[ Discussão ] O quão vocês acham que o "usuário comum" brasileiro sabe sobre computadores?

Eu trabalho em uma escola como monitor. Como as aulas estão suspensas, todas as atividades escolares estão sendo realizadas a distancia e, com isso eu percebi que a maioria dos professores estão boquiabertos com o número de alunos que passam a maior parte do tempo na frente de um computador ou de um celular e não conseguem operar um simples serviço de video conferencia ou o google classroom.

Os nativos digitais podem ser experts nos joguinhos ou até mesmo na interpretação e compartilhamento de memes nas redes sociais, mas quando se deparam com outros serviços ou instrumentos digitais, se tornam pior do que os próprios pais ou avós (que geralmente servem de modelo pros seus memes representando pessoas digitalmente ignorantes).

Creio que o uso da internet tornou-se um postiço da anatomia e fisiologia humana, pois usa-se para tudo, tudo mesmo: Procurar comida, locomover-se, procurar parceiros sexuais…

Mas assim como muitos não precisam ser formados em biologia, e entender como é o funcionamento do corpo humano, para viver uma grande parcela da população acaba aprendendo a usar celulares, computadores e outros aparelhos sem nem ao menos entender o processo que desempenham para funcionar. Pois a grande preocupação do “usuário comum” é saber se funciona, não como funciona.

6 curtidas

Cara, outro dia lidei com um problema tão besta em minha smartv que não acreditei como uma falha bizarra de desenvolvimento desta passou batida.
E olha que não é um modelo básico, é uma Android TV.
Aparelho ligado, conectado à rede com o erro “conectada, mas sem internet”.
Navegador e Netflix funcionavam, mas outros aplicativos não (Youtube e Amazon Prime) pelo que me lembro.
E aí não sei porque, por algum motivo a TV perdeu a configuração de data/hora, e não soube reconhecer que o conflito era este.
Fico perguntando a qualidade do desenvolvimento a ponto de uma falha bizarra desta ter acontecido. Se ela não altera data e hora automaticamente, sincronizando pela rede, deveria. Se não o faz, por que uma hora sincronizada foi perdida? E pior, por que ela não conseguia identificar este erro absurdo?
Então acho que realmente a nova geração terá uma série de problemas em lidar com certos tipos de desafio. Coisas que fogem a esta facilidade da resposta pronta, que saem da caixa, podem ser um problema significativo, porque aparentemente tudo funciona e de maneira muito fácil, mas poucos se esforçam para entender o porquê e, aí ter uma visão crítica e poder resolver problemas que não tenham uma resposta pronta.

1 curtida

Sei que algumas pessoas vão coçar o dedinho para falar “que nem todo mundo é assim”, mas é que a grande parte dos Brasileiros odeia ter conhecimento, independente da área.

Se alguém sabe usar o Microsoft Office ou se sabe baixar coisas da internet, já é o suficiente para ele ser chamado de nerd (de forma pejorativa), e coisas desse gênero.

Se tratando de adolescente as coisas pioram ainda mais, a maioria fica com “nojo” desse tipo de assunto, mas quando é para dar lição de moral em cima de alguém ou até mesmo falar de empatia sem nunca ter lavado a roupa íntima uma vez na vida para ajudar a mãe, vira um filósofo(a) contemporâneo.

E as pessoas só tem esse comportamento acima para poder ser notada por outras pessoas, da mesma forma que o jovem “entusiasta” não dura uma semana usando Linux porquê tem preguiça ou odeia ler três linhas que resolverão um problema simples, prefere que alguém resolva o problema pra ele, enquanto o mesmo toma um ovomaltine.

2 curtidas

Você sabe como se aprendia a usar computador na década de 90/2000?

Tem ideia do quanto as pessoas se tornaram preguiçosas para usar um computador, ao ponto de não aceitarem mudanças na aparência, seja do sistema operacional, ou dos programas que costuma usar?

Acredito que esse meu vídeo possa lhe ajudar a refletir sobre o assunto.

2 curtidas

Tinha duas formas: fuçando e/ou lendo apostila.

Na década de 90, com uma máquina custando seus R$ 5.000,00 e o salário em seus míseros R$ 136,00 (em 1999), quase ninguém tinha condições de adquirir um (mesmo que do Paraguai).

Talvez até conseguissem alguma apostila, mas sem uma máquina para praticar, agora comprar sem um conhecimento prévio, para aprender sozinho? Não na realidade do Brasil na década de 90.

1 curtida

Eu lembro que computador nos anos 80 era coisa de empresa grande.
No começo dos anos 90, o 386 era artigo de luxo de médios/altos executivos.
Em 1994 começou a chegar na classe média alta, por R$ 3.000,00 no kit IBM 486DX266 com um monitor de tubo de 14", impressora matricial e estabilizador.
Entrei na escola técnica em 1997. Naquele ano não ter um computador já era uma significativa desvantagem em pesquisas. Aí descobri laboratórios que eram abertos a uso dos estudantes quando não estavam havendo aulas. Para época, em verdadeiro luxo: 4 ou 5 salas (agora não lembro) com 20 computadores cada E acesso à internet, o que na época ainda estava engatinhando, mas era raro. Algumas máquinas já eram windows 95 e outras eram 3.11. Isto já foi uma oportunidade de ter que encarar sistemas um pouco diferentes entre si.

Em que cidade você mora(va)?

Aprendi a usar computador em 1997, mas o computador era compartilhado com outras 2 pessoas. Como meu cunhado precisou comprar um computador para o mercado, saí na frente dos demais alunos que estavam fazendo curso comigo.

Belo Horizonte. Na época, uma das cidades pioneiras em internet. Salvo engano, a primeira cidade (pelo menos de grande porte) a ter ISDN.

Pode ser por isso que vc teve todas essas “vantagens” nessa época. Falando a nível de Paraná, em muitas cidades, ter um computador até 1996 era muito complicado, exceto se viessem do Paraguai, com todos os programas proprietários piratas.

Pra antecipar: PR tem 399 cidades e óbvio: não conhecia a situação das pessoas em cada 1 delas.

Eu mesmo só fui ter um no final do século, um Pentium II de cartucho, que me arrependo muito não ter guardado.
Mas a questão nesta época era como aprender. Fazer um curso de informática era uma fortuna, para vc fazer o básico, e praticamente “garantia” um emprego, numa época que ninguém sabia nada de computação.

Chegou a ver o vídeo?

No âmbito geral quem foi introduzido a informática cedo num curso(s) bom domina o público leigo… como os computadores no Brasil bombaram muito tarde na época do PC do milhão somente; quem entendia de hardware, comprava e comparava, e softwares; antes desse boom, era tido como avançado. Pelo percentual eu digo que no Brasil ⅒ sabe o suficiente pra avançar sem problemas. Claro estou falando de São Paulo se for Roraima 1/30

1 curtida

Em uma escala de 0 a 10, pra mim é -5.

2 curtidas

Concordo. Todos os dias eu preciso lidar com pessoas que possuem dificuldades de fazer coisas simples e não estou me referindo apenas a adultos, mas também a jovens que apenas sabem utilizar um smartphone.

2 curtidas

Eu trabalhei com suporte para a GVT/VIVO e manutenção de computadores por alguns anos… fiquei um tempo em um setor onde ligávamos para os clientes de todo país que abrem chamado de problemas de conexão (supostamente).

Idosos ou pessoas com 40/50anos+: a maioria, não sabe nem ligar o PC, quando sabem, não tem nem ideia do nome do sistema quanto mais a versão, mas identificam o “E” do Explores para internet… mas claro, possuem muita dificuldades para enxergar os pequenos ícones do Windows que não é bom com acessibilidade…

Quando atendia o dono do computador, na maioria sabe o nome e versão do sistema mas mandam para assistência técnica/abrem chamado por coisas como “nevagador não abre” e pensa que o problema é com a conexão de internet ou “sistema sempre atualiza…”. Percebo que é normal apenas 1 ou no máximo 2 pessoas da família (geralmente os mais novos) saberem usar o navegador no computador. Já os pais/avós ainda só usam apenas o smartphone/whatsapp…

Chutando, creio que pelo menos metade dos BR’s só tem algum conhecimento ou experiência com smarthphones com uso muito básico (facebook/whats).

SmartTV’s + smartfone + console supre as necessidades da maioria do povo, o PC fica para minoria ou para o trabalho.

Nestes tempos de pandemia, creio que o PC deve ter recebido um pouco mais de atenção…

2 curtidas