Hardware tá caro e vai ficar ainda mais caro?

Qualquer um montando seu PC e pesquisando preços online está vendo que todo dia é um “7 a 1” novo. O mercado de hardware, assim como praticamente qualquer indústria de escala global, deu um mortal para trás com o impacto da pandemia do SARS-COV-2. E para quem estava esperando melhoras, temos notícias ruins: vários fatores vão pesar negativamente em curto prazo. Aqui vamos listar alguns deles, para ajudar a entender o que acontece nesse mercado.

Começando lá na origem desses produtos, o ano já abriu com prognósticos ruins. Um relatório divulgado pelo The Elec indicou que produtos baseados em semicondutores, algo essencial para boa parte dos componentes que formam um PC e suas peças, seguiriam com os problemas de capacidade de produção, herdados desde as dificuldades logísticas que a pandemia trouxe. A dificuldade é em duas mãos: a produção perdeu capacidade, e a pandemia aumentou a demanda.

A TSMC anunciou o fim de sua política de corte de preços, mesmo para clientes que compram em grandes quantidades, caso de gigantes como AMD, Nvidia e outros, com fazem contratos de grande porte. Tanto ela quanto outras como GlobalFoundries e Samsung Electronics estariam com sua fabricação totalmente saturada, de acordo com o relatório.

A chaleira começou a chiar claramente com um posicionamento da Asus. Através de um representante, a empresa afirmou no começo do mês que o preço de alguns componentes subiria, como placas de vídeo e placas-mãe. Isso claro é relacionado com a produção dos componentes, mas também envolveu custos maiores de logística, operacionais e tarifas de importação.

A empresa afirma que tentou minimizar o impacto através da colaboração com parceiros, porém ele foi inevitável. Enquanto a própria Asus não quantificou qual seria esse valor, usuários no Reddit fizeram alguns levantamentos, e perceberam uma variação de 80 dólares no preço sugerido de diversos modelos de placas de vídeo.

Seguido da Asus, EVGA e Zotac também anunciaram o aumento nos valores. E aqui entra outro fator mencionado: a alta demanda, e por culpa da mineração. Sim, um velho inimigo dos gamers atacou novamente, com as criptomoedas apresentando outro salto em valorização, caso da sempre mencionada Bitcoin, como também de outras como a Ethereum. A galera do The Verge pegou seu canivete suíço e fez uma comparação de preços, vendo um aumento de 16% nos valores das placas da Zotac e 8% nas da EVGA, em uma janela de 26 dias.

Uma tempestade perfeita precisa de muita coisa dando errado junto, e mais isso apareceu. Se vocês perceberam, entre os elementos listados para o aumento dos valores apareceu taxas de importação. O fim de isenção de tarifas de importação da China expirou no começo do ano, aumentando entre 7,5% até 25% o custo do envio de mercadorias entre os dois países.

Como viram, estou falando de muitas mudanças que afetam principalmente o mercado americano, então é hora de nacionalizar o problema. E o que acontece nos Estados Unidos é muito relevante para nós, porque muita operação de vendas feita aqui no país passa por centrais americanas, recebendo dessa forma o impacto de mudanças de custos operacionais vindas de lá.

Conversamos com algumas fabricantes, e é esperado que esse impacto seja sentido aqui também. A MSI Brasil nos deu uma estimativa mais precisa: a empresa espera um aumento chegue a casa dos 9% em todas as linhas, isso já buscando medidas buscando minimizar o impacto.

Por conta do mercado nacional e suas características, ainda haverá um período com alguns produtos ainda mantendo preços devido a estoques anteriores, possível realidade de alguns produtos de entrada. Porém os modelos gamers dificilmente escapam, já que possuem baixíssima disponibilidade e estoque, e é pouco provável que ainda existem muitos que realizaram o processo de importação antes do dia 1º de janeiro nos Estados Unidos.

Isso tudo se acumula sobre realidades que não mudaram, como os impostos com efeito cascata no Brasil, problemas logísticos dos mais diversos, como o tamanho continental de nosso país e suas vias de escoamento de cargas precárias, mas aqui não temos novidade, são coisas que sempre mantiveram o custo elevado do hardware no Brasil. É um momento difícil para quem está de olho em um upgrade em computador, e caso não seja uma necessidade para uso profissional ou pessoal, cautela é algo aconselhável. Não vemos nenhuma perspectiva de melhoras no momento, com as próprias empresas em alguns momentos “desconversando” quando questionadas sobre quando teremos uma mudança nesse quadro.

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