Jaron Lanier e o Código Aberto

Como todo mundo já sabe, Jaron Lanier foi um dos percursores do Vale do Silício, inventor da realidade virtual, desenvolveu o jogo Second Life e participou do documentário “O Dilema das Redes” da Netflix.

O que desperta a minha curiosidade é a opinião dele sobre o Código Aberto:

Os movimentos de software livre, desenvolvidos pela sabedoria das multidões, acabaram se tornando influentes, mas não promoveram o tipo de criatividade radical que eu tanto admirava na ciência da computação. Na verdade, eles têm representado obstáculos. Algumas das mentes mais jovens e brilhantes ficaram presas no contexto intelectual dos anos 1970 porque foram hipnotizados para aceitar antigos designs de software como se fossem fatos da natureza. O Linux é uma cópia refinada com a elegância de uma antiguidade - mais reluzente que o original, talvez, porém ainda definido por ele.
Não sou contra o software livre. Muitas vezes argumento a favor dele em vários projetos
específicos. Mas o dogma politicamente correto que afirma que o código aberto é por
definição o melhor caminho para a criatividade e a inovação não tem confirmação nos fatos. [Gadget, p. 127]

O que vocês acham dessa retórica dele? O software livre já criou algo totalmente inovador? Se já, quais foram?

não sou expert nisso, mas pra mim confundiu bife de caçarolinha com rifle de caçar rolinha.

Se este dogma existe, acho que não é necessariamente correto e universal para todos projetos open source. Como ele falou, existe projetos específicos que é a favor, então outros nem tanto, logo não dá para generalizar assim…

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Já! Se chama Linux e é usado em vários dispositivos e sistemas no mundo todo.

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Esse “dogma” é novidade para mim. As promessas do software de código aberto eram o compartilhamento de infraestrutura e de responsabilidade por vulnerabilidades de segurança, e eu vejo isso acontecendo; várias empresas deixam de competir por um momento e contribuem código e times de segurança não só para o Linux mas para outros projetos fundamentais como Curl, LLVM, OpenSSL, etc… Compartilhar peças assim em vez de cada empresa fazer a sua é a grande inovação do código aberto.

Acho até um pouco desonesto isolar o código aberto como “o” obstáculo à inovação no software. Por exemplo, o design de muitos processadores atuais é projetado para rodar “coisas dos anos 70”.


Na verdade, o Linux é o exemplo perfeito da crítica que o autor quis fazer. O padrão POSIX e linguagem C que não só o Linux como os BSD e vários outros projetos de código aberto usam e/ou obedecem são produtos dos anos 70.

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Engraçado que sempre de associa dogma ao software livre, como se o software proprietário também não fosse produto de dogmas, visões políticas e ideológicas. O software livre serve como base para a criação de várias coisas, pode não ser o produto final, mas pode ser sua fundação.

Existe também uma questão de financiamento, quantos desenvolvedores podem trabalhar full time com software livre fazendo contribuições para projetos ? Acredito que não seja a maioria, a maior parte do trabalho ainda é voluntário. Projetos de código aberto quando bem mantidos e financiados podem ir longe, vide o próprio Linux.

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Acho que o código aberto é muito bom pra essa questão. Mas na questão de qualidade do produto final é que deixa a desejar, por mais que a maioria dos desenvolvedores no mundo linux são remunerados por empresas interessadas no projeto, vejo que os software proprietários de drivers por exemplo são essenciais pra se ter uma boa experiência em desktop, principalmente em jogos.

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Discordo! Há inclusive vários vídeos no canal do DioLinux que mostram muitos games rodando bem melhor no Linux que no Windows no mesmo computador. A verdade é que os drivers de código aberto (intel e amd) já são bastante eficientes e maduros, quanto aos da Nvidia tmb já tem as principais funções implementadas e o pouco que não tem seria mais como “perfumarias”.

Isso ocorre mais por causa da atitude das fabricantes do que por causa da ideia de código aberto em si. Parte das coisas que faltam no Nouveau, por exemplo, é porque a placa só é “destravada” completamente com uma assinatura digital, logo, nem se eles tivessem dinheiro e documentação, eles iriam alcançar o driver proprietário sem autorização da Nvidia (que, devido à segmentação de mercado embutida nos drivers, tem pouco motivo para abri-los ou permitir drivers alternativos).

A atitude da Nvidia é o oposto da da Intel e da AMD. Parte do driver de código aberto dessas duas empresas é feito pela Valve e Red Hat, e o driver feito “em equipe” frequentemente supera o respectivo driver fechado em jogos (além do suporte a Wayland ter chegado a esses drivers literalmente anos antes).

Para o público que joga, conseguir sair do modo de economia de energia é bem mais que mera perfumaria.

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?
Config no driver:

image

Configs no Kernel: AMD, Intel (GameMode)

Configs do Gnome:

O problema dessa fala é q não se vê a complexidade do Linux, como ele citou, vou usar como exemplo.
Linux não é um programa q roda q pode ir se atualizando conforme as tecnologias avançam, ele é um kernel, q ganhou o mercado, e recebe apoio para se atualizar, não se pode pegar uma linguagem mais atual e reescrever o Kernel assim, precisaria de muito tempo e investimento, coisa q nem a Microsoft faria, Windows não é algo novo em toda versão.

Esse discurso parece algo “liberal”, querendo dizer q essa falta de criatividade é por falta de concorrência, já q é aberto, pra que criar um novo, vamos dar suporte a esse. Creio q open source é bem mais benéfico que concorrência total, vide o Android, se tu pegar cada marca q faz, eles são muito diferentes entre si, seja no visual, quanto em funções, mas rodam uma mesma gama de aplicativos, para mim, consumidor, é um beneficio grande, eu não escolho pelo oq roda (como acontece nos PC’s), eu escolho pelo diferencial.

(Obs: não vamos entrar num discurso político, só dei o exemplo q )

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Vc está completamente enganado, a maioria dos programas q eu baixo e são gratuitos, são de codigo fechado, os q eu baixo de codigo aberto não tem propagandas, quem bota as propagandas são os desenvolvedores dos apps, não da google, Youtube e outros serviços do google não são codigo aberto, e possuem propagandas para gerar receita ao produto youtube, o android não tem propaganda, e a google arrecada dinheiro com a coleta de dados, não com anúncios diretamente.

Bom pelo que vejo nessa fonte da BBC: Como o Google ganha dinheiro? - BBC News Brasil

A google basicamente lucra com propaganda.

A gigante da tecnologia ganhou US$ 67,4 bilhões em 2015 apenas em lucros com propaganda. Destes US$ 67,4 bilhões, US$ 52,4 bilhões foram com anúncios nos websites do Google e US$ 15 bilhões foram graças a anúncios servidos pelo Google em outros websites.

Outros US$ 7,2 bilhões vieram de outras fontes.

No android eu digo, não a receita total, a google ganha dinheiro coletando dados e anunciando de forma mais direcionada,
Vc citou acima q por o android ser opensource ele botam anuncio para financiar, opensource não gera renda com anuncio, vc ta citando 2 empresas q já eram grandes quando entraram no mundo opensource, já ganhavam dinheiro, youtube sendo fechado, gera dinheiro com propaganda, e não é pela google ter o android q o youtube tem propaganda.

Mas existem 500 mil outros projetos open source q não colocam anuncio, linux, gnome, KDE, gimp, firefox, entre muitos outros. Oq mais tem anuncio no android são apps fechados e jogos, não se tem uma relação direta entre propaganda e open source.

Não transforme a exceção como regra!!

Acho que ele confundiu um pouco apps código aberto (que geralmente não tem ADS) com programas free.

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Sim, confundi mesmo. São de código fechado, mas são de graça.

Voltando aquela questão: existe algo que o software livre inovou? Ou o software livre é melhor em apenas em questão de segurança e resolver problemas. Sei que o linux vem do unix. Existe algo mais?

Mais uma coisa: Código livre não é necessariamente a mesma coisa que código aberto.

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Linux é uma grande inovação, graças a ele surgiu o GIT, além das tecnologias de containers por exemplo, sem falar das varias coisas q rodam no fundo.

Vulkan, uma revolução na questão de gráficos, sendo compatível com os principais OS do mercado, facilitando a vida de desenvolvedores de games.

Python é uma grande inovação open source, uma linguagem de programação bem acessível e poderosa

Sem falar em varias outras áreas ai, como ferramentas da AMD, inteligência artificial q são extremamente inovadoras e open source

Linux não é usado somente pela segurança, para virtualização ele ta a frente do windows, por exemplo, mas o principal é a questão dos containers q citei acima.

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Além destes ótimos exemplos, não consigo imaginar a web 2.0 sob um padrão que não fortemente influenciado por ferramentas open source.

O cidadão em questão é histórico defensor de um modelo que se paga por tudo. Vale lembrar que ele é músico. Não duvido que seja um daqueles que gostava da época de gravar um CD e viver o resto da vida com base nisto.

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Essa frase resume meu pensamento sobre a computação, é preciso um conhecimento um pouco mais aprofundado em topologia pra entender essa parte, mas vou tentar exemplificar, ele não está se referindo a design de interfaces mas como a maioria aqui não é dev, vou usar interface como exemplo interfaces, observamos o que há de mais moderno em termos de GUI (no momento desse comentário):

E o que temos de primeiro protótipo proclamado inovador:

Por mais que existam diferenças óbvias no design, topologicamente é a mesma coisa, o padrão é o mesmo, você clica num canto da tela pra abrir programas, tem um relógio e um botão pra configurar o som, internet e whatever, os apps abrem em janelas quadradas sempre com a mesma “cara” e você organiza seus dados em arquivos e pastas, no final do dia, é a “mesma coisa só que diferente” o mesmo acontece com códigos (mais nesse caso é mais abstrato), outro exemplo (só que mais estranho) é que canudos e seres humanos são topologicamente iguais (imagine o motivo)… enfim, sempre o mesmo e velho padrão.


Concordo, inovação (seja software livre ou não) inovação é exceção e não regra, e as organizações que gerem grandes projetos livres geram graves bloqueios de criatividade e inovação parecem ser regra, mas sim, o git e o fish são exemplos

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