Escassez global de chips de computador 'atinge o ponto de crise'

A escassez de chips está elevando os preços da tecnologia - começando pelas TVs

Algumas televisões de última geração já custam 30% a mais do que no verão passado.

Televisores, laptops e tablets tiveram alta demanda durante a pandemia COVID-19, pois as pessoas trabalharam e aprenderam via Zoom, socializaram pelo Skype e se divertiram no Netflix para aliviar a tristeza da pandemia. Mas todo esse tempo extra de tela também ajudou a desencadear uma crise no fornecimento de semicondutores que está causando uma alta nos preços de alguns gadgets - a começar pelas TVs.

Nos últimos meses, o preço de modelos maiores de TV disparou cerca de 30% em relação ao verão passado, de acordo com a empresa de pesquisa de mercado NPD. O salto é resultado direto da atual crise de chips e ressalta que uma solução é mais complicada do que simplesmente aumentar a produção. Também pode ser apenas uma questão de tempo antes que outros dispositivos que usam o mesmo circuito - laptops, tablets e óculos de realidade virtual - sofram choques semelhantes.

Alguns fabricantes já sinalizaram possíveis aumentos de preços. A Asus, uma fabricante taiwanesa de computadores, disse durante uma chamada de lucros trimestrais em março que uma escassez de componentes significaria “aumentos de preços ainda maiores”, o que provavelmente afetaria os consumidores.

“Os preços estão definitivamente - infelizmente - subindo”, para esses componentes, diz Michael Hurlston, CEO da Synaptics, uma empresa que vende circuitos integrados para controlar telas sensíveis ao toque para fabricantes de eletrônicos de consumo. “Em certos casos, repassamos esses preços aos nossos clientes e ouvimos que eles estão repassando esses aumentos aos clientes.”

Embora o aperto na oferta tenha sido sentido em toda a indústria de semicondutores, esses circuitos integrados vinculados a monitores apresentam desafios específicos. Como não são especialmente avançados, os circuitos são normalmente feitos em fábricas de chips que estão várias gerações atrás da tecnologia de ponta. Com os fabricantes de chips focados na construção de fábricas de fabricação mais avançadas que produzem componentes mais valiosos, houve pouco incentivo para investir em capacidade em instalações mais antigas. Simplesmente não é possível produzir mais, mesmo quando a demanda aumenta.

Todos os tipos de dispositivos já foram afetados pela falta de chips. A Sony disse a analistas esta semana que o PlayStation 5 permaneceria em falta até 2022 devido à crise. As empresas que atuam como corretoras de componentes eletrônicos dizem que certos componentes viram os preços saltarem ordens de magnitude; reguladores de tensão usados ​​em inúmeros produtos que normalmente custam 50 centavos estão sendo vendidos por até US $ 70. Mas no nível do consumidor, os produtos que requerem circuitos integrados de tela estão sentindo o impacto primeiro, e mais fortemente, por causa dessas limitações de fábrica.

“Ouvi dizer recentemente que os estoques se esgotaram”, diz Peggy Carrieres, vice-presidente da AVNet , fornecedora de componentes eletrônicos. “Portanto, esses novos preços atingirão as lojas de varejo e o consumo do consumidor.”

Embora seja um tipo de circuito integrado, o impacto é amplo. “Qualquer coisa que tenha uma tela embutida será afetada por esses aumentos de preços”, diz Paul Gagnon , diretor sênior de pesquisa para dispositivos de consumo da empresa de analistas Omdia . Isso inclui fabricantes de PCs, diz ele, que conseguiram evitar aumentos vendendo dispositivos pelo mesmo preço, mas com, por exemplo, menos memória.

A varejista de eletrônicos Monoprice foi afetada pela seca de componentes, disse Paul Collas, vice-presidente de produtos da empresa. Ele afirma que a Monoprice não aumentará os preços, mas pode ter que cancelar as vendas e outras promoções. “Em alguns casos, também estamos vendo a necessidade de investir mais em pagamentos adiantados aos parceiros para garantir que as peças de longo prazo sejam protegidas para atender aos nossos requisitos de fornecimento.”

Uma confluência de fatores contribuiu para a seca sem precedentes de chips. A pandemia gerou um boom na demanda por eletrônicos domésticos e serviços em nuvem, e a desaceleração econômica também fez com que certas indústrias julgassem mal como a demanda cairia.

Os impactos também foram sentidos além da tecnologia de consumo tradicional. As montadoras, em particular, foram deixadas de lado depois de esperar menos vendas. Depois de cancelar preventivamente os pedidos de componentes de semicondutores, muitos fabricantes de automóveis tiveram que interromper a produção enquanto aguardavam a chegada dos reforços de suprimento. Interrupções mais amplas na cadeia de suprimentos também afetaram, incluindo um incêndio em março que fechou uma fábrica no Japão que fabrica uma variedade de componentes semicondutores - incluindo circuitos integrados de display.

Tensões geopolíticas entre os EUA e a China também contribuíram. Nos últimos anos, o governo dos Estados Unidos impôs sanções às principais empresas chinesas de tecnologia de consumo, incluindo Huawei e ZTE, bloqueando seu acesso aos chips mais avançados e levando-os a estocar o máximo possível.

Muitos especialistas esperam que a crise de semicondutores dure mais de um ano e pode contribuir para um redesenho do cenário global de fabricação de chips. A escassez destacou a importância da fabricação de chips para muitas indústrias, e os chips mais avançados serão vitais para o progresso em áreas-chave, como inteligência artificial, 5G e tecnologia militar.

A principal fabricante de chips dos Estados Unidos, a Intel, ficou atrás de concorrentes como a TSMC em Taiwan e a Samsung na Coréia do Sul nos últimos anos, mas a empresa planeja investir pesado em um esforço para recuperar uma posição de liderança. O governo dos Estados Unidos também propôs um estímulo de US $ 50 bilhões para a indústria de chips dos Estados Unidos em um esforço para reforçar as capacidades americanas de fabricação de chips.

Mas isso não ajudará em nada na situação atual, de acordo com Hurlston da Synaptics, uma fabricante de circuitos. “É apenas economia simples”, diz ele. “Há uma quantidade finita de oferta, estamos todos lutando por ela.”

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Eu não sei se no mundo existe alguma cadeia de suprimentos que não está com algum problema, talvez a de alimentos e/ou equipamentos médicos, mas ainda assim, indiretamente deve estar sendo afetada.

Não são apenas chips que estão em falta, mas quase tudo em qualquer ramo que você for pensar. No final do ano passado, quando a pandemia esteve na situação mais tranquila, lembro de ter faltado gesso na minha cidade, um insumo básico de construção.
Outro dia estava resolvendo um problema num shopping vi uma loja imensa especializada em sofás de couro cujo mostruário tinha duas unidades.

E isto é para todo o lado que se olhar. Não é um problema só do Brasil. A depender do comportamento do câmbio, o impacto aqui pode ser maior ou menor.
Para algumas coisas, creio que nosso mercado já seja suficientemente pequeno.

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Acho que alguns setores da indústria química (produtos de limpeza), bioquímica (cosméticos), farmacológica (medicamentos de uso livre relacionados ao fortalecimento imunológico e prevenção) são exceções que estão com a produção acima do normal e batendo recordes de lucratividade.
O que tem empresa dizendo que seu produto previne isso ou aquilo, desinfeta, fortalece, etc, tudo visando a induzir o consumidor que eles estará mais seguro em relação ao Covid-19 se fizer uso daquilo (claro que sem mencionar diretamente por questões jurídicas), já rolaram até processos entre fabricantes.

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Os discípulos contemporâneos de David Ricardo estão com as barbichas de molho. O afunilamento da produção de componentes seguiu uma lógica econômica poderosa, mas…

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Já fiz minha parte para o aumento de preços e antecipei a compra da minha TV kkkk

Rapaz, os mineradores agora estão procurando alternativas de hardware, explorando possibilidade vi que já tem gente partindo para Nvidia Quadro.

NVIDIA, AMD e Intel podem sofrer consequências de supercompensação por escassez de chips

Quando a demanda por chips for normalizada, o aumento desenfreado na produção pode acarretar em problemas para empresas

A escassez de chips global já se tornou um assunto recorrente em todas as áreas do setor de tecnologia. Enquanto Lisa Su, CEO da AMD, afirma que a escassez de chips é apenas um megaciclo que a indústria dos semicondutores está passando, o CEO da Intel, Pat Gelsinger afirma que a situação só deve normalizar em 2022.

A falta de chips é uma situação real, que causa efeitos negativos como aumento de preços. Entretanto, uma pesquisa publicada pela firma Jon Peddie Research, e comentada pelo site PC Gamer, traz a tona os perigos de super compensação que empresas como NVIDIA, AMD e Intel podem enfrentar.

Segundo a pesquisa, o risco é que fornecedores de semicondutores podem ser induzidos a acreditar que repentinamente 100 milhões de novos usuários surgiram, e que a demanda permanecerá alta por um longo período de tempo. “O risco é que as fabricantes exagerem e acreditem que 100 milhões de novos usuários apareceram e que a demanda permanecerá alta. Isso não é realístico, de onde esses usuários estariam vindo?” afirma a pesquisa da Jon Peddie Research.

Se investimentos desenfreados na produção de chips continuarem, existe o risco de quando a escassez de chips for resolvida, a produção se tornar muito superior a demanda. Dessa forma, a indústria enfrentaria um novo problema: o que fazer com o excesso de produção das novas fábricas?

A firma Jon Peddie Research afirma que ceder à pressão exagerada para suprir a demanda de chips pode acabar se tornando uma armadilha. Katie Wickens, do site PC Gamer, comenta que o resultado para empresas como AMD, Intel e NVIDIA, pode ser similar ao que a NVIDIA enfrentou em 2018 quando as baixas vendas de GPU não corresponderam com a alta produção. Por enquanto, o problema da escassez de chips ainda irá demorar para ser resolvido, mas é importante que empresas como AMD, NVIDIA e Intel planejem suas estratégias com cuidado, projetando como estará funcionando o mercado quando a situação normalizar.

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Senado dos EUA aprova investimento de US$ 52 bi para conter a crise dos chips

Além de estimular o desenvolvimento tecnológico dos EUA e conter a crise dos chips, projeto ainda pretende frear o avanço da China

O Senado norte-americano aprovou na última terça-feira (08) um projeto de lei de US$250 bilhões para conter a crise dos chips e impulsionar o desenvolvimento tecnológico no país.

A Lei de Inovação e Competição dos EUA (USICA, da sigla em inglês) é considerada um dos maiores projetos de lei industrial bipartidários da história dos Estados Unidos, ou seja, conta com apoio de republicanos e democratas. A USICA ainda precisa passar por aprovação na Câmara dos Representantes para entrar em vigor. Mas, ao que tudo indica, a legislação deve passar com certa facilidade pela Câmara, afinal, a proposta foi aprovada no Senado dos EUA com 68 favoráveis e 32 contrários.

Projeto pretende conter a crise dos chips e frear o avanço tecnológico da China

A proposta do governo é conter a crise de chips e, ao mesmo tempo, frear o avanço tecnológico da China e outras nações. De acordo com o escopo do projeto, cerca de US$ 190 bilhões serão destinados à ciência e pesquisa tecnológica. Isto inclui a criação de uma nova divisão na National Science Foundation, ou Fundação Nacional da Ciência em tradução livre, visando fomentar áreas emergentes da tecnologia como a Inteligência Artificial (IA).

Chuck Schumer, líder democrata no Senado, apresentou a proposta bipartidária para conter a crise de chips e estimular o desenvolvimento tecnológico dos EUA

De acordo com o senador Charles E. Schumer, um dos principais autores da USICA, o que a China estava fazendo para se destacar como uma potencial tecnológica e econômica era “investir pesadamente em pesquisa e ciência”. Para Schumer, se os EUA não começarem a investir nessas duas frentes a China poderá se tornar a maior economia mundial.

Além disso, pelo menos US$ 52 bilhões serão destinados à produção de semicondutores e chips. O Senado ainda pretende destinar US$ 10 bilhões ao Departamento de Comércio para a criação de novos pólos tecnológicos dentro do país. A ideia é permitir que outras cidades consigam “criar indústrias, gerar novos empregos em tecnologia e ter as mesmas oportunidades que o Vale do Silício”.

Mas como a proposta do projeto de lei não é apenas conter a crise dos chips, os legisladores também possuem planos para limitar a influência política e econômica da China. Entre as propostas estão:

  • Impor sanções ao governo de Pequim e as atuais práticas de Direitos Humanos;
  • Solicitar novos estudos sobre a origem do coronavírus;
  • Boicote diplomático aos jogos Olímpicos de Inverno de 2022;
  • Autorizar US$ 300 milhões para frear a influência política do Partido Comunista da China.

Apesar de a legislação ter sido aprovada pela maioria dos senadores, alguns liberais alertaram sobre o efeito “mentalidade da Guerra Fria”. Para eles o projeto possui algumas pontas que podem resultar em uma nova tensão geopolítica, mas desta vez entre EUA e China. Eles ainda afirmam que as propostas “podem alimentar racismo, violência, xenofobia e nacionalismo branco”.

Um dos objetivos da lei é frear o avanço tecnológico da China, mantendo os EUA como maior economia do mundo

Alguns democratas da Câmara também se mostraram preocupados com as considerações feitas pelos liberais, portanto, são esperadas mudanças no projeto até a aprovação final. Já os democratas do Senado, estão empenhados em mostrar que a intenção não é criar medidas “anti-China”.

O senador Charles Schumer enfatizou que de fato o país asiático, assim como qualquer outro, que liderar a ciência, será uma ameaça real aos EUA. Porém “devemos lidar com isso, não ficando com raiva deles, mas fazendo a coisa certa para nós mesmos”. O governo de Joe Biden, atual presidente dos EUA, informou que apoia o projeto e vai trabalhar para melhorá-lo e garantir o cumprimento das metas propostas.

Fábrica de chips luta contra a Covid e a crise climática

Fabricantes em todo o mundo já tiveram problemas para garantir suprimentos de semicondutores, atrasando a produção e entrega de mercadorias

O desastre ambiental já tem sido um desafio para os fabricantes de chips da ilha, incluindo a líder do setor, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSM).Foto: Long Wei/VCG via Getty Images

As autoridades taiwanesas estão preocupadas com a possibilidade de um surto grave de Covid-19 comprometer seu papel crucial na cadeia global de suprimentos de semicondutores. Mas há outra ameaça à indústria que os especialistas temem que possa ter consequências ainda mais drásticas: a crise climática.

Responsável por mais da metade da produção mundial de chips, Taiwan sofre há meses com sua pior seca em mais de 50 anos, um evento que especialistas dizem que pode se tornar mais frequente devido aos efeitos das mudanças climáticas.

“Há claramente uma pressão na indústria de semicondutores”, escreveu Mark Williams, economista-chefe da consultoria Capital Economics para a Ásia, em uma nota na quinta-feira (10) que aborda tanto a escassez de água e os casos de coronavírus como os cortes de energia contínuos.

Fabricantes em todo o mundo já tiveram problemas para garantir suprimentos de semicondutores, atrasando a produção e entrega de mercadorias. Se Taiwan for duramente atingida, a situação pode piorar muito, dada a importância da ilha em contribuir para o fornecimento global de chips.

O desastre ambiental já tem sido um desafio para os fabricantes de chips da ilha, incluindo a líder do setor, a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSM). A empresa disse que usa 156 mil toneladas de água por dia para produzir seus chips, o equivalente a cerca de 60 piscinas olímpicas.

A água é usada para limpar dezenas de camadas de metal que formam um semicondutor.

“Em um chip, existem muitos bilhões de transistores e precisamos de muitas camadas de metal para interconectar todos os sinais”, disse Jefferey Chiu, engenheiro elétrico da Universidade Nacional de Taiwan.

“Temos que limpar a superfície repetidas vezes após a conclusão de cada processo”, continuou.

As autoridades taiwanesas limitaram o fornecimento de água encanada em toda a ilha em resposta à seca.

A TSMC já tentou lidar com a escassez transportando água por caminhão e aumentando as medidas de reciclagem. A empresa disse ao CNN Business que a produção até agora não foi afetada.

“Temos procedimentos de resposta detalhados para lidar com a escassez de água em diferentes estágios”, afirmou a empresa. “Por meio de nossas medidas de conservação de água existentes, somos capazes de gerenciar as atuais necessidades de redução do uso de água do governo, sem impacto em nossas operações”.

Tecnologia indispensável

Peça indispensável, os chips semicondutores estão presentes em tudo, de smartphones e carros até máquinas de lavar.

Os chips superavançados são difíceis de fabricar devido ao alto custo de desenvolvimento e ao conhecimento necessário para fabricá-los, o que significa que grande parte da produção está concentrada apenas em um punhado de fornecedores.

A TSMC é a maior fabricante de chips do mundo, e suas caras instalações de manufatura abastecem muitas empresas, incluindo a Apple (AAPL), Qualcomm (QCOM) e Nvidia (NVDA), que podem projetar seus próprios chips, mas não tem os recursos para fazê-los.

A tecnologia de ponta da empresa taiwanesa também a tornou um player fundamental, já que os Estados Unidos e a China vivem uma rivalidade acirrada no desenvolvimento de tecnologias avançadas do futuro, como inteligência artificial, 5G e computação em nuvem.

"A TSMC é a chave para muitas empresas diferentes”, opinou Alan Priestley, analista vice-presidente da consultoria Gartner. “A maioria dos eletrônicos de alto desempenho que você usa hoje, como telefones celulares e tablets, têm chips feitos pela TSMC”.

Oferta limitada

A indústria global de semicondutores está sob muita pressão agora. Os chips estão em falta ultimamente em grande parte por causa da demanda volátil causada pela pandemia, as sanções dos EUA sobre empresas de tecnologia chinesas e as condições meteorológicas extremas. Um número crescente de empresas de tecnologia relatou problemas para proteger semicondutores, o que, segundo analistas, pode atrasar a produção ou aumentar os preços pagos pelos consumidores.

Os fatores tornam qualquer ameaça à produção de Taiwan ainda mais importante de conter.

Além da seca, as autoridades também expressaram preocupação sobre o surto de coronavírus na ilha autônoma, que começou no mês passado e desde então se tornou o pior desde o início da pandemia.

James Lee, diretor geral do Taipei Cultural and Economic Office em Nova York, disse à agência de notícias Bloomberg no mês passado que o setor poderia enfrentar “problemas logísticos” e apelou aos Estados Unidos para que enviassem vacinas para Taiwan.

“É por isso que é urgente”, disse Lee. “Esperamos que a comunidade internacional possa ajudar a liberar vacinas o mais rápido possível para ajudar a controlar o surto”.

O escritório de Lee recusou um pedido de entrevista do CNN Business, citando sua agenda lotada.

No mês passado, a TSMC contou que dois de seus funcionários foram diagnosticados com Covid-19, embora tenha dito que as operações continuaram normalmente. E Chiu, o engenheiro da Universidade Nacional de Taiwan, disse que muitas empresas provavelmente serão capazes de mitigar os riscos, uma vez que o processo de fabricação do chip é altamente automatizado e os fabricantes têm funcionários separados por grupos para limitar a propagação do vírus.

Ainda assim, pelo menos cinco fabricantes de semicondutores a sudoeste da capital Taipei foram forçados a suspender algumas operações porque os trabalhadores migrantes adoeceram.

A King Yuan Electronics, fornecedora líder de serviços de teste e embalagem de semicondutores, teve que suspender os negócios por dois dias no último fim de semana depois que mais de 200 funcionários testaram positivo, de acordo com a Agência Central de Notícias, a fonte oficial de notícias da ilha. Todos os trabalhadores migrantes, ou cerca de 30% dos sete mil funcionários da empresa, foram colocados em quarentena por duas semanas depois que um foco de vírus foi relatado em seus dormitórios.

Embora a King Yuan tenha dito que colocou mais gente nas linhas de produção, ela alertou que as fábricas só conseguem operar com capacidade limitada.

Os dados de abril sobre os pedidos globais de semicondutores sugerem que “as restrições de capacidade persistirão”, escreveu Williams, da Capital Economics, no mês passado, observando que havia muito mais pedidos do que exportações de Taiwan.

“Isso não vai continuar indefinidamente: os pedidos de semicondutores no mês passado foram 74% maiores do que os da pré-pandemia, o que não é sustentável”, afirmou Williams, acrescentando que a carteira de pedidos “vai demorar um pouco para se esvaziar”.

Longo prazo

Os especialistas dizem que o problema da falta de água, por sua vez, pode piorar no futuro. A mudança climática provavelmente trará menos chuvas para Taiwan nas próximas décadas, o que pode resultar em secas mais frequentes, de acordo com Hsu Huang-hsiung, pesquisador de clima da Academia Sinica.

“Nossas projeções mostram que a seca vai se agravar no futuro. Portanto, este ano foi uma boa oportunidade para testar a sustentabilidade de nossa indústria de semicondutores”, disse Hsu.

De acordo com o engenheiro Chiu, a seca poderia limitar o desenvolvimento de chips avançados de Taiwan. À medida que a tecnologia por trás dos semicondutores se torna mais sofisticada, os fabricantes de chips precisarão de mais água durante os processos químicos necessários para fabricá-los.

A escassez de água também não é a única questão ambiental em jogo. Os apagões contínuos causados pela crescente demanda por eletricidade em Taiwan também sufocaram a produção. A TSMC disse que quedas de energia afetaram até mesmo algumas de suas instalações.

“Precisamos reduzir nossa emissão de dióxido de carbono. Mas, por outro lado, precisamos gerar mais eletricidade”, pontuou Hsu, acrescentando que as empresas de semicondutores de Taiwan precisarão investir em mais energias renováveis para garantir um futuro sustentável.

A TSMC disse que já está trabalhando para reforçar seu fornecimento de energia por meio de parcerias com usinas solares e parques eólicos em toda a ilha. No ano passado, ela disse que pretende abastecer sua produção totalmente por meio de energias renováveis até 2050.

Falta de chips faz Volkswagen suspender produção em SP e no Paraná por 10 dias

Em nota, companhia afirmou que tenta minimizar os efeitos da escassez de semicondutores que atinge a produção de veículos no Brasil.

A Volkswagen anunciou nesta sexta-feira (11) que vai suspender por 10 dias a fabricação de veículos em duas unidades de São Paulo e outra no Paraná, devido à falta de chips. Os funcionários entrarão em férias coletivas.

Em nota, a companhia afirmou que tem tentado minimizar no Brasil os efeitos da escassez de semicondutores que atinge a produção de veículos no mundo.

“Entretanto, o cenário atual não demonstra o encaminhamento para uma solução definitiva visando a normalização do fornecimento de chips. Ao contrário, há sérios riscos de agravamento dessa situação nas próximas semanas”, afirmou a empresa, no documento.

Devido à escassez de insumos, a montadora alemã anunciou que vai paralisar as operações de suas fábricas de São Bernardo do Campo e São Carlos (SP) e de São José dos Pinhais (PR) a partir de 21 de junho, por 10 dias.

“Novas paralisações não estão descartadas futuramente caso o cenário global de fornecimento de semicondutores permaneça crítico, impactando diretamente as atividades de produção da empresa no Brasil”, acrescentou a empresa.

Em entrevista à Globo News na terça-feira (8), Pablo Di Si, presidente da Volkswagen no Brasil, afirmou que a solução para a falta de peças só deve vir em 2022, com o aumento na produção de semicondutores e o equilíbrio entre oferta e consumo.

“Até lá, vamos ter interrupções diárias ou por semana, ficaremos nesses altos e baixos”, disse.

Apesar das dificuldades, a Volkswagen mantém as projeções de crescimento para o ano. Di Si lembra que a escassez de semicondutores é uma realidade desde outubro do ano passado.

E que, ainda assim, a produção de veículos no Brasil, segundo a Anfavea, associação que reúne as montadoras, cresceu 55,6% de janeiro a maio deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.

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Será uma nova bolha da tecnologia?

Acho que não, as empresas estão cautelosas dessa vez.

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Eis os Estados Unidos, “Campeões do Liberalismo Econômico”, mais uma vez demonstrando pragmatismo; embora, desta vez, me pareça uma reação tardia.

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Como me dói quando vejo pessoas mais alinhadas à esquerda dizendo que os EUA são um símbolo liberal.
No máximo, foi na crise de 1921. Depois disto, embora menos que no Brasil, é mais um do tipo de capitalismo que individualiza lucros e socializa prejuízos.

“Campeões do Liberalismo Econômico” assim, com aspas. Sem aspas, só no Mundo dos Youtubers e Influencers em geral.

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No índice de liberdade econômica, os EUA são o 18º.

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Essa escassez só vai acabar lá para final de 2022 e olhe lá. Muito dos chips estão incrivelmente concentrados na TSMC. É algo assombroso.

Provavelmente a Apple e montadoras de automóveis estão pagando mais para serem prioritárias.

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Com certeza. Empresas grandes vão ter a preferência. Por isso que hardware vai continuar caro por bom tempo, principalmente placa de vídeo, que é algo mais “supérfluo” em relação a processadores. Empresas não usam placas de vídeo nos desktops então a tendência dos contratos é ser mais para processadores, etc.

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Considerando que não houve intervenção estatal nas negociações, nem clamor popular por uma ou outra empresa, nem que estão sendo priorizados empresas que necessitem de chips em ramos realmente prioritários, é de se imaginar que as empresas entraram em um consenso tipo acordo de cavalheiros nos bastidores (troca de favores na indústria) ou as empresas mencionadas pagaram a mais para terem seus pedidos em primeira ordem, o que não seria de se estranhar, levando-se em conta que os produtos da Apple tem um valor de mercado mais elevado e que pelo menos aqui no Brasil desde janeiro as montadores de automóveis estão reajustando de forma generalizada os preços.

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