um passo-a-passo de como usar o SerproID no Mint 22.2, veja minha postagem no tópico a respeito do assunto aqui no Diolinux: https://plus.diolinux.com.br/t/problemas-para-instalar-o-serpro-id-no-linux-mint-empacotamento-antigo/78046/2?u=linux-friend

Assim, se para você for importante o máximo de compatibilidade com programas e drivers que são atualizados pouco frequentemente pelos fornecedores, como é o caso do certificado digital da Serpro, pode não ser recomendável adotar uma versão do Linux que atualize com muita frequência. Mais interessante provavelmente é uma distribuição com suporte de longo prazo (LTS), por exemplo por 5 ou até 10 anos, na qual a essência do sistema é mantida inalterada, com priorização das atualizações de segurança e que não comprometam a compatibilidade com drivers e programas de terceiros. O Linux Mint 21 é um destes exemplos (LTS), com suporte planejado até 2027, enquanto o Mint 22, também LTS, tem suporte de atualizações até 2029, tempo suficiente para que o Serpro e outros provedores atualizem as versões dos seus softwares para usuários do Linux.

Por último, mas não menos importante: a decisão de fazer dual boot vs substituição total do sistema depende muito das suas necessidades e do tempo que tiver disponível para aprimorar a instalação e solucionar problemas que possam surgir com cada uma das duas opções. Já segui as duas estratégias (obviamente em épocas diferentes). Existem mais opções além destas duas, então eu fiz uma lista de 6 opções diferentes, e das suas vantagens e desvantagens:

  1. DUAL BOOT: Você escolhe se quer dar boot no Linux ou no Windows, um de cada vez (pode particionar o disco do sistema / SSD para acomodar o Linux, ou instalar cada sistema num SSD separado, escolhendo na BIOS qual deles quer dar boot, ou, de forma mais prática, deixar o Grub ou o Ventoy te apresentar uma lista a cada boot para que escolha qual dos sistemas iniciar). Vantagens: cada sistema roda de forma nativa, continuando a dar boot no Windows quando precisar fazer uso de programas que rodam exclusivamente, ou, com performance muito superior, no sistema da Microsoft, e dedicando parte do tempo ao uso do Linux para ir se familiarizando aos poucos e quem sabe futuramente adotá-lo como seu principal sistema. Tendo acesso aos seus dados / arquivos num SSD externo, ou mesmo em Nuvem, permitirá a sincronização entre ambos os sistemas, embora o Linux teoricamente seja capaz de acessar com leitura e gravação o armazenamento Windows que não esteja criptografado pelo BitLocker e nem bloqueado por hibernação / desligamento rápido do windows. Desvantagens: Não poder usar os dois sistemas simultaneamente.
  2. WINDOWS como máquina virtual (“convidado”) dentro do LINUX: Usando o Virtualbox ou o Virtmanager (QEMU) num computador que está rodando Linux, é possível instalar o Windows numa janela dentro do Linux, fazendo tudo o que pode ser feito no Windows (usar o Microsoft Office, AutoCAD, etc…) sem ter que adaptar ou achar um programa substituto que seja capaz de rodar no Linux. Vantagens: rodar os dois sistemas juntos, compartilhamento de arquivos (precisa ser configurado para o convidado acessar o sistema anfitrião com o SAMBA). Desvantagens: pode não conseguir usar a aceleração gráfica de hardware (e.g. NVidia ou similar) no convidado, pode ser mais complexo para instalar e configurar, o computador tem que ter suporte a virtualização e espaço suficiente em disco e Memória RAM, pelo menos 8GB para não ter dificuldades, já que terá que compartilhar parte da RAM com a máquina virtual convidada.
  3. LiNUX rodando numa máquina virtual dentro do WINDOWS. Nunca utilizei, mas já ouvi falar que existe um “subsistema Linux” no Windows que permite a instalação básica de algumas distribuições Linux dentro do Windows. Além disto, há o VirtualBox , que pode ser instalado no Windows e assim criar uma máquina virtual Linux. Mesmas vantagens e desvantagens do item 2 (rodar simultaneamente, porém com maior exigência em termos de Hardware para permitir o funcionamento tanto do convidado quanto do anfitrião).
  4. Programas do Windows rodando dentro do Linux com o WINE: O Wine pode ser instalado no Linux para executar programas .exe ou .msi do Windows. Vantagens: caso funcione, é muito mais simples e rápido. Desvantagens: pode não funcionar corretamente, os programas windows podem ter comportamento estranho, erros ou nem abrir. Pode ser possível instalar softwares alternativos ao Wine, mas pagos (e.g. PlayOnLinux), com maior performance, mas não tenho experiência com esta opção;
  5. Rodar 100% LINUX e esquecer (na maior parte do tempo) o WINDOWS: Algo que pode ser pouco viável caso você dependa de softwares exclusivos do WINDOWS, mas quem sabe acabe descobrindo algo equivalente no LINUX que possa dar conta das mesmas tarefas…
  6. Continuar 100% WINDOWS. Considerando-se que você tem um computador que já roda o Windows 11, que é a versão ativamente suportada pela Microsoft (diferentemente do Windows 10, cujo suporte chegou ao fim em outubro/2025, sendo potencialmente prorrogável por mais um ano de forma gratuita para usuários domésticos, ou de forma onerosa para empresas), e você não precisa de nenhuma ferramenta ou aplicativo que rode exclusivamente, ou de maneira muito melhor, no Linux, por quê você não continua com o Windows 11?

Caso você tenha apenas curiosidade de conhecer o Linux, entender como ele é, como se parece na prática, sem realmente ter qualquer necessidade concreta de migrar de sistema operacional em curto prazo, pode ter uma certa ideia do sistema rodando ele a partir de um Live USB, o qual geralmente também funciona como instalador, caso em outro momento decida realizar uma instalação completa e assim sentir como o sistema realmente se comporta, sem as limitações impostas pelo sistema LiveUSB.