[ Discussão ] O quão vocês acham que o "usuário comum" brasileiro sabe sobre computadores?

Qualquer generalização de 200 milhões de pessoas é impossível de ser feita.
O que você a população brasileira pensa dos automóveis? E dos aviões? E das máquinas de costura?
Observe que existem três níveis de usuários para estas coisas: os que fazem o básico, os que são razoáveis, e os que querem ir além da média.
No Brasil, graças à maldita lei de restrição de importação, temos um mercado muito menor e menos diverso do que deveria. E sem nem conhecer, não se desperta o interesse e o conhecimento.

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Aaaaaah, acho que entendi o que aconteceu…

Ocorreu o que eu estava com medo…me expressei mal. Quando eu coloco “(em geral)” no título me refiro ao chamado “usuário comum” já que esse é o tipo de usuário predominante no Brasil e não necessariamente jogo todos os brasileiros em um mesmo saco e pronto.

Continua difícil ser algo a se dizer pois são milhões de “usuários comuns”, e por isso que eu coloco pra cada um falar daqueles que a pessoa conhece e convive.


É, talvez possa ser um pouco disso, porém até mesmo quem tem e conhece mesmo assim não se interessa.

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Sempre considerei que sabem muito pouco e acabo me incluindo nisso em diversas áreas, ainda mais aprendendo agora sobre Linux.

Curiosamente essa semana Whatsapp liberou o tema Escuro, saindo do visual tradicional. Comentei sobre e me espantei com a quantidade de pessoas perguntando como faz. Não que tenham a obrigação de saber mas reflete como algo simples já provoca demanda.

Também por algum tempo observei as pessoas completamente perdidas na primeira experiência delas com Mixer e Twitch, sem saber como alterar uma simples imagem de perfil. A ironia é que pelo menos até hoje (dia 07/03/2020) a localização do menu é exatamente a mesma do Youtube, canto superior direito, bolinha. Por sinal, mesmo local deste mesmo fórum. Algo assusta as pessoas nas mudanças e elas bugam!

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Deu pra compreender. Não se preocupe. Problematizações acontecem.

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A maioria das pessoas não sabem diferenciar hardware de software, de vez em nunca eu dou manutenção em computadores e eu percebi que pra maioria das pessoas não faz diferença Windows ou Linux (salvo casos onde a pessoa depende de un software específico) elas conseguwm se virar com qualquer sistema isso também vale pra suítes office

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O “usuário comum”, no que diz respeito à computadores, só quer saber de acessar as redes sociais (e digo “redes sociais” no sentido mais amplo possível, o que inclui Whatsapp e YouTube), poder pesquisar alguma coisinha no Google, poder assistir aos suas programações da NetFlix e jogar um joguinho online no caso das pessoas mais jovens. Reparem que tudo isso dá para fazer com um smartphone.

A maioria dos “usuários comuns” só tem computador¹ porque é obrigado a usar uma suíte de escritório, seja por conta do colégio/faculdade ou por conta do trabalho. Geralmente espera-se que seja o Microsoft Office (versão 2007, 2010 e 2013. Sim, há gente que usa a versão 2007 mesmo em pleno 2020), mas já vejo muito usuário comum partindo pro WPS Office; até criei um tópico sobre isso.

Continuando o assunto do parágrafo anterior, também têm muitas pessoas só tem um computador¹ por causa de softwares específicos, mas não sei ao certo se eles são uma parte considerável da população.

Trazendo essa conversa para o mundo Linux

Eu diria que as distribuições já estão prontas para o usuário comum há muito tempo. O usuário comum consegue se adaptar rapidamente mesmo a um ambiente gráfico diferente (inclusive um que esteja no formato “GNOME 2”, isto é, com o painel na parte superior da tela), basta informá-lo onde está o menu (ele consegue fazer isso sozinho, mas…). Alguém pode querer me dizer que há gente que não se adapta, mas essas são um tipo de pessoa que tem aversão de aprender QUALQUER coisa nova, com eles ou você é mais insistente ou deixa de mão e instala o Windows piratão no computador dele.

A distribuição Linux só precisa trazer duas coisas por padrão para o usuário final: suporte para codecs proprietários e unrar já instalado, assim você resolve a maioria dos problemas da maioria das pessoas. Um bônus muito bem vindo seria trazer um instalador de programas que instale facilmente o League of Legends, Spotify e NetFlix. Faça tudo isso sugerido neste parágrafo que você agradará 90% das pessoas.

Até o LibreOffice consegue quebrar o galho. Meses atrás fiz uma comparação entre as suítes de escritório em relação ao suporte ao arquivo .docx e digo que muitos dos problemas do LibreOffice serão resolvidos na versão 6.4 (alguns graças aos meus bug reports).



¹ Tecnicamente um smartphone também é um computador, mas por “computador” quero dizer computadores de mesa e notebooks.

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Responderei a esta pergunta com as palavras de John Dvorak, em slides de um saudoso professor que nos deixou em 2018 e agora vive nas pradarias do céu, pra onde todos iremos um dia.


Realmente, a pergunta é o quanto ele sabe ou o quanto seria saudável saber?
Estou acima do peso, e sei que estou errado. Posso ter hipertensão e aterosclerose dentre outras coisas mil. Mas eu me alimento como devo? Não. E as pessoas sabem o que e o quanto deveriam saber sobre muitas coisas? Provavelmente, não.

Como disse um colega acima: eu nunca sei o bastante. Esse é o meu jeito e o dele, mas nem todos pensam assim. De qualquer forma, as palavras de Dvorak foram para lembrar o que muitos já esqueceram: é um computador. Você pode “usar só o facebook e o twitter” — se você quiser pode usar só o Campo Minado: continua sendo um computador, logo a desvantagem em não saber está do seu lado.

O problema que eu acho agravante nem é esse. Eu tenho hobbies orientais e há um limite pro que existe traduzido. Aprender japonês não é fácil. Eu tento, mas não como deveria. Porque sou humano e falho… No entanto, admito que falho.

Se esconder atrás de direitos e desculpas, “não tenho tempo”, “não consigo fazer tudo”, “não” ---- nada disso vai mudar o fato de que você ainda está do lado errado da balança. Assim como eu posso ter todos os motivos do universo pra não cuidar do meu peso, só que a aterosclerose não vai pedir licença pra entrar. É uma questão factual.

Então no mínimo uma pessoa que opta por limitar o escopo do que aprende, deve entender que tipo de preço poderá pagar por isto. Assim estará exercendo seu direito em preferir não se aprofundar e ao mesmo tempo garantindo outro direito: o de saber o tradeoff. Não adianta tentar iludir as pessoas que dá pra usar só o facebook e o twitter. Dá se os capacitores não resolverem explodir porque sim, ou se o sistema não resolver dar BSOD/Kernel Panic, se os drivers pra sua nova panela com internet não resolverem quebrar o resto do sistema, se…

Dá na maior parte do tempo? Sim, parece que sim. Mas o número de pessoas que negligencia a saúde ou um conhecimento que seria útil como japonês é grande também. Se você pelo menos sabe o que está perdendo no momento e o que mais poderá eventualmente perder, a troca é justa.

Acredito que as pessoas deveriam usar distros com supostas facilidades e conveniências para ir se aclimatando a outros tipos de conhecimento. Sim, você pode usar a “loja virtual” (GUI), mas já que isso garante que no final será instalado de um jeito ou de outro, por que não tentar o shell antes? Se der errado você vai à loja virtual e no dia seguinte tenta de novo. Um passo de cada vez. Isso seria a forma ideal, sem sobressaltos e respeitando o limite e o ritmo de cada pessoa.

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A maioria dos usuários de computadores, smartphones e seja lá o que for, nem quer saber o que tá fazendo ali.
Só quer usar, desde que esteja funcionando, o usuário básico não vai se importar com privacidade, versão de algo ou mesmo o sistema operacional que está ultilizando.
Muitos deles não sabem o que é Windows, Office e raramente sabem usar o e-mail.
Eles só usam, porque está funcionando. Se não estiver funcionando, só chamam alguém que entende disso e fechou.
Por isso o número de ultilizadores do Windows 7 não abaixa, por isso até hoje tem pessoas ultilizando o XP, por isso tem pessoas que não sabem nem atualizar o WhatsApp quando aparece aquele aviso, por isso até hoje tem uma galera no Android 2.3.
Se estas mesmas pessoas tivessem sido ensinadas a usar alguma distro, usariam da mesma forma. Sem atualizar, sem manutenção. Só baixando o que precisa (sem nem saber o que é) e usando. Com a única diferença que o Windows não fica enchendo teu saco para ativá-lo.

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“Tecnicamente” o ENIAC também é um computador. E Turing-complete.

Telefones foram criados para fazer telefonemas e ponto final. É minha opinião sobre o assunto e sei que não coincide com a realidade dos fatos, mas é como penso.

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Xiu, deixa meu Office 2013 quietinho aqui.

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Só posso falar de meu círculo social. A impressão geral que tenho é que, antigamente, os jovens/adolescentes eram mais estimulados a aprender sobre informática do que agora, porque se imaginava que o computador teria um papel fundamental na sociedade e em novas profissões. Essa ideia não estava de todo errada, mas talvez não tenhamos previsto o avanço dos smartphones.

O Android, por exemplo, não demanda um conhecimento aprofundado; é tudo muito intuitivo. Basta uma instrução inicial e o usuário logo, logo estará sabendo usar de uma maneira básica, mas funcional. E convenhamos: tudo que um usuário básico precisa está na palma da mão e a poucos toques.

Eu já acho que computadores demandam um pouco mais de conhecimento e é estranho perceber como os adolescentes gostam bastante de tecnologia, mas ‘apanham’ na hora que precisam usar um PC ou mexer em algum software mais avançado (claro que estou falando de maneira geral, observando meu circulo social, pois sempre tem aqueles mais interessados que sabem mais). O conhecimento que eu e meus amigos tinhamos aos 15 anos sobre computadores era mais avançado que o do meu sobrinho na mesma idade e a gente nem fazia coisas avançadas. Eram apenas necessidades do dia-a-dia.

Outro exemplo são meus sobrinhos de 5 e 6 anos. Praticamente cresceram com smartphone na mão mas quando coloquei um joguinho simples no computador eles simplesmente não conseguiram jogar. Só consegui fazê-los aprender de alguma maneira quando instalei o jogo GCompris que alguém indicou aqui no fórum. Agora eles sabem usar o mouse e o teclado, mas definitivamente, a curva de aprendizado se comparado com smartphone, foi beeem maior.

Sinceramente, não sei como a sociedade ainda vai evoluir em termos de tecnologias e necessidades de mercado. Também não sei se essa geração sairá prejudicada por não ser ensinada sobre a necessidade de conhecimentos básicos em informática. Minha maior preocupação é que essa geração parece não ter a menor noção sobre segurança e privacidade na internet. Para eles está tudo bem expor a vida e seus dados para qualquer um ou qualquer empresa. Aliás, para eles, quanto mais exposição, melhor.

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Cara, tem uma falha estatística aí, com internet móvel você acessa ela a partir de qualquer lugar, já computadores só em casa e dependendo do caso no trabalho, sendo assim seria matematicamente improvável que computadores superassem smartphones nesse quesito, de resto concordo (exceto a parte do LoL)

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Hoje, próximo dos 40 anos, comecei a ver e mexer com computadores em meados os anos 90. Já peguei o “final” do que chamo de introdução do computador na vida das pessoas (em universidades, bancos e outros trabalhos com grande volume de dados este processo se iniciou primeiro). Lamento nunca ter programado furando fichas.
Uma das coisas que era mais legal desta época é que dava trabalho montar e deixar a máquina pronta. Era difícil, mas a conclusão era prazerosa.
Hoje em dia temos tudo pronto na palma da mão. Mesmo se você for começar a montar um PC do zero, para quem já o fez, é coisa que não demora meia hora, uma hora no máximo, e já tem uma máquina funcionando. Então não há “encanto”, não se sabe o tanto de conhecimento que foi agregado até ali para chegar naquilo, e a partir daí elevar a um outro patamar.
Outra coisa, claro, é que deixou de ser novidade. Hoje em dia temos vários “computadores” em casa, e há certos momentos em que me pergunto se já não há um exagero.

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Eu trabalho em uma escola como monitor. Como as aulas estão suspensas, todas as atividades escolares estão sendo realizadas a distancia e, com isso eu percebi que a maioria dos professores estão boquiabertos com o número de alunos que passam a maior parte do tempo na frente de um computador ou de um celular e não conseguem operar um simples serviço de video conferencia ou o google classroom.

Os nativos digitais podem ser experts nos joguinhos ou até mesmo na interpretação e compartilhamento de memes nas redes sociais, mas quando se deparam com outros serviços ou instrumentos digitais, se tornam pior do que os próprios pais ou avós (que geralmente servem de modelo pros seus memes representando pessoas digitalmente ignorantes).

Creio que o uso da internet tornou-se um postiço da anatomia e fisiologia humana, pois usa-se para tudo, tudo mesmo: Procurar comida, locomover-se, procurar parceiros sexuais…

Mas assim como muitos não precisam ser formados em biologia, e entender como é o funcionamento do corpo humano, para viver uma grande parcela da população acaba aprendendo a usar celulares, computadores e outros aparelhos sem nem ao menos entender o processo que desempenham para funcionar. Pois a grande preocupação do “usuário comum” é saber se funciona, não como funciona.

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Cara, outro dia lidei com um problema tão besta em minha smartv que não acreditei como uma falha bizarra de desenvolvimento desta passou batida.
E olha que não é um modelo básico, é uma Android TV.
Aparelho ligado, conectado à rede com o erro “conectada, mas sem internet”.
Navegador e Netflix funcionavam, mas outros aplicativos não (Youtube e Amazon Prime) pelo que me lembro.
E aí não sei porque, por algum motivo a TV perdeu a configuração de data/hora, e não soube reconhecer que o conflito era este.
Fico perguntando a qualidade do desenvolvimento a ponto de uma falha bizarra desta ter acontecido. Se ela não altera data e hora automaticamente, sincronizando pela rede, deveria. Se não o faz, por que uma hora sincronizada foi perdida? E pior, por que ela não conseguia identificar este erro absurdo?
Então acho que realmente a nova geração terá uma série de problemas em lidar com certos tipos de desafio. Coisas que fogem a esta facilidade da resposta pronta, que saem da caixa, podem ser um problema significativo, porque aparentemente tudo funciona e de maneira muito fácil, mas poucos se esforçam para entender o porquê e, aí ter uma visão crítica e poder resolver problemas que não tenham uma resposta pronta.

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Sei que algumas pessoas vão coçar o dedinho para falar “que nem todo mundo é assim”, mas é que a grande parte dos Brasileiros odeia ter conhecimento, independente da área.

Se alguém sabe usar o Microsoft Office ou se sabe baixar coisas da internet, já é o suficiente para ele ser chamado de nerd (de forma pejorativa), e coisas desse gênero.

Se tratando de adolescente as coisas pioram ainda mais, a maioria fica com “nojo” desse tipo de assunto, mas quando é para dar lição de moral em cima de alguém ou até mesmo falar de empatia sem nunca ter lavado a roupa íntima uma vez na vida para ajudar a mãe, vira um filósofo(a) contemporâneo.

E as pessoas só tem esse comportamento acima para poder ser notada por outras pessoas, da mesma forma que o jovem “entusiasta” não dura uma semana usando Linux porquê tem preguiça ou odeia ler três linhas que resolverão um problema simples, prefere que alguém resolva o problema pra ele, enquanto o mesmo toma um ovomaltine.

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Você sabe como se aprendia a usar computador na década de 90/2000?

Tem ideia do quanto as pessoas se tornaram preguiçosas para usar um computador, ao ponto de não aceitarem mudanças na aparência, seja do sistema operacional, ou dos programas que costuma usar?

Acredito que esse meu vídeo possa lhe ajudar a refletir sobre o assunto.

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Tinha duas formas: fuçando e/ou lendo apostila.

Na década de 90, com uma máquina custando seus R$ 5.000,00 e o salário em seus míseros R$ 136,00 (em 1999), quase ninguém tinha condições de adquirir um (mesmo que do Paraguai).

Talvez até conseguissem alguma apostila, mas sem uma máquina para praticar, agora comprar sem um conhecimento prévio, para aprender sozinho? Não na realidade do Brasil na década de 90.

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Eu lembro que computador nos anos 80 era coisa de empresa grande.
No começo dos anos 90, o 386 era artigo de luxo de médios/altos executivos.
Em 1994 começou a chegar na classe média alta, por R$ 3.000,00 no kit IBM 486DX266 com um monitor de tubo de 14", impressora matricial e estabilizador.
Entrei na escola técnica em 1997. Naquele ano não ter um computador já era uma significativa desvantagem em pesquisas. Aí descobri laboratórios que eram abertos a uso dos estudantes quando não estavam havendo aulas. Para época, em verdadeiro luxo: 4 ou 5 salas (agora não lembro) com 20 computadores cada E acesso à internet, o que na época ainda estava engatinhando, mas era raro. Algumas máquinas já eram windows 95 e outras eram 3.11. Isto já foi uma oportunidade de ter que encarar sistemas um pouco diferentes entre si.