Olá, pessoal! Estou com um pequeno dilema técnico aqui e queria a opinião de quem já “bateu cabeça” com hardware de servidor antigo. Estou expandindo meu homelab e, por uma oportunidade de desapego, acabei pegando um lote de HDs SAS de 300GB que rodam a 15.000 RPM. São unidades de 3.5 polegadas com interface SAS 6Gbps.
Minha ideia inicial era usá-los como um pool de alta velocidade (pelo menos para os padrões mecânicos) no Proxmox ou em um Debian liso para rodar alguns containers e bancos de dados de teste. No passado, eu sempre usei discos SATA de 7.2K, então essa é minha primeira vez lidando com o ecossistema SAS fora de um ambiente de TI corporativa. O que me atrai neles é justamente a robustez que esses discos enterprise costumam ter e a velocidade de rotação de 15K, que ajuda muito no IOPS quando comparado aos HDs comuns.
A questão que fica é o suporte do kernel e a viabilidade prática. Alguma recomendação de controladora HBA que não dê dor de cabeça no Linux para reconhecer esses discos de 6Gbps em modo IT (pass-through)? Também fico pensando se o barulho e o consumo de energia não vão acabar anulando a diversão de ter um sistema teoricamente mais ágil. Como o foco aqui é aprendizado e rodar uns serviços de rede, me pergunto se o Linux gerencia bem a economia de energia nesses discos de alto desempenho ou se eles vão ficar girando na velocidade máxima o tempo todo, mesmo ociosos.
Alguém aqui ainda mantém esse tipo de hardware legado rodando em casa? No fim das contas, a confiabilidade de um SAS de 300GB/15K https://serverorbit.com/hard-disk-drives/sas-6gbps/300gb-15k-rpm-3-5inch ainda bate a performance de um SSD barato para quem faz muita escrita de logs e pequenos arquivos de sistema?
Fala @jehelar818! Cara, excelente achado para fins de laboratório e aprendizado, mas vou te dar um panorama bem realista de quem já passou exatamente por essa fase de colocar discos de 15K no homelab:
1. Controladora HBA recomendada (Plug and Play no Linux)
Se quiser usá-los sem dor de cabeça no Proxmox/Debian (principalmente se for usar ZFS):
Vá de LSI 9211-8i (ou Dell PERC H200 / H310 flasheada em IT Mode).
Elas usam chipset LSI SAS2008 / SAS2308. O driver no kernel do Linux (mpt2sas / mpt3sas) é nativo há anos: você espeta na placa-mãe, conecta o cabo Mini-SAS SFF-8087 para SAS com alimentação e o Proxmox reconhece os discos como JBOD direto, sem precisar configurar nada.
2. A realidade do barulho, calor e consumo em casa
Aqui é onde a empolgação costuma esbarrar na convivência diária:
Calor: Discos de 15K foram feitos para gavetas de servidores com fans de alta pressão. Eles esquentam muito. Se você colocá-los num gabinete comum sem um fan de 120mm soprando ar direto neles, eles passam fácil dos 50°C.
Ruído: O zumbido/assobio contínuo de 15.000 RPM é bem característico (e nada silencioso se o homelab ficar perto de onde você dorme ou trabalha).
Consumo e Spindown: Discos SAS enterprise foram projetados para rodar 24/7 e geralmente não aceitam modo de suspensão/sleep como os discos SATA de desktop. Mesmo ociosos, eles consomem cerca de 10W a 14W cada um. Se você montar um pool com 4 discos, são quase 50W contínuos só de storage girando.
3. SAS 15K vs SSD SATA de entrada: quem ganha?
Sendo bem sincero: qualquer SSD SATA básico de 500GB dá uma surra de lavada nesses discos em containers e bancos de dados.
Um SAS 15K bate no máximo 200 a 250 IOPS por disco. Quatro deles em RAID10 vão te entregar uns ~500 a 600 IOPS.
Um SSD SATA de entrada entrega fácil 50.000 a 80.000 IOPS, com latência quase nula (0.05ms vs 3ms do mecânico), consumindo 1W, sem barulho e sem esquentar.
Para banco de dados e máquinas virtuais no Proxmox, o gargalo não é a taxa de transferência sequencial, é o IOPS de leitura/escrita aleatória de blocos pequenos — e aí a física do braço mecânico não tem como competir com a memória flash.
Veredito:
Para aprender e brincar com controladoras LSI, cabeamento SAS e ZFS: Vale muito a pena pela diversão do laboratório!
Para uso diário 24/7: O consumo elétrico e o barulho cobram uma conta cara para o desempenho que eles entregam hoje em dia.
Se pegou num preço muito bom, monte o pool para testar e aprender, mas para os serviços principais que rodam direto, um SSD SATA/NVMe ainda é o melhor amigo do seu homelab!
Discos SAS são extremamente confiáveis eu tenho 6 HD SAS de 300GB + 2 SAS de 1.2TB num servidor HP DL380 Gen8, são discos adquiridos (usados) entre 2013 e 2018 mas todos continuam funcionando como novos até hoje (embora meu servidor esteja desligado a quase 2 anos).
Quero passar 3 pontos de analise de minha experiencia pessoal:
1 - SSDs Sata são muito mais rápidos que os HDs SAS, mas para um Homelab dificilmente precisamos do desempenho do SSD, os HDs SAS já suprem mais que o necessário em termos de desempenho para um homelab, meio que não faz diferença se sua consulta no banco de dados num HD SAS levou 1.9ms e num HD SSD levou 0.2ms, só faria alguma diferença se a consulta fosse numa tabela de 200GB com os índices todos quebrados (sem índice) só então você conseguiria realmente ganhar algum tempo.
2 - Infelizmente já tive 5 experiencia de SSD dando problema e parando de funcionar do nada, eram SSD com uma média 18 meses de uso (ssd domestico), já com os HDs SAS até hoje nunca tive problema, e temos que lembrar que os SSD possuem uma limitação da quantidade de dados que conseguem escrever (TBW) antes de apresentar falha.
3 - Talvez o ideal seja você mesclar as tecnologias, ter 2 HD SAS para confiabilidade/backup e 2 SSD para alta performance.
Se vale apena ou não eu diria que depende o custo-benefício (custo de energia elétrica x comprar SSDs novos x tempo de vida do SSD/HD SAS), eu prefiro continua com os HDs SAS devido sua robustez e confiabilidade.
Como estou respondendo em 2026 talvez minha resposta já não seja muito útil…kkkkk.