Free Software Foundation critica o uso da AGPLv3 para impedir o desenvolvimento do Euro-Office

A IONOS e a Nextcloud apresentaram uma nova suíte de escritório baseada no OnlyOffice, o que gerou uma acusação por parte deste último, segundo a qual projeto estaria desrespeitando as normas de atribuição e uso de marca da licença; entretanto, a FSF declarou que a holding está, na verdade, tentando aplicar limitações que extrapolam as permissões garantidas pela AGPLv3.

Krzysztof Siewicz, Gerente de Licenciamento e Conformidade da Free Software Foundation, declarou que a AGPLv3 não pode ser usada para exigir que os distribuidores mantenham o logotipo original do OnlyOffice no fork EuroOffice, o que constitui uma restrição adicional que os destinatários têm o direito de remover.

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Krzysztof Siewicz

A disputa começou após o EuroOffice ser revelado em 27 de março como uma suíte de escritório soberana europeia, posicionada como uma alternativa para organizações que buscam maior controle sobre sua infraestrutura de escritório e ferramentas de colaboração.

Os “donos” do OnlyOffice chamaram o EuroOffice de uma violação de seus termos de licenciamento e insistiu que os requisitos de marca, logotipo e atribuição fossem mantidos, além de suspender sua parceria com a Nextcloud.

Nesse caso, entretanto, o posicionamento da Free Software Foundation muda o foco de uma disputa entre a empresa e o fork para um debate mais amplo sobre o uso permitido e os limites da AGPLv3, defendendo que, se o software é distribuído sob essa licença, os licenciadores não podem adicionar termos que reduzam os direitos garantidos por ela.

Ao mesmo tempo, a Fundação está desafiando diretamente a interpretação jurídica do OnlyOffice sobre a disputa com o EuroOffice, sustentando que uma empresa não pode comercializar software como licenciado sob AGPLv3, enquanto impõe termos adicionais para controlar a aparência de versões bifurcadas ou redistribuídas.

A origem da treta

A divergência de interpretação entre o OnlyOffice e a FSF reside no limite entre a proteção da marca e a liberdade de modificação do código. O primeiro defende que as cláusulas de atribuição dão à holding o direito de exigir que qualquer projeto derivado mantenha obrigatoriamente seus logotipos e elementos de identidade visual originais.

Por outro lado, a FSF sustenta uma visão técnica e estrita da licença que ela mesma criou, argumentando que, embora a preservação de avisos de direitos autorais seja obrigatória, a imposição de marcas comerciais e logotipos em versões modificadas constitui uma restrição adicional proibida pela Seção 7 da AGPLv3.

Para a FSF, qualquer tentativa de impedir que um desenvolvedor remova ou altere a aparência visual de um fork fere a liberdade fundamental do software livre, garantindo aos destinatários o direito legal de ignorar tais exigências impostas pelo licenciador original.

Enquanto o OnlyOffice tenta utilizar a licença como um mecanismo de controle de mercado e visibilidade, a FSF reafirma que a AGPLv3 protege apenas a integridade do licenciamento e a abertura do código, não permitindo que empresas controlem a marca de produtos criados por terceiros a partir de suas obras.

A motivação por trás do OnlyOffice

A motivação para adotar essa postura é essencialmente comercial e estratégica, fundamentada na tentativa de utilizar a licença AGPLv3 como um mecanismo de proteção de mercado e de ativos de marca.

Ao exigir que forks mantenham seus logotipos e elementos de identidade visual originais, a empresa busca impedir que concorrentes diretos, como a IONOS e a Nextcloud, utilizem sua base tecnológica para oferecer um produto que pareça totalmente independente ou desvinculado da marca original.

Essa exigência funciona como uma tentativa de garantir visibilidade perpétua e evitar a diluição da marca, forçando qualquer derivado a servir como um veículo de propaganda para o OnlyOffice original.

Para sustentar essa posição, a empresa utiliza uma interpretação jurídica expansiva das cláusulas de atribuição da licença, tentando equiparar a preservação de avisos de direitos autorais, que é obrigatória, à manutenção de marcas registradas na interface do usuário.

O que criaria uma barreira de entrada para outros players que desejam oferecer soluções de soberania digital europeia, baseadas no mesmo código sem carregar a identidade visual de um fornecedor específico.

Em última análise, o OnlyOffice tenta restringir a liberdade de modificação visual para manter o controle sobre como sua tecnologia é apresentada e comercializada por terceiros, usando a licença não apenas para manter o código aberto, mas como uma ferramenta de controle de concorrência.

O que é o Euro-Office?

O surgimento da ideia em torno do Euro-Office deve-se à busca por soberania digital e independência tecnológica dentro do cenário europeu. O projeto surgiu como uma iniciativa estratégica da IONOS e da Nextcloud para oferecer uma suíte de escritório que servisse como uma alternativa viável para organizações que demandam controle total sobre sua infraestrutura e ferramentas de colaboração.

Ao criar um fork baseado no OnlyOffice, os desenvolvedores buscaram fornecer uma solução que permitisse às instituições europeias gerir seus próprios dados e fluxos de trabalho sem a dependência direta de fornecedores externos que pudessem impor restrições comerciais ou de marca.

O projeto foi posicionado como uma “suíte soberana”, refletindo um movimento político e técnico na Europa para substituir tecnologias estrangeiras e garantir que as ferramentas críticas de produtividade possam ser adaptadas, auditadas e personalizadas livremente, sem as limitações impostas por licenciamento mais rígidos ou exigência de visibilidade da marca original.

Mas gente para que esse rolo todo se podem usar o Libreoffice que é de origem alemã?

Meu problema com o Onlyoffice é que na minha humilde opinião eles só são “saboor” open source…não aceitam pull requests….e por aí vai…

Porque o Libre não tem compatibilidade tão boa com arquivos Microsoft .docx

O problema não é não aceitar pull request, um projeto pode ser SL e não aceitar pull requests. O problema é usar uma gambiarra de atrelar uma licença a parte que na prática proíbe forks junto com a AGPL.

Isso não é bem verdade. O libre evoluiu muito sua compatibilidade.

O que realmente deve ser questionado é: Qual o sentido de migrar para uma suite livre a fim de garantir uma melhor soberania digital e continuar dependendo de formatos proprietários das Microsoft ao invés de adotar o ODF como padrão para os arquivos?

Simplesmente os zilhares de arquivos .doc já existentes.

Isso não pode ser usado como desculpa para se manter para sempre adotando formatos prop. Caso contrários estaríamos usando CD’s ainda hj. A tecnologia evolui e mudanças drásticas são necessárias. O correto ao meu ver seria tentar converter esses arquivos ou reescrever os mais importantes em formatos que se sustentem a longo prazo no quesito compatibilidade como os formatos abertos.

Iniciar adotando o onlyoffice como escolha já faz terem começando isso de forma errada.

Só para acrescentar .doc é proprietário, .docx teoricamente é aberto.

No mundo ideal, sim.

Parcialmente. E é por isto que temos problemas de compatibilidade ainda com outras suites.

repito o que disse anteriormente: para mim, é pura conversa pra boi dormir. ninguém quer mudar nada e a pressão deve-se ao fato político que domina atualmente, na Europa. Assim que as coisas amainarem, tudo volta ao normal.

Isso é verdade. Se pegar um arquivo docx muito complexo com fotos e tabelas, abrir no Libreoffice desconfigura tudo.

a questão, no meu ver, é: quantas pessoas usam uma formatação complexa, que o LO não dê conta? na maioria das vezes, vai o basição mesmo e está muito bom. e a compatibilidade melhorou muito, mas nunca será 100%.

no meu trabalho estão substituindo o MSO pelo LO porque tem muita gente que usa para edição simples, mal sabe usar o MSO em “todo seu esplendor e beleza”. aí o LO dá conta muito bem. E vale o antigo motivo, de não se gastar dinheiro com licença para ir de carro de casa pro mercado da esquina.

Fiz testes com os documentos do escritório onde trabalho e concluí que o WPS Office e o OnlyOffice são os melhores em compatibilidade, mas não são perfeitos. Inexplicavelmente, nem o Office Online é 100% compatível.

No final das contas só dá para confiar totalmente no Microsoft Office quando se usa os formatos da Microsoft, especialmente se os documentos são de grande importância.

Acho que o problema não é só a compatibilidade. Sim, compatibilidade é um problema em um mundo corporativo. Pequenas alterações de formatação, perda de identidade, figuras não carregadas na posição correta, geram um HH de perdas num mundo corporativo. O OnlyOffice está a frente do LO neste aspecto.

Outro motivo que também posso citar é o fluxo. O fluxo de trabalho do OnlyOffice é mais parecido com o do MSOffice. Para migração de quem vem do MSOffice, em um mundo corporativo, isso representa uma facilidade e mais eficiência do ponto de vista do usuários (menos perdas).

Agora, em questão de maturidade do projeto e de ferramentas, concordo com os colegas que o LO oferece muito, mas muito mais do que o OnlyOffice. Geralmente isso vai passar despercebido para quem quer imprimir um relatório, mas faz toda a diferença nos bastidores, de quem está filtrando e tratando dados, aplicando ferramental e macros, as vezes até para gerar os dados de quem vai simplesmente imprimir rsrsrsrsrs

Pessoalmente falando agora, por exemplo, o OnlyOffice não possui algumas ferramentas necessárias para quem faz um trabalho acadêmico na área de exatas. Por isso utilizei o LO na minha dissertação, apesar de preferir usar o OnlyOffice.

Provavelmente não é uma desculpa, provavelmente é uma real, sólida e intransponível impossibilidade converter tudo, são trabalhos e informações acumuladas ao longo de gerações inteiras.

Isso me lembra os diversos casos por ai de migração para fora do COBOL, um exemplo notório é a receita federal dos EUA, já gastou não sei quantos bilhões de dólares e está migrando desde os anos 90, e ainda hoje tem COBOL rodando lá. Um dos casos mais bem sucedidos de migração do COBOL foi o Commonwealth Bank of Australia, e ainda assim, foram 5 anos e 1 bilhão de dólares australianos.

Eu nem sei por onde se começaria a calcular o custo e tempo que levaria migrar possivelmente décadas de regras de negócio em planilhas e documentos da Europa inteira.

Boa briga :face_with_symbols_on_mouth::face_with_symbols_on_mouth::face_with_symbols_on_mouth::face_with_symbols_on_mouth:

Que a comunidade ganhe com isso.

creio que n seja necessário migrar tudo. valeria “daqui pra frente” no formato aberto ODF. Mas até esse tenho minhas dúvidas se seria compatível com os documentos gerados hoje, por exemplo, daqui a 10 anos.

Cara, um dia desse tava com um documento docx que não abriu legal no libreoffice. Pensei vou abrir pelo office online e salvar em .ODT .

O arquivo abriu com os mesmo problemas, acho que o maior problema é o MSOffice mesmo.

Pior do que isso:

O maior problema é o “cacoete” – um viés que se mete onde não deveria. – Onde nunca, jamais, deveria!

É como decretar que bater na esposa é crime – mas querer preservar o (jamais decretado!), “ain, mas [a Bíblia]… [o Alcorão]… [o I Ching]… [etc.]… diz que o marido tem o direito…” – e pipipi popopó.

Ou, que espancar qualquer pessoa é crime – mas… “ain, ele é um incréu, não obedece À MINHA religião”…!!!

É como decretar que “cada cidadão = 1 voto” – mas quando 99% dos cidadãos votam pela liberdade – “ain, mas isso vai ‘quebrar’ a economia, cujo fundamento é a escravidão”.

Todos são iguais – mas o “empresário” (1 voto, só 1 voto!) está acima de todos.

Neste caso, que estamos debatendo aqui, o “Grande Irmão” não é “o formato .DOC” – muito menos, o pobre cidadão “prejudicado” pela perda de seus bem-amados.DOC, sem os quais não poderá sobreviver.

Nenhum “formato proprietário” (privado) deveria – jamais, em tempo algum! – ser “exigido”, “protegido”, “erigido no altar das Coisas Sagradas” – por nenhuma legislação referente aos direitos dos cidadãos, dos governos, do Estado, das instituições públicas.

Ou, por acaso, o Estado, as Constituições, as instituições públicas, o “direito dos cidadãos” etc. deveriam ser “limitados” pelos “direitos adquiridos” da codificação Windows-1250 – mesmo que disfarçada de CP1250?

Nenhum documento em formato “.DOC” (ou, .DOCX, que seja!) tem “direitos”, com prioridade ou precedência sobre o direito dos cidadãos – ou sobre os interesses do Estado, que (se supõe) representa os interesses do país, da Nação, da população etc. (mesmo que nem sempre isso seja verdade, ou mesmo que, “quase nunca”, vá lá).

“ain, mas nosso Documento Fundador, sagrado, sacralíssimo etc. e tals, assinado em 1776 pelo Santo George Washington, foi feito em .DOC”…

Faça-se um PDF – e guarde-se o tal “.DOC original dos nossos Grandes Pais Fundadores” num Diskete Floppy “flexível” (bem flexível!) de 8 pulgadas, numa cripta criogênica, preservada em 0ºC absoluto, no mais recôndito sacrário de um Museu das Grandes Novidades! – para ser reverenciado pelas gerações sem fim, fazendo fila para pagar a taxa usual (exceto nos dias gratuitos, para cidadãos de última categoria).

Ou, em pergaminho, que seja! – e disponibilize-se uma imagem TIFF, PIFF, sei lá, em altíssima resolução – para que todos possam imprimir e pendurar na parede da sala… ou gerar memes paulificantes pra caçar cliques na internet.

Agora, voltando à vaca fria: – A única “barreira” que conheço, são planilhas de alguns órgãos públicos importantíssimos (o IBGE, estatísticas nacionais desde 5.000 a.C.) – ou, de empresinhas fuleiras, obrigadas a fornecer informações anuais às Agências Reguladoras – usando “macros” que só funcionam em XLS do MS Excel.

Todo o resto – Word, Excel, Polpóint etc. do Windows – e até mesmo, do MS-DOS (e antes dele, do CP/M 8 bits) – eu converti, de 1 vez por todas, para ODF, ODS, ou “plain text UTF8” – e guardei os Sagrados Originais em 10 backups, ao longo dos tempos – Floppy Diskete, ZIP Disk, CD, DVD, HDD, SSD, e o que mais vier pela frente.

“ain, mas o Sagrado Documento precisa ser distribuído para pobres cidadãos, coitadinhos, que só sabem usar MS Word”…

Quando se criou o chamado “Estado Moderno”, as pessoas – que ainda eram “servos” (não, cidadãos!) – deviam “fidelidade” aos senhores feudais – cada um com seu dialeto, cada um com um modo específico de ajoelhar pra levar chibatadas, cada um com suas crenças no poder das pragas celestiais.

O chamado “Estado Moderno” substituiu todas essas “lealdades intermediárias”, por uma lealdade única: – Falar a língua nacional – ou “uma das”, quando havia 2 ou mais.

Qualquer pessoa podia se tornar cidadão da França – desde que topasse obedecer às leis da França – e dirigir-se aos órgãos do Estado em francês.

Qualquer pessoa podia se tornar cidadão dos Estados Unidos – desde que topasse obedecer às leis dos Estados Unidos – e dirigir-se aos órgãos do Estado em inglês.

Nenhuma exigência de preservar o velho e bom dialeto do Langue D’Oc – ou, o antigo e bom hábito de escrever em pergaminho, e se ajoelhar 3 vezes perante o Sinhôzinho Feudal das quebradas.

Miles de dialetos, idiomas etc. foram (quase) erradicados da face da terra – e hoje tentamos recuperá-los, não como Exigência Sagrada, mas, simplesmente, para que cada região possa recompor sua história, seus antepassados, tradições etc.

Mas, para ser cidadão, deve-se dirigir ao Estado francês em idioma francês – ou ao Estado dos EUA, em inglês – em papel, ou arquivo eletrônico. – Não, em pergaminho, com selo do Sinhôzinho Feudal que apitava em cada região.

A cidadania é isso: – Eliminar Sinhôzinhos “privados” – na relação de cada cidadão, com seu direito de cidadão.

Vamos “exigir ODF”? – O correto seria “exigir” Idioma Nacional, em arquivo de “formato aberto e livre” – tipo, UTF8, ou imagem (JPEG? TIFF? PIFFF?) de formato universal, livre, aberto e não-proprietário.

Sinhôzinho Feudal, vade retro!

A depender do que tem no arquivo e como ta configurado, vai desconfigurar ao abrir no LibreOffice. Até dá para arrumar, mas dá trabalho ficar editando tudo de novo.