Atualizar kernel não é obrigatório quando tudo já funciona bem, mas também é falso dizer que hardware antigo não se beneficia, porque kernels novos continuam melhorando subsistemas que impactam máquinas antigas: memória, swap, rede, filesystem, segurança e drivers já existentes.
Eu evitaria prometer que “o 7.0 é sempre melhor” ou que “o 6.8 é sempre mais estável”, porque o próprio histórico do kernel mostra que cada versão mistura novos recursos, otimizações, correções e também possíveis regressões pontuais. O ponto forte da discussão não é torcida por versão, e sim a documentação oficial mostrando ganhos concretos que vão muito além de “reconhecer hardware recém-lançado”.
Só no Linux 7.0, por exemplo, a documentação cita cerca de 20% de ganho em redis-benchmark com a fase II da infraestrutura de swap, algo que pode beneficiar diretamente PCs antigos com pouca RAM, máquinas que usam zram e sistemas que acabam caindo em swap com frequência. Na rede, o 7.0 também traz suporte a buffers RX maiores, com redução de uso de CPU em fluxo único em até cerca de 30%, além de otimizações no caminho TCP/IPv6 para economizar ciclos e reduzir cache misses, o que é especialmente relevante em hardware mais limitado.
No gerenciamento de processos e I/O, o 7.0 retrabalhou a alocação de PID, com ganhos medidos de 10% a 16% em criação e remoção de threads, e ainda houve melhora de 4% a 16% em open/close em benchmark multicore. Isso prova que kernel novo não vive só de adicionar IDs de dispositivo novo; ele também melhora caminhos internos que afetam desempenho real em máquinas antigas e atuais.
No filesystem, o 6.8 já havia trazido reparo online no XFS, e o 7.0 avançou isso com monitoramento de saúde e autorreparo autônomo, mostrando evolução prática em confiabilidade e manutenção. Já no Linux 6.8, a reorganização de estruturas da pilha de rede melhorou o desempenho de TCP com muitas conexões concorrentes em até 40%, o que é claramente otimização de stack e não mera compatibilidade com hardware novo.
Então a afirmação mais correta é: nem todo hardware antigo vai ter ganho perceptível ao trocar de kernel, mas dizer que hardware antigo não se beneficia de kernels mais novos simplesmente não bate com a documentação. E isso é olhando só para exemplos pontuais do 6.8 e do 7.0; no meio do caminho ainda houve várias releases intermediárias, como 6.9, 6.10 e outras, acumulando mudanças que não podem ser reduzidas à ideia de que “kernel novo só serve para PC novo”.