GNOME 49: a integração mais profunda com o systemd se aproxima (você queira ou não)

O ambiente de desktop GNOME prepara uma mudança significativa na sua versão 49, aumentando a integração - e a dependência - com o systemd. Esta não é uma notícia nova para quem acompanha seu desenvolvimento, mas a mudança é necessária para se implementar novas funcionalidades na sessão de usuário.

Historicamente, o gnome-session é o componente que inicia e gerencia os serviços de sessão. Mas é muito antigo e pouco mantido, transformando-se na principal barreira na implementação de recursos modernos, como o salvamento e a restauração de sessões.

Para resolver o problema, a única alternativa será removê-lo e utilizar a instância de usuário do systemd para gerenciar os serviços da sessão. Os desenvolvedores defendem essa decisão como essencial, pois manter código antigo e redundante é trabalhoso e desnecessário.

A primeira distro a expetimentar a novidade será o GNOME OS, que se move em direção a um design “baseado em imagem”, arquitetura que é fortemente facilitada por componentes do systemd.

Para as outras distribuições que já usam o systemd, a transição será quase transparente, pois o Gnome continuará a funcionar como de costume, e as melhorias na integração podem, inclusive, levar a um desktop mais ágil e estável.

Mas o grande problema está nas distros que não o usam. Estas precisarão encontrar alternativas ou migrar para o systemd, o que pode significar um esforço significativo no seu desenvolvimento. Pode até descontinuar o suporte ao Gnome ou o fim puro e simples daquelas.

Além das mudanças no gnome-session, o GDM, a tela de login do GNOME, também dependerá fortemente da infraestrutura systemd-userdb, simplificando o gerenciamento de contas de usuário, e o processo de login, em cenários mais complexos ou com usuários temporários.

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Systemd tem seus defeitos, mas pelo menos padronizou os sistemas. Antes cada um funcionava de uma maneira.

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A esta altura da história, duvido que ainda se trate de teste. Trata-se, antes, de hábito. O SystemD, com seus modos autoritários, encontrou resistência — não por sua natureza técnica, mas por aquilo que representa: mais um degrau na longa escada que a Red Hat constrói, tijolo por tijolo, para formar profissionais à sua imagem e semelhança. Mas resistir ao inevitável é como protestar contra a chegada do inverno. O SystemD, com toda sua rigidez e lógica cartesiana, é hoje a espinha dorsal do GNU/Linux, mesmo entre lamentos e suspiros nostálgicos por init.d.

E o GNOME? Ah, o GNOME… sempre foi criatura fiel do RHEL. Não por acaso, partilha com ele da mesma obstinação pela ordem e pela convenção.

I. Do Comprometimento Técnico

A Red Hat não apenas sustenta o GNOME com doações, mas lhe dá corpo e movimento. Suas mãos estão na argamassa de cada biblioteca: no GTK que modela janelas, no Mutter que as empurra pelo espaço, no Shell que nos sorri com sobriedade, e na Libadwaita, que padroniza até o último botão — tudo para que o caos nunca nos surpreenda.

Não se trata de gentileza, mas de investimento. Quem põe o pão na mesa tem direito a escolher o cardápio.

II. Do Comprometimento Institucional

A Red Hat não é apenas uma aliada: é patrona. Está nos bastidores das decisões, nas mesas das conferências, nos corredores do poder. Ali, onde se define o futuro das interfaces gráficas, seu nome ecoa como o de um velho conselheiro, austero e respeitado. Garante recursos, traça rumos, e mantém o GNOME em sua eterna marcha rumo à previsibilidade.

III. Do Alinhamento de Roteiro

Desde o RHEL 7, o GNOME é o rosto visível da Red Hat. Mas não qualquer rosto: é um rosto maquiado com LTS, polido com correções retroativas, e mantido com zelo por até uma década. Tudo é ensaiado, testado, e lançado no tempo certo — como deve ser quando o público não é o entusiasta, mas a corporação.

O GNOME, é verdade, não pertence à Red Hat — mas tampouco caminha longe de sua sombra. Entre ambos há um pacto tácito: um fornece forma e função; o outro, sustentação e rumo.

Eis aí a ironia sublime do software livre: pode-se ir aonde quiser, mas alguns caminhos têm pedágios invisíveis.

O ArchLinux, com sua altivez adolescente, ainda ensaia passos nessa estrada. Não se curva aos mesmos padrões, mas caminha com atenção — mais pelo que funciona do que pelo que agrada. Não tem o peso de uma Red Hat por trás, tampouco as amarras do Qt. Mas há uma coisa nele que inquieta: a insistência em ser leve, mesmo quando tudo ao redor exige gravidade.

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Eu não tenho muitas objeções ao systemd, ele mais facilitou a vida do que atrapalhou. Pro bem ou pro mal ele está padronizando muitas coisas que sempre foram uma bagunça no mundo Linux. A evolução é inevitável. Além do que, a maioria de quem presa por minimalismo ou leveza de sistema dificilmente usa um Gnome da vida hehe. Vida que segue, não curtiu faz um fork da versão antiga sem o bendito login e ggwp.

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esse homem é um philosofo. :stuck_out_tongue:

Para mim tanto faz systemd ou devuan, a minha distro é híbrida aos dois.
Eu quero e quero.

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Já aconteceu algo semelhante anteriormente e também há diversos programas que necessitam do systemD. A solução encontrada pelos desenvolvedores que insistem em utilizar tais programas e insistem em não usar o systemD foi a criação de alguns pacotes que simulam o systemd-login.

O elogind, fork do systemd-login como pacote independente, pode ser instalado para simular as funções necessárias do systemd. Alguns outros patches são necessários no código do gnome, mas ainda sim é possível utilizá-lo. Alguns recursos podem estar desabilitados (sem suporte), mas praqueles esforçados é possível sim. Atualmente diversos pacotes que dependem do systemd-login podem ser usados, caso se instale o elogind.

Porém não entrei nos detalhes técnicos dessa nova restrição, e se ela poderá ser contornada.

Pessoalmente só gostaria de lembrar como vagarosamente o systemd vai aumentando suas atribuições e tirando outros softwares da suíte GNU do caminho, ao meu ver caminhando para a alteração do GNU/Linux → systemD/Linux. Essa nova alteração do Gnome vem em consonância com essa estratégia.

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