A "reparabilidade"´, pelo usuário, em notebooks vai se tornar um privilégio de luxo? Uma excessão?

Parece que a obsolescência programada e perceptível veio para ficar nos laptops. Estava observando que quase todos os notebooks novos não podem ser reparados pelos usuários, nem podem ser melhorados através da substituição de componentes, quer seja pela perda de garantia, quer seja por terem componentes soldados ou “blindados”, até a linha Thinkpad aderiu a tendência, tendo a maioria dos modelos pelo menos o slot principal de memória soldado, isso quando não são ambos, irônico para uma família de portáteis que na época da IBM era conhecida não só pela robustez, mas, pela reparabilidade, hoje, a coisa chegou a tal ponto, que a Lenovo destaca como diferencial o fato dos novos modelos T14 e T16 2024 serem reparáveis pelos proprietários e ganharem uma nota 9 do Ifixit, o que antes seria algo banal à praticamente todos os equipamentos. Onde vamos para com essa tendência?

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Percebi isso enquanto estava buscando um notebook para comprar entre o final do ano passado e o começo desse ano.

Queria um notebook pequeno, para não ter que levar o meu Inspiron 5558 - um trambolho de 15,6", que fica ainda maior com a capa de proteção e que pesa uns 2 quilos - quando vou viajar e nisso acabei indo parar nos Thinkpads de 12,5" e de 13,3".

Nos de 12,5", encontrei o X280, que era leve, bonitinho, potente, mas com um problema: RAM soldada na placa. O anterior tinha como fazer um upgrade de RAM, mas para mim, ele tinha dois problemas: i5 de sétima geração (era aqueles que são núcleos com quatro threads) e, segundo as reviews que li, era pesado demais para um notebook de 12,5"

E era “apenas” de 8 GB de RAM. Os únicos que não haviam (ainda) aderido a essa tendência eram os de 13,3" e os de 14,1"

Acabei levando o L390 de 13,3", que ao menos tem como aumentar a RAM dele, caso eu precise.

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Mas olhando pro mercado quase ninguém realmente faz isso sozinho, veja pelas baterias de notebook, antigamente eram um encaixe e pronto, a grande maioria das pessoas levava a uma assistência para trocar. Visto isto as marcas optaram por uma interna, alegando um monte de coisa, mas redução de uma engenharia pra fazer.

Não defendendo as marcas, eu gosto de notebooks que tenham facil acesso para reparos, mas os usuários não lembra disto quando vão comprar um

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O sistema está em linha e funcionando perfeitamente. A tendência é que a diferença entre notebook e tablets ficará cada vez mais tênue, inclusive já existindo alguns modelos com telas destacáveis, ou tablets com teclados sob medida. Cada produto tem a tendência de não ser reparável pois isso:

  1. Diminui a vida útil do equipamento. A vida dele se dá pela falha do primeiro componente.
  2. Facilita o controle de estoque de peças da fabricante. Eles não precisam ter peças de reposição, as vezes sequer colocam à venda peças.
  3. Aumenta a velocidade de inovação. Com produtos antigos saindo rapidamente do mercado, fica mais fácil vender modelos novos com novas tecnologias.

Ou seja, na nossa sociedade de consumo só há pontos positivos para os fabricantes. Já os pontos negativos ficam dissolvidos entre consumidores e meio-ambiente:

  1. Aumento do lixo eletrônico, especialmente do lixo eletrônico que funciona.
  2. Embora não haja custo de manutenção/reparo, o custo total fica maior pois há sempre compra de produtos novos.

Em termos sociais eu vejo que é positivo ao sistema, pois produtos funcionais podem ser revendidos/doados para a parcela mais pobre da sociedade, com os mais pobres tendo acesso a tecnologias mais antigas por valores bem menores. Só que o ideal é que as pessoas não fossem pobres a ponto de precisar de lixo eletrônico. Países mais ricos chegam até a exportar o lixo para países mais pobres, contando vantagem sobre isso, enquanto esquecem o dano ambiental concentrados nesses países periféricos.

Também é injusto falar que isso é culpa dos consumidores, pois quando há grande dano financeiro/social/ambiental, o correto é que padrões de defesa do interesse do consumidor fossem impostos sobre os produtos comercializados. No celular chegamos a um ponto onde é praticamente impossível comprar um que seja “reparável”. Assim, se depender da consciência do consumidor, produtos que respeitam o ambiente e são mais econômicos (a longo prazo) vão acabar caindo em nicho de mercado, relegados sempre a parcelas bem pequenas dos produtos vendidos.

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Me parece (minha observação pessoal, não estudei a fundo) que, tendo essa mesma impressão que a sua agora à poucos meses atrás quando fui comprar um note novo, é que os computadores portáteis estão mais se aproximando do smartphone do que de um computador pessoal. Serio mesmo, comprei Vaio pra ter expansão de memoria porque de resto, me sentia como se encontrasse Xiaomis com teclado e telas maiores (rodando Windows, obviamente) …

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Chegamos a um ponto onde smartphones são tratados como descartáveis. Trocar de celular todo ano é a meta de vida de boa parte a sociedade. A pessoas só se importam com as consequências, mas se esquecem bem rapidinho no próximo reels…

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Sempre consertei os meus computadores, inclusive notebooks. Notei também essa tendência de dificultar ou impedir esse tipo de coisa. Além, é claro, da visão não ser mais essas coisas pra mexer com notebooks.
Recentemente o notebook Dell do meu filho, que nem é tão novo assim, deu um problema e pela primeira vez falei pra ele procurar alguém pra consertar.
Pros fabricantes solda é mais fácil e mais barato do que parafuso.

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Eu, particularmente, não penso dessa forma, uso qualquer coisa o máximo possível. Meu telefone anterior (iPhone), usei por pouco mais de 5 anos. O atual, um Poco F4, já está comigo a pouco mais de 2 anos. Talvez não dure tanto quanto o iPhone, mas deve “dar um bom caldo ainda” :grin:

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Sou adepto disso, mas está ficando cada vez mais difícil.

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Eu também amigo. Meu smartphone anterior, guerreiro, 5 anos de uso, isso pq ele caiu e quebrou a tela, se não estaria aqui moendo ainda.

O que mais me revolta é que, por ex., esse SP que eu tinha dava uma surra em qualquer lançamento de $1.5-2k mesmo 2 anos após eu comprar, isso pq eu comprei 2 anos após o lançamento dele!

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Um ponto que agrava a descartabilidade dos celulares é o ponto final que os fabricantes estabelecem nas atualizações do sistema operacional. Aí os modelos mais antigos, mas ainda bons de funcionamento, ficam com versões do Android ou do sistema da Apple que não mais passam por correções de bugs e problemas de segurança.

Isso, claro, no padrão. Um usuário inquieto e afeito a tecnologia termina trocando “na mão” o sistema operacional. Mas não podemos esperar isso da enorme população de usuários comuns e leigos em TI.

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Isso realmente é um baita problema. Quando comprei esse meu último celular (Poco F4) tomei o cuidado de verificar os detalhes das atualizações.
Nossa vida está nos celulares, não podemos dar mole ao azar.

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O mesmo por aqui. O meu celular anterior era um Motorola One Zoom, e fiquei com ele por 4 anos. E ele já estava bem capenga. A bateria descarregava só de olhar pro celular e ele estava lento. Bem lento.

E o celular que eu tenho hoje em dia, é um A52 que era do meu pai e está com 3 anos de uso e acho que dá pra usar por mais um bom tempo ainda. E como foi um celular que deu defeito (e meu pai não gostou muito da experiência da Samsung), levei para arrumar e fiquei com ele. E o meu pai comprou um Motorola, que é mais do agrado dele.

Também busco usar os celulares até não dar mais. Ou até o apagar das luzes da plataforma que estou usando, como aconteceu com o Lumia 640 XL, que usei por dois anos e meio, bem no fim do Windows Phone.

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E tenha certeza de uma coisa, isso vai alcançar tudo, inclusive carros.

E não será apenas uma questão de obsolescência programada, via software.
Uma questão de o que você comprou não funcionar mais.

É questão de controle… e total, usando IA.
Você sai fora do “trilho” e a IA f* sua vida em todos os sentidos.
E não haverá um ser humano do outro lado pra você recorrer.

Isso de nuvem ou de estar conectado em tudo parece coisa boa, comodidade, mas a pura verdade é que os caras ficam com o controle de tudo.

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Governo: Sua não, nossa!

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Isso é simplesmente consequência do modo de produção e a tendência vai continuar. Os produtos em geral não precisam mais ser comprados a todo tempo mas as empresas precisam aumentar seu lucro cada vez mais.

Eu mesmo uso um notebook de 2013 e um desktop praticamente todo de 2017 (que só troquei a VGA pq a antiga pifou), não tem justificativa pra grande parcela da população ficar trocando de equipamento. Esse notebook é um thinkpad que comprei de uma empresa que estava renovando os computadores, então estavam vendendo de lote a um preço muito bom. Comprei lá pra 2015 sei lá e o bicho tá firme e forte até hoje aqui, só precisei trocar o teclado e a bateria uns anos atrás. Hoje em dia dá pra contar nos dedos os notes que tem alguma reparabilidade. No máximo da pra enfiar uma memória RAM e um SSD NVME e olhe lá, quando não é tudo soldado.

Única forma de empurrar produto novo é quebrando o antigo. Matam praticamente tudo de forma artificial, seja na forma de não suprir mais updates de software ou simplesmente fazer o hardware ser descartável ao mínimo sinal de falha. Introduzem “features” absolutamente inúteis que aumentam ainda mais a probabilidade de falha dos produtos.

Uma máquina de lavar minha deu problema na placa com 1 ano de uso, exatamente quando terminou a garantia da loja. Foi da Electrolux, que esqueci exatamente o modelo agora, mas fujam dessa bomba. Minha mãe já trocou de TV umas 3x nos últimos anos pq todas deram algum tipo de vicio oculto no painel exatamente no final da garantia. Enquanto isso minha TV de 2011 aqui firme e forte.

Quanto aos celulares, usei um redmi note 4 de 2016 até final de 2022, quando meu gato derrubou ele de uma altura considerável e triturou a tela Até arrumei a tela e a bateria, mas acabou não ficando muito bom (talvez eu tenha feito serviço porco ou comprado peças ruins hehe). O software já estava sofrido, com poucos devs indianos obscuros fornecendo alguma atualização pra custom ROMs, fui obrigado a substituir. Não fosse isso ainda estaria usando, tirando o famoso leite de pedra. Como sou um adepto do minimalismo digital meu celular é só uma máquina eventual de tirar foto e mandar whatsapp/signal.

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Não vejo como o governo subserviente, periférico e dependente do Brasil poderia ter algum controle sobre dados que são controlados por empresas gigantescas estadunidenses. Se alguém detém controle sobre esses dados são os países centrais do capitalismo.

Bom seria se os dados ficassem no nosso país e não na mão desses safados, sugando tudo de graça e tornando nossa economia ainda mais primária e dependente da deles.

Recomendo o excelente livro: Colonialismo de Dados, que se não me engano foi organizado pelo Sérgio Amadeu (não me lembro exatamente o nome dele). Tem também o clássico da Shoshana Zuboff que discute o capitalismo de vigilância, mas ela faz um discurso político raso. É bom pra entender como funciona o sistema vigente dessas big techs.

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Por mais periférico que seja o governo BR, um mercado de 200mi de usuários não é de se descartar assim. Todas as empresas, grandes ou pequenas vão se ajoelhar perante o estado para manter suas operações e lucros altos.

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Eu torço que essa tendência não vá para frente.
Para quem precisa fazer upgrades ao longo do tempo isso é sempre um fator no momento da escolha.

Não sei qual empresa começou esta tendência em notebooks (tera sido a apple com os macbooks?) mas as outras estão indo atrás.

Para elas isso é maximizar o lucro, o custo dela deve ficar mais baixo e ela cobra o quanto quiser pela versão com mais memória de um mesmo notebook. Tipo 2x o valor de mercado da memória, sendo que o mercado que eu falo é o varejo e ela compra como fabricante.

Mas por outro lado eu vejo que as fabricantes de memórias e ssds podem sair perdendo ao longo do tempo, pois perdem venda de varejo. Quem sabe elas entrem no jogo para barrar essa inflexibilidade das fabricantes de notebooks.

Eu mesmo estou pesquisando para adquirir um notebook novo e esse lance da memória soldada limita muito as escolhas. Fora que ainda tem notes com slot’s livres mas tela TN que para meu dia a dia não serve.

Então continuo garimpando, e atendo as pegadinhas como a limitação de expansão de RAM e saída HDMI nos Dell Inspiron (pelo menos no site da Dell diz q só vai até 16GB e a HDMI não permite resolução acima de Full-HD)

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Sou adepto também, quero adquirir algo que me sirva e dure ao máximo possível.