Governo BR abrindo cofre público pra Microsoft e desperdiçando dinheiro do contribuinte

Cerca de 15 anos atrás o governo federal iniciou um mega projeto para migrar o máximo possível dos computadores usados nas mais variadas esferas governamentais para Open Source.

Não faltaram protestos por parte das empresas que viviam de revender licenças para o governo federal, algo que se seguiu em outros estados, como Paraná e RS (na realidade, tudo começou no RS).

A título de curiosidade, apenas o PR obteve-se economia na ordem de R$ 1bi em licenciamento durante os anos de vigência da lei que tornava obrigatória a adoção do Open Source (ferramentas proprietárias só poderiam ser adquiridas caso não ouve equivalente)

Para quem não acompanhou muitos detalhes do assunto, no primeiro mandato do presidente Lula, a migração foi intenção, com o próprio comparecendo no FISL.

Porém, pouco depois da reeleição, o ritmo caiu consideravelmente, sendo deixado de lado por sua sucessora.

Para piorar ainda mais a situação, o atual governo federal está em fase de adquirir nada menos que 160 mil licenças do Office 365, no valor de R$ 48,7 milhões.

Sei bem que visualmente o LibreOffice está longe de ser tão visualmente atraente quanto o pacote da Microsoft (se bem que isso é mais coisa psicológica do que outra coisa), mesmo ativando o “Modo Ribbon”.
Mas a realidade é que muitos órgãos e por tabela, os funcionários não usam 5% de todas as ferramentas do pacote, sendo que o Abiword seria suficiente.

Mas como bem sabemos, Software Livre não paga propina.

9 Curtidas

Eu lembro que a esposa de um diretor do Serpro se tornou representante exclusiva da M$ para “todo o Centro-Oeste” do Brasil ─ e mais nenhum representante podia vender para o Serpro, cuja sede fica em Brasília, o que impedia a concorrência, descontos etc.

O office 365 é online e a licença pro Google Docs pra esse tipo de coisa saiu muito mais cara, a ideia é interligar os computadores

Essa parada de representante exclusivo é um modelo de negócio muito estranho na iniciativa privada. Algo similar na esfera pública é facilmente identificado como corrupção…

Felizmente mais e mais empresas vêm investindo em governança e acabando com práticas duvidosas.

F@d@, trabalho em órgão público e vivo tentando implementar soluções de software livres. Até agora só consegui convencer um pessoal de comunicação a usar o GIMP, kdenlive e o Davnici resolve gratuito, mas o setor de TI não aceita usar linux pq ninguém usa e o responsável não quer abrir “precedente” e ficar responsável por algum eventual problema. Ao mesmo tempo esse cara mandou pro meu setor solicitação de compra de licenças do windows server e pagamos 1/10 do orçamento só com licenças inúteis.

4 Curtidas

Mas infelizmente não temos um concorrente open source que consiga abrir os formatos proprietários da microsoft, com 100% de sucesso, o máximo que temos são o WPS Office, e o Softmaker Office (versão free), que mesmo não sendo softwares open sources, são boas alternativas proprietárias gratuitas.
Apesar da questão do texto ser mais focada nos softwares open source, acho que a solução, não é a extinção dos softwares proprietários no governo, e sim a adoção de softwares proprietários gratuitos, em contraste com os softwares open source.

1 Curtida

Eu conheço pessoas do governo do Paraná que te xingariam por isso.
Tem uma razão pra continuar usando os mesmos softwares de antes, compatibilidade, imagine ter que reescrever todos softwares usados, pois muitos estão em .net framework, imagine ter que reescrever todas as macros, pois são compatíveis com o Office, e não com o Libreoffice.
Quando, no Paraná, adotou o Open-source, todos os softwares usados estavam em processo pra serem migrados, ou seja, reescritos do zero. As pessoas que trabalhavam nisso eram contra essa reescrita.
Você não sabe o motivo de usarem X ao invés de Y, deixe de ser desrespeitoso, achando que a única opção é propina.

4 Curtidas

Eu descobri que o governo comprou software de outras empresas também como a Red Hat, VMware, Oracle. Aqui está o link de referência. Um governo precisa ter uma infraestrutura robusta vindo de empresas que possam dar suporte adequado. Não dá para comprar ou pegar de qualquer lugar.

2 Curtidas

Uma opinião justa, de fato…

… mas isso não é desculpa e nem mesmo passa perto de ser uma justificativa para se gastar quantias absurdas de dinheiro. Se for para ser reescrito, que seja reescrito. Zona de conforto mata.

2 Curtidas

Se o tivessem feito na época, hj não teríamos esse problema de continuar gastando fortunas com licenciamento.

Claro, não é o dinheiro delas que está sendo jogado no lixo.

A preguiça e o comodismo também entram na lista.

Está bem, vamos ver como seria para migrar o sistema, um sistema C# com .NET Framework para um Java, aqui no exemplo eu vou usar Spring, pois é o framework moderno, mas provavelmente não seria Spring, e sim algo pior e mais difícil de se migrar.

Você pega todos os desenvolvedores e engenheiros do projeto e demite ou treina eles para se tornarem desenvolvedores Java, isto é, demite funcionários públicos e contrate outros ou gaste dinheiro para treina-los em outra tecnologia, um processo que levaria alguns meses, pois apesar da sintaxe de Java e C# serem familiares, não é só a sintaxe que está sendo migrada, ou seja, todas essas pessoas vão ter que aprender a usar JPA, Hibernate, Spring, Maven, JUnit, etc. Um processo que leva tempo. (Poderia ser terceirizado para uma empresa de tecnologia, estou cortando essa opção pois o objetivo é corte de gastos).

Agora, que você tem uma equipe Java, você vai lá na pasta do projeto, pega os SQL e coloca na pasta do novo projeto, e arquiva esse projeto antigo, ou seja, tudo que foi escrito nos anos de desenvolvimento é jogado no lixo, pois “Microsoft bad”.

Depois de ter jogado no lixo, seu esforço de anos, vamos construir um serviço, que vai ter a performance do antigo, pois C# e Java tem performances parecidas(Na verdade C# é mais rápido, mas vou ignorar isso e dar o ponto pro Java).

Ou seja, você gastou milhares de reais e de horas, para entregar o mesmo valor pro seu cliente, reduzindo seu gasto. E por isso, nenhuma empresa séria faria isso.

Não é zona de conforto, mas é a opção mais racional, do que jogar tudo no lixo e começar do zero.

Cara, você não sabe porque foi usado .NET Framework, você não sabe porque foi usado Office, não sabe porque foi usado Windows. Talvez, seja porque em 2004, a maioria das pessoas usavam Windows e Office, não Linux e LibreOffice, e por isso os programas desenvolvidos devessem ser compatíveis com Windows, não com Linux.

É desrespeitoso e arrogante, chegar numa equipe que trabalhou por anos, construindo algo, e querer mudar tudo pois você acha que sabe melhor.

Imagina um desenvolvedor chegar no git do Kernel Linux e abrir uma issue pois o Kernel é escrito em C, mas ele acha que seria melhor escrever em Algol pois teria uma característica, que esse desenvolvedor acha, melhor do que C.

Vocês não estavam nas reuniões que avaliaram os requisitos do sistema, vocês não estavam nas equipes que desenvolveram o sistema, vocês não estavam com o pessoal da infraestrutura. Vocês viram uma parte do sistema, seu custo, e decidiram que é inaceitável pagar o valor que é pago, mas não leram uma linha do que foi desenvolvido.
Isso é desrespeitoso com toda a equipe. Eu também não, por isso que eu não venho opinar quando eu não sei dos motivos.

Por exemplo, o fórum Diolinux usa jQuery, eu não sei porque usa jQuery. Eu não usaria jQuery pois é uma das piores opções do mercado hoje, vocês acham que seria certo, eu demandar que o Dio jogasse todo o site fora, e construísse, ou pagasse para construir, um site usando tecnologias que eu aprovo, apenas porque eu não gosto da tecnologia que ele usa?

Pra mim, isso é ódio cego, de ignorantes, que não estavam presentes nas tomadas de decisões, e que criticam, sem ponderar sobre o que foi feito.

6 Curtidas

Aliás, procurei por fontes desse comentário, achei duas:


O comentário de 1 bilhão, no tempo da vigência da lei, que segundo o líder do PT, foi de 15 anos, resulta em pouco mais de 65 milhões por anos, o que é pouco, sem dúvida. Só os descontos, que foram “esquecidos”, na compra das licenças do Office, podem pagar 2 anos do custo com a Microsoft.

2 Curtidas

Muito complexo. Creio que tem diversas outras questões além do Office. Pega um Detran da vida e sistemas todos interligados. Não faço ideia do que usam mas imagino que seriam afetados. Não só no PR mas você vai no mercado, coloca CPF… ele vira crédito, você joga no IPVA se quiser, recarrega celular… e os dados são cruzados com IR. Tudo cada vez mais integrado.

Em primeiro momento, enquanto cidadão, me parece mais interessante o uso de software livre. Mas não compreendo tudo que envolve. Em empresas é comum você gastar com software proprietário e ganhar/recuperar em produtividade.

5 Curtidas

Um adendo para a discussão. No link que postei aqui no fórum umas semanas atrás do Baboo, ele coloca vários exemplos de cidades e governos que tinham migrado para o opções open source, como usar Linux e suíte libreoffice, entretanto tiveram muitos problemas técnicos tiveram que voltar para o Windows e Office.

Isso é um ponto importante. Imagina toda a infraestrutura montada em Windows, e depois mudar só porque alguém quer mudar para outra plataforma. É complexo.

Realmente eu não faço a mínima de como todo o sistema funciona, mas acho que a problemática (uma delas pelo menos) é esta: por onde começar…

"Meme"

“o fim é o começo, e o começo é o fim” “está tudo conectado”. - Dark

Tem muuuita coisa, como os softwares pra lá de ultrapassado, que se recusam a atualizar e nem os próprios desenvolvedores aceitam continuar prestando suporte.

Já me disseram que departamentos possuem versões extremamente antigas do Outlook, dentre outros programas.

O pior é que um bocado dessas infraestruturas para coletar e organizar dados estão sendo migradas para software livre e fazem parte dos contratos com Red Hat, Oracle, VMWare e companhia citados lá em cima (aliás, praticamente todo gov.br é software livre hoje em dia).

Sempre é o mesmo padrão, software livre para rodarmos no nosso servidor e coletar seus dados enquanto software proprietário é quase sempre um segundo imposto que se sonegado você paga em produtividade/compatibilidade.

Quem defende a compra e uso do pacote Office da MS por conta de muitas vezes ocorrer o problema de desconfiguração do arquivo, não está enxergando o problema que já existe.

Quando os documentos são todos portados para um padrão aberto, a empresa ou setor podem muito bem baixar e instalar o LibreOffice gratuitamente, para ter garantia de que não ocorrerão problemas.

Se a MS, “amanhã” definir que alterará o formato de arquivos e mais nenhum outro programa os irá abrir e triplicar o valor da licença do Office, ela pode.

1 Curtida

Monopólio privado. Consegue ser mais nefasto que monopólio estatal.

Engraçado, tenho experiência diferente. Por exemplo, formatos de apresentação criados em versões mais antigas do PowerPoint que não conseguem ser abertos na versão atual deste aplicativo do Office mas que são abertos com total facilidade e naturalidade pelo Impress do LibreOffice. O qual, obviamente, também abre e edita os ppt’s da última versão do Power Point.

1 Curtida