Infovias nº 5, 6, 8 - sul da Amazônia

Começará em Maio o lançamento de 3.170 km de cabos de fibra ótica das infovias nº 5, 6 e 8 do programa “Norte Conectado”, conectando Manaus a Rondônia, ao Acre e ao oeste do Acre.

Segundo notícia no site GOV BR:

“Cada cabo reúne 24 pares de fibra óptica e capacidade de transmissão de até 96 terabytes por segundo, garantindo internet de alta velocidade mesmo em regiões remotas. Produzidos com materiais inertes e atóxicos, os cabos são instalados de forma estável no leito dos rios, sem reagir com a água ou impactar os ecossistemas, assegurando conectividade robusta com preservação ambiental”.

Dá a entender que já estão concluídas as infovias 2, 3 e 4:

“A nova remessa de cabos, destinada à implantação das infovias 05, 06 e 08, soma cerca de cinco mil toneladas e representa a maior operação logística já realizada no âmbito do Norte Conectado. O volume supera com folga as etapas anteriores do programa, que utilizaram 2.400 quilômetros de fibra óptica, aproximadamente 3.600 toneladas, nas infovias 02, 03 e 04, já concluídas”.

Mais informações aqui, aqui e aqui.

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sabemos que a amazonia não é para brincadeira: clima, solo, enchentes etc. quero saber como vão garantir a estabilidade dessas fibras ópticas. botar em poste não será uma boa ideia.

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Nada de “poste”. – São cabos “submarinos”, ops, “subfluviais” – pelo fundo dos rios.

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falo de orelhada: imagino aqueles rios cheio de matéria orgânica vindo lá “de cima” dos andes, soterrando tudo no fundo. satélite não seria melhor? sei lá…

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A imaginação não conhece limites!

O leito do Amazonas e de seus afluentes oferece uma grande vantagem comparativa, em relação às ilhas britânicas e à baía de Tóquio: – Não tem o monstro do Loch Ness – nem o Godzilla!

Mas receio que os técnicos e engenheiros tomem por base a experiência acumulada nos últimos 130 anos, com o cabo subfluvial Belém-Manaus lançado no final do século XIX – além de trechos subfluviais do gasoduto Coari-Manaus, por exemplo:

Cobertura por satélite existe, mas consta que é muito mais cara, por byte.

Acho interessante acompanhar as conexões físicas internas e com o resto do mundo.

Em 1901, por exemplo, tínhamos boa conexão com a Europa:

Hoje em dia, estamos muito mais pendurados nos EUA:

Considerando apenas os mais novos e de maior capacidade, há um esforço de diversificação:

A distribuição da capacidade nas redes internas:

Enfim, um alerta feito em 2024:

“Hoje, a infraestrutura mais crítica que existe hoje no Brasil é na praia do Futuro. Se cair uma bomba ali, Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai ficam sem internet. E se você for lá ver esse lugar mais crítico de toda a América do Sul, o que existe é um boteco em cima. Então a gente precisa proteger essa infraestrutura crítica”, disse Baigorri nesta terça, 22/10, durante o Cyber.gov, organizado pela Network Eventos em Brasília.

O risco aos cabos submarinos é grande. Em março deste ano, três cabos submarinos foram danificados no Mar Vermelho por conta de um uma ação militar dos Houthis (grupo militar ligado ao Irã que atua no Iêmen) numa disputa com os Estados Unidos. O rompimento causou um problema global, uma vez que a Internet ficou mais lenta e a correção levou mais de 30 dias para ser feita.

Baigorri observou sobre a longa discussão com o governo do Ceará para não instalação de uma usina de dessalinazação, a 500 metros dos cabos submarinos, que terminou até por envolver o governo federal e criou um estresse.

“Tivemos um debate ao longo dos últimos anos que chegou em um resultado de proteção dessas infraestruturas com o estado do Ceará e com a prefeitura de Fortaleza. Chegamos a um bom termo, mas precisamos garantir a proteção dessa infraestrutura crítica para garantir que ela não seja prejudicada, danificada, e que possa continuar atendendo a sociedade brasileira.”

Para ele, enquanto a soberania brasileira sobre o ambiente digital carece de mudanças legais, a proteção dos cabos submarinos exige decisão política. “No caso concreto da praia do Futuro, parece mais uma decisão de ir lá proteger, colocar uma grade, alguma proteção militar, alguma medida de proteção mesmo. Mas aí é uma decisão executiva para proteger aquela infraestrutura.” Assista a entrevista com o presidente da Anatel, Carlos Baigorri.

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interessante. não sabia desses informes.

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Comecei a atentar pra esses “detalhes”, quando a Oi Fibra chegou na minha rua – pulei de 10 para 200 “megas” – e não conseguia entender por que a conexão era tão ruim pra Europa (em geral), e para o Equador, aqui ao lado.

Hoje, a situação parece ter melhorado bastante, em relação à Europa – baixar imagens ISO da Holanda ou da Inglaterra já não dá tantas oscilações – no entanto, muita coisa também depende de mais alguns “detalhes”, menos óbvios.

Infelizmente, a ferramenta FOSS “speedtest-cli” foi severamente limitada pela Ookla – desde quando esta lançou seu “Speedtest-CLI©”.

Infelizmente, apesar dessas “infovias”, a conexão da UFAM – que veio escolhida por default quando instalei o MX Linux 25.1 – continua meio fraca para Brasília. Tive de trocar pelo espelho da UFPR.

Se algum bambambã dessas infraestruturas passar em frente ao meu portão, vou perguntar por que, com mil bytes, não lançam uma “infovia” pelo fundo do rio Araguaia, de Belém até aqui perto.

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não fazem isso pelo mesmo motivo que aprovaram construir termelétricas no centro-oeste, quando da privatização da eletrobrás, sendo que há cachoeira a dar com o pau nas represas e lá não há necessidade de termelétricas. interesses escusos.

pra que fazer infovia de Belém, mais perto, se é mais interessante fazê-lo via Manaus ou outro lugar mais longe? puro interesse pessoal em detrimento do social.

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mudando de pato pra ganso, suas referências geográficas como “o Equador, aqui ao lado” e “pelo fundo do rio Araguaia” são hilárias. parece que você os vê no fundo do quintal. :stuck_out_tongue_winking_eye:

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A gente precisa treinar os olhos, para verem certas coisas… :ghost:

Do fundo do meu quintal, vejo a “Estrada Real” que ligava a Bahia à fronteira com a (atual) Bolívia, por volta de 1710-1730. – Não é coisa que interesse 99% das pessoas, por isso pouca gente “vê”. – É muito mais comum as pessoas verem outras coisas. :alien:

Mas você não imagina quanta gente passa em frente a um portão! – No auge da pandemia, quando as ruas se esvaziaram, certa noite vi uma tropa de cavalos passeando pela calçada. Pareciam gente grande, evitando pisar na grama. – Mas tem gente que viu (e filmou) onças e capivaras dando um rolé pela cidade.

Por isso, a esperança é a última que morre. :wink:

Araguaia, foi só uma brincadeira. – A rota Belém-Brasília já está mais do que desbravada. – Não precisa mais nem se preocupar com a ecologia, porque a floresta já virou pasto há décadas.

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e eu que achava que só existia a estrada real saindo de paraty/angra do s reis até minas gerais. mais um aprendizado.

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“Estrada Real” era denominação genérica – igual “BR”, hoje em dia. – Houve várias.

Quando el-Rei aprovava, virava “Estrada Real”. – Quando proibia, ficava sendo irreal.

Esse era o “caminho velho”, passando por Guaratinguetá e pelo sul de Minas.

Depois el-Rei mandou abrir um “caminho novo”, que começava no Rio de Janeiro, de barco até o fundão da baía de Guanabara, subia a serra e seguia +/- pela região de Juiz de Fora. – Depois el-Rei mudou a capital, de Salvador para o RJ.

A da Bahia atravessava o vale do São Francisco, chegava à região do atual DF, seguia para Goiás e Mato Grosso.

Mas vamos parar com isso, senão a gente leva cartão amarelo por Off Topic.

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Isso nunca me saiu da cabeça, até hoje – quase 6 meses depois:

:grimacing:

Acho que foi 1 “foco” dos meus tempos de jornalismo: – Falar (escrever) como “as pessoas” falam – e não, com aquele linguajar abstruso que o “entrevistado” (advogado, engenheiro, sociólogo, programador) utiliza, quando fala com o jornalista.

E sua observação “não me saiu da cabeça”, após quase 6 meses – porque você fez a mesma coisa: – Falou “a linguagem das pessoas”.

Nada a ver com o tópico – mas, tudo a ver como o modo como conversamos – neste, e em todos os outros tópicos.

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Informações sobre cabos sub-aquáticos “flutuam” muito, conforme a “fonte” – muitas vezes com linguagem vaga, ambígua, incompleta, marketeira etc.

Tentei sistematizar mais um pouco – principalmente a partir do Submarine Cablemap, que reúne alguns dados básicos (inclusive proprietários), inauguração + mapas. – Não ajuda muito a determinar as capacidades dos cabos, mas lança alguma luz sobre os “jogos geopolíticos”, em busca de redução de custos e de latência, maior segurança e independência, e maior relevância no panorama internacional.

Para lembrar, em 2013: – documentos vazados por Edward Snowden revelaram que a NSA grampeou o telefone pessoal da chanceler Angela Merkel e interceptou e-mails e telefonemas da presidente Dilma Rousseff. No Brasil, a vigilância abrangeu a comunicação da presidente com seus principais assessores e se estendeu à Petrobras. Em 2015, o site WikiLeaks publicou listas detalhando que os EUA também monitoravam os telefones de ministros e assistentes de Dilma.

Brasil - África - Europa

SACS       Fortaleza - Angola                  Angola Cables           2018-09
SAIL       Fortaleza - Cameroon                Camtel, China Unicom    2020
EllaLink   Fortaleza - Casablanca - Portugal   EllaLink                2021-06

SACS

O fato de o SACS pertencer à “Angola Cables” é instigante – afinal, Angola não é um país tão rico assim, para tamanho investimento.

Segundo a IA do Google:

A estrutura acionária da Angola Cables, uma multinacional de telecomunicações que opera cabos submarinos e data centers, é composta majoritariamente por empresas angolanas. A Angola Telecom é a acionista majoritária com 51%. As participações restantes são divididas entre a Unitel (31%), MSTelcom / Sonangol (9%), Movicel (6%) e Startel (3%).

Se o problema do Brasil era conectar-se diretamente à Europa, sem passar pelos EUA – o de Angola era conectar-se diretamente aos EUA, sem passar pela Europa:

O objetivo da empresa é transformar Angola em um dos polos de telecomunicações na África.

“Nossa ambição é transportar dados da América do Sul e Ásia por meio do nosso hub africano. Utilizando o SACS, juntamente com os projetos de cabos submarinos Monet e WACS, vamos fornecer uma opção de conectividade mais eficiente entre a América do Norte, Central e do Sul para a África, Europa e Ásia”.

Quanto ao financiamento:

O SACS foi parcialmente financiado pelo Banco do Japão para Cooperação Internacional (JBIC), devido a um contrato de empréstimo em crédito do comprador com o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), a instituição de desenvolvimento estatal do país. O empréstimo foi co-financiado com a Sumitomo Mitsui Banking Corporation (SMBC) e a Nippon Export and Investment Insurance (NEXI), fornecendo seguro para a parte financiada pelo SMBC.

Com base numa teia de alianças, “Angola Cables” é hoje uma multinacional, proprietária também dos cabos submarinos – MONET, que liga o Brasil à Flórida (EUA); e – WACS, que liga todo o oeste da África à Europa:

Seu fornecedor foi a NEC (Japão) – que participa de inúmeras conexões de toda a Ásia e Oceania com a Europa:

O press-release da NEC, de Outubro 2018, traz certas lembranças da era Geisel (1974-1979), que buscou alianças na Europa e no Japão para contrabalançar a dependência excessiva dos EUA – e fez do Brasil o primeiro país do mundo a reconhecer a independência de Angola sob o governo do MPLA (em contraposição à FPLA e à Unita)

SAIL

O cabo SAIL estabeleceu a 2ª conexão Brasil-África (2020) – e o fato de um dos donos ser a Camtel - Cameroon Telecommunications também é instigante – afinal, Camarões é um país pequeno, e não muito rico, para um investimento tão pesado.

Segundo a IA do Google:

A Camtel (Cameroon Telecommunications) é uma empresa estatal, 100% de propriedade do Governo dos Camarões. Fundada em 1998, a operadora é controlada diretamente pelo Estado camaronês, que detém o monopólio da rede nacional de fibra óptica e gerencia serviços de telefonia, internet e dados.

O outro dono é China Unicom, uma das maiores operadoras de telecomunicações do mundo (wiki), o que garante conexões com os demais países africanos e a Ásia.

O fornecedor HMN Tech também indica o alcance da cobertura do conjunto de empresas chinesas em toda África, Ásia e Oceania:

A HMN Tech (HMN Technologies) é uma fornecedora global de sistemas de cabos submarinos. Ex-subsidiária da Huawei, a empresa é sediada em Tianjin, China. Ela oferece soluções de rede completas, desde o design e pesquisa marinha até a fabricação e instalação, conectando infraestruturas de telecomunicações em 78 países.

EllaLink

Uma terceira empresa estatal esteve na raiz da 3ª ligação do Brasil à África e à Europa – mas foi quase tirada do meio do caminho.

«Um cabo submarino ligando o Brasil à Europa será construído por meio de uma joint venture liderada pela Telebras, empresa estatal brasileira de telecomunicações, e pela espanhola IslaLink Submarine Cables» – noticiava ZDnet no início de 2014, compilando informações de Deutsche Welle e outras fontes.

Em 2012, a Telebrás também firmou parceria com Angola para construir um cabo submarino entre os dois países – mas depois, deu pra trás.

O plano inicial da Telebrás era construir 5 cabos submarinos para os EUA, Portugal, Uruguai, outro cabo brasileiro ligando o norte do país a importantes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, além de Angola.

Angola teve de se virar sozinha – ou melhor, procurar outros parceiros – e Camarões também tratou de cuidar da sua vida.

Ficou apenas o projeto “Europe Link to Latin America” (Ella) – cujo arranjo societário foi definido em Bruxelas, em 2014: – “a IslaLink deteria 45% das ações, a Telebras ficaria com 35%, e os 20% restantes seriam divididos entre fundos de pensão brasileiros e europeus”.

Mudaram os governos e as prioridades. – Em 2018, a Telebras já tinha reduzido sua participação, devido à falta de verbas no orçamento. – Em 2020 a Telebras desistiu de vez.

Em Março 2020, a EllaLink já tinha reorganizado o financiamento – e seu projeto passou a ser “interligar o mercado sul-americano à Ásia (especialmente à China), competindo diretamente com as rotas que passam pela América do Norte ou pelo Atlântico Sul via continente africano”.

O fornecimento ficou a cargo da Alcatel Submarine Networks (ASN) – estatal francesa, e uma das três líderes mundiais na fabricação e instalação de cabos submarinos (juntamente com a NEC e a SubCom). – É controlada maioritariamente pelo governo francês:

ASN Alcatel.

EllaLink

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